O Extra é um Gênio!?

Capítulo 183

O Extra é um Gênio!?

A manhã ensolarada filtrava-se pelas altas janelas do dormitório da Classe S, lançando longas faixas douradas pelo chão de Noel. Vestindo sua roupa de treinamento, ele já saía do quarto, com uma folha de pergaminho dobrada na mão.

Na noite anterior, após a reunião com Daemar e Rauk, a academia havia colocado novos panfletos — desta vez com instruções específicas sobre o local do treinamento.

Deveriam se dirigir aos campos de treinamento externos. Lá, um novo prédio tinha sido construído sobre uma seção que antes estava selada nos antigos túneis subterrâneos da academia. Segundo o anúncio, os túneis haviam sido totalmente reformados durante o verão.

'Então eles realmente fizeram isso,' pensou Noel enquanto caminhava. 'Túneis reformados, paredes reforçadas, isolamento mágico atualizado… parece que a faculdade realmente investiu uma fortuna nisso.'

Ele abriu novamente o pergaminho para reler o resumo.

"Sob os campos de treinamento externos, a estrutura subterrânea reformada servirá como a zona central de treino para a Classe S neste semestre. Todos os estudantes devem se apresentar às 8h em ponto."

"Status," murmurou Noel.

Um suave zumbido, seguido por uma tela azul, apareceu diante de seus olhos.

[Progresso Atual do Núcleo: 40,25% – Núcleo de Mana: Adepto]

'Quase na metade do caminho para Adepto… Não é ruim, mas ainda tenho um longo percurso. Se eu focar neste semestre, talvez consiga chegar a sessenta por cento. Caçar monstros seria mais rápido, com certeza — mas também preciso estabelecer uma boa base.'

Lembrou-se do que Rauk dissera no dia anterior. O homem era ex-soldado, afinal. Sua forma de treinar provavelmente seria brutal. A combinação de espada e magia de Noel significava que teria que trabalhar sob a supervisão de Rauk e Daemar ao mesmo tempo.

'Tudo bem. Se quero sobreviver ao que vem pela frente… esse é o caminho.'

Noir estava encolhida num casulo no quarto, dorminhoca e tranquila. Ela não iria participar hoje.

Com uma respiração firme, Noel seguiu em direção à nova instalação, sem perceber a figura familiar que já o aguardava à frente.

À medida que Noel contornava o caminho final rumo aos campos de treinamento, notou uma silhueta encostada casualmente na parede externa do prédio recém-construído. A menina tinha cabelo ruivo curto e bagunçado e olhos cor de avelã, vestindo o uniforme de verão da academia.

Ela não parecia familiar — pelo menos, à primeira vista.

"Pervertido! Bom dia."

Noel parou no meio do passo. "…Você poderia não me chamar assim? Ainda mais aqui?"

Charlotte sorriu. "Então você não nega?"

"Não é bem isso que quero dizer…" ele suspirou, passando a mão na testa.

Ela se afastou da parede, caminhando ao lado dele. "Enfim, pronto para o nosso primeiro dia oficial na Classe S?"

"Você também está na Classe S?" Noel perguntou, levantando uma sobrancelha.

"Claro. Não achou que eu fosse ficar de fora?" Ela deu um sorriso convencido. "Você viu eu lutando contra aquela elfa obcecada por foices, lembra?"

"Vi. Mas seu principal é bênçãos, né?"

"Exatamente," ela respondeu sem hesitar. "Mas também tenho um núcleo de mana normal. Bênçãos funcionam pela fé. Dagas funcionam com garra — e eu sei lutar como Garron, reforçando meu corpo com mana."

Noel lançou um olhar de esguelha para ela. "Impressionante."

"Não acha?" ela disse, inflando o peito com uma falsa pose de orgulho.

"…Muito," Noel respondeu de forma sarcástica.

Chegaram à nova estrutura. O prédio era liso e angular, feito de pedra escura com runas brilhantes gravadas nela. Duas portas metálicas grandes estavam abertas, e logo fora delas estava um jovem conhecido, vestindo o uniforme carvão.

"Bom dia, Noel. Bom dia, Charlotte," disse Gareth Wren, o guia do dormitório da Classe S.

"Bom dia," responderam em uníssono.

"Vocês são os últimos a chegar — pelo menos, no horário," observou Gareth. "Alguns outros vão chegar atrasados. Elyra, Elena, Seraphina, e dois seniores estão ocupados com a organização dos novos estudantes."

Noel piscou. "Faltam na primeira manhã?"

"Eles não querem vir," Gareth deu de ombros. "O trabalho no conselho acumulou graças aos recém-chegados. Está uma confusão."

Ao entrarem, Noel olhou ao redor e contou mentalmente as pessoas. Trinta e três outros estudantes já estavam reunidos — incluindo o grupo do Marcus, Roberto, Dior e, claro, Selene, que permanecia sozinha como sempre.

Roberto encostou-se ao lado de Noel e cochichou: "Ei, devia avisar pra Elyra e Elena que você já está colando?"

Noel o encarou com uma expressão neutra. "O quê? Não. Ela é transferida de Elarith. Pediu ajuda, só isso."

Charlotte virou-se para Roberto com um sorriso brilhante. "Prazer! Sou Charlotte!"

Mesmo usando seu nome verdadeiro, a troca de cor de cabelo e olhos mantinha sua identidade escondida. Ninguém questionou. Ela se movia com facilidade pela multidão, até cumprimentando Dior com um aceno animado.

Noel observava ela circulando pelo grupo.

'Bom… era isso que ela queria. Um ano só para ser ela mesma.'

O burburinho dentro da instalação recém-construída foi rapidamente silenciado quando duas figuras familiares entraram pelo portão principal.

Daemar, alto e composto, seus olhos violetas percorrendo o grupo com disciplina treinada. Rauk, mais robusto e com postura de ex-militar, entrou logo atrás dele. No instante em que os dois pisaram dentro, toda conversa parou.

Daemar falou primeiro, com voz calma, mas afiada. "Ótimo. A maioria de vocês já chegou."

Rauk cruzou os braços. "Vamos ao ponto. Neste semestre, o treinamento será diferente. A academia deixou claro — não somos mais só estudantes. Vocês fazem parte do futuro deste continente e precisam estar prontos."

Ele apontou para as paredes reforçadas ao redor. "Vocês estão no que antes eram os túneis antigos sob esta academia. Dois meses atrás, este lugar estava desabando. Agora? Está protegido por runas de barreira, encantamentos contra desabamento e pedra de liga reforçada. Seguro e à prova de destruição — para a maioria de vocês, ao menos."

Um murmúrio baixo espalhou-se entre os estudantes.

Daemar avançou novamente. "A partir de hoje, este local receberá sessões diárias. Vocês serão divididos de acordo com o estilo de combate de seus núcleos."

Rauk levantou uma mão. "Se você luta corpo a corpo — fortalecendo seu corpo com mana ou usando armas de curto alcance — treina comigo."

Daemar concordou. "Se você é um mago puro — encantadores de longo alcance, elementaristas ou summoners — ficará comigo."

Rauk então disse: "Se você como Thorne — usando magia e lâminas — vai alternar entre os dois."

Roberto olhou para Noel e cochichou: "Acho que estamos ferrados."

Noel não respondeu. Estava completamente focado em absorver as informações.

Rauk aplaudiu uma vez, forte e firme. "Formem fila e se organizem. Agora."

Charlotte, Marcus, Garron, Roberto e Noel se moveram logo para o grupo de Rauk, sem hesitação. Clara, Selene e Laziel alinharam-se com Daemar, junto com outros vários.

A área de treinamento que Rauk reivindicou era enorme — o dobro do tamanho de uma arena padrão, equipada com manequins encantados, terreno móvel e racks de armas com equipamentos de treino. Havia até um percurso de obstáculos simulado ao redor do extremo mais distante.

"Comecem com exercícios de formação," ordenou Rauk. "Aqueçam o corpo, depois partimos para combate em duplas."

Noel, perto de Marcus e Charlotte, esticou os ombros. Roberto já reclamava.

"Precisamos mesmo fazer aquecimento?" murmurou Roberto. "Quase não acordei ainda."

"Você vai desejar ter ficado dormindo quando o Rauk ficar sério," disse Noel, com tom sério.

Charlotte pulava animada ao lado, surpreendentemente enérgica para quem estava disfarcada. "Ei, me coloca com alguém divertido, tá?"

"Provavelmente vai cair com o Garron," comentou Marcus. "Ele quebra as pessoas só sorrindo."

Como esperado, após dez minutos de rotinas de aquecimento, Rauk designou os pares de luta.

"Marcus, Garron. Roberto, Dior. Charlotte, Thorne."

Noel piscou. "Eu?"

Charlotte fez uma saudação de brincadeira, com as adagas girando entre os dedos. "Vamos nos divertir."

Noel suspirou. 'Claro, né.'

Do outro lado da sala, o grupo de Daemar era mais organizado. Encantamentos eram lançados em sequência — barreiras de gelo, explosões de fogo, relâmpagos precisos. Selene se movia com uma graça mecânica, nem piscando quando uma chama passava a poucos centímetros de seu rosto.

Noel olhou ao redor por um momento. Mesmo com o suor e os murmúrios, todos estavam concentrados. Talvez fosse o novo ambiente. Talvez fosse a tensão no ar — a sensação de que algo estava mudando.

Noel ficou na borda do ringue, com a Garra do Fantasma nas mãos — sua superfície negra e lisa pulsando levemente, como reconhecendo a tensão ao redor. Do outro lado, Charlotte girava suas duas adagas com destreza, um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos de avelã.

"Não venha facilitar só porque sou fofa," provocou Charlotte, pulando levemente nos pés.

"Não ia mesmo," respondeu Noel, com tom calmo e neutro.

Rauk ficava do lado de fora do ringue, de braços cruzados. "Comecem."

Charlotte desapareceu no instante em que a palavra caiu, sua velocidade turbilhonando enquanto mergulhava baixinho ao lado de Noel. Ele recuou, girando a lâmina com uma mão e bloqueando o golpe desferido de canto com a lateral da arma. Faíscas saltaram ao encontrar o obsidiano encantado.

'Ela é rápida. Ágil também.'

Charlotte girou no ar, caindo numa mão e lançando-se novamente num movimento de espiral. Noel desviou, deixando-a passar a poucos centímetros dele, e torceu a Garra do Fantasma para baixo. A lâmina cortou rumo às costas dela — mas encontrou ar vazio.

Ela já tinha mudado de direção na aterrissagem, arrastando uma adaga pelo casaco dele com um arranhão leve antes de sair para a carga novamente.

"Quase te peguei," ela sorriu.

Noel ajustou a pegada e respirou fundo. Então, deu um passo à frente.

Um, dois, três golpes precisos — cada um visando limitar os movimentos dela, não necessariamente causar dano. Charlotte desviou dos dois primeiros, mas teve que bloquear o terceiro, seu rosto se tensionando enquanto era empurrada para trás.

'Ela é ágil, mas não invencível. Sua ofensiva depende de impulso e imprevisibilidade. Quebre seu ritmo…'

Ele tentou uma finta à esquerda, virou no meio do passo e levantou a lâmina.

Charlotte cruzou as adagas em forma de "X" para bloquear, e a força do impacto a fez escorregar pelo chão do ringue. Ela escorou, mas manteve-se de pé, respirando pesadamente.

"Caramba… você leva a sério."

"Disse que não ia facilitar."

Rauk levantou uma mão. "Chega. Poupe suas forças. Está bom por enquanto."

Charlotte limpou o suor da testa, caminhando até Noel e oferecendo um punho.

Ele bateu com o próprio, e a Garra do Fantasma desapareceu na bolsa.

"Você é boa com isso," comentou Charlotte.

"Você é mais difícil de acertar do que eu esperava."

Os dois saíram do ringue juntos, acenando para Rauk enquanto se juntavam aos demais da turma.

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