O Extra é um Gênio!?

Capítulo 215

O Extra é um Gênio!?

Assim que todos estiverem a bordo, Daemar entregou a cada estudante uma pequena chave de ferro—cada uma com um número gravado. A de Noel tinha o número 9.

Agora, ele caminhava pelos corredores estreitos de madeira do convés inferior da embarcação, passar de porta em porta. O cheiro de sal, de antiguidades e de vestígios suaves de mana preenchia o ar. O corredor não era largo—quase cabia duas pessoas lado a lado sem encostar nos ombros—e o ranger da embarcação acrescentava à atmosfera tranquila.

Ele parou na última porta à direita.

'Quarto 9. No final do corredor. Combinação perfeita.'

Noel deslizou a chave na fechadura e a girou com um clique suave. A porta se abriu, revelando um cômodo modesto, do tamanho de um armário de armazenamento, mas funcional.

Uma cama individual apoiada na parede, com roupas de cama limpas. Uma mesa pequena com uma cadeira de madeira próxima à janela redonda, oferecendo uma vista do vasto e cintilante oceano. Sob a cama, um armário embutido, quase pequeno demais para roupas dobradas. Não havia banheiro à vista.

'Não é muito espaçoso, mas serve. Tem uma mesa, uma cama e uma vista. Mas banheiro privativo... Acho que me acostumei demais à vida nobre.'

Ele deixou a bolsa no chão da cama e tocou suavemente na sombra com a ponta do bico do sapato.

"Pode sair agora, Noir."

Uma ondulação se formou aos pés dele e Noir emergiu da escuridão—sua pequena silhueta pulou na cama. Ela deu uma volta, depois se sentou de forma organizada, encarando-o com seu olhar silencioso e intenso.

"Gostou?" ele perguntou. "É aqui que vamos ficar pelos próximos dez dias."

Noir inclinou a cabeça, mas não se moveu.

Noel abriu seu bolso dimensional e começou a desempacotar, guardando roupas dobradas no pequeno armário sob a cama. Não era muito—apenas o suficiente para a duração da jornada.

Ele deu uma última olhada ao redor do cômodo e respirou fundo lentamente.

"Certo, Noir. Acho que está na hora de explorarmos esse navio. Quer vir comigo?"

"Au au."

Ele sorriu secamente. "Sabia. Fica na tua forma pequena."

Justo quando Noel se preparava para sair, a porta se abriu sozinha—gentilmente, mas de forma intencional. Lá estava Daemar, seus olhos violeta calmos como sempre, com o longo cabelo prateado caindo sobre um ombro.

"Ainda não tinha saído, que sorte," disse o professor, com a voz suave e baixa. "Quero conversar com você, em particular."

Noel piscou uma vez, então assentiu.

'Daemar quer falar? Aconteceu alguma coisa que ainda não sei?'

"Claro. Pode levar-me até lá."

Daemar virou-se sem mais palavras, e Noel o seguiu pelo corredor estreito. Subiram uma escada de madeira que rangia sob seus passos, indo até o convés superior, onde ficavam os alojamentos dos instrutores.

Assim que pisaram no novo piso, a diferença era visível. O corredor aqui era mais largo, a iluminação mais forte, e o cheiro de madeira antiga foi substitute por algo levemente floral—talvez incenso. Uma suave vibração mágica percorria as paredes.

Daemar parou diante de uma porta grande e a abriu sem hesitar.

"Entre."

Noel entrou e olhou ao redor, impressionado com o tamanho do cômodo. Era quase três vezes maior que o dele. Uma cama ampla com roupas finas apoiada na parede, uma mesa polida do outro lado, e até um banheiro privativo visível por uma porta de correr semiaberta.

'Parece que os professores se reservaram os luxos,' pensou Noel com secura.

Não disse nada, apenas esperou pacientemente enquanto Daemar caminhava até a mesa no centro e sinalizava para uma cadeira.

"Sente-se."

Noel obedeceu.

"Sobre o que você queria conversar, professor?"

"Recebi uma carta. Do Nicolas."

Os olhos dele se arregalaram de interesse. Um pouco mais atento.

'Ah? Isso pode ser importante. Finalmente ele encontrou alguma coisa depois de tanto tempo?'

Daemar abriu uma gaveta, retirou um envelope dobrado e o deslizou na mesa em direção a Noel.

"Aqui. Leia você mesmo."

Noel pegou o envelope, quebrou o lacre e cuidadosamente desdobrou a carta. O papel era grosso, a caligrafia afiada e deliberada—inequívoca: Nicolas von Aldros.

Seu olhar percorreu rapidamente as linhas.

Depois de meses sem avanços, finalmente descobrimos algo de valor.

Por ora, Velmora parece não estar relacionada. Os dados indicam que Kaelith agiu sozinho; não sabemos se ele tinha algum respaldo ou não.

Ele foi responsável por ambos os incidentes na academia.

Quanto à situação na Capital Sagrada, ainda não há informações definitivas.

Como tanto Daemar quanto eu estaremos presentes na próxima competição, vou suspender temporariamente a investigação.

Reavaliaremos após o término do evento.

—Nicolas

Noel soltou um suspiro, dobrando novamente o papel.

"Então o diretor vai estar na competição... e parece que finalmente descobriram algo."

Daemar assentiu. "Correto. Presumo que o velho não quisesse perder a chance de ver seus melhores alunos em ação."

Noel sorriu meia-boca. "Não dá para culpá-lo."

Ele se recostou um pouco na cadeira.

"Foi só isso que você me chamou, professor? Ou há mais alguma coisa?"

Os olhos de Daemar se estreitaram um pouco. Ele se levantou e foi até a janela, falando em seguida.

"Tem mais uma coisa."

Daemar virou-se de volta, com a voz calma, mas firme.

"Durante a competição, quero que você não segure nada."

Noel levantou uma sobrancelha. "Só isso?"

"Só isso," confirmou Daemar. Então, com um sorriso discreto, acrescentou: "E... na próxima vez, nos avise quando estiver viajando com um familiar."

Noel piscou. "...Você sentiu ela também?"

"Claro. Nicolas mencionou na última vez que você a visitou," disse Daemar enquanto voltava à mesa. "Para nós, velhos, essas coisas são difíceis de passar despercebidas. Então—o que exatamente é?"

Noel fez um sinal de concordância sutil. "Saia, Noir."

Debaixo da sua cadeira, a sombra se contorceu. Noir emergiu na sua forma pequena e entrou na luz, sua pelagem escura quase se fundindo com as sombras do cômodo. Ela olhou silenciosamente para Daemar, com a cabeça levemente inclinada.

Os olhos do professor se estreitaram com curiosidade.

"Um lobo das sombras... Interessante. Você tem sorte. Geralmente, eles não se aproximam das pessoas, muito menos formam vínculos."

Ele a estudou por mais um momento, depois cruzou os braços.

"Apenas garanta que ela se comporte. Familiars não são proibidos na escola, mas são... monitorados."

"Entendido," disse Noel ao se levantar. "Obrigado pelo aviso—e pela carta."

Daemar assentiu ligeiramente. "Chegaremos em poucos dias. Aproveite bem o tempo."

Noel caminhou em direção à porta, Noir desaparecendo de volta para sua sombra silenciosamente.

Assim que a porta se fechou atrás dele, Daemar permaneceu de pé, olhando para a madeira por alguns segundos a mais.

'Espero que o garoto vença,' pensou.

'Não contamos a eles sobre as recompensas… Quisemos manter como surpresa.'

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