
Capítulo 194
O Extra é um Gênio!?
O sol começava a desaparecer além das paredes da academia quando Noel fechou a porta do seu quarto. O ar lá dentro era pesado e quente — o verão em Valon não dava trégua, e treinar na câmara subterrânea não tinha ajudado nisso.
Sem hesitar, ele arrancou a camisa úmida e foi direto tomar um banho rápido, frio, eficiente e rápido.
Quinze minutos. Era tudo que tinha.
Ele se secou, vestiu uma camisa branca limpa e calçou calças pretas sob medida para se mover livremente. Seu Alçapão Dimensional estava preso com segurança na cintura esquerda, como sempre. A Mandíbula do Revenant repousava em silêncio lá dentro, e o Sigilo Órfico brilhava suavemente em seu dedo.
'Mais um passeio pela cidade, certo? Mas isso não quer dizer que posso relaxar. Não neste mundo.'
Noel respirou lentamente e murmurou baixinho.
"Status."
Uma janela azul acendeu-se, visível somente para ele.
[Progresso Atual do Núcleo: 55,35% – Núcleo de Mana: Adepto]
'Ainda na metade do caminho. O feitiço de relâmpago me deu um empurrão, mas ainda não é suficiente.'
Uma segunda janela apareceu imediatamente após.
[Nova Missão]
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Noel levantou uma sobrancelha.
'Uma missão que não seja focada em matar algo, pela primeira vez? E com Charlotte? …Isso tem a ver com o deus que ela adora? Ou talvez os segredos mais profundos da igreja? De qualquer forma… interessante.'
Ele lançou um último olhar ao redor do seu quarto.
"Noir, estou indo embora. Volto até a noite."
A pequena criatura esticou-se preguiçosamente no topo da estante, soltou um bocejo e pulou para baixo, enrolando-se perto do canto sombreado onde o chão era mais frio.
Noel ajustou o colarinho, passou uma mão pelos cabelos e dirigiu-se até o portão principal da academia.
'Não posso deixar ela esperar. Acho que já sei pra onde quero levá-la primeiro.'
O sol já tinha se escondido mais, projetando longas sombras douradas sobre a rua de paralelepípedos em frente ao portão principal. Noel apoiou-se casualmente em uma das colunas, girando uma moeda de prata entre os dedos.
Haviam se passado vinte minutos desde que eles combinaram de se encontrar.
'Ela está atrasada. Mas... ela disse que precisava se preparar. Acho que é justo,' pensou, os olhos seguindo a moeda enquanto ela dançava de uma mão à outra. 'Ainda assim, já é pôr do sol. Se vamos visitar a biblioteca ou a igreja, precisamos ir logo. Fecham em menos de três horas.'
Ele suspirou e olhou para a rua — estudantes e cidadãos passavam sem notar sua inquietação interior. A brisa carregava o aroma de flores de verão e o murmúrio distante de um bardo tocando na praça.
Mais dez minutos se passaram.
Justo quando Noel começava a pensar se deveria procurar por ela, viu na esquina alguém se aproximando. Uma garota com cabelos longos de cor vermelho-carmesim, brilhando suavemente na luz do entardecer, caminhava em direção a ele com passos graciosos. Seus olhos cor de avelã estavam fixos nele.
Ela usava um vestido de verão preto — modesto, mas indiscutivelmente elegante — acentuado por delicados detalhes de bordado prateado e alguns acessórios delicados. O tipo de roupa que chama atenção sem precisar gritar por isso.
"Oi," cumprimentou Charlotte com um sorriso, puxando um fio de cabelo atrás da orelha. "Estava esperando há muito tempo?"
"Não. Uns dez minutos, mais ou menos," respondeu Noel com um leve encolher de ombros.
Charlotte levantou uma sobrancelha. "Não ficaria mais encantador se você dissesse algo como, 'Cheguei agora também'?"
"Por quê? Você não é uma dama nobre de um romance?"
"...Tch."
Ele piscou. "Desculpa. Era uma piada."
Ela sorriu de forma marota. "Melhor tomar cuidado, senão vou fazer você pagar por isso."
Noel riu e estendeu o braço. "Vamos?"
"Vamos sim."
A rua principal de Valon pulsava com energia enquanto o sol se punha mais ainda, banhando a cidade em tons de âmbar e rosa. Lanternas começavam a acender, criando uma atmosfera acolhedora nas construções de pedra e madeira que ladeavam a via. As lojas permaneciam abertas até tarde no verão, com vitrines reluzentes exibindo joias, vestidos, pães e truques mágicos encantados.
Os olhos de Charlotte brilhavam enquanto caminhavam, puxando Noel toda vez que via um lugar que despertava seu interesse.
"Vamos entrar aqui. Vi um vestido na manequim que eu gostei."
Noel a seguiu para dentro da loja, sorrindo silenciosamente. Lá dentro, o ar fresco vinha de cristais suaves que brilhavam no teto. As paredes eram forradas com armários repletos de roupas finamente trabalhadas — vestidos, mantos, roupas de viagem e roupas de festa — todas encantadas levemente para manterem-se limpas e duráveis.
Charlotte desapareceu atrás de uma cortina, com os braços cheios de roupas que queria experimentar.
Noel ficou do lado de fora do provador, com os braços cruzados. Observou ao redor, admirando a atmosfera refinada — madeira polida, aroma suave de flores e o murmúrio tranquilo de magia suave.
Momentos depois, a cortina se abriu novamente.
Charlotte saiu vestindo um vestido azul profundo, que moldava sua cintura e se ampliava na altura do quadril. Os detalhes prateados combinavam com seus olhos e contrastavam com seus cabelos vermelhos de forma marcante.
"E aí, o que achou?" ela perguntou, girando uma vez com um sorriso meio tímido.
Noel concordou. "Você está adorável."
"Só adorável?" Ela inclinou a cabeça, claramente querendo pegar uma dica.
"Um pouco perigosa também," ele completou após um instante.
Isso a fez lançar um sorriso maroto. "Vou aceitar essa."
Ela voltou para o provador para experimentar outra roupa. O ciclo se repetiu mais duas vezes — roupas diferentes, humores diferentes — e a cada saída, Charlotte observava Noel com atenção, avaliando suas reações com interesse crescente.
Por fim, ela apareceu segurando duas roupas na mão.
"Vou levar essas. Já que uma certa pessoa aprovou."
Noel riu. "Tem certeza que não está se presenteando?"
"Ah, estou. Mas não me importo de usar você como desculpa."
Haviam passado duas horas desde que começaram a passear, e o ar já estava mais frio, tocado pelo crepúsculo que chegava. Depois de explorar boa parte de Valon — desde seus bairros artísticos agitados até os caminhos perto do castelo real — os dois haviam se acomodado em um banco de madeira em um dos maiores parques da cidade.
Na mão de Charlotte, um sorvete de canudinho com gotas de hortelã e chocolate, de um verde pálido que brilhava com partículas de gelo. Noel tinha optado pelo de baunilha, simples, confiável.
Sentaram-se em silêncio confortável por um tempo, observando crianças brincando de pique entre árvores e fontes. Os grilos tinham começado a cantar, e lanternas mágicas distantes flutuavam no ar como vaga-lumes.
Noel deu uma chupada lenta no seu sorvete e olhou de lado. "Nunca imaginei que você fosse do tipo de sabor de pasta de dente."
Charlotte estreitou os olhos para ele. "É de hortelã com pedaços de chocolate. E é delicioso. Quer experimentar?"
Noel encolheu os ombros. "Claro."
Ela esticou o sorvete um pouco na direção dele, e ele se inclinou para dar uma mordida. Parou, fez uma careta e recuou.
"Tem gosto de arrependimento refrescante."
Charlotte riu. "Desculpe. Vou experimentar o seu, então."
Ele segurou seu sorvete, e ela delicadamente mordeu a ponta. Seus olhos se iluminaram.
"Isso está muito bom!"
"Viu?" Noel sorriu. "O meu é melhor."
"Você não ganha nada, pervertido."
Ambos sorriram, observando tranquilamente crianças novamente. Risadas e o splash de água de uma fonte próxima enchiam o ar.
A expressão de Charlotte suavizou. Seus dedos apertaram um pouco mais o sorvete.
"Você ainda pensa naquilo que aconteceu naquele dia?" ela perguntou, sem olhar para ele.
Noel demorou a responder.
"…Não tem como não pensar."
Charlotte assentiu lentamente. "Você me salvou, Noel. Salvou os outros também, mesmo que… mesmo que alguns deles não tenham conseguido ser salvos."
"Eu não consegui proteger o Erick," ele murmurou. Sua voz caiu. "Ele me lembrou alguém que eu conhecia. E eu falhei com ele."
Charlotte olhou para baixo, depois voltou a olhar para ele.
"Você fez o que ninguém mais poderia ter feito," ela disse baixinho. "E eu vi o quanto isso custou a você."
Ele virou a cabeça na direção dela — a expressão dela era gentil, os olhos brilhando com algo não dito.
"Você me segurou naquele dia," ele disse. "No cemitério."
Charlotte sorriu levemente. "Você chorava. Eu não poderia simplesmente te deixar."
Noel desviou o olhar novamente, o silêncio agora mais denso, mas não desconfortável.
Depois de alguns momentos, Charlotte se levantou e sacudiu a saia. "Vamos lá. Ainda tenho um lugar para visitar esta noite."
Ela estendeu a mão para ele.
Ele a pegou, e ela puxou suavemente para cima. Em vez de soltar, encaixou seu braço no dele, segurando com confiança casual.
"Parecemos um casal, não é?" ela disse brincando, lançando um olhar de lado para encontrá-lo.
"…Parece," respondeu Noel simplesmente.
Essa não era a resposta que ela esperava.
Suas bochechas ficaram levemente coradas, mas com o cabelo vermelho, era difícil de perceber. Ela virou o rosto rapidamente para o lado, mas o sorriso que se contornava nos lábios revelou seu sentimento.