
Capítulo 200
O Extra é um Gênio!?
A tinta brilhava suavemente enquanto se fixava na página, as palavras se formando como respiração em vidro frio.
Viajamos o mundo juntos…
Noel inclinou-se na cadeira, os dedos ainda repousando na borda do pergaminho. Seus olhos esmeralda estreitaram levemente.
— Por que tudo fica mais complicado do que precisa ser… —
Ele expirou lentamente. A esfera de fogo acima dele tremulou com sua respiração.
— A história que todos conhecem está errada… Ele não estava sozinho, como Charlotte acabou de me contar há poucos momentos. Ele tinha alguém com ele — e eu aprendo isso logo na primeira maldita linha. —
Ele passou a mão pelos cabelos e se incliou novamente, os olhos varrendo a frase recém-formada com uma tensão crescente. Suas pontas dos dedos pairavam perto do papel, como se tocá-lo pudesse fazê-lo desaparecer.
A página continuava a escrever.
Nós ajudamos a todos, ele e eu, embora as pessoas só prestassem atenção nele.
Nunca me incomodou. Na verdade, gostava de passar despercebido. Meu irmão gostava da atenção, e eu gostava da felicidade dele. Afinal, só tínhamos um ao outro neste mundo.
Noel piscou.
— Parece que a parte de ajudar está confirmada, como nos livros… —
Mas o tom era diferente. Pessoal. Honesto. Não a epopeia glorificada passada em textos religiosos polidos. Isso era alguém que tinha vivido aquilo — não alguém que o adorasse.
Ele continuou lendo.
Ele podia curar os doentes, abençoar as plantações, purificar veneno. Para o povo, era um Deus. Um Deus perfeito, gentil. Mas para mim, era meu irmão. Meu gêmeo.
As pessoas começou a venerá-lo. Templos foram erguidos em seu nome. Uma fé nasceu.
Ele matou monstros por todos os continentes. Até nas ilhas distantes — ele chegou lá também.
E o chamavam de salvador. Eu simplesmente chamava de Elarin.
Noel olhou fixamente para a última frase.
— Bem… não deve ser tão diferente dos registros públicos nesta página, acho. —
— A única diferença é… eles apagaram essa segunda pessoa. O narrador. Quem quer que ele seja. simplesmente riscaram ele do mapa e deram todo crédito ao Elarin. —
Ele se recostou novamente, a cadeira gemendo suavemente. A luz da chama oscilante projetava sombras em seu rosto.
E a página continuava, palavra por palavra, recusando-se a parar.
Fizemos um mundo pacífico.
Os monstros que ainda sobravam eram administráveis. As outras raças aprenderam a despertar seus Núcleos de Mana.
Graças a isso, puderam se proteger sem nossa ajuda.
A vida ficou fácil. Elarin agora era um Deus para todos — um homem que conquistou a fé inabalável do mundo.
E eu estive sempre ao seu lado.
Noel continuou lendo, os olhos estreitados, a respiração superficial.
Mesmo após a chegada da paz, nunca paramos de aprender. Nunca deixamos de aprimorar a mana.
Pode-se dizer que éramos obcecados.
Descobrimos que o Núcleo de Mana podia ser melhorado — não apenas fortalecido, mas… transformado. Cultivado.
Treinado e nutrido, como uma coisa viva.
Ele deu um pequeno aceno de cabeça.
— Ok… nada de estranho até agora. Igual ao que Charlotte comentou. Tudo faz sentido com o que é ensinado. —
Ele virou para a próxima parte. A chama pairando sobre a mesa chiou levemente enquanto o diário reagia ao mana no ar, novas palavras surgindo na pergaminho como confissões.
Meu irmão alcançou o que chamávamos de Código de Mana — o estágio final da mana.
Naquele dia, algo mudou nele.
Ele começou a dizer coisas estranhas: “Esta é a verdade.” “Preciso mudar isso.”
Depois daquele dia, Elarin — mudou. Nada foi como antes. Deixou de responder às minhas perguntas. Me evitou.
Deixamos de estar juntos.
Ele não falava comigo. Eu ainda estava no nível de Arquimago, preso ali também. Então, tomei uma decisão.
Eu iria alcançar o Código de Mana por conta própria.
Mas Elarin continuava mudando.
Começou a fazer e dizer coisas sem sentido.
E um dia… ele mudou completamente.
Ele não era mais meu irmão gentil — aquele que ajudava a todos e sonhava com um mundo melhor.
Noel ficou parado por alguns segundos, os olhos fixos na página.
— Ah, por favor, sistema, sério mesmo? —
Ele empurrou a cadeira levemente para trás, as pernas arranhando o chão.
— Sempre me deixando na mão. Isso é uma besteira. —
Ele massageou as têmporas.
— Ok… calma. Vamos pensar nisso com calma. —
— Se juntar as peças… Elarin acabou lutando contra o Hollow One. Isso deve significar que lutou contra quem escreveu esse diário. —
— Mas ainda não sei por quê. —
— Tudo que tenho é: ele atingiu o Código de Mana… e depois perdeu a cabeça. —
— Então, a questão é — o estágio final da mana faz alguma coisa à mente? Se Elarin era tão forte… como ele morreu? —
— Deus, tantas perguntas. Tantas respostas que não aparecem… —
Ele se inclinou novamente, fechando delicadamente o diário. A chama diminuiu, percebendo o momento.
E então—
"NOEL!!!"
Um grito cortou o silêncio, agudo e repentino.
Ele se levantou imediatamente, virando-se na direção da fonte da voz.
— Parece que ela encontrou uma saída. Ótimo. É hora de partir. Não vou ficar aqui mais do que o necessário. —
A chama sobre a mesa pisqueou uma vez, depois desapareceu quando Noel a dissipou com um movimento da mão. Ele guardou o diário de volta na Bolsa Dimensional e se levantou com um movimento fluido.
— Charlotte? — chamou, a voz reverberando nas prateleiras e na pedra. — Onde você está? —
Nenhuma resposta.
A biblioteca permaneceu silenciosa, banhada pela luz do luar e sombras longas. Ele deu alguns passos adiante, elevou a voz.
— Charlotte!?
Ainda nada. Ele franziu o cenho.
— Ótimo. Ela grita como se tivesse descoberto algo, e agora desaparece? —
Os passos suaves de suas botas ecoaram suavemente enquanto avançava pelo labirinto de livros. Passou por pergaminhos antigos, mapas de terras esquecidas, tratados mágicos e bestiários trancados atrás de vidro reforçado. O silêncio voltou, quase pressionando seus ouvidos.
— Talvez ela esteja brincando… não seria a primeira vez. —
Outra passagem se abriu à sua esquerda. Ele virou abruptamente.
Então—movimento.
Algo saltou das trevas.
—!"
Uma mancha cor-de-rosa. Um relâmpago de cabelo e olhos âmbar.
— Droga—!"
Noel recuou cambaleando, tentando se equilibrar, mas seu pé pegou na borda de um tapete. Caiu de costas com força, o ar saindo golpeado de seus pulmões — e algo macio e quente caiu em cima dele com um baque.
— Ai— que diabos…?"
Quando a visão se ajustou, ele a viu.
Charlotte.
Seus longos cabelos rosas escorriam sobre seu peito e ombros, uma cascata de seda brilhando sob o luar. Seu corpo estava colado ao dele, pernas entrelaçadas, palmas pressionadas ao seu peito pelo impacto. O Véu Sancta dela ainda desativado — olhos âmbar arregalados de surpresa, respiração tão perto que poderia tocar sua pele.
Seus olhares se encontraram — esmeralda e dourado.
Nem uma palavra despediu-se.
Noel sentiu seu coração bater uma, duas, três vezes — mais forte do que deveria.
Charlotte não se afastou.
Ao contrário, começou a se inclinar lentamente, como se o tempo tivesse se alongado para lhe conceder esse momento frágil. Seus lábios se entreabriram levemente. Suas mãos tremeram — mas não recuaram.
E então—
Ela o beijou.
Os lábios dela tocaram os dele em silêncio.
Não foi apressado.
Não foi tímido.
Foi delicado no começo — hesitante, como o bater de asas testando o ar. Um beijo que pedia permissão a cada respiração.
Seus lábios se moveram suavemente contra os dele, incertos mas esperançosos, quentes e reais. O mundo ao redor deles — livros, pedra, luar — pareceu desaparecer sob o peso daquele contato.
Os olhos de Noel se arregalaram no primeiro toque. Mas ele não se afastou.
As mãos de Charlotte se apertaram levemente sobre seu peito, os dedos agarrando o tecido da camisa dele. Ela se aproximou mais, o coração acelerado forte o bastante para que ele sentisse. Seu corpo tremia acima do dele — só um pouco, mas o suficiente para revelar que esse momento significava algo para ela.
Noel ficou imóvel, preso entre o choque e a estranha sensação de calor que se espalhava em seu estômago.
Seu cheiro—lavanda e pergaminho—envolveu-o. Sua respiração se misturou à dele. E sua boca, já sem timidez, aprofundou o beijo lentamente, com desejo e saudade.
Por um instante, permitiu-se fechar os olhos. Parar de pensar.
Sentir.
Os lábios dela se moveram com mais certeza agora, inclinando a cabeça levemente, guiando-o. Não foi perfeito—ela nunca tinha feito isso antes. Mas não importava.
Parecia… sincero.
Um som suave escapou de sua garganta. Nem um gemido, nem uma palavra—apenas o ar, preso entre nervos e desejo.
E então, lentamente, ela se afastou.
Sua testa descansou suavemente contra a dele, a respiração curta e entrecortada. Suas bochechas estavam coradas de rosa, os olhos nebulosos, mas atentos. As mãos permaneciam sobre seu peito. Ainda cavalgando nele, as pernas de cada lado, o cabelo rosa caindo ao redor como uma cortina que fechava o mundo.
Ela não se moveu imediatamente. Não sorriu. Apenas… o olhou.
E então disse, com voz baixa e ofegante:
— Parece que não vou precisar de onze meses, afinal. —