O Extra é um Gênio!?

Capítulo 213

O Extra é um Gênio!?

A Martelo Bêbado surgiu à vista muito antes de Noel chegar à sua porta rangente. Do lado de fora, tudo parecia igual — risadas de bêbado, o som de vidros quebrando, gritos ocasionais seguidos de uma salva de aplausos. O caos familiar transpassava as paredes de madeira.

Ele empurrou a porta e entrou na calorosa confusão barulhenta. Olhos o olharam de relance, mas ninguém lhe deu muita atenção. O aroma de chope e carne assada impregnava o ar espesso.

Noel vasculhou o ambiente.

'Sem sinal dele.'

O balcão estava movimentado, como sempre, mas a barba espessa de Balthor e a voz retumbante dele estavam visivelmente ausentes. O olhar de Noel passou pelos anões ruidosos, pelas mesas abarrotadas de canecas, e foi em direção ao balcão.

Ele se aproximou da mulher que estava atrás dele — uma meia-anã alta, com cabelo trançado e as mangas arregaçadas até além dos cotovelos. Ela levantou uma sobrancelha ao perceber sua aproximação.

"O que vai querer?" ela perguntou, já esticando a mão em direção a uma caneca.

"Algo sem álcool," disse Noel, batendo suavemente na bancada. "E... estou procurando pelo Balthor. Ele está por aqui?"

A bartender hesitou. "O chefe? Não, ele foi embora. Deixou duas notas antes de partir. Uma dizia que ia tirar férias — que voltaria em algumas semanas. A outra era para um garoto loiro de olhos verdes, entre dezesseis e dezessete anos, mais ou menos." Ela o observou de soslaio. "Acho que é você?"

Noel assentiu. "Parece que sim."

Ela lhe entregou um pedaço de papel dobrado e um copo pequeno com líquido âmbar. "Suco. É tudo que temos limpo. Boa sorte."

Noel recebeu a bebida com um silêncio de agradecimento e abriu o papel.

A caligrafia de Balthor, tão direta quanto o homem:

Garoto, parti na sua frente.

Agora que você me contou que meu irmão está vivo na nossa terra natal, preciso ver com meus próprios olhos — ver quem ele virou, exatamente como você disse… Não posso esperar mais.

Noel suspirou, dobrando o papel lentamente.

'Aff. Não esperava que o Balthor fosse tão impulsivo. Pensei que fosse mais pé no chão — de negócios, equilibrado… Acho que isso era só fachada.'

Ele deu um gole no suco e recostou-se na bancada, pensando.

'Nem vai fazer muita diferença. Vou descobrir quem ele é quando chegarmos lá. O cara usa ilusões — fraco demais para lutar de frente, então se esconde atrás de truques.'

Noel colocou a mão no bolso interno do casaco e tocou a faixa de metal lisa ao redor do pulso — Enredar do Presságio.

Ele sorriu de leve.

[Item]

Nome: Enredar do Presságio

Tipo: Artefato – Acessório de Braço

Grau: Raro (Modificado)

Descrição: Relíquia forjada para proteger contra interferências mentais e melhorar os reflexos cognitivos. Originalmente usado por assassinos e negociantes de informações.

Vantagem: Choque Mental – Concede resistência a controle mental, ilusões e magias de medo.

'Com isso, estou praticamente imune a ilusões. Sorte a minha ter comprado na hora certa. Se ele ainda estiver agindo como no romance, estará manipulando pessoas nos bastidores, não lutando pessoalmente.'

Ele passou o dedo pela borda do copo, refletindo.

'Na história original, a academia para a qual vamos não era diretamente culpada. Eles estavam sendo extorquidos. Se eu encontrar as pessoas certas e agir nos pontos estratégicos, posso conseguir alguém para falar. Pelo menos, era assim antigamente.'

Terminou seu gole, colocou uma moeda de prata na bancada e se levantou.

'O Balthor me saiu na frente. Duvito que ele vá descobrir alguma coisa sozinho — ele não tem o mesmo conhecimento que eu. Ainda assim… será que o Nicolas descobriu algo do lado dele?'


Longe das ruas movimentadas de Valon, no porto fortificado de Vaelterra, administrado pelos anões, Nicolas von Aldros estava dentro de um pequeno escritório a bordo de uma embarcação de transporte atracada. A sala balançava suavemente com a maré, lanternas fixadas às paredes lançando uma luz dourada sobre pilhas de grandes livros-razão e registros de viagem.

Do lado oposto, um anão de cabelo preto penteado para trás e óculos redondos baixos na ponta do nariz o observava. Ele vestia um colete azul-marinho com fechos prateados e segurava um livro-razão mais grosso que um escudo de torre.

"Suponho que o Rei Deyron já tenha te informado sobre a situação," disse Nicolas, com os braços cruzados atrás das costas. "Gostaria de acesso aos registros de passageiros que usaram essa travessia."

O anão franziu o cenho. "Bem, como o pedido vem do próprio rei de Velmora, acho que não tenho escolha. Mas aviso logo — centenas de milhares de pessoas cruzaram entre os continentes na última década."

Nicolas concordou com a cabeça. "Não me interessa por todos eles. Quero justamente o período entre onze e dez anos atrás."

O anão bufou e arrastou o livro-razão enorme até a mesa. "Faça do seu jeito. Estarei por perto se precisar de esclarecimentos."

De página em página, Nicolas vasculhou linhas de nomes — estrangeiros, comerciantes, mercenários, peregrinos. Era um trabalho lento, meticuloso, mas ele não vacilou. Após alguns minutos, sua mão parou.

Eis que encontrou.

Lereus. A identidade falsa usada por Kaelith.

Exatamente, há onze anos, ele havia entrado em Elratih vindo de Velmora. Sem verificações de antecedentes, sem sinais de alerta — apenas um nome na lista.

Nicolas estreitou os olhos. "É aqui."

Chamou calmamente: "Traga tudo o que tiver sobre esse alguém. Você guarda cópias de identificação dos passageiros, não é?"

"Com certeza," respondeu o anão da outra sala. "Vou pegar agora."

Deixando-o sozinho, Nicolas colocou a mão sobre o livro de registros e sussurrou para si mesmo,

"Finalmente… algo."

Fora do navio, o porto fervia de atividade. Caixas se moviam em elevadores encantados, anões davam ordens com sotaques pesados, e a maré lambia ritmicamente os piers de pedra. Mas, em meio ao fluxo constante de mercadorias e trabalhadores, uma chegada diferente chamou atenção.

No final do cais, uma embarcação elegante, com a insígnia vermelha de Velmora — o continente dos demônios — acabara de atracar. Uma rampa de metal desceu com um som surdo, e logo, estudantes começaram a descer.

Quarenta ao todo. Todos usavam uniformes estranhos aos locais — com linhas afiadas, escuros, com detalhes em prata e vermelho. Alguns exibiam traços físicos que indicavam suas origens: pequenos chifres curlando das testas, pele com padronagens, olhos que brilhavam ou caudas escondidas sob os casacos. No entanto, seus passos eram firmes, casuais. Riam, cochichavam ou apontavam curiosos para a arquitetura.

Eram estudantes.

Alguns anões reduziram o ritmo do trabalho para observá-los, mais por interesse do que por medo. Apesar de suas feições exóticas, moviam-se com a mesma energia e incerteza de qualquer grupo de adolescentes em território desconhecido.

No final da rampa, uma garota de cabelo prateado e pele cinza-carvão parou, olhando ao redor do porto. Ajustou a alça da mochila e deu um pequeno sinal de cabeça para o grupo atrás dela.

"Tudo certo," disse, com voz clara mas calma. "Vamos tentar não fazer escândalo. Somos visitantes aqui."

Os demais murmuraram em concordância e começaram a seguir a direção dela em direção ao posto de controle.

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