
Capítulo 185
O Extra é um Gênio!?
Daemar avançou alguns passos até parar em frente a um alvo de aço reforçado, instalado no final do corredor. Seu tom era calmo, mas firme.
"Mostre-me seu feitiço mais forte."
Noel piscou surpresa. " Sério mesmo?"
Daemar assentiu uma vez. "Não economize. Este lugar aguenta. Foi reforçado para suportar ataques de magos de nível Ascendente ou superiores. E, pelo seu nível de mana, você está na metade do caminho para o nível Adepto."
Noel olhou ao redor da câmara — pilares de pedra reforçados com liga metálica, dezenas de sigilos brilhantes gravados no chão e nas paredes. 'Ele não está mentindo. Este lugar provavelmente sobreviveria a um dragão.'
"Tudo bem," disse ele. Avançou um passo e soltou lentamente o ar. "Vamos ver se aguenta."
Estendeu o braço direito. Mana fluiu até sua palma, inicialmente brilhante — laranja, vermelho, como fogo líquido. Mas, ao concentrar-se, a cor escureceu, tornando-se carmesim, depois sangue, e mergulhou em um tom mais escuro ainda. As chamas se comprimiram numa esfera compacta, densa e vibrante. A luz diminuiu sob seu peso.
A temperatura era intensa. O ar vibrava. Faíscas surgiam e morriam instantaneamente, incapazes de escapar da gravidade do feitiço em formação na sua mão.
Noel concentrou-se mais. Conhecia bem essa magia. Sem distrações, sem pressão, podia levá-la além.
Vinte segundos.
A esfera agora parecia um mini sol—exceto que era negra, com faixas de vermelho ardente nas bordas. Uma estrela escura, pulsando com uma fúria contida.
Trinta segundos.
Falou o nome em voz baixa.
"Sol Escuro."
A esfera lançou-se adiante como um meteoro, deixando um rastro de brasas atrás de si. Quando atingiu o alvo de aço, houve um flash—depois uma implosão de calor. O alvo não explodiu; encolheu-se sobre si mesmo, carbonizado e torcido em escória. O chão sob ele derreteu-se, virando vidro.
Noel abaixou o braço, respirando com calma. Ainda sentia o calor irradiando de seus dedos.
Virou-se para Daemar, esperando.
Daemar não falou imediatamente. Aproximou-se do manequim de treino queimado, com as mãos cruzadas atrás das costas, inspecionando os restos retorcidos sem demonstrar emoção.
Depois virou a cabeça levemente. "Não foi mau."
Noel levantou uma sobrancelha. "Só 'não foi mau'?"
"Foi poderoso," admitiu Daemar. "Mas levou mais de trinta segundos para você lançar."
Noel deu de ombros. "Foi feito para ser devastador. Não posso apressar."
Daemar recuou um passo, de frente para outro manequim intacto. "E nesse tempo, você já estaria morto. Deixe-me te mostrar algo."
Ele levantou a mão direita. Não houve encantamento, nem preparação, nem postura. Apenas uma palavra.
"Tormenta."
Num instante, um relâmpago explodiu de suas pontas dos dedos. Não foi um estalo—foi um rugido. O ar estalou com uma luz ofuscante. O raio atingiu o centro do boneco de aço, destruindo-o com um flash. Metal voou. A pedra atrás dele rachou. Fumaça saiu do crater.
Levou um segundo. Talvez menos.
Noel ficou estático, atordoado. "Aquilo… foi insano."
Daemar virou-se, sorrindo. "Viu? Velocidade e potência, sem preparação, sem aviso. Isso é trovão. E nem foi a melhor versão que tenho."
Noel respirou fundo. "Você realmente simplesmente o apagou."
"E o velhote?" A voz de Daemar suavizou. "Nicolas é ainda melhor. Queria me ensinar isso pessoalmente, mas, como sabe, ele saiu com Alveron para investigar o que está acontecendo em Velmora."
Noel cruzou os braços. "Lembro. Ele abriu um buraco no peito de Lereus quando tentou me matar. Mas aquilo não foi trovão… era outra coisa."
Daemar riu baixinho. "Pois é. Nicolas não brinca quando está sério. Mas isso—" apontou para o chão queimado—"é algo que posso te ensinar, se tiver coragem."
Noel olhou para a mão ainda levemente quente do Sol Escuro. Depois para o crater de onde a magia de Daemar havia disparado.
'Aquilo não foi magia. Era violência na sua forma mais pura.'
"Topei," falou baixinho. "Ensine-me."
Daemar deu um passo para trás, na direção do centro da sala, com firmeza nos sapatos contra o chão de pedra. Endireitou a postura, ombros quadrados, olhos calmos. Sua voz pedagógica voltou—medida, fria, precisa.
"Trovão," disse sem olhar para Noel, "não é como os outros elementos."
Noel inclinou a cabeça levemente, sem interromper.
"Fogo e gelo podem ser moldados. Você pode guiá-los, contê-los, dar-lhes estrutura e forma. A escuridão… se comporta mais como pressão. Pesada. Consumidora. Mas até isso pode ser controlado com disciplina."
Ele levantou a mão direita e uma linha fina de eletricidade dançou entre os dedos. Não brilhou constantemente como fogo ou pulsou lentamente como água. Estalou—violenta, imprevisível.
"Trovão é selvagem. Rápido. Não espera. Castiga hesitação e puni o controle. Não é um elemento que você manda—é aquele que você solta."
Noel se aproximou mais, com os olhos fixos na linha de eletricidade. "Mas você fez parecer tão fácil."
Daemar permitiu um leve sorriso. Subtil, quase imperceptível. Só quem prestasse atenção notaria.
"Porque eu parei de tentar controlá-lo. Você não doma o trovão—aprende a montar na beira de perdê-lo. Essa é a diferença."
Virou-se, de frente para Noel agora. Com tom mais baixo, não rude, mas firme. "Por isso, a maioria dos magos nunca o domina. Não é força, é instinto... precisão... e aceitar que o feitiço nunca vai parecer seguro nas suas mãos."
Noel ficou quieto por um momento. Então, em voz baixa: "Parece feito pra mim."
Daemar não mudou de expressão, mas os olhos dele se afinou um pouco.
"É exatamente por isso que estou te ensinando."
Daemar caminhou até uma nova área da câmara — menos danificada, os alvos intactos. Parou diante de um deles e estendeu a mão.
"Vou te ensinar um feitiço básico de trovão," disse. "Chama-se Agulha de Tensão. Conceito simples, execução difícil."
Noel seguiu, ouvindo atentamente.
"Concentra uma pequena quantidade de mana de trovão na forma de uma agulha," continuou Daemar. "Rápido. Preciso. A ideia é perfurar—não explodir. Ensina controle, não força."
Ele levantou dois dedos e murmurou: "Agulha de Tensão."
Um brilho de mana piscou ao redor da mão. Logo depois, um fio fino—quase tão grosso quanto um dedo—disparou adiante como uma seta de luz azul. Atingiu o centro do manequim com um zumbido preciso, deixando um buraco limpo, negro.
Daemar virou-se para Noel. "Sua vez."
Noel assentiu. Inspirou lentamente, levantou a mão e começou a canalizar mana. Fogo veio naturalmente. Gelo também. Mas trovão?
Era diferente.
Caótico.
Ele tentou comprimir, dar forma. Resolveu. Crackeou, resistiu. A mana voltou com força contra sua palma, selvagem e instável. Chafurdou em sua mandíbula, forçando a linha—até que a energia de repente puxou para o lado e explodiu na sua mão.
Um estalo de luz. Estática cruzando seu braço. Noel amaldiçoou e sacudiu os dedos.
"Droga."
Daemar não reagiu, nem se mexeu. Apenas disse: "De novo."
Noel respirou fundo, limpou a mente. 'Não é como fogo... não acumula lentamente. Ela ataca. De repente.'
Reuniu a mana novamente, com mais cuidado, mas assim que tentou formar a agulha, a energia dispersou como se tivesse vida própria. Outro faísca pulou e se apagou na sua ponta do pulso.
Noel bufou de raiva. "Isso é pior do que gelo quando comecei."
'Ainda lembro quando pedi ajuda para a Selene. Na verdade, foi por outro motivo, mas guardei o conselho para mim.'
Finalmente, Daemar falou. "Trovão não perdoa. Não espera você ficar confortável. Ou você está em sintonia, ou não está."
Noel olhou para as marcas de queimado nos dedos. Depois para o alvo. E então de volta para Daemar.
"Tudo bem," murmurou. "De novo."
O ar tinha um leve cheiro de ozônio. Noel permaneceu na mesma posição, com a palma aberta, olhos fixos no manequim à sua frente. Estática grudada às pontas dos dedos. Sua respiração calma, mas por dentro, frustração fervia.
Dois fracassos. Marcas de queimadura na mão. E Daemar assistindo em silêncio absoluto, imóvel.
'Não é força bruta,' lembrou-se. 'É precisão. Instinto. Não posso amassar isso como fogo. Tenho que deixá-lo formar.'
Ele expirou.
Mana se reuniu novamente. Desta vez, não tentou aprisionar. Imaginou a corrente fluindo—não como uma massa, mas como uma linha. Um ponto afiado, estreito e penetrante.
A faísca chiou enquanto girava ao redor da palma, errática e cortante. Seus dedos tremiam involuntariamente. A agulha se formou, piscando irregularmente, ameaçando ruir.
Finalmente, Daemar falou. "Você está lutando contra ela."
Noel não respondeu.
"Você tenta moldá-la em algo que ela não quer ser. Precisa seguir o caminho dela, não ditar."
'Detesto isso,' pensou. 'Detesto não estar no controle.'
Mesmo assim, soltou um pouco. Em vez de forçar a mana a assumir uma forma, guiou-a. Não com pressão, mas com foco. Com intenção.
A faísca se alongou, ficando mais fina, mais tensa. Balanceou—mas se manteve.
Pela primeira vez, a mana não explodiu.
Uma agulha de trovão flutuou a um palmo da sua palma, vibrando com energia instável, mas sem resistir.
Daemar se aproximou, em tom tranquilo. "Melhorou."
Os olhos de Noel se estreitaram, completamente fixos na centelha intermitente. Suor escorria pela testa.
Apontou a mão para frente.
E disparou.
A agulha cortou o ar num borrão de luz azul-branca. Atinge o manequim — não exatamente no centro, mas perto disso — deixando um buraco fumegante do tamanho de uma moeda.
Noel respirou fundo, soltando os ombros.
"Vou ficar com essa."
Daemar não sorriu, mas sua voz carregou uma leve aprovação. "Você está aprendendo."
Noel olhou para a própria mão. Pequcos relâmpagos ainda dançavam pelas pontas dos dedos, mas desta vez, sem dor.
'Nada mal para uma primeira tentativa de verdade.'
Depois ergueu a cabeça novamente.
"Vamos tentar de novo."
Daemar permaneceu em silêncio enquanto Noel recuava para a posição. A respiração do garoto estava mais calma agora. Postura mais baixa. Mais enraizada.
'Ele está começando a ouvir,' pensou Daemar. 'Não só a mim—ao elemento.'
Noel levantou a mão novamente, desta vez sem hesitação. Mana se acumulou—não como uma enxurrada, mas como um fio puxado ao máximo.
Uma faísca acendeu na palma. Depois outra. Em vez de forçar o trovão a forma, ele seguiu seu ritmo, deixando que encontrasse o próprio caminho.
A energia obedeceu.
A agulha se formou—fininha, azul-branca, vibrando com propósito.
A expressão de Daemar não mudou, mas por dentro, ficou impressionado.
Noel estendeu o braço e liberou o feitiço sem palavras.
A agulha atravessou o ar em um borrão de luz azul-branca e atingiu o centro exato do alvo reforçado. Uma fagulha curta seguiu, limpa, nítida. O alvo se moveu levemente com o impacto. Uma marca de perfuração queimada marcava o ponto de contato.
Perfeito.
Noel abaixou o braço e olhou para a mão, com eletricidade ainda dançando suavemente na pele.
Daemar quebrou o silêncio de vez.
"Você a dominou."
Noel deu uma leve encolhida de ombros, mas um lampejo de satisfação passou pelos olhos. "Foram alguns ensaios."
Daemar assentiu uma vez. "A maioria não consegue em um dia. Muito menos em uma hora."
Noel sorriu descontraído. "Acho que não sou a maioria."
Estava de novo aquela espécie de desafio silencioso. Mas, desta vez, não era arrogância. Era confiança nascendo do esforço.
Daemar observou-o por mais um instante, então deu uma leve expiração. "Você é cheio de surpresas, Thorne."