
Capítulo 222
O Extra é um Gênio!?
O som da multidão era ensurdecedor.
Mais de cinquenta mil pessoas preenchiam as arquibancadas—fileiras de pedra entalhada e plataformas polidas que se estendiam pelas paredes da vastíssima caverna. Bandeiras representando as quatro academias flutuavam overhead, encantadas para ondular suavemente mesmo na ausência de vento.
Telões mágicos pairavam acima do campo, projetando vistas ampliadas do campo de batalha abaixo, alimentados por condutos de mana brilhantes embutidos profundamente na pedra.
Um homem flutuou até a plataforma central—alto, vestido com robes de azul profundo com detalhes prateados. Sua voz, amplificada por um aparato mágico, ecoou por todos os cantos da arena.
"Sejam bem-vindos, cidadãos de Tharvaldur e convidados de honra de toda Vaelterra!"
"Hoje começa o Grande Torneio Inter-Acadêmico!"
Os gritos fizeram as paredes tremerem.
"Antes de começarmos, uma rápida lembrança das regras. Cada estudante recebeu um artefato de proteção pessoal. Ele será ativado automaticamente em caso de inconsciência ou lesão grave. Vocês lutam até que um dos lados se renda ou seja nocauteado."
Uma runa sob o locutor pulsou intensamente enquanto ele falava.
"O vencedor avança. O perdedor é eliminado."
Noel estava em um dos largos corredores de pedra que davam acesso às arquibancadas. De lá, quase via toda a arena. A energia no ar era pesada—excitação, nervosismo, tensão.
Ele lançou um olhar para o campo de batalha.
O primeiro combate estava prestes a começar.
Velmora contra Tharvaldur.
'Era o de se esperar que abrisse com um deles', pensou, com os braços cruzados. 'Provavelmente um dos melhores deles. Preciso manter o público animado.'
Os dois estudantes já estavam entrando na plataforma. Seus nomes ecoaram pelo ar, mas Noel não conseguiu captar, pois estava ocupado observando o layout, notando como as runas ao redor da arena pulsavam em sincronia com o cronômetro do combate.
O locutor se afastou. A multidão silenciou.
O duelo começou.
Noel subiu os degraus até a área de assentos públicos, escolhendo um lugar um pouco de lado—não muito perto do centro, mas com boa visão do campo. Sentou-se exatamente quando os dois estudantes começaram a circular na plataforma.
A plateia já reagia—gritos, vaias, chamar a atenção de diversos lados. Apesar do tamanho do local, o som de botas sobre pedra, feitiços sendo lançados e mana colidindo ainda era claro.
Noel apoiou os cotovelos nos joelhos, assistindo em silêncio.
Então uma voz ressoou ao seu lado direito.
"Não, não, não! Vai pra esquerda, moleque, não na maldita runa de fogo!"
Noel piscou.
Ele virou lentamente a cabeça.
Sentado exatamente ao seu lado, estava uma figura familiar—um anão baixo, de ombros largos, cabelos vermelhos selvagens e uma barba vermelha imensa. Seus olhos estavam fixos na luta, os braços cruzados, a expressão de frustração evidente.
"Balthor?”
O anão olhou para ele com um sorriso largo, como se tivesse acabado de encontrar um velho amigo numa taberna.
"Ei, loiro! Você finalmente chegou ao grande palco, hein?"
Noel encarou por um segundo e depois balançou a cabeça.
"Você é de cada falling...*
Noel recuou um pouco na cadeira, ainda olhando de lado para Balthor.
"Achei que iriamos vir juntos."
Balthor deu de ombros, os olhos fixos no que acontecia no combate abaixo.
"Pois é... Cheguei cedo. Não tinha mais o que esperar. Decidi fazer alguma coisa útil."
"Encontrou seu irmão?"
A expressão de Balthor ficou tensa por um instante. Ele coçou a barba.
"Não. Segui alguns boatos, mas nada concreto. No fim, achei que tava só perdendo tempo. Então desisti—pelo menos por enquanto."
Noel não insistiu mais.
Balthor se inclinou um pouco para frente, o sorriso voltando.
"Mas aí fiquei sabendo desse evento aqui. Multidão grande, bastante ação, e, o mais importante, apostas."
Noel levantou uma sobrancelha.
"Apostas? Não nos avisaram sobre isso."
Balthor riu baixinho, abaixando a voz.
"Pois é, essa é a ideia. Não é exatamente oficial. Existem dois tipos—apostas públicas, para qualquer um participar, coisa pequena. E aí tem as apostas privadas. De gente com grana. Grana pesada."
Noel se recostou levemente, franzindo o cenho.
"Claro que tem."
"Vamos lá, loiro. Tá me dizendo que ninguém te contou? Você está nesse torneio e nem mencionaram a parte de negócios paralelos?"
Noel voltou a olhar para o campo, observando o combate que se desenrolava.
"Nada. Nenhuma palavra."
O tom de Noel era neutro, enquanto seus olhos permaneciam fixos na luta, mas sua mente já mudava de marcha. Se mesmo existissem apostas escondidas, alguém certamente ia ganhar muito mais que simples prestígio.
Porém, ele não tinha tempo para pensar nisso agora.
Um dos estudantes no campo caiu para trás, com o corpo brilhando suavemente enquanto o artefato de proteção se acionava. A voz do locutor voltou a ecoar na arena, anunciando o vencedor.
O próximo combate foi anunciado, e depois o seguinte.
Noel levantou-se e fez um gesto de despedida para Balthor.
"Até mais tarde."
Balthor acenou com um sorriso.
"Não me decepcione e tenta não se enfiar em encrenca. Agora estou torcendo por você."
Noel não respondeu.
Ele seguiu pelo corredor lateral em direção à área de espera, onde os próximos combatentes se reuniam. A energia ali era diferente—mais silenciosa, tensa, concentrada.
Entrou no corredor, fechou com mais firmeza os luvas e respirou lentamente.
Seu nome já tinha aparecido no quadro flutuante no centro da arena.
"Próximo combate: Noel Thorne contra Varian Kraxus."
Avançou pelo corredor até a zona de espera. Alguns funcionários acenaram para ele passar, confirmando seu nome. A tensão aumentou imediatamente—não havia mais barulho, apenas a pressão do que estava por vir.
Então, do centro da arena, a voz do locutor ecoou novamente, refletida pelas runas nas paredes:
"Próximo combate!"
"Do continente de Valor, representando a Academia Imperial—estudante do segundo ano, Noel Thorne!"
Gritos de animação se espalharam pelas arquibancadas. Noel saiu para a luz, o tamanho da multidão finalmente caindo sobre ele com força total. Mas, acima do barulho geral, ouviu uma voz clara gritando:
"VAMO, NOEL!!"
Ele olhou brevemente para o sentido do grito.
Charlotte estava na primeira fila, inconfundível mesmo na multidão—com Sancta Veil ativada, seu longo cabelo vermelho parecia fogo sob as luzes da arena, os olhos cor de avelã fixos nele com uma energia absurda. Ao lado dela estavam Elyra e Elena, ambas aplaudindo, bem menos alto, mas claramente presentes.
Ele piscou uma vez.
Logo após, o locutor prosseguiu.
"E vindo das Terras dos Demônios de Velmora… um dos seus Dez Melhores estudantes—Varian Kraxus!"
Outro grito explodiu na arena—forte, mas não tão alto quanto o anterior.
Do túnel oposto, Varian apareceu. Uniforme preto com detalhes em carmesim escuro, alto, corpo esguio, pele acinzentada-avermelhada e dois pequenos chifres curvados que poussavam de suas têmporas. Seus olhos eram amarelos e afiados, com um sorriso já formadom enquanto olhava para Noel.
Ele estalou o pescoço uma vez e caminhou até ficar de frente com ele na plataforma.
Depois, apontou—de modo casual, quase preguiçoso—para a seção onde Charlotte, Elyra e Elena assistiam.
"Seus fãs?"
"Você acha que eles ainda vão torcer por você depois de verem eu em ação?"
Noel não respondeu.
Porém uma veia na sua testa twitchou.
O locutor levantou o braço.
"Luta!"