O Extra é um Gênio!?

Capítulo 217

O Extra é um Gênio!?

Era o décimo dia de viagem.

Depois de entrar no túnel dos anões no terceiro dia, a jornada se transformou em uma travessia monótona por intermináveis passagens de pedra iluminadas por mana. As lâmpadas mágicas embutidas nas paredes emitiam um brilho azul constante, projetando sombras alongadas que se moviam à medida que a embarcação avançava. A vista não mudava há dias.

Noel estava na frente da nave, com as mãos apoiadas na grade de proteção. Elyra estava ao lado dele, sua longuíssima trança balançando suavemente com o vento causado pelo deslocamento da embarcação.

"Chegamos," ela disse, fixando o olhar na luz tênue à frente. "Vamos chegar em breve. Está animado para o torneio?"

Noel soltou um suspiro curto, não exatamente um suspiro, mais como uma respiração de alívio ou de incerteza.

"Hmm. Não sei. Deveria estar?"

"É uma oportunidade de enfrentar os melhores estudantes de toda Vaelterra. Não é algo especial? Todas as principais academias reunidas em um só lugar."

"Acho que sim. O Roberto comentou que haverá academias de todos os três continentes. Nosso, claro... duas de Elratih — uma sendo a de Tharvaldur, a própria cidade anfitriã — e outra do noroeste de Elratih. E mais uma de Velmora."

Elyra acenou com a cabeça. "E você sabe que nossa academia é a mais prestigiada entre elas, certo? Até estudantes de Elarith preferem a nossa à deles."

"Por exemplo, a Elena," respondeu Noel.

"Exatamente."

O túnel começava a se abrir à frente, e uma silhueta imponente começava a surgir — colunas, luzes e estruturas de pedra emergiam da escuridão.

Noel entreolhou, observando as luzes distantes que cintilavam como estrelas presas no subsolo.

'Isso me lembra dos antigos túneis de trem sob a Europa... quilômetros de trevas até a próxima cidade, com uma luz fraca ao longo dos trilhos.'

Ele balançou a cabeça levemente.

'Não posso nem imaginar essa comparação para alguém.'

Mas, em voz alta, limitou-se a dizer: "Parece que estamos quase lá."

À medida que a nave saía do túnel, a vista se abriu para uma caverna colossal e deslumbrante.

À sua frente, ficava a capital de Tharvaldur, esculpada profundamente no coração da montanha. Centenas de lâmpadas de mana brilhantes estavam penduradas no teto rochoso, como estrelas caídas, lançando uma luz quente sobre uma cidade de pedra e aço. Pontes suspensas cruzavam o ar acima de fornos iluminados por lava. Tubulações reluzentes transportavam vapor como veias, e por baixo delas, ruas sinuosas abrigavam anões, comerciantes e estudantes de todos os tipos.

No centro, erguia-se uma arena gigante, feita de granito escuro e metal encantado. Como uma joia da coroa, ela sobressaía, cercada por torres de dormitório e escolas. No alto da parede interna da montanha, ficava o castelo real de Tharvaldur, com janelas que emitiram uma luz dourada. A própria academia se espalhava próxima dali, em forma de grande meia-lua esculpida na rocha, com sua entrada marcada por estátuas de reis anões antigos.

Noel permaneceu em silêncio, realmente impressionado.

"Uau."

Elyra sorriu de canto. "Primeira vez vendo uma cidade construída dentro de uma montanha?"

"Sim," disse Noel. "É... mais viva do que eu esperava."

"Também é minha primeira vez, mesmo com todos os acordos comerciais que minha família faz com Tharvaldur," respondeu Elyra, com um sorriso suave.

"Vocês Estermont fazem negócios com todo mundo, né?"

"Com todo mundo, exceto Velmora. Meu pai se recusa. Ele culpa Velmora pela última guerra. Mas..." ela pausou, ajeitando um fio de cabelo atrás da orelha, "se eu for quem vai fazer negócios no futuro, posso ir a qualquer lugar — inclusive Velmora. Dinheiro é dinheiro."

Noel levantou uma sobrancelha. "Você realmente precisa de tanto assim?"

"Ah, vou precisar de bastante," Elyra respondeu com um sorriso astuto. "Ao contrário dos meus pais, não planejo parar em só um filho."

Noel piscou. "O quê?"

Ela inclinou a cabeça na direção dele, claramente divertida. "Quer dizer que alguém vai ter que trabalhar muito para acompanhar. Quero uma família grande e cheia de amor, sabe?"

Noel desviou o olhar rapidamente, tentando esconder o rubor no rosto. "Tá, tá, calma aí. Isso não era o que eu quis dizer."'

Elyra riu. "Lembra que eu disse que posso financiar meus estudos sozinha, né?"

"Sim. Mas isso ainda não é o que eu quis dizer!"

Ela voltou a rir, completamente entretida com o desconforto dele.

A nave lentamente se aproximava do porto anão iluminado. Outras embarcações podiam ser vistas — barcos anões elegantes, feitos mais para utilidade do que para estilo. Golems estavam na estação de atracamento, prontos para ajudar a descarregar.

Enquanto a nave iniciava o procedimento de atracamento, os estudantes se reuniram no convés principal com suas bagagens. Daemar ficou em pé na frente, ao lado do Professor Rauk, ambos vestindo capas de viagem e com seus emblemas de academia.

"Certo, atenção," chamou Daemar, sua voz ecoando claramente pelo convés. "Chegamos a Tharvaldur. Peguem suas coisas e, quando o seu nome for chamado, sigam para desembarcar. Uma pessoa de cada vez."

Noel ajustou a alça do saco dimensional enquanto a lista começava a ser chamada.

Vários nomes foram anunciados:

Juno Von Hargrave. Myra Von Feldren. Tavion.

Um por um, eles desceram a rampa até o cais de pedra, sendo recebidos por oficiais anões de uniformes azul escuro.

Depois vieram os nomes conhecidos.

"Elyra von Estermont."

Ela desceu com sua elegância habitual, o cabelo refletindo a luz das lâmpadas.

"Noel Thorne."

Ele seguiu, lançando um olhar para a estrutura imponente da nave.

"Clara de Nivaria. Marcus. Laziel Varn. Charlotte. Selene von Iskandar. Garron Bale. Roberto."

Depois que todos desceram, Daemar assentiu para a tripulação e saiu da nave. O Professor Rauk ficou alguns momentos, supervisionando o descarregamento de suprimentos e equipamentos de treinamento.

O grupo se reuniu próximo à borda do cais, onde uma fila de autômatos anões carregava caixas em carrinhos. Daqui, podia-se ver a cidade se espalhando para dentro da montanha, com plataformas e pontes em vários níveis, sinais indicando direções para a arena, o distrito real e os diversos setores de educação.

Daemar virou-se para eles.

"É aqui que vamos ficar pelo próximo mês e meio. O torneio começa em cinco dias, mas isso não significa que vamos descansar. Sejam respeitosos, mantenham-se atentos e lembrem-se — somos a representação do orgulho de Valor."

Alguns estudantes assentiram solenemente. Outros sussurraram, animados.

Noel olhou ao redor, escaneando a multidão. Seus olhos se fixaram brevemente na arena ao longe — enorme, antiga e carregada de história.

'Vamos ao trabalho novamente.'

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