
Capítulo 220
O Extra é um Gênio!?
As ruas que levavam à Grande Arena já estavam lotadas. Estudantes de todas as quatro academias caminhavam em grupos, vestindo uniformes de treino ou trajes formais da academia. Mas, na parte de trás da concentração, duas figuras caminhavam numa passada mais tranquila.
Noel e Marcus.
Nenhum parecia especialmente apressado.
"Ainda sinto aquela comida de ontem à noite brigando comigo por dentro," murmurou Marcus, com a mão na barriga.
"É, provavelmente especiarias amaldiçoadas de anão ou algo assim," respondeu Noel, suspirando. "De qualquer modo, é melhor não chegarmos atrasados. Hoje vão mostrar o quadro dos classificados."
Marcus sorriu de lado. "Animado?"
"Nem tanto. Só quero saber contra quem vou lutar. Espero não ser eliminado na primeira rodada."
Marcus olhou para ele com uma expressão de ceticismo. "Você? Ah, vamos. Com o seu nível, vai longe."
Noel deu de ombros. "O mesmo para você. Mas, se ambos continuarmos vencendo, provavelmente nos veremos na terceira rodada."
"Como assim?"
"Eles estão sorteando os nomes de quatro caixas separadas—uma por academia. As primeiras rodadas são feitas para garantir confrontos entre academias diferentes. Então, a não ser que aconteça algo estranho, não podemos nos enfrentar antes da terceira rodada."
Marcus levantou as sobrancelhas. "Faz sentido. Assim fica equilibrado, e cada academia precisa mostrar seu valor desde o começo."
"Exatamente."
Quando viraram a última esquina, a arena apareceu à sua frente.
Era enorme—construída na própria montanha, com torres de pedra esculpidas e banners brilhantes mostrando sigilos que mudavam de forma de todas as quatro academias. Dozens de estudantes já estavam lá dentro.
Noel respirou fundo lentamente.
"Vamos ver o que o destino nos reservou."
Dentro da Grande Arena, o som de passos e conversas baixas ecoava pelas paredes de pedra. O piso principal era amplo, com azulejos lisos marcados por linhas arcanas sutis. Torres enormes rodeavam o perímetro, onde centenas de assentos encantados pairavam ligeiramente acima do chão, vibrando com mana.
Noel e Marcus entraram pelo portal central, rápidamente avistando seus colegas agrupados perto do centro. Todos os 160 participantes do torneio já estavam presentes—dispostos de forma dispersa em seus grupos de academia, os olhos voltados para cima.
Quatro tronos sobressaíam em uma plataforma elevada, encostada na parede superior da arena.
Quatro figuras estavam sentadas lá.
No canto esquerdo, o Diretor Nicolas von Aldros, vestido com suas robes azul escuro e dourado, braços cruzados e expressão indecifrável.
Ao lado dele, um anão fortemente barbeado, robusto e baixo, com sua capa carmesim caída sobre uma armadura de placas de aço. Esse tinha que ser o anfitrião—Diretor de Tharvaldur.
Ao seu lado, uma mulher alta, com longos cabelos violetas trançados de um lado, vestida com robes largos de seda roxa escura. Seu olhar era afiado, observador. A Diretora da Academia de Luceria.
E, finalmente, no canto direito—impossível de não notar—um homem com robes pretos elegantes e chifres de obsidiana curvos saindo de seu crânio. Sua pele tinha um leve tom avermelhado. O Diretor de Velmora.
O olhar de Noel fixou-se em Nicolas.
'Então, ele voltou. Bom. Vou precisar falar com ele logo sobre o que encontrou no Quinto Pilar…'
Seus olhos passaram para o diretor de chifres ao lado dele.
'…Mas primeiro, vou curtir ver ele sofrer sentado tão perto de um demônio.'
Acima, Nicolas se mexeu levemente na cadeira. Seja por desconforto ou irritação, era difícil de dizer—but era perceptível.
Os murmúrios da multidão diminuíram quando o diretor anão avançou até a borda da plataforma. Sua voz ecoou pelo arena, sem precisar de magia.
"Jovens guerreiros de Vaelterra!"
Ele fez uma pausa para efeito, sorrindo por baixo da barba espessa.
"Vocês são o futuro deste mundo—magos, cavaleiros, estrategistas, campeões. Amanhã começa o torneio. Lutem bem, lutem com orgulho. Que essa seja sua chance de ganhar fama e honra para sua academia… e, quem sabe, para vocês mesmos."
Uma onda de aplausos dispersos percorreu os estudantes. Alguns assentiram com faces sérias; outros simplesmente ficaram em silêncio.
"Mas, acima de tudo," acrescentou o anão com um gesto de relâmpago nos olhos, "aproveitem. Isso só acontece uma vez."
Então, ele recuou, e Nicolas levantou-se com elegância em seu lugar.
Enquanto o anão era informal, Nicolas era pura precisão. Com as mãos atrás das costas, sua voz era calma, mas de comando.
"Agora, ouçam bem. Em instantes, vocês descobrirão quem será seu primeiro oponente. Para garantir justiça, todos os confrontos da primeira e da segunda rodada serão entre estudantes de academias diferentes. Depois disso, qualquer duelo é possível."
Ele levantou a mão direita e, com um sussurro de mana, quatro caixas ornamentadas começaram a flutuar do chão—cada uma marcada com um brasão diferente: Valor Imperial, Luceria Grand, Velmora e Tharvaldur.
Eles pairaram acima do piso, girando lentamente no lugar.
"Cada caixa contém os nomes de seus respectivos estudantes. Prestem atenção."
Com um gesto rápido, enviou outro pulso de magia. Aos poucos, papéis saíram das caixas—centenas deles—até que 160 nomes brilhavam no ar.
Começaram a se alinhar, formando linhas e colunas, criando um enorme quadro transparente que pairava sobre a arena.
Suspiros e sussurros se espalharam. Alguns estudantes apertaram os olhos, tentando encontrar seus próprios nomes.
Nicolas falou novamente.
"Um cronograma detalhado de seus combates estará disponível nos vestiários. Devido ao número de participantes, alguns podem lutar duas vezes no mesmo dia. Preparem-se."
O quadro cintilou, finalmente travando no lugar.
Noel estreitou os olhos.
Hora de descobrir contra quem ele vai lutar.
Linhas de texto brilhante se estendiam pelo céu acima, nomes aparecendo um após o outro, cada caixa um possível duelo. Era difícil focar em algo específico com tantas letras brilhando, tremulando na magia incessante.
Mas então, ele encontrou.
Noel Thorne contra Varian Kraxus.
Um demônio. O nome já soava agressivo, mas Noel não se lembrava de detalhes específicos do romance. Só uma lembrança vaga de que as primeiras rodadas eram cheias de surpresas.
'Ótimo. Um demônio logo de cara. Pelo menos não vou ficar entediado.'
Seus olhos continuaram move–seando.
Garron contra Anastasia.
Ele piscou. Depois de novo.
'…Espere.'
Um arrepio frio percorreu sua espinha ao perceber.
Cabelos vermelhos. Olhos vermelhos penetrantes. Aquele sorriso convencido.
A garota que tinha se aproximado dele há quatro noites, do lado de fora do hotel de Luceria.
Aquela que perguntou se ele tinha namorada.
'Anastasia. É ela. A maldita garota.'
Ele esfregou a nuca, o maxilar se tensionando um pouco.
'Ela é perigosa. Rápida, imprevisível e gosta de brincar antes de acabar com as pessoas. Agora me lembro—ela foi longe no romance.'
Olhou para Garron, que ainda encarava o céu, sem saber de nada.
'Meu Deus. Que partida difícil. Vamos ver se ele passa da primeira rodada.'
Ele soltou um suspiro silencioso.
'Tô relaxando demais. Preciso rever tudo de novo… Me deixei levar.'
O quadro brilhou mais uma vez antes de lentamente desaparecer do céu.
A multidão voltou a murmurar, nervosa, a tensão se instalando enquanto a realidade se firmava.
O torneio tinha começado oficialmente.