O Extra é um Gênio!?

Capítulo 202

O Extra é um Gênio!?

O dia amanheceu, como sempre.

A luz filtrava pelas cortinas do quarto de Noel, criando um brilho pálido sobre os lençóis. Seus olhos se abriram lentamente — mas ele não se mexeu.

“Aff…” ele resmungou.

Seus membros estavam como ferro. Cada músculo do seu corpo pulsava com uma dor de leve calor. Até respirar parecia exigir mais esforço do que deveria.

Ele passou uma mão pela testa.

Quente demais.

Muito quente.

‘Para com isso. Isso realmente acontece? Já aconteceu de algum protagonista reencarnado simplesmente… ficar doente em outro mundo? Heh, claro que sim, reencarnei como um personagem secundário.’

Deixou a cabeça cair de leve contra o travesseiro.

‘Isso é uma bobagem. Minha cabeça parece que vai explodir, e todo o meu corpo dói.’

Ele ficou assim por um tempo — suando, olhando para o teto. Seu quarto estava silencioso demais. Então, virou a cabeça e notou o relógio na parede.

Estava duas horas adiantado.

Provavelmente, acordou cedo por causa da febre. Ótimo.

Pelo canto do olho, percebeu um movimento.

Noir — o pequeno filhote de lobo sombra — estava de pé ao pé da cama. Sua pelagem preta brilhava com riscas de violeta profundo enquanto ela inclinava a cabeça e, num pulo fluido, saltou para a cama.

“Bom dia, Noir,” disse Noel, com uma voz que mal parecia dele próprio.

Noir trotou pelo colchão e lambeu sua bochecha, seu corpo quente e macio. Ela emitiu um lourdo gemido preocupado.

“Tô bem, não precisa se preocupar. Só um pouco cansado.”

Noir olhou para ele por alguns segundos, então voltou a se fundir às sombras debaixo da cama com um suave ondulação de magia.

Noel exalou lentamente.

Ele se esforçou para se erguer, balançando levemente enquanto ficava de pé. Sua camisa grudou na pele — completamente encharcada. Cheirava a sono, suor e sofrimento.

'Claro que eu fico doente no meio do verão. Você é único, Noel.'

Arrastou-se até o banheiro como um zumbi e ficou vários minutos sob um jato de água fria, tentando se livrar do calor que corroía sua pele. Funcionou. Um pouco.

Depois de secar-se e vestir uma camiseta limpa, trocou os lençóis com movimentos lentos e mecânicos. Pegou um jogo reserva do armário — graças a Deus pelos backups fornecidos pela academia — e forçou-se a terminar a tarefa antes de cair na cama agora limpa.

Seu corpo afundou no colchão. O frio das roupas de cama parecia o paraíso.

Logo adormeceu.


O sol mal tinha saído da linha do horizonte quando Elyra von Estermont sentou-se diante do espelho, trançando seus cabelos escuros com jeito hábil. Seu uniforme — a versão do conselho, claro — encaixava-se perfeitamente: um blazer cinza de corte afiado com detalhes em vermelho escuro, seu toque de estilo em um mar de nobreza padronizada.

Seus olhos cinzentos cruzaram o reflexo.

‘Quero vê-lo.’

O pensamento veio com clareza. Noel tivera estado distante ultimamente — não frio, apenas ocupado. Entre o treino, Charlotte e o que mais estivesse distraindo sua atenção, o tempo de Elyra com ele havia diminuído. E Elyra von Estermont era muitas coisas, mas “passiva” nunca foi uma delas.

Com a trança pronta, ajustou a gola do blazer e suspirou. “Esse garoto melhor não estar me ignorando.”

Uma tênue ondulação de sombra piscou no canto do quarto.

Elira virou-se. Um sorriso surgiu no rosto dela.

“Noir.”

A pequena filhote de lobo sombra saiu das trevas, sua pelagem preta e violeta brilhando suavemente sob a luz matinal. Sem hesitar, saltou para o colo de Elyra.

“Veio visitar a mamãe?” perguntou Elyra, acariciando sua cabeça. “Quem sabe logo você vai ter irmãos, né?”

Noir inclinou a cabeça e soltou um pequeno uivo.

Elyra riu. “Gostou da ideia também, é?”

Mas, apesar da recepção calorosa, algo a incomodava. Noir estava agindo… diferente. Sua intuição, aguçada e irritantemente precisa, sussurrava que havia algo errado.

“Você está preocupada,” ela murmurou.

Noir pulou do colo dela e foi até a porta.

“Quer que eu vá atrás?”

A filhote soltou outro uivo suave, desta vez com urgência.

Elyra se levantou. “Tudo bem, tudo bem. Eu vou.”

Ela pegou sua jaqueta, jogou sobre um ombro e seguiu Noir pelos corredores do dormitório, os botas polidas clicando confiantemente a cada passo.

Ela nem precisou perguntar onde estavam indo.

Havia apenas uma pessoa que Noir se importava o suficiente para agir assim por ela.

E essa pessoa lhe devia atenção de qualquer modo.

O mundo estava silencioso. Noel tinha mergulhado em um sono leve, seu corpo finalmente rendido à exaustão. O quarto era escuro, cheio do suave farfalhar das cortinas e do ranger ocasional de madeira antiga.

Clique.

Os olhos de Noel se abriram de repente ao ouvir a tranca da porta.

Só uma pessoa tinha a cópia da chave — embora, tecnicamente, ele nunca a tivesse feito. Ela simplesmente… autorizara-se a fazer uma cópia por conta própria.

“Claro,” ele murmurou, com a garganta seca.

A porta se abriu e ela apareceu.

Elira von Estermont entrou, o uniformes impecável e ajustado à perfeição — tecido cinza com detalhes em vermelho escuro, moldando seu corpo como se tivesse nascido para aquilo. Seu cabelo trançado, longo e preto, descansava ordenadamente sobre o ombro, e seus olhos cinzentos vasculharam o cômodo em um único olhar.

Depois, pousaram sobre ele.

Deitado na cama, sem camisa, pálido, suando.

Sua expressão suavizou, mas só um pouco.

“Você tá parecendo um trapo.”

“Obrigado. Você sempre sabe o que dizer pra melhorar o humor de um tipo,” Noel tossiu.

Ela fechou a porta com um clique silencioso e foi direto até ele, com as botas leves tocando o chão de madeira.

“Você tá bem?”

“Tô. Só uma febre, nada sério.”

“Você sabe que minha intuição nunca erra, né?”

Noel suspirou. “Sim. Mas isso não quer dizer que eu não possa fingir que tá tudo bem.”

“Não. Você não pode.”

Ele tentou levantar, sentindo dor nos músculos ao fazer o movimento.

“Não.” Elyra segurou suavemente seu ombro, empurrando-o de volta. “Fica aí. Você tá ardendo em febre.”

“Eu vou ficar bem—”

“Não tô perguntando.”

Ele piscou. Conhecia bem esse tom.

Ela se virou para sua mesa e começou a escrever uma rápida carta.

“Vou informar ao Daemar que você não vai treinar hoje.”

Ele gemeu. “Ainda dá pra eu—”

“Nem pensar. Você vai ficar aqui comigo, e a Seraphina vai cuidar para que ninguém precise de você hoje.”

“…Certo.”

Ele olhou de relance, mas ela sorriu de canto. “Vou chamar a Clair pra vir ver como você tá,” ela acrescentou.

“O quê? Não precisa—”

“Precisa sim. Meu futuro marido tem que estar em perfeitas condições o tempo todo.”

Ela voltou até ele e deu um beijo suave na testa.

“Voltarei logo, querido.”

E, com um movimento gracioso, saiu do quarto para entregar a carta pessoalmente.

Noel olhou para o teto.

'Acho que hoje não tenho voz nem para discordar de nada.'

Ele exalou lentamente.

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