O Extra é um Gênio!?

Capítulo 221

O Extra é um Gênio!?

As ruas ao redor da arena ficaram bem mais silenciosas agora. A maioria dos estudantes já tinha retornado aos alojamentos, seja para conversar sobre os confrontos ou para descansar antes das lutas de amanhã.

Noel, no entanto, ainda não tinha intenção de voltar.

Ele se movimentava silenciosamente por um caminho lateral próximo ao setor administrativo da arena, com o capuz puxado para cima, enquanto Noir caminhava próxima ao seu lado. Ela não fazia som algum, sua pelagem preta com roxo quase se confundindo com o ambiente de pedra.

Não estavam ali para brigar ou arrombar portas.

Estavam ali para observar.

"No romance, o Quinto Pilar tinha ligação com o próprio evento. Não na sombra, não escondido. Era alguém importante — parte do sistema."

Ele olhou ao redor antes de se esconder em um corredor estreito entre dois prédios, verificando se havia guardas. Não havia ninguém.

"Se isso também é verdade aqui, então ele não é apenas um assistente ou técnico qualquer. Tem influência. Está perto da arena, da logística... talvez até da administração."

Noir parou por um instante e cheirou o ar. Suas orelhas se mexeram ligeiramente, depois ela seguiu em frente sem fazer som algum.

"—Alguma coisa?" — sussurrou Noel.

Não houve resposta. Apenas o ritmo constante de seus passos acolchoados.

Eles chegaram a uma parte inferior do perímetro da arena — menos vigiada, provavelmente destinada ao armazenamento ou às entradas de trabalhadores. A entrada estava trancada.

Noel parou em frente a ela, colocando a mão contra a parede de pedra.

"Noir."

A loba olhou para ele, depois, silenciando-se, fundiu-se em sombra. Seu corpo se dissolveu em névoa negra, esgueirando-se pelas frestas estreitas entre a moldura e a porta.

Noel esperou, verificando por um momento se havia alguém por perto.

Alguns segundos depois, ouviu-se um clique suave do lado de dentro.

A porta rangeu ao abrir.

"Boa garota", murmurou ele, entrando.

'Vamos ver quem são as pessoas que movimentam os bastidores aqui.'

O interior era amplo — bem maior do que ele esperava.

Corredores de pedra se abriam para uma grande sala de operações abaixo da arena. Dezena de anões se deslocavam de um lado para o outro, montando equipamentos, calibrando telas flutuantes, ajustando projetores rúnicos. Alguns estavam em plataformas de encantamento, outros verificando protocolos de segurança. Parecia a sala de controle de um grande concerto… se esses concertos envolvessem feitiços de combate e encantamentos estruturais.

Noel permanecia nas sombras de uma passarela suspensa, agachado e silencioso. Noir era uma fina camada de sombra ao seu lado, com a forma achatada contra a pedra.

'Caramba… isso está mais intenso do que eu imaginava.'

Ele não era o único observando.

No extremo da sala, cercado por funcionários de alta patente, estava o diretor de Tharvaldur — ombros largos, barba vermelha profunda e uma voz que ecoava mesmo de longe. Ele não usava sua túnica cerimonial, apenas um sobretudo reforçado e luvas grossas. Parecia mais um comandante militar do que um acadêmico.

Ao lado dele, havia outro anão, mais velho, com cabelos grisalhos e uma tiara de ouro repousando acima da testa. Ele falava menos, mas todos se voltavam ao ouvi-lo.

Noel cruzou os braços, estreitando os olhos.

'O rei?'

A atmosfera ao redor deles era clara: isso não era um nobre qualquer — era alguém que todos respeitavam imediatamente.

Logo atrás, de pé, haviam mais dois anões em trajes formais impecáveis, provavelmente nobres ou chefes de guilda.

O olhar de Noel voltou ao diretor.

Ele estava rindo.

Como alguém que não tinha nada a esconder.

'Ele controla tudo por aqui. Se eu fosse o Quinto Pilar… esse é exatamente o tipo de posição que eu procuraria.'

Ele não queria tirar conclusões precipitadas, mas tudo fazia sentido.

Noel ficou agachado, escondido atrás do corrimão superior, observando em silêncio.

Logo abaixo, tudo funcionava como um relógio — organizado, eficiente. Os trabalhadores seguiam rotinas bem definidas. A equipe da arena encantava barreiras, reforçava plataformas, verificava cristais de temporização. Não havia sinais de tensão, conversas escondidas ou comportamentos estranhos.

Ele se mexeu um pouco, apoiando o cotovelo no joelho.

'Sinceramente… parece tudo normal.'

O diretor de Tharvaldur seguia de um posto a outro, dando ordens, conversando com a equipe. Não escondia nada — se fosse, parecia orgulhoso. Focado em garantir que o evento ocorresse sem problemas.

Os olhos de Noel seguiram um grupo de anões ajustando os cristais flutuantes que vão projetar a imagem das lutas.

Fez uma última varredura na sala.

Nada.

Noir permanecia ao seu lado, ainda alerta, mas calma.

"Vamos lá", murmurou ele. "Vamos sair daqui."

Não precisava arriscar mais. Se algo estivesse acontecendo nos bastidores, provavelmente não era aqui — ou ao menos ainda não era.

Ele voltou pelo mesmo caminho, tomando cuidado para não fazer barulho.

De volta ao quarto, Noel fechou a porta com um clique silencioso.

Ele tirou o sobretudo, jogando-o no encosto da cadeira, e foi até a escrivaninha. Noir entrou lentamente e se enroscou perto da parede, apoiando a cabeça nas patas da frente, ainda observando-o de canto de olho.

Noel retirou uma folha dobrada do bolso interno, abriu e colocou em cima da mesa. Uma pequena lista. Alguns riscos escritos por ele próprio — principalmente lembretes baseados no que lembrava do romance. Não nomes, apenas descrições.

Ele soltou a caneta, bateu na lateral do papel algumas vezes, e revisou a primeira linha novamente.

"Quinto Pilar — influência / acesso / não lutador / bom em lidar com pessoas."

Ele recostou na cadeira.

'Alguém assim não seria um soldado comum. E também não estaria escondido na rede de esgotos.'

Começou a pensar linha por linha.

'Pode ser um nobre. De uma grande família anã. Muito dinheiro, recursos, talvez até acesso à infraestrutura da arena por doações ou status.'

Marcava essa hipótese na margem. Possível, mas um pouco distante do lado operacional.

'Ou talvez alguém ligado à família real. O próprio rei estava lá. Talvez alguém próximo a ele. Um assessor político, um parente, sei lá.'

Franzia o cenho.

'Mas esse tipo de pessoa seria inteligente o suficiente para ficar longe do centro das atenções. Agora, o torneio é o maior evento em Tharvaldur. Se o Pilar quer controle… esse é o lugar perfeito para agir.'

Olhou para o final da lista.

"Diretor do Instituto de Poder Arcano de Tharvaldur."

Lembrou-se de como o homem se movimentava como se fosse o dono de todo o prédio, e de como todos paravam de falar ao entrarem na sala.

'E se eu estivesse na posição dele… eu faria muita coisa sem levantar suspeitas.'

Noel esfregou a nuca.

'Faz sentido. Não quer dizer que seja ele, mas… faz sentido.'

Deixou a caneta cair e se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa, fixando o olhar na folha por alguns segundos.

'Sem provas nem nomes. Mas se for ele…ele escorregará eventualmente.'

Por trás dele, Noir soltou um suspiro suave.

Noel se levantou, deu uma esticada nos braços e olhou pela janela.

Amanhã, o torneio começaria.

Comentários