
Capítulo 192
O Extra é um Gênio!?
Elyra inclinou-se para frente, apoiando o queixo na mão. "Então, você também gosta dele."
Charlotte piscou. "Direto ao ponto, hein?"
As bochechas de Elena ficaram com uma tonalidade levemente rosada. "Elyra…"
"O quê?" Elyra encolheu os ombros. "É melhor ser clara sobre as coisas. Ambas sabemos como Noel é. Não é estranho que outras pessoas tenham a mesma opinião."
Charlotte respirou fundo e deu um sorriso sem humor. "Sim. Acho que gosto dele."
Aquela silence que se seguiu não foi constrangedora—apenas pensativa. Aquele tipo de silêncio que acontece só quando meninas deixam as máscaras de lado e decidem falar com franqueza.
Elyra foi a primeira a quebrar o silêncio novamente. "Então vamos conversar. De verdade."
Elyra inclinou um pouco a cabeça, os olhos estreitando com um brilho calculista. "Então, de todos os garotos da academia… por que Noel?"
Charlotte não respondeu imediatamente. Olhou para as próprias mãos, depois levantou o olhar com uma calma surpreendente. "Ele salvou minha vida. Me protegeu. Não sei se vocês entendem como funcionam as bênçãos divinas de verdade, mas…" —ela hesitou— "elas usam minha vida como combustível."
Os olhos de Elena se arregalaram. "Espera… sério?"
Charlotte assentiu. "Quando ele estava quase morrendo, depois de me salvar, tentei curá-lo. Ele sabia o que isso me custaria… e me pediu para não fazer isso. Mesmo que ele morresse."
Elyra levantou as sobrancelhas lentamente, ficou em silêncio por um momento. Depois perguntou: "Foi aí que tudo começou?"
Charlotte deu uma risadinha seca. "Não. Foi só quando percebi que não queria abrir mão de alguém assim."
Elena ficou visivelmente emocionada. Seus lábios se abriram ligeiramente, como se estivesse sem palavras, e então perguntou finalmente: "Você o viu… em momentos como esse?"
Charlotte assentiu novamente. "Já o vi chorar."
Ambas as meninas ficaram imóveis.
Elyra sentou-se ereta. "Noel? Chorando?"
Elena se inclinou, surpresa. "Quando?"
Charlotte assentiu lentamente. "Foi no cemitério. Depois de tudo que aconteceu… as crianças que morreram. Especialmente um menino chamado Erick. Acho que Noel se viu nele de alguma forma."
Os olhos de Elena se arregalaram, cheios de um choque silencioso.
Charlotte continuou: "Ele não disse nada. Ficou parado lá, com os punhos cerrados…Eu o abracei. Ele não me afastou."
O olhar de Elyra se intensificou. "Isso não é algo que ele demonstra facilmente."
Charlotte olhou para suas mãos. "Acho que ele precisava de alguém naquele momento. Mesmo que não tenha pedido."
Houve um longo silêncio. O jardim permaneceu calmo, salvo pelo som distante da água de uma fonte próxima.
Elyra quebrou o silêncio. Seu tom era calmo, mas havia uma curiosidade suave por trás de suas palavras. "Então, Charlotte… o que você pretende fazer?"
Charlotte levantou o olhar, encarando-a diretamente.
"Você já me disse que tudo bem," ela disse, olhando para as duas meninas. "Que eu podia tentar. Mas, na verdade… não sei se Noel sente o mesmo. Não perguntei. Não quero apressar as coisas."
Elena inclinou a cabeça. "Então, por que você tem tanta certeza?"
Charlotte sorriu, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa. "Não tenho certeza. Mas prefiro descobrir do que ficar pensando que devia ter tentado."
Elyra se recostou, cruzando os braços. "Você é corajosa. Gosto disso."
Charlotte deu uma risada. "Quer dizer, sou uma santa. Preciso ter fé, né?"
Elena ficou com uma expressão levemente corada. "Então… o que vai fazer?"
"Tenho um encontro com ele," Charlotte respondeu. "Mais ou menos. Ele prometeu me mostrar Valon. Estava adiando as propostas da Clara só para que fosse ele a fazer isso."
"Você cancelou com a Clara?" Elena piscou. "Ela está morrendo de vontade de te mostrar a cidade."
"Sei disso," Charlotte disse, sorrindo. "Mas queria que fosse Noel. Queria que a lembrança fosse… nossa."
Elyra a observou com um olhar sério. "E se ele não sentir o mesmo?"
A voz de Charlotte não vacilou. "Então vou fazer ele se apaixonar por mim. De alguma forma."
A expressão de Elyra se tornou intrigada. "Você parece confiante."
"Não estou," Charlotte admitiu, encolhendo os ombros. "Mas também não tenho medo. Quando gosto de alguém, vou atrás. Sempre foi assim. Por que ficar esperando o destino agir?"
Elena brincou com um fio de cabelo platinado, as bochechas levemente coradas. "Eu… também era assim. Mas com Noel, hesitava. Bastante."
Elyra levantou uma sobrancelha. "Você? Hesitando?"
Elena lhe lançou um olhar suave. "Ele é diferente. Você também sabe disso."
Charlotte concordou. "Sim. Ele é impulsivo, reservado, às vezes rabugento… E quando decide alguma coisa, não volta atrás. Isso é raro."
Elyra permitiu-se um pequeno sorriso. "Ele é o tipo de pessoa que queimaria uma cidade se fosse para salvar alguém que gosta."
"Exatamente," Charlotte concordou. "Ele nem quis que eu o curasse porque isso ia tirar parte da minha vida. Estava quase morrendo e ainda pensava em mim primeiro. Me diga, que idiota faria isso?"
Elena e Elyra trocaram olhares.
"Nosso idiota," Elena murmurou, sorrindo de leve.
Charlotte sorriu também. "Acho que somos todos tolos por ter nos apaixonado por ele, hein?"
"Talvez," Elyra disse, levantando-se da bancada e ajeitando a saia. "Mas, se somos tolos, temos muito orgulho disso."
Charlotte se levantou, ajeitou a saia e deu uma esticada nos braços, com uma bocejada exagerada.
"Bem, acho que já tive emoção suficiente nesta manhã."
Elyra soltou uma risada suave.
"Você é uma personagem."
"Eu tento," Charlotte respondeu com um sorriso brincalhão. "Obrigada por conversarmos. Não tinha certeza de como ia ser… mas fiquei feliz por ter vindo."
Elena sorriu, visivelmente mais relaxada.
"Eu também. Boa sorte. Com ele."
"Vai precisar," Elyra acrescentou, com um tom brincalhão e caloroso. "Noel pode ser difícil."
"Gosto de um desafio," Charlotte disse, sorrindo maliciosamente enquanto se virava. "De qualquer forma, tenho treino agora. Instrutores de nível S não gostam de esperar."
"Até mais," Elena disse, levantando a mão em sinal de despedida.
"Diga a ele que mande um oi, se encontrá-lo," Charlotte chamou por cima do ombro enquanto se afastava.
Depois de desaparecer pelos caminhos do jardim, Elena e Elyra ficaram em silêncio por um momento, olhando para o céu limpo da academia.
Elyra cruzou os braços com um sorriso satisfeito.
"Viu? Eu te avisei. Ainda bem que você deu o passo naquele dia. Senão, seu lugar estaria em risco."
Elena olhou para baixo, as bochechas ficando rosadas.
"Ainda estou me acostumando a falar isso em voz alta."
"Vai acostumando," Elyra disse, levantando-se e ajustando a jaqueta do conselho. "Ainda temos trabalho."
"Pois é," Elena concordou, também se levantando.
As duas partiram do jardim, seus passos sincronizados—embora nossas mentes permanecessem voltadas para um certo garoto de olhos esmeralda que, sem querer, tinha se tornado o centro de seus mundos.