O Extra é um Gênio!?

Capítulo 199

O Extra é um Gênio!?

O suave zumbido das luzes de mana desapareceu, uma a uma, até que só sobrasse o silêncio. Prateleiras erguiam-se como pilares de um templo esquecido, suas silhuetas imponentes engolidas pela sombra. Feixes pálidos de luz da lua filtravam-se pelas janelas altas, lançando riscas prateadas sobre o piso de mármore. A grande biblioteca de Valon havia caído no sono.

Charlotte olhou ao redor, piscando duas vezes.

"...O que fazemos agora?"

Noel expirou lentamente, com as mãos nos bolsos.

"Boa pergunta. Não faço a menor ideia." Ele lançou um olhar para as portas principais, que estavam lacradas. "Noir dormiu no meu quarto."

Charlotte deu um passo à frente, seus passos ecoando levemente contra a pedra. "Pois é, talvez a gente possa achar uma janela aberta ou alguma saída assim?"

Sem esperar pela resposta dele, ela esticou a mão para o colar do Véu Sagrado. Com um leve movimento dos dedos, a ilusão sagrada cintilou e se desfez, revelando sua aparência natural — olhos âmbar calorosos e cabelos rosa que capturavam a luz da lua como ouro rosé.

"Muito melhor," ela disse, afastando um fio de cabelo da orelha. "Prefiro assim."

Noel a olhou por um segundo a mais do que deveria.

'É… eu também.'

Charlotte inclinou a cabeça. "Hm? Você disse algo?"

Ele esclareceu a garganta. "Nada. Só… devemos tentar achar uma saída. Disseram que a biblioteca também estará fechada amanhã, então, sério, não quero ficar presa aqui até o próximo dia útil."

Ela riu suavemente. "Certo, então vamos."

Deram alguns passos, mas pararam ao mesmo tempo. O silêncio voltou a pairar entre eles, interrompido apenas pelo ranger suave da madeira ao redor, enquanto as prateleiras se ajustavam ao redor.

Charlotte olhou de lado. "Deveríamos nos separar? Pode ser mais rápido assim. Este lugar é enorme."

Noel hesitou, depois assentiu. "Sim, acho que dá. Se encontrar alguma coisa, é só gritar. Aqui não tem ninguém por perto, acho que ninguém vai reclamar."

Ela sorriu de leve de forma provocativa. "Mesmo assim… não acha que deveríamos respeitar o silêncio da biblioteca?"

Noel revirou os olhos com um sorriso seco. "Haha."

Viraram em direções opostas e seguiram caminhos diferentes.


A biblioteca à noite era um lugar estranho. Durante o dia, parecia viva com murmúrios e movimento. Mas agora, sob o véu prateado da lua, era como entrar no sonho de alguém — repleto de livros antigos, conhecimento sagrado e segredos pesados demais para serem ditos em voz alta.

Charlotte caminhava lentamente por um corredor de estantes altas, com as mãos atrás das costas, os olhos âmbar procurando por algum sinal de uma janela rachada ou uma porta lateral destrancada. Seus passos eram quase inaudíveis, absorvidos pelos tapetes antigos que cobriam os caminhos de pedra.

'Agora que penso... estou sozinha com Noel. Não teria sido melhor usar essa oportunidade para chegar mais perto dele?'

Ela parou numa janela ornamentada, puxando suavemente a maçaneta. Trancada. Claro. Com um suspiro, continuou andando.

'Disseram que prometi fazer ele se apaixonar por mim… Ugh, que idiota, Charlotte. Não devia ter me separado.'

Algum lugar mais profundo na biblioteca, ela ainda podia sentir a presença de Noel, como uma brasa silenciosa brilhando fora de vista.

Ela virou uma esquina.

'De qualquer forma, melhor encontrar uma saída. Se voltar sem nada, vou parecer uma tola. E sério, não quero alguém como Noel dizendo isso pra mim.'

Uma brisa tênue sussurrou por uma fresta na parede, mas era estreita demais para ser útil. Charlotte puxou o cabelo over o ombro, ainda com o Véu Sagrado desativado — ela preferia assim. Sentia-se mais leve, mais livre. Como ela mesma.

Passou por outro conjunto de janelas altas, todas seladas como as demais.

'…Embora, eu possa dizer que não encontrei nada. E se rezar forte o suficiente… talvez nosso querido deus nos deixe trancados aqui até os próximos dias também.'

Sorriso safado surgiu em seus lábios. 'Hihihi.'

Ela não estava completamente brincando.

Charlotte seguiu mais fundo na biblioteca, os pensamentos vagando entre a luz da lua e a lembrança da voz de Noel, perguntando-se se aquela noite acabaria levando a algum lugar inesperado afinal.


Noel avançava com passos firmes pelo setor oeste da biblioteca, oposto ao caminho que Charlotte tinha tomado.

Ele verificou outra janela. Trancada. Outra porta lateral. Também trancada.

'Maldição, aqui não tem nada… tudo trancado.'

Ele suspirou e massageou a nuca, os olhos varrendo o corredor suavemente iluminado pela luz lunar que passava pelas altas arcadas. O silêncio era estranho, mas não desagradável. Era espaço para pensar.

'Pelo menos lá no Dimensional Pouch — minha bolsa dimensional — tenho comida. Sempre pronta pra emergências.'

Ele puxou a bolsa um pouco para abrir, confirmando a presença de um sanduíche embrulhado e uma garrafinha com fruta. Deixou o bocal cair com um baque suave.

Ainda sem sinal de uma saída.

'Droga, não devia ter sugerido vir aqui hoje. A missão não tinha limite de tempo… até pensei nisso. A gente deveria ter vindo num dia mais tranquilo, com mais tempo.'

Antes que ele pudesse virar a esquina, os olhos se fixaram numa bancada vazia, perto da seção de leitura, quando um som sutil ecoou na cabeça dele — familiar, mecânico, repentino.

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Noel piscou.

"…Ah."

Olhou ao redor, meio esperando que Charlotte tivesse ativado alguma coisa, mas tudo permanecia quieto.

"Isso é bom," murmurou consigo mesmo. "Se eu os ler agora, nada deve acontecer, certo? Charlotte vai acabar encontrando uma saída e me chamando."

Sentou-se à antiga mesa de carvalho na área de leitura, o couro da cadeira rangendo sob seu peso. Com movimentos calmos e treinados, ele enfiou a mão no Pouch Dimensional e tirou o Diário do Filho Esquecido, de capa de couro preto e envelhecida.

Deitou-o suavemente na mesa, as pontas dos dedos tocando a capa como quem toca uma criatura adormecida. Então, sussurrou:

"Chama."

Uma pequena esfera de fogo flutuou acima da sua palma, emitindo luz suficiente para ler, sem alertar ninguém — embora não houvesse ninguém para ver.

O diário estava pronto para falar de novo.

A pequena esfera de fogo pairava silenciosa sobre a mesa, lançando uma luz âmbar suave sobre o pergaminho desbotado. A capa de couro do Diário do Filho Esquecido rangeu levemente ao ser aberto por Noel. As páginas se viraram com um sussurro seco, como vozes demasiado antigas para falar em voz alta.

Ele olhou para as duas primeiras páginas.

Ainda em branco. Como antes.

Depois, chegou às páginas três e quatro — as mesmas que havia lido na última vez.

Ele riu alto. Eu escutei em silêncio. Ele mergulhou no desconhecido. Eu perguntei o que havia por baixo.

Vivíamos numa era antes da mana, quando o mundo era silencioso e as coisas obedeciam às leis em que haviam nascido.

Encontramos isso debaixo dos campos de pedra, atrás do quarto selo. Uma caverna com um coração que pulsava, mesmo que nunca estivesse vivo.

Não era luz, nem calor, nem vento.

Era… resposta. O mundo nos observava. E, pela primeira vez, algo respondeu.

Ele foi o primeiro a tocá-la.

Estendeu a mão, e a caverna respondeu. Luz se agrupou na ponta dos seus dedos — não fogo, não relâmpago, mas intenção.

Seu corpo tremeu. Seus olhos ficaram brancos. E quando terminou… ele foi diferente.

Observei enquanto uma coisa se formava dentro dele. Naquele tempo, não tinha palavras para isso, mas agora tenho.

Ele criou um núcleo.

E fui o primeiro a registrar como ele era.

Noel recostou-se um pouco, expirando pelo nariz.

'Ainda me dá arrepios…'

Ele passou os dedos pela margem da quarta página, parando só quando percebeu que a próxima mudava sob seu toque.

Um brilho sutil percorreu a borda da quinta página, e, diante de seus olhos, tinta fresca começou a se formar no pergaminho intocado.

Ele se aproximou mais, estreitando os olhos.

Viajava o mundo com ela…

O coração de Noel acelerou um pouco mais.

'Isso já tá bem diferente dos livros que li com Charlotte…'

Seus olhos traçavam as letras que surgiam, ainda esbeltas e meio formadas, como uma memória que se esforça para se consolidar. O que quer que o diário estivesse revelando agora, era algo que o mundo havia enterrado — algo que talvez preferisse esquecer.

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