
Capítulo 201
O Extra é um Gênio!?
Charlotte foi a primeira a se mover.
Ela lentamente se levantou, um sorriso mais delicado surgindo em seus lábios. Seus longos cabelos cor de rosa caíam de um lado enquanto ela se ajoelhava, ainda cavalgando nele, mas agora com espaço entre eles. Noel, deitado de costas, parecia mais surpreso do que nunca.
Seus olhos verdes evitavam os olhos dela. O calor em seu rosto não tinha relação alguma com o ar da noite.
"Hum... Talvez eu devia ter conversado com as outras meninas antes sobre isso," ele murmurou.
Charlotte inclinou a cabeça com uma expressão inocente. "Eu fiz isso."
Noel piscou. "Sério?"
Ela assentiu casualmente. "Sim. Conversei com Elyra e Elena antes de tudo isso. Disse a eles o meu plano. Elas deram a aprovação."
Ela passou os dedos pelo cabelo, o olhar baixando um pouco. Sua voz ficou mais suave.
"Eu não queria interferir em algo já consolidado. Então, isso... foi o mínimo que podia fazer. Não queria estragar tudo por causa dos meus sentimentos egoístas."
Noel a encarou em silêncio, então exalou pelo nariz.
"Entendo. Isso... é um alívio, pra ser honesto."
Charlotte sorriu novamente, agora um pouco mais relaxada. "Então? Gostou?"
Noel engoliu em seco. "Sim... Seria estranho não gostar, depois de tudo que passamos."
Ele se apoiou nos cotovelos, finalmente olhando nos olhos dela.
"Você tem sido importante pra mim há um tempo. Acho... que o jeito como nos conhecemos foi único, de verdade. Se eu te traí naquela época—which nem sei se isso conta como traição—não foi por maudade."
Seu olhar se intensificou um pouco mais.
"Na Capital Santa... passamos muito tempo juntos. Você me ajudou sem fazer muitas perguntas. Apoiou-me em todas as loucuras que fiz—including sendo o Santo, mesmo sabendo que eu fazia encrenca nos bastidores."
Sua voz ficou mais baixa.
"E, sinceramente... você me sustentou nos momentos mais difíceis."
Charlotte piscou. Depois sorriu de canto.
"Uau, não imaginei que tivesse tanto elogio bom assim pra mim. Continue, me enalteça mais."
Noel estreitou os olhos. "Chega, né?"
Ela soltou uma risadinha suave.
"Bom, encontrei uma saída. E você?"
Noel suspirou. "Nada. Procurei por todo canto. Nada."
Charlotte fingiu orgulho com um sorriso debochado. "Sabe o que isso significa, né?"
Noel levantou uma sobrancelha. "Sério? Não faço ideia."
Ela inflou o peito. "Que eu sou melhor que você."
Ele revirou os olhos. "É... se você diz."
Charlotte se levantou e estendeu a mão para ele.
"Vamos?"
Ele aceitou sem hesitar.
"Mostre o caminho."
O livro, ainda envolto na escuridão, parecia mais acolhedor agora—não por causa de qualquer luz mágica, mas pelo silêncio confortável da troca entre eles.
Charlotte segurou a mão de Noel com firmeza enquanto caminhavam pelos corredores de estantes. Seu aperto era suave, mas decidido. Noel deixou-se guiar, deixando que os passos dela ditassem o ritmo. Estava acostumado a liderar—mas, pela primeira vez, não se importava em ser conduzido.
Enquanto avançavam, a voz dela quebrou o silêncio.
"Então... o que acha que as pessoas vão dizer quando descobrirem que você está saindo com três das garotas mais bonitas da academia?"
Noel piscou. "Isso... é... meio específico."
Ela deu uma risadinha. "Iam todas no Classe S, também. E elas ainda nem sabem quem eu sou de verdade. Quando isso ficar público, vai envolver três nomes de destaque. Você acha que vão querer culpar sua cabeça de ciúmes?"
Noel sorriu de lado. "Agora que você fala nisso... devia estar mais grato."
Charlotte tropeçou um pouco. Não o suficiente para cair—mas o bastante para deixá-la com as bochechas coradas.
"Hã? Isso te envergonhou?" Noel perguntou, em tom baixo e brincalhão. "Quer que eu diga de novo?"
Charlotte tossiu, tentando disfarçar. "N-Não... Tá bom já. Uma vez foi suficiente."
Ele riu baixinho. A mão dela ainda estava na dele.
Continuaram caminhando, as escadas rangendo suavemente sob os pés enquanto Charlotte o guiava por um corredor estreito. As estantes se transformaram em arcos, e a luz da lua começava a passar por fendas nas paredes superiores.
Logo, chegaram a uma janela larga encostada na parte superior do prédio. Sem tranca, levemente entreaberta.
Charlotte apontou para ela com orgulho.
"Aí. Nossa saída."
Noel se aproximou, espiando por ela.
"...Sério? Por aqui?"
Charlotte cruzou os braços. "Achou algo melhor?"
Ele levantou as mãos em um gesto de rendição. "Tá bom. Deixa que eu vou primeiro, aí te ajudo a passar."
Ele olhou pra ela. "Talvez seja melhor ativar seu Véu Santa. Mesmo sendo à noite, duvido que você queira sua identidade escapar logo após um mês deixando a Capital Santa."
Charlotte assentiu. "Boa ideia. Um segundo."
Enquanto Noel empurrou a janela completamente e começou a sair, Charlotte respirou fundo—e, com um brilho mágico, seus longos cabelos cor de rosa passaram a um vermelho intenso, e seus olhos mudaram para a cor avelã novamente.
Quando ela saiu, Noel já aguardava do lado de fora, na beirada do parapeito.
O ar da noite era frio, tocando seu rosto enquanto ele ajustava o equilíbrio na pedra. A torre da biblioteca se estendia atrás dele, alta e antiga, com uma arquitetura construída muito antes de a segurança ser uma preocupação. Abaixo, os telhados de Valon se estendiam como escadas sombrias sob a luz do luar.
Charlotte apareceu ao seu lado, agora com sua aparência pública—cabelos vermelhos e olhos avelã, com o Véu Santa no lugar.
Ela olhou ao redor, depois olhou pra ele.
"Então. E agora?"
Noel não respondeu.
Em vez disso, deu um passo à frente, virou-se para ela—e a levantou nos braços de um movimento suave.
"Ai—!" Charlotte exclamou, com os braços automaticamente abraçados ao pescoço dele. "O-Que você—"
Antes que pudesse terminar, ele flexionou os joelhos, mana correndo por suas pernas, e pulou.
Caíram no telhado inclinado do prédio abaixo. Noel tentou amortecer a queda com um suspiro suave, os joelhos flexionando para absorver o impacto. Sem hesitar, se moveu novamente—outro pulo, outra descida, pousando suavemente na varanda de pedra. O ciclo se repetiu, avançando de telhado em telhado como uma escada de sombras.
Quando chegaram ao último parapeito, Charlotte relaxou nos braços dele, o queixo descansando levemente no seu ombro.
"Você sabe..." ela murmurou. "Pode me colocar no chão se quiser. Não me incomoda ser carregada assim, mas... sabe que eu mesma poderia fazer a mesma coisa?"
Noel sorriu de lado. "Ah, eu sabia."
Charlotte estreitou os olhos. "Então tava se exibindo?"
"Não. Só sendo eficiente."
Ela soltou uma risada curta. "Você não é tão idiota quanto parece."
"Valeu," ele respondeu seco. "Foi um elogio bonito."
Ele a colocou com cuidado na grama de um pátio tranquilo. A cidade de Valon ficava ao fundo, calma e levemente iluminada pelos postes de mana da praça central. À frente, o caminho sinuoso levava de volta para a academia.
Começaram a caminhar lado a lado, e por um tempo, permaneceram em silêncio.
Charlotte caminhava ao lado de Noel, com as mãos atrás das costas, balançando suavemente a cada passo. O Véu Santa reluzia sutilmente sob a luz da lua, mantendo sua identidade oculta por trás da máscara de cabelos vermelhos e olhos suaves.
Um silêncio confortável se estendeu entre eles—até chegarem à curva final perto dos portões exteriores da academia.
Lá, como esperado, estavam os dois guardas conhecidos na entrada.
Um deles cutucou o outro com o cotovelo.
"Olha só," ele sussurrou. "Outra menina. Ele é um verdadeiro Casanova, né?"
O outro suspirou. "Juro, eu trocaria de lugar com aquele cara na hora."
Charlotte e Noel acenaram enquanto passavam, mas os guardas não devolveram o gesto—estavam ocupados fofocando em voz baixa.
Noel parecia divertido. Charlotte revirou os olhos.
"Eles dizem isso toda hora?"
"Mais ou menos."
Entraram na parte tranquila do dormitório do Classe S. Os prédios se erguiam à frente—imponentes, ornamentados, ainda iluminados pelos fracos glowstones mágicos ao longo dos caminhos. Estava quase na hora do recolher, mas ninguém estava lá fora.
Antes de chegar à fonte central, Noel parou.
"Espera."
Charlotte se virou para ele. "Hum? O que foi?"
Noel pegou de dentro da Bolsa Dimensional um pequeno pacote delicadamente embrulhado em tecido.
Sem dizer uma palavra, ofereceu a ela.
Charlotte piscou. "O que é isso?"
"Algo pra você," ele disse. "Comprei de um amigo. Achei que combinaria com você—bem, com seu outro visual, principalmente."
Ela cuidadosamente desfez o embrulho.
Dentro, um par de brincos rosa elegantes.
[Item]
Nome: Whisperbuds
Tipo: Acessório – Brincos
Classe: Incomum
Descrição: Criados para presentes cerimoniais, aumentam levemente a agilidade e resistência básicas da usuária. Muito populares entre curandeiras e magos de suporte para treinar.
Os olhos de Charlotte se arregalaram um pouco.
"Ah? Então você já tinha planejado isso. Acabou de ganhar 100 pontos pelo passeio de hoje, Noel."
Ele sorriu de leve. "Difícil melhorar esse recorde agora."
Charlotte segurou os brincos, admirando a cor sob o luar. "Sou uma pessoa generosa. Não se preocupa—vou deixar você aproveitar sua vitória."
As portas do dormitório do Classe S se fecharam suavemente com um clique metálico. O caminho de pedra se dividia em dois galpões—um para as meninas, outro para os meninos.
As portas do dormitório do Classe S novamente se fecharam com um som metálico suave. O caminho de pedra se dividia em duas alas—uma para as garotas, outra para os garotos.
Pararam onde seus caminhos se dividiram.
Charlotte segurou os brincos pequenos, embrulhados em tecido, perto do peito.
"Mais uma vez, obrigado," ela disse, com a voz mais suave agora. "Não é comum ganhar presentes que não sejam políticos ou cerimoniais."
Noel deu de ombros. "Achei que você gostaria de algo mais pessoal."
Ela sorriu para ele—de verdade, sem aquele brilho de provocações habitual em seus olhos.
"Boa noite, Noel."
"Boa noite, Charlotte."
Ela se virou e seguiu para seu dormitório. Noel ficou lá um momento, observando sua silhueta desaparecendo nas sombras.
Depois, virou-se e foi para seu próprio quarto.
Achegue, o aroma familiar de madeira polida e leves traços de mana o recebeu ao entrar. O espaço estava silencioso, tranquilo.
E lá, agachado na cadeira perto da janela, estava Noir—sua pequena forma de lobo sombra encolhida, profundamente adormecida. Seu pelo era preto como a noite, com leves reflexos violetas que brilhavam levemente na luz do luar. Uma orelha se mexeu ao som da porta se abrindo, mas ele não despertou.
Noel deu um sorriso suave.
Ele se despediu silenciosamente, colocando as roupas com cuidado de lado, depois foi ao banheiro tomar um banho frio. A água gelada tocou sua pele como clareza—lavando o calor, a tensão, a mistura de emoções surreais daquela noite.
Dez minutos depois, ele deitou na cama, olhando para o teto. A luz do luar vazava pela janela, suave e prateada.
Tantas coisas tinham mudado.