
Capítulo 207
O Extra é um Gênio!?
A atmosfera abaixo da academia estava densa de calor e do perfume de mana. Os campos de treinamento subterrâneos — vastos, úmidos e ecoando com passos — vibravam com a energia habitual da Classe S. Faíscas saltavam, suor escorria e o chão de pedra irradiava calor após um longo dia de treinos de combate e refinamento elemental.
Hoje, porém, alguém inesperado tinha retornado.
"Noel!"
Uma voz soou. Então outra.
Vários estudantes se viraram, com os olhos arregalados de surpresa e alívio. Embora muitos o tivessem visitado durante sua recuperação, vê-lo de volta em uniforme, com a arma ao lado e a aura firme, trouxe uma sensação de segurança renovada.
"Demorou demais," disse Marcus com um sorriso torto, chegando com uma toalha jogada no ombro. "Tá bem?"
Noel assentiu. "Bom o suficiente, pelo menos."
Ele não disse mais nada — a maioria já sabia que ele não era de papo fiado. Ainda assim, o ambiente melhorou perceptivelmente ao passar, os ombros tocando os dos estudantes mais fortes da academia.
De um canto distante, Selene estava sozinha perto de um dos círculos vazios, praticando passos silenciosos com duas adagas. Ela não olhou para ele, não disse uma palavra — mas seus olhos desviaram brevemente na direção dele enquanto ele passava.
'Até ela percebeu. Acho que realmente fiquei fora por um tempo.'
Mais tarde, Noel ficou cara a cara com Daemar. O calor aqui era ainda mais sufocante — agravado pela staticidade no ar.
Daemar cruzou os braços, observando Noel de cima a baixo.
"Você parece firme," disse simplesmente.
"Quero dominar o Stormpiercer," respondeu Noel.
Começaram com o básico — regulação do fluxo de mana, explosões curtas de relâmpagos em cada mão e foco na resistência para evitar o esgotamento. A sala vibrava com energia, o calor grudando na pele de Noel como uma camada extra.
Quando a parte real começou — as tentativas de invocar o Stormpiercer — tudo desacelerou.
Noel respirou fundo, concentrou-se e modelou a mana de acordo com o plano que memorizara: fluxo aguçado, compressão de densidade e, em seguida, ignição.
Uma pulsação. Faíscas explodiram.
Mas nada tomou forma.
Apenas staticidade e um leve brilho azul, que desapareceu no instante em que tentou solidificá-lo.
Daemar não falou. Apenas indicou que ele tentasse de novo.
Noel suspirou baixinho. "Eu o invoquei uma vez. Só uma, sim — mas foi real. Não foi acaso."
Ele tentou novamente.
E mais uma vez.
Cada tentativa o exauria mais — seu controle estava melhor do que nunca, mas o Stormpiercer permanecia fora de alcance. A forma pairava, mas nunca se consolidava.
Uma hora passou. Depois duas. A camisa de Noel grudava nele, encharcada de suor. Faíscas corriam pelos antebraços a cada suspiro.
Quando seus dedos começaram a tremer pelo esforço excessivo, Daemar finalmente levantou a mão.
"Parei."
Noel ficou imóvel, o peito subindo e descendo, os olhos fixos na marca de queimadura que deixara no chão.
"Está perto," murmurou. "Eu sinto. A estrutura está ali. Só não consigo certejar ela."
Daemar caminhou em direção a ele. A expressão continua neutra, mas a voz diminuiu um pouco de tom.
"Você está forçando demais. A arma não é só relâmpago — ela é você. O fluxo vai se ajustar quando você parar de tentar copiar o que sentiu na primeira vez."
Noel piscou. "Quer dizer que estou perseguindo uma memória?"
O olhar de Daemar travou no dele. "Quer dizer que você é mais inteligente que isso."
Ele virou-se e foi embora sem esperar resposta.
Noel ficou olhando para as próprias mãos, o cheiro de ozônio ainda impregnado na pele.
'Uma invocação limpa. É tudo que preciso.'
—--------
O ringue de combate sob a academia pulsava com mana residual. O chão de pedra estava marcado de batalhas anteriores, linhas de gelo e marcas de queimada cruzando como um mapa de campo de guerra. O ar estava carregado de calor e tensão.
Noel entrou na plataforma, Dente do Revenant na mão, faíscas dançando pelas pontas dos dedos. Do lado oposto, Selene permanecia imóvel, sua expressão difícil de decifrar, postura impecável. Na sua mão direita, ela segurava uma varinha de cristal translúcido azul-ciano, tremeluzente — como se fosse esculpida de gelo sólido e entrelaçada com mana.
Ela não falou inicialmente.
Depois, com uma voz baixa e firme:
"Controle Gravitacional."
Uma pulsação de força invisível acertou sob as botas de Noel, arrastando seu corpo para o chão. Ele resmungou, resistindo, e então avançou.
"Explosão de Ignição," protestou.
Dente do Revenant explodiu em chamas, a lâmina negra incandescente com uma rajada violenta de calor. Ele cortou na direção dela pelo lado direito.
Selene levantou rapidamente sua varinha.
"Muralha de Gelo."
Uma camada sólida de gelo explodiu entre eles. A lâmina de Noel a atravessou na segunda investida, enviando estilhaços pontiagudos para o ar — mas ela já tinha desaparecido.
Noel apontou dois dedos.
"Agulha de Tensão."
Um raio estreito de relâmpago disparou pelo arena.
Selene girou para o lado, com a trança ao fundo.
"Espeto de Gelo."
Três estacas afiadas emergiram do chão sob os pés de Noel. Ele torceu no ar e quase pôde evitar.
Ainda no ar, estendeu o braço.
"Arco de Fogo."
Uma meia-lua de chamas explodiu em curva descendente.
"Véu gravitacional," disse Selene rapidamente, sua varinha brilhando violeta-azulado. O arco desacelerou no ar como se estivesse caindo em xarope, e ela deliberadamente fez um movimento de desvio antes de tocar o chão.
Da lateral, Marcus murmurou: "Vão partir o chão."
Noel sorriu e avançou com força.
"Faísca em Cadeia."
Lança de relâmpago saiu de sua mão e se dividiu em três rajadas em forma de enxada.
Selene levantou sua varinha.
"Glacialis."
A primeira flecha congelou no ar e se despedaçou. Ela se abaixou na segunda, levando uma leve arranhadura na terceira — mas seus olhos nem vacilaram.
Ela respirou uma vez.
"Névoa de Gelo."
Uma onda de vapor frio rolou em direção a Noel. Sua visão ficou branca com neve.
Ele cerrava a mandíbula. "Bombeiro!"
Uma torrente de fogo atravessou a névoa, transformando-a em vapor chiando. Noel avançou na névoa com Dente do Revenant ainda queimando — mas a plataforma atrás dele rachou.
"Controle Gravitacional."
A voz dela veio de trás.
Seu corpo cedeu enquanto o feitiço fazia efeito novamente. Ele reagiu por instinto, girando para bloquear — mas ela já estava ali.
Um toque limpo no peito.
Fim da partida.
Selene abaixou sua varinha e deu um passo para trás, sem dizer mais nada. O brilho desapareceu de sua varinha azul-ciana.