
Capítulo 187
O Extra é um Gênio!?
Noir se deslocava pelo chão em sua forma pequena, semelhante a uma raposa, com as garras tocando suavemente o pedra enquanto procurava o ponto mais frio. Sua pelagem eriçava-se de irritação. Ela farejava, deu uma volta e, então, desabou com um resmungo cansado próximo à beira do quarto, visivelmente desconfortável.
"Muito quente, hein?" disse Noel de sua cadeira junto à janela, com a camisa meio aberta, ainda úmida de um treino anterior.
Ele estendeu a mão de maneira relaxada e murmurou: "Véu de Frescor".
Uma brisa sutil de névoa pálida se espalhou de seus dedos e envolveu o corpo de Noir. Instantaneamente, ela relaxou—Os pelos se achatarem, os músculos relaxaram. Ela virou-se de costas, exalando com satisfação.
"Ainda bem que funcionou," murmurou Noel. "Obrigada, Selene."
O cômodo voltou a ficar silencioso.
Depois de um minuto, Noel inclinou a cabeça e observou a now-sonolenta loba. "Noir... você consegue mudar para sua forma adulta agora? A verdadeira."
As orelhas de Noir se eriçaram. Ela se levantou, deu uma sacudida rápida no corpo e, com uma onda de mana fluindo de forma suave, sua forma começou a se expandir. Seu corpo esguio se alongou, os membros ficaram mais compridos, a pelagem brilhou como sombra líquida—até que uma grande criatura lupina estivesse no lugar do pequeno animal.
Ela preencheu o espaço instantaneamente. Suas orelhas quase tocavam o teto arqueado. Sua cauda balançou levemente, derrubando uma cadeira fora do lugar.
2 metros e trinta centímetros.
Noel deu um passo mais próximo, levantando as sobrancelhas ao avaliá-la.
"Parece que você cresceu de novo. É por causa do meu avanço também?"
Noir deu um latido curto e baixo, com os olhos fixos nele.
"Status."
Uma janela azul brilhante apareceu e piscou:
[Progresso Atual do Núcleo: 47,25% – Núcleo de Mana: Adepto]
"Huh. Sete por cento de crescimento neste mês. Nada surpresa," comentou Noel, cruzando os braços. "Dominei um novo elemento, tenho treinado quase diariamente com Charlotte e Marcus, além de treinar com Selene…"
Ele parou, olhando para a elegante lâmpada arcana na mesa. Então, sua atenção mudou de foco.
"A Charlotte disse que quer que eu a leve para conhecer Valon," murmurou. "Estranho. Agora ela tem amigas—Clara, outras garotas, até alguns rapazes. Acho que ela só quer um tour pessoal."
Noir abaixou o corpo novamente, agora grande demais para descansar confortavelmente.
Uma suave brisa de brilho passageou por sua pelagem, e ela retornou à sua forma pequena e compacta. Ela o olhou com atenção, por um longo momento.
Ele devolveu o olhar.
"…Quer uma de novo?"
Ela piscou, o rabo balançando suavemente.
Ele suspirou.
"Véu de Frescor."
Outra onda de névoa fria cobriu Noir, que emitiu um som de contentamento antes de se enrolar em si mesma, fechando os olhos de imediato.
Noel sorriu levemente.
Então, levantou-se, foi até a cama, puxou a camisa e se deitou sem dizer uma palavra.
Era a primeira noite tranquila em semanas.
E ele planejava aproveitá-la ao máximo.
A manhã passou em um borrão.
O treino com Rauk ao amanhecer deixou seu corpo dolorido, de todas as formas boas. O velho bruto nunca poupava força, e Noel também não queria que ele poupasse. Entre briga física e combate, seus instintos ficavam afiados—especialmente considerando quanto tempo passara recentemente imerso em feitiços.
Ao meio-dia, almoçou com Elyra e Elena na cantina da academia.
Elena manteve seu jeito energizado habitual, conversando animadamente sobre as novas responsabilidades do conselho com olhos brilhantes e palavras rápidas. Elyra, como sempre, sentava-se composta e confiante, corrigindo ocasionalmente o jeito de Elena falar com uma arrogância serena de quem sabe estar sempre certa. Noel ficou em silêncio, apenas aproveitando o momento.
Depois, vieram mais treinamentos. Treino da tarde com Daemar e Selene.
Daemar dedicava atenção especial ao seu progresso, especialmente agora. O homem não só revisava feitiços—ele ensinava Noel algo diferente. Algo mais sombrio. Algo perigoso.
Um feitiço de alta graduação. Um que lembrava Noel do dia em que Nicolas perfurou o peito de Lereus com um só golpe.
O que fosse, Daemar não ensinava publicamente.
Só para ele.
E isso não era fácil.
Quando a noite caiu, o corpo de Noel já funcionava em ritmo de reserva, mas a mente estava firme.
De volta ao seu quarto, tomou banho lentamente, deixando a água fria aliviar o cansaço dos músculos. Calçou-se com cuidado: calças escuras, uma túnica preta sem mangas, botas.
Prático, mas limpo. Prende a bolsa dimensional ao cinto e coloca a Dente do Revenant dentro. A arma desaparece no espaço encantado sem resistência.
Por último, o anel.
O Sigilo Ashen repousava em seu lugar habitual—preto com uma gema verde pulsando suavemente. Seu tempo de recarga já havia passado. Ele poderia usá-lo novamente agora.
Porém, não quis.
A última vez tinha sido… feia. Necessária, mas algo que preferia não repetir.
Mesmo assim, manteve-o no dedo.
'Só por precaução.'
Noel estendeu a mão para abrir a porta, mas parou, olhou para Noir encolhida na cama, já metà-adormecida.
"Voltarei logo," disse. "Sem garotas, sem amigos. Só eu esta noite."
Ele entrou no corredor.
Havia uma dívida a pagar.
E um anão para enfrentar.
Valon à noite tinha seu próprio ritmo.
Uma luz de lampião quente banhava as ruas de paralelepípedos em tons âmbar. Comerciantes anunciavam promoções de última hora enquanto crianças riam, perseguindo-se pelas praças de fontes e por postes de luz encantados que piscavam com uma magia azul suave.
Noel caminhava sem pressa, com as mãos nos bolsos e os olhos semi-cerrados sob o brilho da cidade. Seu caminho estava familiar agora—não precisava pensar nele.
Era estranho, de certa forma. Ainda pouco tempo atrás, passar por Valon requeria permissão especial. Agora, estudantes da academia caminhavam livremente pelas ruas—alguns de uniforme, outros de roupas casuais, conversando, comendo, vagando. Parecia… normal.
Que, para Noel, ainda era estranho.
'Você não pensaria que as pessoas desapareceram aqui há só alguns meses,' pensou. 'Talvez seja melhor que elas não se lembrem. Ou finjam que não.'
Passou por uma fila de barraquinhas—carne grelhada, espetinhos apimentados, sorvete de fruta. Seu estômago ronronou baixinho, mas ele ignorou. Tinha um destino a seguir.
Ao virar para uma rua lateral, um movimento chamou sua atenção.
Do outro lado da praça, debaixo da luz suave do lampião, Marcus e Clara passeavam de mãos dadas. Clara encostada nele, rindo de algo que ele dizia. Marcus parecia surpreendentemente relaxado.
Noel sorriu com sarcasmo.
'Vou guardar isso para mais tarde.'
Ele não chamou. Apenas continuou andando.
Três ruas adiante, os sinais de ordem se transformaram em uma atmosfera mais barulhenta. Uma turma mais truculenta, risadas mais altas, o tilintar de copos, o som de dados, botas e metal batendo no madeira.
Estava chegando perto.
O Beco do Martelo Dobrado ficava ali na frente, sem mudanças.
Noel já podia ouvi-lo de meia quadra de distância—gritos arrastados, risadas grosseiras e o ritmo familiar das cadeiras arrastando violentamente no chão. Então, ao virar a esquina, aconteceu.
As portas da taberna se abriram com um estrondo.
Dois homens bêbados saíram voando, envolvidos numa briga desordenada. Punhos balançando loucamente, um errou e deu um tapa no ar, o outro acertou um queixo. Ambos tropeçaram na rua, caindo com um estrondo—um derrubado numa pilha de barris, o outro deitado na lama.
Um gemeu. O outro não se moveu.
Uma rosnada familiar ecoou de dentro.
"E FICAR FORA, SEUS IDIOTAS MALCRIADOS!"
As portas se fecharam com força.
Noel ficou parado por um segundo, piscando diante da cena.
'Justo como da última vez…'
Um sorriso suave surgiu em seu rosto.
"Clássico."
A placa de madeira acima da taberna balançava preguiçosamente na brisa quente da noite. O Martelo Dobrado, gravado em um estilo rude, mas ousado, ainda tinha o mesmo martelo dentado pendurado ao lado. O lugar todo parecia que não mudava há anos—porque não tinha mudado.
Ele passou por cima do homem inconsciente estendido na entrada e empurrou a porta.
A confusão dentro do local o atingiu como uma onda.
Risos altos. Canecas tilintando. Botas batendo no chão de madeira. A luz quente de lampiões iluminando o espaço lotado, revelando o caos. Um anão dormia debaixo de uma mesa, roncando como trovão. Outro estava em cima de uma cadeira, cantando desafinado enquanto segurava uma caneca em cada mão. Um bardo tentava acompanhar o ritmo, sorrindo de qualquer jeito.
O cheiro de carne assada, cerveja velha, fumaça e suor era presente no ar.
Noel respirou fundo.
'Lar, doce caos.'
Agora… onde estava Balthor?
Ele se moveu através da multidão, desviando de cotoveladas e risadas embriagadas, os olhos vasculhando as mesas até—
Ali.
No canto, rodeado por canecas vazias e cartas flutuando no ar, estava Balthor.
A barba do anão continuava tão selvagem quanto sempre, trançada com pequenos anéis de metal que tilintavam a cada movimento. Ele se inclinou para frente, olhos estreitos, estudando sua mão com uma atenção suspeita.
Ao seu redor, três outros jogadores seguravam mãos flutuantes de cartas diante de si, cada uma pulsando com uma aura mágica. Pequenas ilusões brilhavam suavemente sobre a mesa—dragões, moedas, chamas—cada uma representando uma aposta ou feitiço em jogo. As regras eram caóticas e na maior parte criadas na hora, mas a tensão era real.
Noel ficou um momento observando atrás de Balthor.
"Você está se inclinando demais para frente," disse casualmente. "Estão te mostrando que sua mão é fraca."
Balthor parou. Seus dedos tremeram levemente.
Então, sem se virar, soltou uma risada alta.
"Ora, ora, olhe quem resolveu aparecer," disse, jogando uma carta luminosa no centro. Ela brilhou, transformando-se numa faísca de fogo dançante e depois sumiu. "Veio perder mais ouro, rapaz? Ou só veio atrapalhar minha sorte com seus conselhos chiques de novo?"
Noel se aproximou, de braços cruzados, com um sorriso brincando nos lábios.
"Talvez ambos."
Balthor finalmente se virou, encarando-o com aquela mistura de diversão e irritação fingida.
"Não fique aí parado. Puxe uma cadeira. A menos que tenha medo de perder tudo de novo—agora."
Noel balançou a cabeça. "Na verdade, vim conversar."
"Conversar, é? Então… só me deixa terminar de roubar esses amadores primeiro."
Os outros jogadores reclamaram.