O Extra é um Gênio!?

Capítulo 228

O Extra é um Gênio!?

Noel estava em pé sobre uma plataforma elevada, com os braços ligeiramente afastados ao lado do corpo, observando uma dúzia de fios encantados orbitando seu corpo como cobras curiosas. Cada um tremeluzia suavemente, medindo com precisão desde a largura dos ombros até o alinhamento dos tornozelos.

Noriel percorria ao redor dele com um olhar atento, anotando em uma ardósia flutuante que o acompanhava pelo ar.

"Fique imóvel. E não se mexa. Você vai alterar as medidas," ele disse de forma seca.

Noel respirou fundo. "Não ia me mexer."

Um dos fios ficou pairando significativamente mais tempo perto da sua cintura. Muito tempo.

Noel olhou para baixo.

"…Você realmente está medindo isso também?"

Noriel nem pestanejou. "Claro. Os cortes importam. O equilíbrio importa. A apresentação com certeza importa."

Balthor soltou uma risada forte de sua cadeira próxima. "Agora você está começando a entender como é um alfaiate de verdade."

Noel gemeu baixinho. "Você podia pelo menos me avisar antes."

Noriel levantou uma sobrancelha. "Isso teria feito a situação menos constrangedora?"

Noel murmurou algo inaudível e olhou para seu reflexo no espelho. Seus cabelos loiros estavam um pouco bagunçados após a caminhada, e seus olhos verdes pareciam levemente irritados — mas a verdade é que o caimento do primeiro colete já parecia… elegante.

'Olhos verdes, cabelo loiro… já me destaquei o suficiente, e com essa merda, agora sei por que as garotas estão atrás de mim, brincadeira.'

Noriel deu um passo para trás e estalou os dedos. Os fios desapareceram instantaneamente no ar.

"Medidas feitas. Hora de escolher quão perigoso você quer parecer."

Noriel abriu um armário alto com um movimento de dedos. Dentro, fila após fila de ternos flutuava para frente, suspensos por cabides encantados delicados que pairavam no ar.

"Vamos começar por esses," disse, caminhando entre eles como um general inspecionando tropas. "Camadas rúnicas mínimas, costuras de alta mobilidade, todas reforçadas com fios de mana leves. Durável e limpo."

Noel piscou. "Você fala de roupas como se fossem armas."

Noriel não se virou. "Porque má costura é uma forma de agressão, ao menos pra mim, sou profissional no que faço e o melhor nisso também."

A primeira opção veio à mente dele — um terno azul-marinho profundo com bordados prateados, com gola alta e discretas placas nos ombros.

Noel experimentou. Olhou no espelho. "Demasiado brilhante."

Segunda: uma peça em preto e dourado com corte militar formal. Elegante, poderosa, ousada.

Ele saiu do provador.

Balthor fez uma careta. "Parece que você vai executar alguém."

Noel levantou uma sobrancelha. "E isso é uma coisa ruim?"

Terceiro terno: cinza escuro com linhas minimalistas e runas escondidas nas mangas.

Noel gostou do equilíbrio, mas algo parecia… estranho. "Muito discreto."

Quarto: uma túnica verde floresta com uma túnica mais clara por baixo. Confortável, com aparência cerimonial.

"Muito suave," disse Noel. "Parece que vou fazer um discurso."

Noriel assentiu sem julgamento, e estalou os dedos novamente. "Então mais um."

De lado, um último terno flutuou adiante.

Verde Sacramento. Design em três peças. Camisa de alta qualidade, branca, lisa. Revestimentos em bronze, detalhes escuros, sem florais desnecessários. Não grita por atenção — exige respeito.

Noel vestiu-se com ele. O caimento era exato. Perfeito.

Ele se virou para o espelho. Cabelos loiros, olhos verdes, corte afiado. Havia elegância, força — e propósito.

Balthor soltou um breve som de aprovação. "É esse."

Noel não contestou.

'Sim… isso é que é, fico pensando como essa cor ficaria na Elena, cores verdes assim combinam com ela, vou guardar essa ideia para o futuro.'

Noel desceu da plataforma, ajustando as mangas da jaqueta uma última vez. O peso, o tecido — tudo parecia exatamente certo. Ele se virou em direção ao balcão, pegando a pochete na cintura.

"Quanto fica esse terno?" ele perguntou, começando a desamarrar o cordão de couro.

Noriel mal olhou para as roupas não usadas que ele dobrava. "Para esse aí? Mais do que você costuma gastar, mas como você é nobre, talvez não pareça tanto pra você."

Noel pegou um punhado de moedas. "Tudo bem, se vale o preço, eu pago; se não, pergunta ao Balthor, ele conhece bem."

Antes que pudesse colocá-las no balcão, um pequeno token de mithril tilintou ao lado da sua mão.

Balthor tinha se adiantado.

"Deixa na minha conta," disse o anão, cruzando os braços.

Noel franziu o cenho. "Você não precisa—"

"Sei que não," interrompeu Balthor. "Mas vou fazer assim mesmo."

Ele sorriu maliciosamente. "Pense nisso como um investimento. Melhor você continuar vencendo naquele torneio de merda."

Noriel riu de trás do balcão. "Se ele não ganhar, eu dobro o preço."

Noel os observou por um momento, depois balançou a cabeça, colocando as moedas de volta na pochete.

"…Obrigado," murmuro.

Balthor fez um gesto de despedida com a mão. "Pode me pagar não morrendo na próxima rodada."

Noriel começou a embalar o terno em uma capa de tecido tratado com mana, mas parou.

"Vocês dois estão com pressa?"

Balthor verificou um relógio de bolso retirado do casaco. "Ainda há tempo antes do começo da verdadeira diversão."

Noriel ergueu uma sobrancelha. "Então antes de ir, vamos tomar algo."

Noriel os conduziu por uma porta lateral até um cômodo aconchegante nos fundos — bem iluminado, com prateleiras de carvalho escuro e tapetes grossos dos anões. Uma mesa baixa ficava no centro, cercada por cadeiras de couro que pareciam mais velhas do que alguns reinos.

De um armário polido, Noriel tirou uma garrafa de cristal cheia de líquido âmbar.

"Mistura Stonefire," disse. "Envelhecida há setenta anos. Ainda forte o suficiente para dar uma cabeçada em um gigante sem ficar sóbrio."

Ele encheu três copinhos baixos e distribuiu.

Noel observou sua bebida. "...Você está me oferecendo álcool agora?"

Noriel levantou seu copo. "Você me deixou tirar medidas de cima a baixo. Acho que você merece."

Balthor chocou seu copo contra o de Noriel. "Tradicional, rapaz. Não fica estranho."

Noel hesitou — então pegou o copo e deu um pequeno toque nos outros.

Noel bateu seu copo contra os deles.

O sabor pegou forte como um soco — quente, defumado, com uma aparência picante que se instalou no peito como ferro derretido.

Por um momento ficaram em silêncio, deixando a bebida fazer efeito.

Depois, Balthor se recostou e soltou um suspiro. "Sabe… estar aqui de volta me faz pensar no meu irmão."

Noriel olhou para cima, arqueando a sobrancelha. "Torwan?"

"Sim." Balthor mudou o tom de voz. "Não falo com ele desde o incidente."

Noel olhou entre eles, percebendo uma tensão no ar.

Noriel agitou a bebida uma vez. "Você não soube? Ele está aqui. Agora é diretor do Instituto Tharvaldur de Poder Arcano."

A sala ficou em silêncio.

Noel, meio de gole, engasgou com a bebida e tossiu violentamente, espirrando um pouco na manga.

"O quê?!" ele sputtered.

Os olhos de Balthor se arregalaram. "Você deve estar brincando, eu procurei por semanas, vi o diretor de longe, mas ele não parece muito com Torwan desde a última vez que o vi..."

Noriel balançou a cabeça calmamente. "Não brinco com uma coisa dessas, ele é mesmo o diretor, voltou há uma década, mas não conta nada do passado dele, pelo que sei, também nunca o conheci direito. Você pode vê-lo agora — parece que ele tem um esconderijo, não é mais o mesmo Torwan de cinquenta anos atrás, Balthor. Não sei se algo aconteceu com ele, mas, mesmo doendo dizer isso por ser seu irmão, não sei se vai lembrar de você."

Balthor se inclinou à frente, segurando firme o copo.

A sala permaneceu em silêncio — até o momento em que Balthor falou.

"…Preciso de mais uma bebida."

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