O Extra é um Gênio!?

Capítulo 214

O Extra é um Gênio!?

Noel ajustou a alça da mochila dimensional, agora cheia de tudo o que precisava—roupas, itens essenciais, tudo o que pudesse precisar. Não havia mais nada para colocar dentro.

‘Parece que minhas férias acabaram,’ pensou, dando um passo para trás para olhar o quarto arrumado pela última vez. ‘Foi bom enquanto durou. Hora de focar na minha missão preferida: “salvar o mundo”.’

Ele passou a mão pelos cabelos, um sorriso tímido curvando os lábios.

‘Ato IV... É aqui que estamos agora. Ainda estou sem ideia do que seja o segundo grande evento nesse ato, mas seja lá o que for... tenho um pressentimento ruim.’

Justo quando ia abrir a porta, houve uma batida. Gareth Wren, o supervisor de alojamento sempre correto, apareceu no corredor, levemente sem fôlego.

"Oh, Noel, que bom que você ainda não saiu," disse, segurando um envelope lacrado. "Acabou de chegar uma carta para você."

"Uma carta? Para mim?"

Gareth assentiu. "Sim. Aqui, pegue. Não tem muito tempo—a Classe S vai ao porto daqui a pouco."

"Certo... até a volta, Gareth."

"Sim, sim. Rápido. Finalmente vou ter um mês de folga enquanto todos vocês estiverem fora."

Noel pegou a carta, observando o selo no verso. O emblema da Casa Thorne estava prensado na cera.

'Isso nunca é um bom sinal.'

Ele caminhou em direção à saída do prédio, a mochila presa ao quadril esquerdo. Lá fora, a luz da manhã estava fresca e revigorante. Ele quebrou o lacre e abriu a única folha dentro.

Era do seu pai.

Noel,

Assim que terminar o seu primeiro semestre, você deve voltar para casa para participar da Festa de Caça deste ano.

Não se esqueça.

Era isso.

Nem um "Cuide-se".

Noel dobrou a carta com uma expressão impassível.

'Direto ao ponto, como sempre. Acho que não devia esperar nada mais. Aquela casa nunca foi de demonstrar sentimentos, de qualquer forma.'

Ele guardou a nota dentro do casaco e saiu. Os outros já estavam se agrupando.

Na área externa do alojamento da Classe S, quase todos os quarenta estudantes estavam reunidos no pátio. As malas estavam embaladas, as mochilas dimensionais seguras, e o ar matinal estava vibrante com expectativa. Dois carruagens encantadas aguardavam próximas, elegantes e reforçadas com runas sutis, cada uma projetada para transportar confortavelmente duas pessoas.

Daemar estava na frente, de braços cruzados, com o cabelo prateado brilhando à luz.

"Certo," chamou, sua voz cortando nítida pelo murmúrio geral, "vocês irão em duplas. Escolham seus parceiros e entrem na carruagem. Partiremos para o porto imediatamente."

Era só o que ele precisava dizer.

Instantaneamente, grupos começaram a se formar. Risadas, cutucadas e olhares discretos preenchiam o espaço. Entre as multidões em movimento, três garotas específicas—Elyra, Elena e Charlotte—estavam no meio de uma discussão leve, mas que rapidamente aumentava de tom.

"Eu vou ficar com ele," disse Charlotte com um sorriso que parecia bastante inocente demais.

"Você teve sua chance ontem," retrucou Elena, cruzando os braços.

Elyra levantou uma sobrancelha. "Tecnicamente, ainda me devem um favor."

Elas todas se viraram ao mesmo tempo—para Noel.

Ele congelou.

As três meninas o olharam ansiosas.

"...Então," Charlotte inclina a cabeça, "com quem você prefere brincar de pular?"

Noel ficou encarando, mentalmente gritando. Seus olhos alternavam entre as três—uma ousada e provocativa, outra calma e fria, uma última enigmática e intensa.

'Por que sempre acaba assim...?'

Antes que pudesse dizer alguma coisa, um braço se enlaçou ao redor de seus ombros e o puxou para trás.

"Nossa, parecia que você tava em apuros," sorriu Roberto, guiando-o em direção a uma das carruagens desocupadas.

"Valeu..." murmurou Noel. "Sério, não conseguia escolher."

"Sabe, uma parte de mim até se arrepende de ter salvado você. Talvez eu devesse ter deixado você lidar com as consequências."

"Sorry por... deixar isso claro," Noel sorriu de canto.

Enquanto eles subiam, as demais duplas rapidamente se formaram. Clara naturalmente se juntou a Marcus, o casal recém-formado. Laziel tomou posição ao lado de Garron.

Enquanto isso, Elyra acabou com Elena—ambas carregando uma dignidade silenciosa que escondia a discussão anterior. Charlotte, agora sem a companheira preferida, sentou ao lado de Selene.

A diferença era mais do que evidente.

Charlotte conversava animadamente desde o momento em que se sentou. Selene não disse uma palavra, sua expressão tão fria de sempre.

De sua carruagem, Noel olhou para elas de relance.

'Boa sorte, Selene. Vou rezar por você.'

A viagem foi rápida. As carruagens deslizaram suavemente pelas ruas de paralelepípedos, as rodas encantadas absorvendo cada impacto. Após algumas horas, os estudantes da Classe S chegaram ao porto mais próximo da academia.

Ao entrarem na vasta praça, eles se inclinaram para frente, olhos buscando os docas. A embarcação que os aguardava não era grande nem decorativa como os dirigíveis privados da família Estermont—ela foi feita para eficiência. Seu casco era reforçado com aço negro polido, suas velas encantadas para viagens de longa distância, e seu design claramente priorizava funcionalidade, não luxo.

No entanto, havia algo impressionante nela.

Daemar desceu da primeira carruagem, ajustando seu longo casaco antes de se virar para os estudantes.

"Formem fila. Vocês embarcarão um de cada vez, conforme eu chamá-los."

Ele puxou uma prancheta e começou a ler em voz alta.

"Ervan.

Lyra De Quintell.

Elena Von Lestaria.

Juno Von Hargrave.

Myra Von Feldren.

Tavion.

Elyra von Estermont."

Cabeças se viraram quando Elyra avançou sem hesitar, subindo a rampa rumo ao navio.

"Noel Thorne."

Noel ajustou a mochila e seguiu o exemplo, caminhando calmamente até a rampa.

"Clara de Nivaria."

Marcus.

Laziel Varn.

Charlotte.

Selene von Iskandar.

Garron Bale.

Roberto."

Cada nome veio acompanhado do som de botas no piso de madeira, do murmúrio das vozes e do farfalhar das velas ao vento.

Logo, todos os estudantes estavam a bordo.

Daemar olhou para Rauk, que deu um aceno silencioso das sombras.

As últimas cordas foram soltadas e a rampa recuou com um gemido metálico.

A embarcação começou a se afastar do cais, as velas capturando o vento enquanto encantamentos entravam em ação, produzindo um zunido baixo.

O zumbido da magia se intensificou à medida que o navio ganhava velocidade, deslizando calmamente sobre as águas. O vento soprava forte pelas velas, e a linha costeira de Valon lentamente começou a diminuir ao fundo. Os estudantes se apoiaram na grade, conversando ou simplesmente apreciando a paisagem, misturando a empolgação da jornada com uma quieta tensão.

Noel ficou perto do proa, de braços cruzados, olhos fixos no horizonte.

'Dez dias neste navio,' pensou. 'Dez dias até chegarmos ao reino dos anões. Terra nova. Pessoas novas. E possivelmente... inimigos novos.'

Ao seu lado, conseguiu ouvir Charlotte rindo alto—provavelmente cutucando Selene de novo. Ele não se virou, mas já podia imaginar a expressão sempre séria de Selene.

O ato IV tinha oficialmente começado.

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