O Extra é um Gênio!?

Capítulo 186

O Extra é um Gênio!?

A sala de treinamento ainda vibrava levemente pelo último feitiço lançado. Noel enxugou o suor da testa, a respiração firme, mas aguda. Daemar estava próximo, de braços cruzados como sempre, embora seus olhos brilhassem com algo entre aprovação e cálculo.

"Você dominou o básico," disse Daemar. "Hora de passar para o próximo passo."

Noel se endireitou. "O que é agora?"

Daemar levantou a mão, reunindo mana rapidamente. Um fio de raio surgiu, explodiu para fora e atingiu um boneco de teste próximo—mas repentinamente arcou de lado, dividindo-se em três novos flashes que acertaram outros alvos. O ar vibrava com eletricidade estática.

"Raio em Cadeia," explicou calmamente. "Você acerta um, e a corrente pula para os outros dentro do alcance. Até três alvos adicionais, se você cronometrar bem o lançamento."

As sobrancelhas de Noel se levantaram. "Então é uma magia de controle de multidão."

"Exatamente. Mas exige timing perfeito. Se você não soltar na hora certa, a cadeia morre. E se seu equilíbrio de mana estiver descompensado, o arco não se dividirá corretamente."

Noel estalou os dedos. "Deixa comigo."

Ele estendeu a mão e reuniu mana de raio. Agora estava mais rápido—ele tinha melhorado. A familiar enxurrada corria pelas veias, selvagem e afiada, mas ele não lutou contra ela. Guiou o fluxo adiante, moldou numa única descarga e arremessou em direção ao primeiro boneco.

O impacto foi certeiro—mas não houve cadeia.

A descarga dissolveu-se no alvo e parou.

Noel pôs a língua entre os dentes. "Muito cedo."

A voz de Daemar ecoou atrás dele. "Sem hesitação. Mas também sem pressa. Sinta quando fizer contato—então solte."

Noel assentiu uma vez. Tentou novamente.

Dessa vez, o feitiço saiu de sua mão, mas a cadeia disparou cedo demais—perdendo todos os alvos ao redor, completamente.

O maxilar de Noel se fechou. 'Certo… última tentativa.'

Ele focou mais fundo, sentindo a mana no peito, deixando que pulsasse para fora pelo braço. A descarga se formou, trêmula na mão, esperando. E então a lançou.

Impacto.

E então—soltou.

A descarga principal atingiu o boneco central e instantaneamente se ramificou. Arcos de eletricidade dispararam para a esquerda e direita, estilhaçando os alvos ao redor com estalos agudos de impacto.

Fumaça subiu. Os quatro alvos estavam carbonizados.

Noel respirou fundo, baixando a mão lentamente. A eletricidade estalava ao longo do seu braço.

Daemar assentiu levemente. "Muito bem."

Noel sorriu de canto. "Agora sim."

Haviam se passado duas semanas desde o dia em que Noel dominara o Raio em Cadeia.

Nesse tempo, ele não diminuiu o ritmo. Se algo, ficou mais afiado—mais preciso a cada feitiço. Outros na turma também melhoraram, mas Noel claramente acelerava mais rápido do que esperavam.

Exceto Selene.

Ela era a outra constante.

Enquanto os demais lutavam para estabilizar a mana ou refinar o controle, Selene von Iskandar se movia como alguém nascida para a magia. Focada. Implacável. Fria, mas sem arrogância. Não dizia muito, mas fazia valer cada feitiço.

E hoje, Daemar decidiu que era hora.

Ele se posicionou diante da turma reunida na arena, o céu acima moderado pelos encantamentos que selavam o espaço. Os estudantes formavam um grande círculo nas bordas, sussurrando entre si.

Dois nomes carregavam peso aqui.

"Noel Thorne. Selene von Iskandar," chamou Daemar, com voz firme e absoluta. "Vamos ao centro."

Os murmúrios cessaram imediatamente.

Noel veio pela esquerda, trajando coletes reforçados, com a lâmina de Revenant Fang presa nas costas, eletricidade ainda piscando levemente ao redor dos dedos. Selene entrou pela ponta oposta—cabelo curto, azul escuro sob a luz artificial, olhos ciklam em calma. Ela segurava uma varinha longa de cristal azul-iceberg—a mesma que usou para vencer o dracossauro. Sua postura era perfeita. Despreocupada.

Ambos ficaram parados na frente dele, em silêncio.

"Você foi escolhido porque é o melhor desta turma. A diferença entre vocês pode ser menor do que pensa," explicou Daemar. "É para isso que serve esta luta."

Ele retirou duas faixas finas do bolso—pulseiras de prata com inscrições de glifos defensivos.

"Estas são escudos de impacto. Se um de vocês levar um golpe forte o suficiente para ser decisivo, a pulseira ativará e bloqueará o ataque. Quem for atingido será considerado derrotado."

Noel pegou sem hesitar e encaixou no pulso. Selene fez o mesmo, sem tirar os olhos dele.

"Sem força letal," continuou Daemar. "Mas podem usar qualquer outra coisa—fogo, gelo, relâmpago, gravidade, armas, armadilhas. Só não me decepcionem."

Ele recuou alguns passos.

Noel e Selene se encararam no centro da arena.

Nenhum deles se curvou. Nenhum sorriu.

Só uma cabeça, como sinal de reconhecimento mútuo.

Do outro lado do campo, os estudantes observaram em silêncio absoluto. Sabiam exatamente o que estava prestes a acontecer.

Assim que Daemar deu o sinal, Noel se moveu.

"Chama a Raia!"

Uma lâmina de fogo cortou o ar, ardendo em direção a Selene. Antes mesmo de atingir, ele seguiu com a mão esquerda.

"Agulha de Tensão!"

Um fio de relâmpago disparou reto, preciso. Um ataque duplo—pressão e velocidade.

A varinha de Selene se ergueu como reflexo.

"Muralha de Gelo."

Uma barreira cristalina de gelo apareceu na frente dela, grossa e transparente. O Raio da Chama atingiu primeiro, derretendo uma linha na camada superior. A Agulha de Tensão veio logo depois—mas desviou de alvo na última hora.

Noel estreitou os olhos. 'Isso não foi um erro de lançamento.'

Selene abanou o pulso novamente.

"Prensão Gravitacional."

O ar ao redor dela se distorceu. Uma onda de força surgiu, pesada e desorientadora. Não atingiu Noel diretamente—mas o puxou para baixo, alterando seu impulso e puxando seus membros como pesos invisíveis.

As botas dele bateram no chão com mais força do que esperava. O feitiço não era apenas pressão—era controle.

Ele seguiu em frente.

"Rajada de Ignição!"

Revenant Fang pegou fogo na lâmina, calor pulsando para fora. As labaredas envolveram o aço em lanças de fogo alaranjado enquanto Noel avançava, resistindo à força gravitacional.

Selene manteve a calma.

Ela deu um passo lateral—leve, sussurrou novamente:

"Espeto de Gelo."

Três pontiagudos picos de gelo surgiram do chão em um ângulo, mirando o flanco de Noel. Ele se virou no meio da corrida, esquivando-se do primeiro e cortando o segundo. O terceiro arranhou sua perna, rasgando uma linha superficial no couro de sua calça.

Ele franziu a testa, mas não parou. O fogo em sua lâmina rugia enquanto ele fazia um arco largo.

Selene sussurrou rapidamente, baixo:

"Pulso de Gravidade."

Uma onda de força densa se espalhou, fazendo Noel perder um pouco a estabilidade. Seu golpe saiu largo, cortando o ar com fogo, mas sem atingir o alvo.

Ela girou sua varinha acima da cabeça.

"Adaga de Gelo."

Um espinho de energia azul se transformou em uma lança, disparada em direção ao peito dele. Noel conseguiu levantar a espada a tempo para bloquear—um estalo—o impacto enviou uma vibração por seu pulso.

Ele recuou um passo, adotando postura defensiva.

Selene caiu alguns metros de distância, olhos fixos nele, respiração relaxada.

Noel respirou fundo, depois sorriu.

'Ela é melhor do que imaginei.'

"Raio em Cadeia."

Relâmpagos rugiram de sua mão. Acertaram uma parede de gelo conjurada—mas na hora do impacto, a corrente se ramificou.

Um arco disparou para a esquerda de Selene. Outro para a direita.

Selene respondeu instantaneamente.

"Passo de Geada."

Uma névoa explodiu sob as botas dela e ela deslizou para trás, numa trilha de gelo, evitando os dois arcos por pouco.

Ela parou, varinha apontada para baixo.

Noel correu para o lado, fogo e relâmpago circulando ao redor dele como lobos inquietos.

O duelo tinha realmente começado.

O chão sob os pés dela estava escorregadio com geada. Siberondes de gelo seguiam cada movimento—precisos, calculados, rápidos.

Do outro lado do campo, Noel se movia sem parar. Não pausava. Não pensava demais. Seu corpo e feitiços fluíam como uma só coisa, instintivamente.

Selene estreitou os olhos. 'Ele é imprevisível. Rápido. Mas imprudente.'

Ela não deixou o pensamento distraí-la. Sua varinha se levantou novamente.

"Espeto de Gelo."

Um monte de lanças irregulares surgiu do chão sob ele. Noel reagiu rápido, pulando para evitar a primeira fila—mas ela já estava conjurando a próxima.

"Prensão Gravitacional."

Mana aumentou, e um campo de pressão surgiu acima de Noel, puxando-o de volta. Ele caiu mais forte do que esperava, tropeçando para frente justamente quando uma lança saía do chão.

Ele rolou, escapando por pouco do impacto.

Dos cantos da arena, ouviu-se o suspiro dos estudantes. Ela ignorou. Tudo que importava era o ritmo. Controlar a cadência. Manter-se à frente.

Noel gritou, reagindo.

"Farra Armadilha!"

Ela não viu o símbolo imediatamente—mas já tinha previsto. Ela se deslocou ao lado, deixando a rajada de fogo explodir atrás dela.

Ela contra-atacou instantaneamente.

"Estilhaço de Gelo."

A projétil rugiu na direção dele, mas ele desviou com Revenant Fang, redirecionando para a terra.

Os lábios de Selene se apertaram.

Ele usava tudo—fogo, relâmpago, gelo, combate com a espada—e funcionava. Mas também significava que ele se esticava ao máximo.

Ela tinha que explorar isso.

Mais um passo à frente.

"Passo de Gelo."

Gelo se formou instantaneamente sob seus pés, fazendo-a se mover como um borrão. Ela chegou ao ponto cego dele justo na hora em que ele se virou.

Ela fez um movimento de vara para cima.

"Prensão de Gravidade."

O corpo de Noel congelou por meio segundo—os membros travados sob a pressão invisível. Só o tempo suficiente.

"Lança de Gelo!"

Uma lança longa de gelo irregular se formou e disparou na direção de seu peito.

Noel se virou, forçando uma evasiva parcial. A lança roçou seu lado e se quebrou, empurrando-o para trás.

Ele fez uma careta, mas não caiu.

'Ainda em pé,' pensou ela. 'Claro que sim.'

O fogo em sua espada voltou a arder.

Ela recuou, se distanciando.

Ambos suavam agora. Respiravam mais pesadamente. Seus feitiços estavam mais precisos, rápidos—mas ninguém conseguia acertar um golpe limpo e decisivo.

Porém, Selene sentia isso.

Não era só um teste.

Ele tentava superá-la.

E isso significava que ela não podia segurar nada.

O chão da arena estava marcado por queimaduras e geada, rachado por feitiços de pressão e crateras rasas. Na borda, os estudantes assistiam em silêncio tenso—ninguém aplaudia, ninguém falava. Olhos arregalados. Respirações presas.

Daemar ficou com os braços cruzados, olhos fixos nas duas figuras no centro.

A postura de Noel estava mais baixa agora. Ele segurava firmemente Revenant Fang, chamas lambiam a lâmina. Raios de relâmpago piscavam nas pontas dos dedos. Sangue manchava sua manga, de um pedaço de gelo que lhe arranhou.

Do lado oposto, Selene segurava sua varinha na vertical. Sua expressão estava igual, mas os ombros tencionaram. A respiração curta. Mana ainda forte—demasiado para sua última conjuração.

Daemar estreitou o olhar. 'Ela está preparando.'

Sem esperar, Noel falou.

"Sol Escuro."

Ele levantou a mão. Mana começou a girar instantaneamente, fogo e pressão se condensando numa esfera negra. Mas, mesmo concentrado, o feitiço demora—demais.

Selene não deu chance a ele.

A varinha dela começou a brilhar numa luz azul pálido que pulsava—devagar, depois mais rápido, como um batimento cardíaco.

Ela sussurrou, fria e clara:

"Frostfall Requiem."

Os olhos de Daemar se arregalaram um pouco.

O ar ficou mudo.

Num instante, uma onda de mana saiu dela—silenciosa, suave, absoluta. Uma pulsação de energia glacial expandiu-se em todas as direções, visível como um anel de gelo cristalino girando ao seu redor, como ondas numa água parada.

Então, veio o impacto.

Uma tempestade branca desceu sem aviso, com vento, neve e algo mais afiado—agulhas de gelo quase invisíveis—que se dirigiam a Noel.

Ele não teve tempo de se mover. Nem de se proteger.

Daemar ergueu a mão.

"Selo Arcano."

Uma cúpula de luz dourada envolveu Noel exatamente quando toda a força do Frostfall Requiem atingiu. A tempestade bateu na barreira com um rugido de frio furioso. A temperatura da arena caiu vários graus em um instante. Os estudantes recuaram, assustados.

Dentro do domo, Noel permaneceu congelado, olhos bem abertos—não de medo, mas de puro fascínio pela força que quase o destruiu.

Selene manteve-se imóvel, a varinha baixa, vapores subindo do chão ao seu redor. Os ombros tremiam levemente.

Daemar deixou o silêncio persistir por alguns segundos, depois abaixou a mão.

A barreira desapareceu.

Ele deu um passo à frente.

"Fim da luta," disse, com voz grave e definitiva. "Vencedora: Selene von Iskandar."

Os estudantes aplaudiram com entusiasmo.

Selene baixou levemente a cabeça em sinal de reconhecimento, depois virou-se para Noel.

Ele ainda não tinha se mexido.

Então—ele sorriu.

"Pois é," murmurou. "Isso quase me matou."

Selene não respondeu com palavras, mas um leve sorriso de canto surgiu no canto da boca dela.

Daemar se aproximou de ambos, com tom mais firme novamente.

"Vocês lutaram como verdadeiros magos hoje, mas acho que posso ter dito que nada de magia letal. E agora," olhou para Selene com algo próximo de respeito, "espero que ambos superem igualzinho a mim algum dia. Não desperdicem esse potencial."

Eles não responderam.

Estavam ocupados demais recuperando o fôlego.

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