O Extra é um Gênio!?

Capítulo 204

O Extra é um Gênio!?

Noel estava sentado na cama, emitindo um gemido suave enquanto o peso da fadiga se grudava ao seu corpo como um manto molhado. Sua cabeça latejava e sua garganta ainda ardia pelo febre que o acometera no dia anterior. A luz fraca da manhã filtrava-se pelas cortinas, formando linhas pálidas sobre o piso de madeira. Ele alcançou a mesininha ao lado da cama, os dedos agarrando-se à textura familiar do seu pochete dimensional.

Com movimentos lentos, abriu-o e retirou o Diário do Filho Esquecido. A capa de couro desgastada parecia mais fria do que o normal em suas mãos.

"Você me deixou na dúvida justo na hora de eu descobrir algo importante," ele murmurou baixinho, a voz ainda rouca. "Quero saber… devo seguir essa teoria? Que quem escreveu isso é o mesmo babaca que matou Elarin…?"

Seu sobrancelha se franziu. Essa resposta viria mais tarde—ele tinha certeza disso.

O que importava mais era que o Ato IV tinha oficialmente começado. Até agora, cada ato sempre trouxe dois eventos principais. Torwan… provavelmente esse foi o primeiro. Mas qual seria o segundo?

"Acho que o sistema vai me avisar quando chegar a hora," ele murmurou.

Ele abriu o diário novamente.

As duas primeiras páginas estavam em branco.

Noel as encarou em silêncio.

"Isso significa alguma coisa?" ele se perguntou. "Uma mensagem, ou talvez um gatilho de feitiço?"

Difícil dizer. Mas o jeito como as páginas se desenvolveram depois disso—quase como um diário de verdade—o fez pensar que talvez até essa vazio tivesse um significado. Ainda assim, com a cabeça girando e o corpo doendo, era demais para tentar analisar agora.

Com um suspiro pesado, Noel fechou o diário e o colocou delicadamente ao seu lado na cama.

Justo então, ele ouviu passos no corredor—suaves e rítmicos, mas inconfundíveis. A porta se abriu alguns instantes depois, e Elyra entrou carregando uma bandeja.

O aroma de sopa quente preencheu o ambiente.

Elyra aproximou-se da cama com um sorriso divertido.

"Noel, eu te mandei ficar deitado. Ainda está doente. Mas já que você está sentado, posso te alimentar."

Noel lançou um olhar de leve irritação para ela.

"Posso comer sozinho, sabia?"

"Não pode. Precisa descansar direito. Deixa que eu faço isso," ela respondeu sem lhe dar alternativa.

Ela se Sentou ao seu lado, colocando a bandeja suavemente na beira da cama. A tigela de sopa fumegante ainda apresentava leves vestígios de mana—provavelmente reforçada para ajudar na recuperação. Elyra pegou a colher, cheirou cuidadosamente a porção e levou até os lábios de Noel.

Noel abriu a boca e aceitou a colherada, as bochechas aquecendo-se levemente com a atenção próxima.

"Bom menino," Elyra disse brincando.

Noel engasgou levemente, tossindo uma vez.

"Ei! Não diga isso!"

Seus olhos se desviaram para o lado.

'Que Deus não tenha ouvido isso. Ia ser o meu fim.'

Noir, que estava enrolado na sua cadeira habitual por perto, pareceu soltar um suspiro—quase uma risada.

'Nem pense em contar para alguém. Nem que você pudesse…'

Elyra sorriu, claramente se divertindo.

"Não vou tezuar assim… por enquanto. Mas só porque você está doente. Sabe que acho suas reações adoráveis."

"Entendi, entendi. Mas só dessa vez, por favor. Não quero que minha febre piore."

Ela deu uma risadinha suave e continuou alimentando-o, colherada por colherada, sem reclamar. Quando a tigela ficou vazia, Elyra se levantou e colocou a bandeja na mesa de Noel.

Depois, com um olhar que fez seu estômago revirar um pouco, ela se virou pra ele.

"Agora, vamos tomar banho. Você precisa tirar todo esse suor."

Noel piscou.

"Espera, o que quer dizer com 'vamos'? Eu posso fazer isso sozinho."

Elyra cruzou os braços, olhando com severidade, mas de uma forma brincalhona.

"Não discuta. Vamos. Eu disse que vou ajudar. Não vou fazer nada estranho."

Sua voz era inocente, mas sua expressão mostrava o contrário—e Noel sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

O banheiro foi se enchendo de calor e névoa lentamente, a neblina subindo pelo espelho polido. Noel entrou primeiro, com uma toalha branca solta ao redor da cintura. Seu corpo ainda se sentia pesado, mas o calor da água fazia maravilhas pelos músculos doloridos.

Logo atrás dele, Elyra entrou—dessa vez sem o casaco da academia, vestindo apenas uma camisa branca simples e short.

Noel olhou de lado, depois imediatamente desviou o olhar.

"Vejo aquela cara de decepcionada," ela brincou, dando um jeito na trança de cabelo com leveza.

"Não estava decepcionada," Noel murmurou.

'Tsc. Quer dizer, estou doente, não morto… mas mesmo assim. Controle-se.'

Elyra se aproximou e suavemente pressionou um pano morno em suas costas, limpando o suor acumulado durante a noite. Seu toque era cuidadoso, quase terno—como se tivesse medo de machucá-lo.

"Você está com febre. Precisamos baixar sua temperatura."

"Você… realmente está levando isso a sério, hein?" Noel perguntou em tom baixo.

Elyra não respondeu de imediato. Em vez disso, moveu-se até os ombros dele, enxaguando o pano e repetindo o movimento.

"Precisa se recuperar rápido se quiser continuar treinando,” ela finalmente falou. "E, além disso… queria ser eu a cuidar de você. Só hoje."

Noel não disse nada, deixando que ela prosseguisse. O silêncio era surpreendentemente reconfortante.

Quando terminou, Elyra deu um tapinha nas costas dele.

"Tudo limpo. Volte para a cama. Não me faça te carregar."

Ele sorriu de canto, meio debilitado.

"Tenho quase certeza de que você faria isso se eu desmaiasse."

"Claro que faria," ela respondeu com um piscar de olhos.

Noel se deitou novamente, ainda com a toalha enrolada no corpo. Elyra puxou o cobertor, cobrindo-o e sentando na beira da cama, com os braços cruzados atrás, levemente inclinada.

"Obrigada… por tudo," Noel disse com a voz baixa. "Mas… eu sou realmente mais importante que todos os seus compromissos? Sei o quanto você é ocupada."

Elyra olhou para ele e sorriu, de forma suave, mas firme.

"Sim. Hoje, você é."

Noel piscou, sem saber bem como responder. Ela se aproximou um pouco mais, passando a mão pelos seus cabelos.

"Provavelmente igual para os outros dois também. Mas não contei nada para eles. Queria te ter só para mim, por um tempinho."

"…"

"Depois das aulas, eles vão vir. Provavelmente vão ficar chateados por eu não ter dito nada. Mas, ei…" Ela deu uma risadinha. "Nosso Noir já escolheu quem é a 'mãe', não foi? Então, vamos deixar de pensar demais."

Noel suspirou e se afundou mais na cama. Ainda com dores pelo corpo, uma calma estranha se instalou nele. Ele virou de lado, já quase entrando em sono.

Elyra o observou por um momento, depois tocou suavemente a extremidade da mesa de noite. Seus dedos tocaram a capa do livro de couro que ele vinha lendo antes—Diário do Filho Esquecido.

Ela pegou o livro, curiosa.

Mas ao abri-lo, as sobrancelhas se franziram. As páginas estavam em branco.

'Um novo diário? Ele pretende começar a escrever nele? …Espero que escreva coisas lindas sobre mim.'

Ela sorriu para si mesma, fechou o livro com cuidado e colocou de volta no lugar.

Vários momentos silenciosos passaram.

A sala ficou quieta, iluminada apenas pelo brilho fraco da janela. Elyra adormeceu sentada ao lado de Noel, encostada contra o cabeceiro, de braços cruzados e pernas elegantemente cruzadas. Noir continuava enrolado na sua cadeira habitual, sua pelagem preta com roxo quase imóvel a cada respiração.

De repente—toque, toque, toque—um tap, tap suave mas nítido ecoou pela sala.

Noel mexeu-se.

Seus olhos se abriram lentamente, pesados ainda pelo sono e pela doença. Ele piscou algumas vezes, percebeu Elyra ainda adormecida ao seu lado e suspirou. Lentamente, levantou-se e foi até a porta.

Abriu-a.

Lá estavam Elena e Charlotte.

Elena parecia especialmente preocupada, com o rosto misto de alívio e frustração.

Sem dizer uma palavra, aproximou-se, abraçou-o forte e enterrou a cabeça no seu peito.

"Elena, estou bem. Sério," Noel disse, com voz suave, mas tranquilizadora.

Charlotte lhe ofereceu um sorriso cálido e gentil, as mãos juntas na frente, como em oração.

"Vou te dar uma bênção rápida, só por garantia."

Noel levantou a mão imediatamente, interrompendo-a.

"Não. Já te falei—não há necessidade por uma besteira dessas."

"Desculpa. Estávamos realmente preocupadas. Mas…" Ela olhou para dentro do quarto, onde Elyra agora se espreguiçava na cama. "Parece que você não estava tão mal assim quanto imaginávamos."

Elyra soltou um bocejo, cobrindo a boca com elegância.

"Oi, boa tarde, meninas. Já voltaram da aula?"

Elena ainda não desgrudava Noel.

"Você não achou importante mencionar que ele estava doente?" ela disparou, com raiva e preocupação na voz. "Estávamos no treinamento procurando onde ele estava!"

"Desculpa, desculpa," Elyra falou, sentando-se mais ereta. "Mas você não podia faltar às aulas, né?"

"Só você consegue passar por cima disso," Elena retrucou.

Elyra deu uma piscadela. "Vantagens de ser vice-presidenta, não?"

Noel suspirou, colocando um braço delicadamente sobre o ombro de Elena.

"Obrigadão por terem vindo. E por se preocuparem comigo."

Elena resmungou, "Claro que não é nada," enquanto Charlotte concordava com ela ao lado.

A sala se encheu de uma breve, silenciosa sensação de aconchego. Noel ficou no meio delas, cercado pelas três garotas que se importavam muito com ele, cada uma demonstrando de sua própria maneira.

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