O Extra é um Gênio!?

Capítulo 193

O Extra é um Gênio!?

A câmara de treinamento da Classe S, situada sob a academia, pulsava com uma tensão arcana palpável. Paredes de pedra reforçada, decoradas com runas antigas, absorviam o barulho e as ondas de choque de inúmeros feitiços. Era fim de tarde, e o espaço vibrava com movimentação.

Em um canto, Marcus e Seraphina duelavam numa batalha apenas de magia. Chamas azuis de Marcus se torciam pelo ar, contrabalançadas por lâminas cintilantes de energia metálica conjuradas por Seraphina. Nenhum deles ousava piscar—cada golpe carregava peso sério.

Em outro lugar, Selene treinava sozinha, convocando lanças de gelo furiosas do chão e lançando-as em alvos em movimento. Cada feitiço era preciso, devastador e frio — de várias formas além do literal.

Perto do fundo, Elyra permanecia calma, tecendo fios de magia de suporte, reforçando barreiras e amplificando os fluxos de mana ao redor. Onde os outros duelavam, ela calculava—fortalecendo e controlando o campo de batalha como uma estrategista.

No centro, Noel estava sozinho dentro de um círculo delineado. Sua camisa grudava às costas, encharcada de suor, e sua respiração era acelerada, ombros tensos. Mana pulsava sob a pele dele—raivosa, enroscada, pedindo para ser liberada.

Opposto a ele, o Professor Daemar assistia em silêncio. Os olhos roxos do homem mais velho estavam concentrados, sua postura imóvel, com uma ponta de interesse quase imperceptível na expressão estoica.

"Não force," instruiu Daemar. "Não é uma espada. É mais como uma tempestade. Deixe ela vir até você."

Noel fechou os olhos. Seus dedos tremeram. Um lampejo de mana saltou entre eles—familiar, mas volátil.

E então—

TRINC.

Um relâmpago branco-azulado disparou da mão estendida dele, instantâneo e implacável. Não era uma magia lenta ou uma energia crescente—era pura destruição, com a abordagem mais direta possível. O raio atingiu a parede reforçada do lado oposto, deixando uma cicatriz de escórias negras na pedra, e o cheiro de ozônio preencheu a câmara.

Tudo parou.

Selene virou-se. Marcus e Seraphina interromperam os feitiços na metade. Até mesmo o encanto de Elyra vacilou por meio segundo.

Os olhos de Daemar estreitaram-se. Ele deu um passo adiante.

Noel olhou para a mão, ainda fumegante levemente.

"…Stormpiercer," murmurou.

Daemar respirou fundo lentamente e falou, com uma aprovação rara na voz.

"Você fez um feitiço dessa magnitude… já?"

Noel virou-se para ele, incerto. "Foi… ruim?"

Daemar balançou a cabeça, colocando a mão firme no ombro do garoto.

"Não. Significa que você está pronto para parar de fingir que é mediano."

Ele deixou passar um momento antes de acrescentar, mais sério:

"Você acabou de lançar uma magia de relâmpago que só um mago de nível Ascendente normalmente tentaria. Isso não é comum, Thorne. Isso é muito raro, até eu não conseguiria fazer algo assim na sua idade."

A parede queimar ainda fumegava levemente enquanto Noel baixava a mão. Ele podia sentir o residual da magia crackeando por suas veias—como estática sob a pele, bruto e vivo. Mas Daemar já havia virado as costas, pegando um caderno grosso encadernado em couro escuro.

Ele rabiscou algumas linhas em silêncio, os olhos desviando entre Noel e os vestígios do feitiço.

"Foi um sucesso," disse Daemar finalmente, sua voz recuperando o tom habitual de compostura. "Por enquanto, não será necessário mais treinamento com relâmpagos."

Noel piscou. "Só isso?"

"Você passará as próximas semanas aprendendo a controlar o que acabou de fazer," respondeu Daemar. "Mas vou avisar ao Nicolas que você superou o módulo de treinamento atual. A partir de agora, é aprimoramento."

Ele arrancou a folha do caderno, dobrando-a cuidadosamente, e entregou a um assistente próximo. Sem mais palavras, o mensageiro saiu em disparada da câmara.

"Stormpiercer." Daemar repetiu o nome. "Você corta a pedra como se fosse papel."

Noel olhou para a sua mão. Agora estava firme, mas ainda podia sentir o eco da mana, como se o céu por inteiro tivesse passado por ele.

"Obrigado pela orientação," disse, olhando para cima.

Daemar deu um leve aceno de cabeça, mais suave do que de costume.

"Você é o tipo de estudante que as pessoas lembram, Thorne. Não deixe isso escapar."

Então, com sua habitual compostura, Daemar deu a volta e foi embora, já chamando Marcus e Seraphina para a próxima rodada.

Noel permaneceu por um momento, absorvendo tudo.

Ele murmurou para si mesmo:

"Status."

Uma leve vibração, e uma tela azul familiar apareceu na sua frente.

[Progresso Atual do Núcleo: 55,35% – Núcleo de Mana: Adepto]

Ele expirou lentamente.

'Ainda Adepto. Mas aquele feitiço… não era de nível Adepto. Nem perto.'

E então, abaixo da atualização do núcleo, surgiu uma nova linha—algo que ele nunca tinha visto antes.

[Nova Missão Recebida]

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"…Hum?"

Ele inclinou a cabeça.

"Uma missão que não envolve quase morrer? E com Charlotte?"

Ele riu baixinho.

"Ou os deuses estão entediados, ou isso vai ficar estranho."

Seus dedos pairaram sobre a mensagem da missão. Por enquanto, deixou quieto.

'O Diário do Filho Esquecido… por que sinto que esse nome significa alguma coisa?'

A sessão continuou por quase mais uma hora. Daemar circulava entre os estudantes destaque da Classe S, corrigindo formas, ajustando sequências de feitiços e cobrando disciplina. Enquanto isso, Noel ficava na retaguarda, observando com atenção silenciosa.

Selene movia-se como uma lâmina afiada de inverno, convocando pilares de gelo que explodiam do chão com precisão cirúrgica. Sua expressão era imperturbável, sempre—calma, mortal, e no controle total.

Elyra, por outro lado, fluía como seda, tecendo magia de suporte com graça fluida. Um halo prateado brilhava ao redor dela e de seus parceiros de treino, aprimorando velocidade e defesa. Sua magia era sutil, mas seus efeitos eram inegáveis.

Cruzando a câmara, Marcus e Seraphina estavam mergulhados em um duelo apenas de magia. O chão rachava sob os pés de Marcus enquanto ele lançava projéteis de pedra, mãos brilhando com uma chama azul intensa. Seraphina respondia com lâminas de metal pairando no ar, respondendo com precisão e lethality elegante.

Noel cruzou os braços, assistindo silenciosamente a cada um deles.

'Todo mundo está se esforçando como nunca. Acho que o ataque mudou algo em todos nós.'

Pela esquina do olho, viu Elena entrando na sala. Seus longos cabelos platinados balançavam levemente ao caminhar. No momento em que seus olhos âmbar encontraram os dele, ela parou congelada.

Noel levantou uma mão. "Ei."

Elena o encarou por um segundo a mais—depois virou-se rapidamente, com o rosto corado, e passou por ele sem dizer palavra.

"Huh?"

Noel piscou, confuso.

'Será que fiz algo errado?'

Ele se virou para olhar sua retaguarda, mas ela não parou nem olhou para trás, apenas seguiu andando.

'…Com certeza tem algo errado.'

Ele caminhou pelos corredores silenciosos de pedra da academia, ainda pensando na reação dela.

'Por que ela me evitou? Nem disse nada. Foi por algo que eu falei? Ou fiz?'

Passou a mão pelos cabelos, levemente úmidos, ainda sentindo a estática residual da magia de relâmpago que nasceu de seus dedos. A adrenalina daquele momento desaparecia rapidamente, substituída por um incômodo no peito.

Ao virar uma esquina próxima ao corredor leste da academia, avistou-a.

Charlotte.

Ela saía de uma sala de treinamento, vestida com um traje mais justo do que o usual, seu Véu Santo inativo. Os longos cabelos cor-de-rosa estavam um pouco grudados na testa devido ao suor. Carregava duas adagas curtas na cintura, parecendo cansada, mas satisfeita.

Rauk, o instrutor de combate corpo a corpo, acenou para ela com um bufo antes de seguir na direção oposta.

Noel levantou a mão e se aproximou. "Ei."

Charlotte virou-se, piscando. "Noel?"

"Terminou por hoje?" perguntou, observando as adagas dela.

"Sim. Rauk finalmente me deixou ir. Aparentemente ainda jogo como monja," ela sorriu, puxando o cabelo de volta.

Noel deu uma risada. "Acho que isso não é elogio."

"Não vindo do Rauk," ela respondeu, depois inclinou a cabeça. "Você parece… estressado. Algo errado?"

Ele hesitou. "Só… as pessoas estão malucas."

Os olhos de Hazel de Charlotte se estreitaram um pouco. "Elena?"

"Talvez."

Charlotte cruzou os braços. "Quer que eu a interrogue por você?"

"…Por favor, não."

Charlotte sorriu de lado. "Sem promessas."

Ele sorriu, de leve.

'Pelo menos com ela, as coisas ainda são simples.'

Noel apoiou-se casualmente na parede, observando Charlotte alongar os ombros. Sua atitude relaxada era revigorante, especialmente após a tensão que sentira antes.

"Então," ele disse após um momento, "ainda quer que eu te mostre a cidade? Podemos ir hoje, se estiver livre."

Charlotte piscou, e seus olhos se iluminaram. "Sério?"

Ele deu de ombros. "Por que não? Terminei por hoje, e estou com vontade de caminhar um pouco."

Charlotte sorriu largo, depois virou séria—bem, o mais séria que ela consegue. "Ok, mas precisa de uns minutos para se preparar."

"Você está bem assim."

Ela estreitou os olhos. "Noel. É um encontro na cidade. Isso exige preparação."

Ele levantou uma sobrancelha. "...Certo."

Charlotte riu e deu uma volta, girando no calcanhar. "Me dê vinte minutos! Vou te encontrar na porta principal."

Antes que pudesse responder, ela fechou os olhos e ativou o Véu Santo. Num instante, seu cabelo rosa desapareceu, tomando um tom vermelho carmesim impressionante, e seus olhos de âmbar se aguçaram. Sua postura mudou um pouco—mais composta, embora ainda fosse claramente ela.

Então ela desapareceu, correndo pelo corredor e chamando de trás: "Não se atrase, pervertido!"

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