
Capítulo 203
O Extra é um Gênio!?
Quando Noel abriu os olhos novamente, o mundo já não girava mais — mas ainda parecia pesado, como se estivesse debaixo d’água.
O quarto estava pouco iluminado, com as lâmpadas de mana baixas, e o aroma de ervas misturado ao cheiro de tecido esterilizado preenchecia o ar. Sentada próxima, de braços cruzados e rosto completamente impassível, estava Clare, a sempre mal-humorada enfermeira da academia. E bem ao lado dela, graciosa como sempre e vestida impecavelmente mesmo no interior, estava Elyra.
Assim que ele se mexeu, Elyra olhou para cima.
"Já entreguei a mensagem para todo mundo que precisava saber," ela disse calmamente. "De agora em diante, você fica de repouso até se recuperar. Tive que acordar Clare para ela vir verificar você."
Clare soltou uma longa e exagerada suspiro. "Sabe, Noel… você é o estudante que mais me dá trabalho. E só está no segundo ano. A gente acabou de começar. Não acha isso um pouco deselegante?"
Noel a encarou, piscando lentamente.
'Não é exatamente seu trabalho isso?'
Clare se aproximou com uma prancheta na mão, já murmurando baixinho. "Vou medir sua temperatura e fazer alguns check-ups básicos para ver o que está acontecendo."
"Tá bom," Noel respondeu rouco. "Me diga o que fazer."
Ela colocou um termômetro de cristal na testa dele, depois sentiu uma leve onda de magia passar pelo seu peito e estômago — pulsos padrões de diagnóstico de mana. Clare não perdeu tempo.
Depois de algumas varreduras, ela lançou um olhar para Elyra.
"Você pode sair por um instante? É questão de privacidade. Preciso que ele tire o cobertor para uma leitura adequada."
Elyra não se Moveu. Em vez disso, sorriu — completamente impassível.
"Ah, não se preocupe. Já vi seu corpo bem de perto."
Por um momento, a alma de Noel pareceu sair do corpo.
Clare levantou uma sobrancelha. "Bem. Entendo que vocês dois são jovens e cheios de vontade de experimentar, mas recomendo ao menos usar proteção. Você ficaria surpresa com quantos estudantes acabam grávidos e têm que deixar as aulas por um semestre."
A febre de Noel aumentou instantaneamente.
"Até achamos que chegamos a essa parte?" ele protestou.
Elyra acrescentou na hora certa:
"Por enquanto."
Clare nem piscou.
Ela continuou o check-up com eficiência fria, anotando notas em um pergaminho flutuante enquanto murmurava entre dentes sobre jovens nobres irresponsáveis e seu horário de sono destruído.
Finalmente, ela recuou, cruzando os braços.
"Você está exausto. Pelo que pude ver, sua mana está quase no limite — e seu corpo está lutando para se recuperar porque você se esforçou demais. Quero dizer, isso deve ser por causa do treinamento da Classe S, né?"
Noel assentiu fracamente.
Clare fez um som com a língua. "Entendo que você quer manter o ritmo, mas seu corpo não é invencível. Cuide dele. Com descanso, você deve se estabilizar em poucos dias."
Elyra sorriu gentilmente. "Obrigadinha por ter vindo, Clare."
Clare fez uma careta. "Não me acorde de novo, a menos que alguém esteja morrendo literalmente."
Ela virou-se e saiu murmurando consigo mesma.
Noel a observou ir, então suspirou.
"Você ouviu ela," Elyra disse, piscando enquanto olhava para ele. "Hora de descansar agora."
Noel soltou um longo suspiro enquanto sua cabeça afundava ainda mais no travesseiro. O cobertor grudava em seu corpo úmido como se fosse uma segunda pele, mas a febre atenuava seu desconforto.
"Sei... vou descansar. Mesmo assim, não foi tão exagerado quanto na última vez."
Elyra levantou uma sobrancelha com um sorriso sarcástico. "Ah? Já está com saudade? Quer deitar no meu colo de novo?"
Antes que pudesse responder, ela já se movia. Com uma facilidade suave e deliberada, Elyra subiu na cama ao lado dele, acomodou-se confortavelmente e deu duas batidas na coxa.
Batida, batida.
Seus olhos brilhavam de provocação. "Vem, né? Funcionou da última vez, não foi?"
Noel hesitou. "Tem certeza? Tô morrendo de suor... não quero que você pegue nada."
Elyra riu, passando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
"Tanto faz. Sinceramente, do jeito que você está agora — corado, sem camisa, todo musculoso? Meio sexy, pra não mentir."
Seu rosto ficou vermelho como um tomate.
Mesmo assim, ele se deslocou mais perto e, com cuidado, deitou a cabeça no colo dela. As mãos dela se moveram automaticamente para seus cabelos, acariciando suavemente, e a dor de cabeça diminuiu um pouco.
Os dedos de Elyra passeavam leves pelos fios de cabelo dele, ritmados e suaves. Noel soltou um pequeno suspiro, quase um resmungo, enquanto seu corpo febril se acomodava na calorosa companhia do colo dela.
Depois de alguns momentos, a voz dela quebrou o silêncio.
"Então… como foi seu encontro com a Santa?"
Noel piscou lentamente, depois soltou uma risadinha suave.
"Mais ou menos normal, acho. Mostrei ela por Valon, passamos por vários lugares, acabamos na biblioteca. Ela começou a me ensinar sobre a história da igreja, sobre Elarin. Perder o ritmo do tempo, sabe?"
Elyra inclinou a cabeça. "Aí, ficou trancado lá, né?"
"Sim. Aconteceram umas coisas… mas conseguimos sair no final."
Ela franziu levemente a testa, depois deu um leichte encolhida de ombros.
"Fico feliz que tenha se divertido. Mas 'umas coisas' é meio vago, não acha? Seja específico. Já aprovei ela como esposa principal, lembra? Aceito ela."
Noel olhou para ela, com os olhos semicerrados de fadiga.
"Você pode imaginar o que aconteceu depois."
Elyra fez uma pausa por um instante. Sua voz ficou mais calma quando falou novamente.
"Charlotte é importante pra você?"
Sem hesitar, Noel respondeu.
"Sim. Acho que o que aconteceu na Capital Sagrada me machucou bastante. Eu tava meio que me afogando, e… ela foi alguém que pude apoiar."
Houve um breve silêncio. A mão de Elyra nunca parou de se mover. Ela simplesmente continuou a acariciar seus cabelos com cuidado constante.
"Então, se ela é importante pra você, tudo bem," ela finalmente disse. "Mas não vou deixar qualquer um se aproveitar de você. Somente aqueles que aprovo. Você lembra da sua promessa, né?"
Noel se virou um pouco, ainda descansando no colo dela, e encontrou seu olhar.
"Sim. Prometi que não iria te negligenciar."
Elyra sorriu com calor.
"Ótimo."
O sorriso de Elyra permaneceu enquanto seus dedos brincavam preguiçosamente com um fio do cabelo dele.
"Sabe..." ela murmurou, "você tem ficado um pouco distante de mim ultimamente."
Noel piscou, surpreso com a mudança de tom.
"Entendo," ela continuou, com voz suave, mas firme. "Tem o conselho, o treinamento, tudo o que você faz quando está sozinho. Não quero forçar você a explicar tudo, mas…" Ela fez uma pausa, passando o polegar pela têmpora dele. "Gostaria que você conversasse mais comigo."
Noel se mexeu um pouco, com a bochecha ainda apoiada na coxa dela. Virou a cabeça só o suficiente para olhar nos olhos dela.
"Obrigada," disse em voz baixa.
A expressão de Elyra suavizou mais uma vez. Então, com um brilho travesso nos olhos, acrescentou:
"Sabe, eu não me importaria de tirar um ano de folga da academia. Não preciso, meu cargo já está garantido, e dinheiro não é problema."
Noel piscou. "Espere, o que você—"
"Só estou dizendo…" ela interrompeu com um sorriso provocador, "quando você estiver pronto, a gente pode começar."
Ficou vermelho de outra forma agora, por um motivo completamente diferente.
"Vamos falar sobre isso quando eu não estiver doente!" ele exclamou, evitando o olhar dela.
Elyra soltou uma risada melodiosa, a voz vibrando suavemente pelo corpo.
"Claro. Mas não demore muito, hein? Você sabe que eu sempre consigo o que quero, certo?"
"Sim…" Noel murmurou, ainda vermelho. "Isso eu sei demais."
"Ótimo." Ela se inclinou de repente, sem aviso.
Os lábios de Elyra encontraram os dele numa troca lenta e prolongada, sem pressa ou provocações — profunda, confiante, quente. A mão dela passou delicadamente pelo lado do rosto dele, guiando-o suavemente enquanto sua boca reivindicava a dele com uma paixão inconfundível. Seu corpo ficou tenso por um instante, depois relaxou na troca, os olhos fechados em rendição.
Quando ela finalmente se afastou, a voz dela foi baixa, como um sopro contra a bochecha dele.
"Lembre-se, você é meu."
Então, ela se levantou, ajustando a saia, e caminhou em direção à porta.
"Vou pegar alguma coisa para o café da manhã. Não morra enquanto eu estiver fora, okay?"
Noel soltou um suspiro, zonzo e avermelhado.
"Sim… entendi."