
Capítulo 219
O Extra é um Gênio!?
As ruas de Tharvaldur brilhavam com uma luz suave e mágica. Runas embutidas nas paredes de pedra pulsavam lentamente, projetando um tom azul que envolvia os largos caminhos da cidade. Noel caminhava tranquilamente, com as mãos nos bolsos do sobretudo, ao lado de Selene. Seus cabelos curtos e azuis e os olhos afiados refletiam o brilho da cidade, fazendo-a se destacar mesmo no silêncio.
À sua frente, Noir avançava com propósito silencioso. Seu pelo preto e liso brilhava sob a luz, os detalhes roxos nas patas e na cauda davam a ela uma aparência de outro mundo. Ela liderava o grupo, embora Noel não soubesse exatamente para onde.
Observando Selene de relance pelo canto do olho, ele falou suavemente:
"Como você está?"
Selene não olhou para ele. Seus olhos permaneciam fixos na trilha à sua frente.
"Estou bem."
Ele exalou pelo nariz e assentiu com a cabeça. Seu tom de voz era apático, distante.
"Sabe que pode conversar comigo, né?" Ele manteve a calma, com cuidado ao falar. "Não vou contar nada a ninguém, igual da última vez. Como estão as coisas com sua mãe?"
Os passos de Selene não vacilaram, mas suas mãos se apertaram levemente ao lado do corpo.
"Não falei com ela de novo," disse, ainda sem olhar nos olhos dele. "Como te contei… só queria explicações. Não acho que consiga perdoá-la."
Noel olhou para baixo por um momento, depois levantou novamente o rosto.
"Entendo. Bem…" ele deu um pequeno aceno de cabeça. "Fico feliz por você ter tomado uma decisão."
Selene diminuiu o ritmo, demonstrando uma hesitação. Então, em voz baixa:
"Isso faz de mim uma pessoa má?"
Noel parou de caminhar.
Ela deu mais alguns passos antes de perceber e virou a cabeça, na direção dele, só o suficiente para lançar um olhar rápida.
Ele a encarou, firme e direto.
"Pessoa má? Por não perdoar alguém que te atormentou a vida toda?" Ele soltou uma risada suave, balançando a cabeça. "Achava que você fosse mais inteligente, Selene."
Ela não respondeu. Sua expressão era difícil de interpretar — mas ela não desviou o olhar.
"Pessoas como ela não merecem perdão," ele continuou. "Ela fez coisas que ninguém deveria fazer. Então não, isso não te torna uma pessoa ruim. Muito pelo contrário."
Selene não respondeu a isso. Simplesmente continuou caminhando, com a expressão impassível como sempre.
De repente, Noir parou diante de um prédio largo e luxuoso. As paredes de pedra tinham padrões elegantes entalhados, emitindo um brilho suave de linhas de mana. Da entrada saíam um grupo de garotas — cerca de quarenta ao todo. Algumas riam, outras se alongavam ou conversavam entre si.
Todas usavam uniformes combinando: roxo escuro com detalhes prateados. Nenhum rapaz. Apenas garotas.
As idades variavam. Algumas pareciam ter apenas dezesseis anos. Outras, claramente mais velhas — de dezoito, talvez até vinte. Humanos, elfos, anões. Uma mistura completa de raças.
Noel estreitou um pouco os olhos.
"Parece que encontramos alguma das outras escolas. Você sabe quem são?"
Selene balançou a cabeça uma vez, observando a multidão. "Não."
Noel olhou para as placas, mesmo sabendo a resposta, já que as tinha na memória.
'Já sei… aquela é a escola da região noroeste de Elarith. Luceria Grand Academy. Só de meninas. Multirracial.'
"Vamos seguir em frente—"
Ele virou um pouco o corpo, mas uma voz firme interrompeu antes que pudesse terminar.
"Ei! Vocês são de outra academia, né?"
Uma das garotas se aproximou com passo confiante. Tinha cabelo curto vermelho e olhos vermelhos vivos. Seu sorriso era largo, convencido. Ela olhava Noel de cima a baixo com curiosidade aberta.
"Dá pra perceber pelo uniforme. Vocês são da Academia Imperial de Valor, não é? Então, somos adversários na competição!"
Noel confirmou com um breve aceno de cabeça, mantendo o tom de voz neutro. "Sim. Isso mesmo. Estávamos apenas indo embora."
Ele tentou se virar, mas a ruiva avançou direto à frente dele, bloqueando o caminho com as mãos apoiadas nos quadris.
"Espera! Você tem namorada?"
O sorriso dela se abriu ainda mais.
"Na nossa escola, os meninos não podem namorar, então é difícil conhecer alguém. Você não quer uma namorada?"
Noel levantou uma sobrancelha, com uma expressão entre diversão e descrença.
"Relaxa. Eu estou comprometido."
A garota se inclinou de lado e apontou para Selene, brincando com a cabeça.
"Ah? Será ela então?"
Selene piscou uma vez, sem dizer nada. Sua expressão nem se mexeu.
"Não, não é ela."
Os olhos da garota se arregalaram e ela soltou um suspiro dramático.
"Então você está traindo sua namorada?!"
Noel suspirou. "Não. Somos apenas amigos. Caminhando juntos."
Ela cruzou os braços e bufou, ainda sorrindo.
"Eu não acredito. Quando eu ver sua namorada, contarei pra ela!"
Noel acenou com dois dedos e virou para seguir em frente.
"Vai lá."
Eles passaram por ela sem olhar para trás, com Noir liderando novamente.
"Desculpa aí," murmurou discretamente.
Os olhos de Selene continuaram fixos à frente. "Não foi sua culpa."
As ruas ficavam mais silenciosas à medida que se afastavam do centro. Noir caminhava alguns passos à frente, com as orelhas erguidas e a cauda balançando lentamente.
Eventualmente, ela parou diante de outro edifício alto. Assim como os demais, parecia um hotel — entrada ampla, símbolos brilhantes, lampiões encantados ao lado da porta. Mas desta vez, o grupo de estudantes que se reuniu lá fora tinha uma presença diferente.
À primeira vista, pareciam humanos… mas não eram exatamente.
Noel estreitou os olhos.
Alguns tinham pequenos chifres enrolados saindo das têmporas. Outros tinham olhos que brilhavam tenuemente ou pele levemente pálida ou avermelhada demais.
"Demoníacos," murmurou.
Selene cruzou os braços, observando em silêncio.
"Eles estão em forma humanoide. Só se transformam em formas demoníacas completas ao lutar."
"Certo," disse Noel em voz baixa. "Deve ser a delegação de Velmora. Faz sentido eles estarem aqui, foram os que o Roberto mencionou para mim mais cedo."
As estudantes lá fora riam e conversavam normalmente, como qualquer grupo de adolescentes. Mas tinha algo no ar — algo mais pesado, mais denso.
"Parece que eles serão fortes," acrescentou.
De repente, Noir virou a cabeça para observar de volta, depois voltou a caminhar.
Após mais dez minutos de caminhada, Noir parou outra vez. Desta vez, na frente de uma estrutura diferente das demais.
O Instituto de Poder Arcano de Tharvaldur erguia-se talhado na encosta da montanha — alto, imponente e reluzente. Camadas de pedra e metal encantado se combinavam em uma arquitetura de arestas afiadas. Runas brilhavam em padrões fixos nas paredes, alimentando plataformas flutuantes, sigilos giratórios e uma grande lente mágica que pairava acima do portão principal como um olho vigilantemente atento.
Noel assobiou baixinho.
"Isso… é mais impressionante do que imaginei."
Selene deu um passo à frente, olhar fixo no edifício. Seus olhos refletiam as runas flutuantes acima.
"Encantamentos avançados," ela murmurou. "Talvez técnicas de camadas anãs…"
Noel sorriu levemente ao vê-la tão interessada.
"É. Pelo que li, eles são especializados em engenharia de mana e aplicações táticas de combate. Essa é a escola anfitriã — a própria Tharvaldur."
Ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas observando os estudantes e funcionários se moverem atrás dos portões principais.
"Provavelmente vamos vê-los bastante nos próximos dias," disse Noel. "Hora de nos preparar para o torneio."
A voz de Selene foi tranquila, mas clara.
"Seria interessante… encontrar alguém forte."
Noel olhou de lado para ela. Ela permanecia imóvel, encarando com uma calma intensa.
"Sim. Seria mesmo."
'Talvez aqui haja alguns estudantes capazes de competir com Selene. Talvez até superá-la. Vamos ver quem enfrentará quem…'
Nosso(a) AI tentou manter a fidelidade às suas instruções, adaptando a linguagem para uma narrativa natural, fluente, adequada ao contexto e respeitando o gênero do personagem ao transmitir diálogos. Caso precise de mais algum ajuste, estou à disposição.