O Extra é um Gênio!?

Capítulo 226

O Extra é um Gênio!?

A iluminação da arena escureceu antes de novamente focar no palco. A voz do anunciador ecoou com entusiasmo treinado:

"Próximo combate! Selene von Iskandar, da Academia Imperial de Valor… contra Varek Moltan, da Academia de Velmora!"

Uma onda de barulho tomou o coliseu—gritos, aplausos e alguns rugidos particularmente altos da torcida de Velmora.

Do túnel da direita, Varek entrou na luz.

Era alto e de ombros largos, vestido com uma armadura preta com detalhes em vermelho profundo. Dois chifres curvos saíam de sua testa, e embora o resto dele fosse de aparência humana, havia algo de pouco natural na forma como magia de fogo e sombra cintilavam juntas em seus braços. Parecia pronto para destruir qualquer coisa na sua frente—and the crowd loved it.

No alto, nas arquibancadas superiores, Balthor inclinou-se, satisfeito.

"Tô com cinquenta créditos no bastardinho de chifres," disse, exibindo seu cupom de aposta.

Noel olhou de canto. "Você apostou contra a Selene?"

"Ela é pequena, quieta, e não é exatamente assustadora," respondeu Balthor com um encolher de ombros. "Resolvi apostar na zebrada."

Noel levantou uma sobrancelha. "Você acabou de doar suas moedas para a arena."

Balthor bufou. "Tch. Vamos ver."

Do túnel oposto, Selene apareceu.

Cabelos azuis curtos enquadravam seu rosto, e seus olhos cian sob a iluminação do estádio brilhavam intensamente. Seu uniforme azul profundo ajustava-se ao corpo com linhas limpas. Ela se moveu com uma confiança silenciosa, expressão neutra, quase entediada.

A temperatura parecia cair um pouco enquanto ela avançava até sua marca.

'Vamos lá,' pensou Noel, com o olhar fixo nela.

Selene e Varek pararam a poucos metros de distância, no centro da arena.

Varek estalou o pescoço, uma chama se formando ao redor de suas mãos. "Tenta não quebrar."

Selene permaneceu calada diante da provocação.

O anunciador levantou a mão.

"Combatentes… prontos?"

Um instante.

"Comecem!"

No instante em que a mão do anunciador caiu, Varek explodiu em movimento.

Seus passos pesados trombaram contra a pedra com força bruta, fogo explodindo ao redor de seus braços enquanto sombras ondulavam atrás dele. Seu martelo brilhou com um vermelho escuro, levantado no alto enquanto avançava.

A multidão rugiu.

Selene não se mexeu.

Logo antes do golpe atingir—

"Passo da Gravidade."

Ela se esquivou, sua silhueta se desfocando por um instante, desaparecendo e reaparecendo atrás dele com uma graça impossível.

O martelo de Varek caiu no chão da arena, espalhando brasas—mas Selene já estava fora de alcance.

Ela levantou lentamente o braço.

Uma varinha delgada reluziu em sua mão, azul pálido e cristalina—como se tivesse sido cortada do gelo puro.

O ar ao redor dela baixou alguns graus.

"Prisão de Gelo."

Debaixo dos pés de Varek, mãos de gelo irregulares surgiram, agarrando-se com precisão brutal aos tornozelos e canelas dele.

Ele rosnou, chamas crescendo ao redor das pernas enquanto tentava queimar-se livre.

Mas Selene já estava lançando novamente.

Ela sacudiu o pulso levemente, a varinha pulsando.

"Lança Congelada."

Uma lança de gelo compactado surgiu na ponta de sua varinha e disparou com um apito agudo, atingindo o centro do escudo de Varek.

A pancada ressoou por toda a arena. Fissuras se espalharam pela armadura dele.

Ele cambaleou para frente com um rosnado, quase caindo de joelhos.

A multidão praguejou.

De cima, Noel se inclinou para frente, com os olhos estreitos. "Esse combate não demorou muito."

Balthor grunhiu, com a mandíbula cerrada. "Ela nem mexeu os pés."

Selene permaneceu onde estava—calma, imperturbável. A varinha baixada, olhar fixo. Sua respiração sequer gelou o ar.

Varek finalmente se libertou com uma explosão de fogo, girando com raiva nos olhos.

Mas ela já se movia de novo.

Varek rugiu, chamas rodopiando ao seu redor numa explosão violenta enquanto quebrava a última das amarras congeladas.

"Basta!" gritou, atingindo o chão com seu martelo.

Uma onda de choque de fogo negro e sombras se espalhou, tentando criar espaço entre eles.

Selene nem pisou.

Ela levantou sua varinha.

"Prisão de Gravidade."

Uma súbita pulsação de pressão caiu sobre Varek por cima. Seus movimentos desaceleraram no meio do golpe—as pernas tremeram um pouco sob o peso repentino.

O próximo passo dele arrastou-se de forma desajeitada pelo chão de pedra. A onda de choque perdeu força antes de alcançar sua adversária.

Ele amaldiçoou baixinho, tentando levantar sua arma. "Malditos sejam—!"

Selene avançou, cada passo silencioso e deliberado, seus cabelos azuis curtos balançando com o vento.

Ela levantou novamente a varinha.

"Empurrão Glacial."

Uma agulha de gelo finíssima saiu como uma needles, roçando sua perna e rasgando parte da armadura conjunta. Varek cambaleou novamente, agora visivelmente mancando.

Ele tentou recuar, ofegante, murmurando algo—talvez um feitiço, talvez uma maldição—mas o feitiço nunca foi lançado.

Selene não parou.

Outro passo. Depois outro.

Sua presença era mais pesada do que a própria magia da gravidade.

Noel observava de cima, com os braços cruzados.

"Ela não só está o dominando," murmurou. "Ela está desmontando ele."

Balthor não respondeu dessa vez.

Logo abaixo, Varek tentou mais uma vez reunir mana ao redor do martelo. As chamas vacilaram—ficando fracas.

Selene levantou novamente sua varinha.

Um sopro de ar frio saiu de seus lábios—branco, gelado e calmo.

Ela sussurrou as palavras, quase inaudíveis na quietude.

"Réquiem do Geada."

Num instante, a temperatura despencou como uma pedra.

Toda respiração virou névoa. A pedra sob seus pés triscou com teias finas de gelo. Até as tochas nas bordas da arena piscavam, enfraqueciam e encolhiam.

Uma pulsação de mana emanou do corpo de Selene—silenciosa, fria, absoluta.

Ela se expandiu em um anel perfeito, como um batimento cardíaco congelado.

E então, veio a tempestade.

Uma nevasca densa e ofuscante caiu sobre o solo da arena, totalmente centrada em Varek. Neve e gelo envolveram sua figura, formando um casulo de branco. Ele gritou algo, mas o som desapareceu sob o rugido do vento e o assobio de milhares de agulhas de gelo microscópicas.

Noel fez uma cara de espanto através da neve turbulenta. "Não há como contra-atacar isso…"

No centro da tempestade, o artefato de defesa de Varek brilhou—uma cúpula sólida laranja, que se fechou ao redor dele justo a tempo. A nevasca batia nela aí mesmo, mas o brilho resistia ao ataque constante.

Por vários segundos longos, ela suportou o peso total da tempestade.

Finalmente, a nevasca diminuiu. O vento parou. A magia desapareceu.

A multidão exalou ao mesmo tempo.

A luz laranja diminuiu e caiu suavemente, revelando Varek de joelhos, ofegante. Sua armadura estava rachada em alguns pontos, a superfície coberta de geada, mas ele ainda estava consciente.

Quase.

Vapor subia de suas costas enquanto o calor retornava ao ar.

Ele cambaleou, então caiu para frente, inconsciente—mas protegido.

O sino tocou uma vez.

"A vitória é de Selene von Iskandar, da Academia Imperial!"

A multidão explodiu, desta vez sem hesitar. Até estudantes de outras academias tiveram que bater palmas. Não foi apenas uma vitória—foi uma dominação.

Selene virou-se sem dizer uma palavra, baixando a varinha e caminhando de volta para o túnel. Ela não olhou para a multidão, nem para Varek, nem para o próprio anunciador.

Noel a acompanhou com o olhar até desaparecê-la de vista.

Balthor soltou um suspiro longo e dramático ao seu lado.

"Droga. Ah, lá vai meu dinheiro."

Noel sorriu de canto, sem olhar para ele. "Disse que você ia entregar sua carteira na arena."

Balthor esfregou a barba, claramente irritado. "É, é. Da próxima vez, escuto o garotinho magricelo com muitos segredos."

Ele se levantou e se espreguiçou. "Beleza. Vamos lá. Vou te levar na sala de apostas, como prometi."

Noel piscou. "Agora?"

"Claro que agora," respondeu Balthor, já caminhando. "Mas antes… temos que passar numa loja. Não deixam qualquer um entrar vestido de estudante."

Ele olhou para Noel de soslaio e fez uma careta. "Vamos passar em uma das lojas que conheço. Você agora parece um mendigo."

Noel levantou uma sobrancelha. "Isso é uma regra de traje mesmo?"

"Não," disse Balthor, sorrindo. "Mas deveria ser."

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