
Capítulo 218
O Extra é um Gênio!?
Os quarenta estudantes estavam reunidos, esperando do lado do cais. Daemar observou em silêncio até que o último deles se juntasse ao grupo.
— Sigam-me. Primeiro, vamos ao lugar onde ficaremos durante nossa estadia aqui.
Todos começaram a andar. Noel ficou na última fila, alguns passos atrás do grupo. Elyra, Elena e Charlotte ficaram juntas. Selene, como sempre, caminhava à frente sozinha. Clara e Marcus seguravam as mãos. Garron ria de Laziel por ainda estar solteiro.
— Noir… vá dar uma olhada na cidade. Volte à noite. Aprenda onde ficam os lugares importantes. Se o Quinto Pilar for alguém influente, precisaremos de todas as vantagens.
Noir inclinou a cabeça, depois saiu correndo, desaparecendo entre as multidões.
— Você está bem, Noel?
Roberto apareceu ao lado dele.
— Por que está vindo atrás? Não deveria estar com suas garotas?
— Ah, estava ajustando minhas botas. Disse para elas seguirem adiante.
Roberto olhou para as botas de Noel, que estavam sem cadarços. Mas não falou nada.
— Certo...
Após cruzar várias ruas principais e passar por longos corredores de pedra, o grupo chegou a um edifício enorme, escavado diretamente na parede da montanha.
A estrutura assemelhava-se a um hotel de luxo—alto, simétrico e com o brilho suave de cristais de mana embutidos. Colunas de pedra negra polida sustentavam arcos largos, e entalhes dourados brilhavam na entrada. Painéis de vidro refletiam a luz em tons oscilantes, e uma sensação de calor suave emanava de encantamentos ocultos, mantendo o ar frio da montanha afastado.
Para Noel, parecia algo tirado de um romance de fantasia—não, melhor do que qualquer coisa da Terra.
'...Um hotel cinco estrelas dentro de uma montanha. Acho que nascer de novo como nobre tem suas vantagens, mesmo que o sistema continue tentando me matar.'
— Cada um de vocês fará o check-in na recepção na mesma ordem do navio. Vocês já sabem seus números.
A voz de Daemar cortou firme pelo grupo.
Vários funcionários se aproximaram, carregando bagagens dos estudantes. Muitos não tinham bolsas dimensionais—apenas malas comuns. Elyra carregava uma bolsa de mão, mas a dela era dimensional. Ela já tinha contado a Noel que nela cabia mais do que parecia.
Quando foi a vez de Noel, ele avançou até o balcão.
— Quarto nove.
O atendente entregou a ele uma chave metálica fina, com uma runa brilhante e um número gravado: 9.
Pouco tempo depois, Daemar falou novamente.
— Vocês têm cinco dias para explorar a cidade. Todas as noites, até às dez horas, devem estar em seus quartos. Raul irá inspecionar cada andar para garantir o cumprimento. Após esse horário, ninguém pode deixar o hotel. Na academia, éramos mais permissivos—mas aqui, os riscos são diferentes. Não saia onde não deve.
Um murmúrio percorreu o grupo.
— Daemar nos dando liberdade?
Quando os estudantes começaram a se dispersar, uma voz calma surgiu do meio do grupo.
— Como vamos saber as horas se estamos dentro de uma montanha?
As palavras ficaram no ar por um momento.
Todos se virou—alguns estudantes pararam no meio do caminho.
Selene tinha falado.
Era raro ouvir a voz dela, especialmente em público. até Daemar levantou uma sobrancelha ligeiramente antes de responder.
— Boa pergunta. Sigam-me.
Ele não explicou mais nada. Simplesmente virou e foi em direção à entrada principal.
O grupo o seguiu de volta para fora, entrando na praça em frente ao hotel. O piso de pedra era liso e levemente quente, impregnado de mana de baixo nível. O ar agora estava mais frio, e a luz ambiente do teto dava tudo uma tonalidade azulada.
Daemar parou e apontou para cima.
O teto da caverna se estendia bem acima—quase um quilômetro de altura. No centro, uma estrutura circular quase invisível, suspensa por algo que parecia magia, cobria sua superfície.
— A cada hora, esse anel lá em cima mostra as horas atuais usando padrões de luz visíveis de qualquer ponto na cidade. Foi construído pelos anões há séculos. Se você não tem um relógio de bolso, é só olhar para cima.
Alguns estudantes inclinaram a cabeça para trás, sussurrando entre si.
'Justamente como no romance. Ainda há muita cidade para explorar… será que ela vai continuar me surpreendendo?'
Daemar cruzou os braços.
— É isso. Voltem para seus quartos. A inspeção começa às dez em ponto. Não se atrasem.
Com isso, o grupo começou a se dispersar—alguns indo para os quartos, outros para a cidade.
Noel chegou ao nono andar e caminhou pelo corredor até encontrar a porta marcada com uma runa brilhante: 9.
Ele entrou a chave. Um clique suave, e a porta se abriu.
O quarto era espaçoso—mais do que esperava. Paredes de pedra com painéis negros lisos, uma cama grande com roupa de cama prateada, um guarda-roupa, uma pequena escrivaninha e uma janela ampla com vista para a cidade interior.
A loba negra estava sentada ereta, com a cauda enrolada ao redor das pernas, encarando-o fixamente.
Ela se dissolveu em sombras.
Um segundo depois, reapareceu dentro do quarto, emergindo da parede como escuridão líquida.
Noel sorriu levemente.
— De volta já, pequena? Encontrou algo interessante?
Noir deixou escapar um latido curto, baixo—afiado, mas suave. Affirmativo.
— Ainda temos tempo antes da inspeção. Quer mostrar o que achou?
Noir inclinou a cabeça e foi em direção à porta, com as orelhas erguidas.
Noel pegou seu casaco.
'Vamos ver o que você viu lá fora.'
Ele saiu, a porta se fechando suavemente atrás dele.
As ruas de Tharvaldur estavam mais silenciosas nesta hora. As placas luminosas das lojas tinham se apagado, e só algumas pessoas caminhavam pelas principais vias—majoritariamente guardas e anões que trabalhavam até tarde.
Noel caminhava tranquilo ao lado de Noir, com as mãos nos bolsos. A cidade ainda parecia estranha, mas agora menos assustadora. Um olhar para cima o lembrou do anel brilhante no topo da caverna. Já se aproximava das dez horas.
Ao virar uma esquina, quase trombou com alguém vindo na direção oposta.
Selene.
Ela vestia o uniforme da academia. Seus passos eram firmes como sempre, a expressão difícil de ler, como de costume.
— Não esperava te ver aqui fora.
Ela não disse nada.
— Estava só dando uma volta rápida com Noir. Quer passar com a gente?
Ela fez uma pausa por um instante.
— ...Tudo bem.
Sua voz era fria, sem emoções. Aquele tipo de sim que mais parecia um não.
— Então, tá bom.