
Capítulo 180
O Extra é um Gênio!?
A luz do sol matinal filtrava-se pelas janelas altas do dormitório, estendendo-se preguiçosamente pelo piso de madeira até chegar aos pés da cama de Noel.
Ele estava deitado ali, com os olhos abertos e imóvel.
Um braço estava preso sob Elyra, que descansava confortavelmente com a cabeça encostada em seu ombro. Seus cabelos pretos, ainda soltos, tinham se desfeito durante a noite e agora escorriam pelo seu peito.
Do outro lado, Elena respirava suavemente, com o cabelo platinado caindo sobre a borda do colchão, uma mão repousando delicadamente contra suas costelas.
Noel piscou.
"Durmi? Quase nada. Duas horas, talvez. Noir, sua traidora."
Ele virou levemente a cabeça e olhou para a cadeira vazia do outro lado do quarto. Noir tinha se enroscado ali na noite anterior, recusando-se a dividir a cama com "tanta tensão emocional", como ele imaginava que ela diria — se pudesse falar.
"O que diabos eu tenho que fazer nesta situação? Fingar que tá tudo normal? Fingar que ter duas garotas dormindo dos dois lados de mim não me dá uma espécie de ataque nervoso?"
Ele expirou, tomando cuidado para não mexer demais.
O silêncio no quarto era tranquilo — mas vibrava com coisas não ditas, memórias de beijos, rostos vermelhos e uma porta que nunca deveria ter sido aberta naquele horário.
"Quem sabe o que elas estavam pensando. Pareciam completamente bêbadas ontem. Acho que só vou descobrir quando acordarem."
Ele fechou os olhos novamente, não esperando descanso — apenas se preparando para o caos que viria.
Um movimento inquietou-se ao seu lado.
Noel virou-se levemente ao perceber Elyra soltando um suspiro baixinho e lentamente abrindo os olhos. Seus longos cílios pretos mexeram-se por um momento antes que seus olhos cinzentos focassem no teto acima.
Ela bocejou.
Depois percebeu exatamente onde estava — e em quem.
"…Bom dia," Noel disse em voz baixa, meio divertido, meio resignado.
Elyra virou a cabeça na direção dele, seu cabelo preto, agora meio desfeito, apontando em direções desordenadas. Ela sorriu de cansaço. "Bom dia, Noel."
Ele esperava uma brincadeira, algo apaixonado ou um sorriso safado.
Mas, ao invés disso—
"Desculpa, tenho que ir," ela acrescentou rapidamente, sentando-se e ajeitando o cabelo com uma mão.
Noel levantou uma sobrancelha. "Hoje não é o primeiro dia de aula?"
"Pois é. E eu tenho que me encontrar com a Seraphina antes que comece tudo. Tem muita coisa para resolver." Ela se levantou, alisando o vestido com movimentos rápidos, ainda claramente apressada.
"Sabe," Noel falou enquanto se sentava ligeiramente, "talvez não tenha sido uma boa ideia beber na véspera de um dia importante."
Elyra lançou-lhe um sorriso de canto de boca enquanto amarrava a trança com facilidade prática. "Provavelmente. Mas você não entenderia."
Antes que ele pudesse protestar, ela se inclinou, deu um beijo rápido na bochecha dele. "Até logo, namorado."
Ela caminhou em direção à porta, ajustando as roupas e amarrando uma fita no pulso.
Noel a observou partir, a porta fechando-se suavemente atrás dela.
Ele virou a cabeça.
Agora, era só ele… e Elena.
Ainda profundamente adormecida.
Ela permanecia enroscada sob o cobertor, com o cabelo platinado espalhado sobre o travesseiro como fios de prata. Noel observava silenciosamente enquanto seus dedos se mexiam uma vez… depois outra.
Um murmúrio baixo escapou de seus lábios, e finalmente, seus olhos âmbar abriram-se lentamente.
Ela piscou uma, duas vezes — e sentou-se devagar.
"…Bom dia, Elena," disse Noel.
Ela virou-se para ele.
Depois olhou ao redor do quarto.
Então voltou para ele novamente.
"…Bom dia?" respondeu lentamente. Sua voz tremia um pouco, e ela olhou ao redor como se estivesse verificando duplamente se realmente estava no quarto dele.
Seu rosto ficou pálido. "Espera. Por que estou no seu quarto?"
Noel a encarou calmamente, recostando-se um pouco no cabeceiro da cama.
"Bem, como posso dizer isso—"
Antes que pudesse terminar, Elena se lançou para frente, pressionando a mão sobre a boca dele, já com as bochechas coradas.
"Não diga nada."
Noel levantou uma sobrancelha, mas não resistiu.
Seus olhos arregalaram por um segundo. A névoa em sua mente começava a dissipar-se.
Um por um, as peças foram se encaixando: andando pelas ruas de Valon, seguindo Elyra até a casa da Mirae, tomando vinho em uma sala privada, as palavras provocantes de Elyra… e então sua própria declaração ousada.
'Ah, não,' pensou ela, enterrando o rosto nas mãos. 'Fui realmente puxada pra isso… Entrei aqui como uma espécie de general de guerra bêbada e—'
As bochechas ficaram vermelhas, não só vermelhas — carmesim.
Noel piscou. "Então… acho que isso quer dizer que você se lembra?"
"…Me dá um minuto," ela murmurou, ainda escondendo o rosto. "Deixe-me me acalmar primeiro."
Noel se recostou, suspirando, com os braços atrás da cabeça.
Ainda tinha algumas horas antes da aula começar.
E claramente, aquela manhã ainda não tinha acabado de ser caótica.
Cerca de dez minutos se passaram.
Elena passou a maior parte do tempo sentada na beirada da cama, com as mãos no colo, a cabeça inclinada para frente, permitindo que seu cabelo escondesse um pouco o rosto.
Agora, Noir, totalmente acordada, sentava-se preguiçosamente na cadeira que havia roubado na noite anterior, observando-os com os olhos brilhantes semi-cerrados.
Finalmente, Elena expirou e virou-se para encará-lo.
"Ok… Agora posso falar."
Noel virou a cabeça de lado. "Então… o que foi aquilo?"
Ela hesitou. Seus dedos mexiam-se no colo, torcendo a ponta do cobertor.
"El—Elyra me provocou," ela falou rapidamente. "Disse umas coisas… tipo que meu lugar estava em perigo. Não sei. Fiquei desesperada. Fiquei ousada. Eu não estava pensando direito."
Ela desviou o olhar dele.
"Mas eu… eu quis fazer isso. Não foi só porque ela falou algo. Já tinha pensado nisso há muito tempo."
Noel se levantou, cruzando os braços sobre os joelhos. "Entendo."
Ele olhou para ela, então sorriu fracamente. "A propósito… eu tinha a intenção de te confessar esta semana."
Os olhos de Elena se arregalaram. "O quê?"
"Você lembra daquele lugar que te levei com a Selene?"
Ela assentiu lentamente.
"Eu ia te levar lá de novo. Só a gente desta vez. Fazer tudo oficial."
O rosto dela ficou instantaneamente vermelho, espalhando-se até as pontas das orelhas pontudas.
"Sério?" ela perguntou, com a voz tremendo um pouco.
"Sim. Mas acho que você me ganhou na corrida," Noel riu. "Ainda assim, nada impede de irmos de novo. Só… agora como um casal."
A expressão de Elena suavizou. Ela puxou um fio de cabelo atrás da orelha e assentiu. "Sim. Vamos."
Houve um curto silêncio de paz entre eles.
Então Noel inclinou a cabeça. "Me deixa te perguntar uma coisa?"
"Fala."
"Sobre o que vocês e Elyra estavam conversando na embarcação? Antes de eu chegar com o Marcus e a Charlotte."
Elena sorriu misteriosa. "Isso é segredo."
"…Sério?"
"Yup. Vamos dizer que é alguma coisa entre nós, meninas."
Noel recostou-se novamente, fingindo reclamar. "Tudo bem, tudo bem. Não vou investigar."
Ele olhou para o relógio na parede. "Mas acho que a Seraphina e Elyra já estão te esperando."
Elena virou-se—e suas olhos se arregalaram.
"Tenho quarenta minutos?!"
Elena pulou da cama num instante, quase caindo sobre a ponta do cobertor. Sua expressão mudou de um constrangimento doce para pânico total ao pegar suas botas, capa e a pequena bolsa que havia trazido.
"Ainda preciso arrumar meu cabelo, trocar de roupa, comer alguma coisa—aff, por que bebemos tanto!?"
Noel assistia, deitado na cama, com os braços cruzados atrás da cabeça, divertindo-se.
"Calma. Você ainda tem tempo. No limite."
"Você não ajuda!"
Deitado na cadeira, Noir bocejou dramaticamente, pulando em pé e caminhando para sentar-se ao lado de Noel, enrolando a cauda ao redor de si, como se nada neste mundo pudesse perturbar sua tranquilidade.
Elena ajustou a alça da pequena bolsa e correu em direção à porta, parando justo antes de abri-la. Ela virou-se, a mão no puxador.
Seu rosto ainda estava vermelho.
Mas, desta vez, os olhos estavam calmos.
"Até mais, Noel."
Ele lhe deu um pequeno aceno. "Sim. Tenha um bom primeiro dia."
Ela sorriu levemente, apesar do nervosismo.
E, justo quando começou a abrir a porta, ela fez uma pausa mais uma vez.
"…Tchau, namorado."
As palavras saíram rapidamente — apressadas, suaves.
Ela não esperou a reação dele. Desapareceu no corredor com um clique suave na porta.
Noel ficou sentado, olhando para a porta agora fechada.
Um momento passou.
Ele olhou para Noir, que o encarava com aqueles olhos violetas brilhantes.
"…Ela realmente disse isso."
Noir piscou uma vez e voltou a se enroscar na sombra de sua posição de cochilo.