
Capítulo 179
O Extra é um Gênio!?
A porta rangeu lentamente com um gemido, e uma leve camada de poeira dançava no ar enquanto Noel entrava.
Seu quarto no alojamento da Classe S parecia exatamente como ele deixou—apenas agora com o aroma de madeira, papel... e abandono.
Dois meses.
É o tempo que fazia desde a última vez que pôs os pés aqui. Entre missões, a Capital Sagrada e as consequências, mal tinha tido tempo de se lembrar que este lugar existia.
Ele suspirou, fez uma espuma com as mangas e pegou um pano do gaveteiro. "Vamos acabar logo com isso."
Prateleiras cobertas de poeira. A mesa um pouco bagunçada com alguns papéis. Sua cama ainda feita, embora uma fina camada de sujeira tivesse se acumulado na moldura. Ele varreu, limpo, dobrou, reorganizou.
No leito, Noir dormitava enrolada na sua forma de filhote—tranquila, silenciosa, com a pelagem se levantando a cada respiração lenta.
Ao passar por ela, ajustou suavemente os lençóis.
Seus pensamentos voaram até a lanchonete mais cedo, onde tinha sentado com Marcus e Roberto. Os três riram, brincaram, conversaram sobre relacionamentos... coisas normais, pela primeira vez.
'Marcus realmente vai fazer isso,' pensou Noel. 'Se confessar para Clara, será mais um casal que tira da história por mais cinquenta capítulos. Não sinto falta daquele lenga-lenga da novela.'
Sorriu ligeiramente.
'Isso está muito adiantado na linha do tempo do romance. Na história original, esses dois passaram trinta capítulos inteiros vermelhos de vergonha só de segurar na mão um do outro. Depois mais trinta por um beijo na bochecha. Abominava essa história de slow burn.'
Ele se levantou, esticou-se e olhou ao redor.
Finalmente limpo.
E agora suava.
"Hora do banho", murmurou.
A água quente escorre sobre sua pele, levando embora a poeira e o cansaço do dia.
Encostou-se na parede de azulejo, fechando os olhos enquanto o vapor preenchia o pequeno banheiro. Seu cabelo loiro grudava um pouco na testa, molhado e pesado. Após alguns minutos sob o jato, desligou a torneira e entrou na banheira, soltando um suspiro tranquilo enquanto seu corpo afundava na água quente.
Era bom.
Um momento tranquilo—raro nos dias atuais.
Deitou a cabeça para trás e deixou seus pensamentos vagarem.
'Tudo aconteceu demais hoje... primeiro Nicolas, depois Roberto e Marcus... e agora esse acampamento de treinamento que vem aí.'
Seus dedos deslizaram preguiçosamente na superfície da água.
'Pelo menos o Marcus finalmente está avançando. Se ele se confessar para a Clara, sobrará apenas mais um casal para arrastar por mais cinquenta capítulos. Juro que não sinto falta dessa parte da história.'
Um sorriso tímido surgiu nos cantos da boca.
Então—
Batidas. Batidas.
Seus olhos se arregalaram.
"...Sério?"
Esperou. Talvez fosse alguém batendo em outra porta.
Batida. Batida.
Não. Com certeza era na dele.
Ele suspirou, saiu da água, pegou a toalha. Envolvendo-se com ela na cintura, sacudiu um pouco o cabelo, gotas de água escorrendo pelos ombros.
'Quem diabos está batendo agora à essa hora?’
Foi até a porta, ainda secando o cabelo com uma mão.
E abriu.
A porta entrou—
—e Noel travou.
De pé diante dele estavam Elyra e Elena.
Elyra vestia um vestido vermelho elegante que combinava com o calor do final do verão, o cabelo preto bem trançado sobre um ombro, olhos cinzentos frios, porém levemente vidrados. Elena estava ao seu lado, com o cabelo platinado solto, fluindo livremente contra o vestido verde suave. Seus olhos âmbar tinham as bordas vermelhas e as bochechas estavam coradas.
Ambas claramente estavam bêbadas.
As duas encaravam.
E Noel… não usava mais do que uma toalha.
Seus olhos se arregalaram. "O—"
Ele tentou instintivamente fechar a porta.
Tarde demais.
Elyra deslizou seu pé entre a porta e a moldura como uma profissional experiente.
A porta se moveu, parando na metade do caminho.
"Espera—o que vocês estão fazendo?" Noel perguntou, quase em pânico.
As duas garotas não responderam. Em vez disso, entraram como se fosse a própria casa delas.
Noel recuou cambaleando, escorregando levemente no piso liso e caindo de forma desajeitada de costas.
"Ai—droga—o que está acontecendo!?"
Elyra tranquilamente estendeu a mão, fechando a porta com um clique silencioso.
No leito, Noir levantou a cabeça.
Depois, sumiu rapidamente na sombra de Noel.
'Covarde,' pensou Noel brevemente ao se erguer rapidamente.
Elena cambaleou ao avançar; sua expressão alternava entre determinação e birra, suas orelhas pontudas avermelhadas mais do que o normal.
E então ela falou.
"Eu deveria ter sido a primeira..." Elena murmurou, a voz carregada de vinho e frustração.
Noel piscou, segurando a toalha com uma mão. "Ah... então é disso que se trata."
Olhou para Elyra. "O que você fez?"
Elyra levantou as mãos inocentemente. "Eu não fiz nada."
"Sério?"
"Ela bebeu o vinho. Eu só assisti."
Elena cambaleou de novo, dando um passo mais perto. Seus olhos âmbar estavam turvos, mas o sentimento por trás deles era claro—culpa, desejo, algo que vinha sendo guardado há tempo demais.
"Você sabe que isso não importa, né?" ela sussurrou.
Noel abriu a boca para responder, mas não conseguiu.
Elena se inclinou para frente—e o beijou.
Não foi um beijo curto e tímido.
Foi apaixonado, desajeitado e excessivamente longo.
Os olhos de Noel se arregalaram de choque, mas seus braços já estavam ao redor dela, puxando-a levemente para baixo. Seus lábios se prensaram contra os dela sem hesitar.
'Ela… está, de fato, bêbada,' pensou Noel. 'Mas isso, sem dúvida, é um beijo... e não um leve também.'
Ele não a afastou, apenas deixou que ela se entregasse, incerto se mexer poderia piorar as coisas.
Quando o beijo finalmente terminou, Elena cambaleou… e caiu em seus braços.
Noel a segurou, piscou duas vezes.
Depois suspirou.
"É, claro."
Carinhosamente, levantou-a, caminhou até a cama e a colocou cuidadosamente deitada. Noir se enfiou mais fundo na sombra debaixo da cama.
Elyra observou tudo com olhos difíceis de entender.
Depois, sorriu timidamente.
Quando Noel se virou de costas para a cama, percebeu Elyra parada a poucos passos na sua frente.
Seus braços cruzados, mas postura relaxada—graciosa, confiante, inteiramente indiferente ao fato de que ele ainda estava apenas de toalha.
Ela inclinou a cabeça. "Agora é minha vez."
"...O quê?"
Ela deu um passo mais perto, com olhos semicerrados e um sorriso malicioso. "Você achou que eu ia deixar ela tomar a cena sozinha?"
Antes que pudesse responder, Elyra levantou a ponta dos pés e o beijou.
Diferente do beijo de Elena, esse foi mais lento—menos desesperado, mais deliberado. Lábios quentes, um suspiro suave, e o mais sutil sabor de vinho.
Durou apenas alguns segundos.
Mas deixou Noel igualmente pasmo.
Quando Elyra se afastou, ela não falou imediatamente. Simplesmente virou-se, caminhou até a cama e deitou ao lado de Elena, que já dormia com uma mão descansando suavemente sobre a silhueta sombria de Noir.
Elyra ajeitou as cobertas e olhou por cima do ombro.
Ela bateu na parte vazia do meio.
"Tap, tap."
Noel coçou a nuca, ainda tentando processar tudo. "...Pelo menos me deixa colocar uma roupa primeiro."
"Tudo bem," disse Elyra, sorrindo enquanto se enroscava ao lado de Elena. "Mas não demore muito. Está quente."
Noel entrou no banheiro, com o coração ainda batendo forte no peito.
Olhou-se no espelho.
Cabelo molhado. rosto corado. Uma toalha na cintura e duas meninas dormindo na cama.
Ele exalou, devagar. "Que vida é essa..."
Seque-se adequadamente e vestiu suas roupas de dormir normalmente, confortáveis e folgadas. Quando voltou para o cômodo, o ambiente parecia mais tranquilo, mais íntimo.
Elyra e Elena já estavam profundamente adormecidas.
Elena estava ligeiramente curvada para o centro da cama, com o cabelo platinado espalhado sobre o travesseiro. Elyra jazia calmamente de costas, com os braços sob a cabeça e a trança repousando sobre o peito.
Noel olhou ao redor em busca de outra alternativa.
Não havia.
O quarto estava arrumado. Sem sofá. Sem tapete. Havia uma cadeira, mas ela não podia ser usada porque Noir já a ocupava.
Ele ficou ali por um momento, ombros vencidos em silenciosa rendição.
Então, cuidadosamente, deslizou por baixo das cobertas.
Entre elas.
A cama afundou um pouco de cada lado. Ele sentiu o calor dos corpos—um de cada lado—e o suave ritmo da respiração.
Ficou olhando para o teto por um tempo.
'Como é que vou dormir assim…?'
Virou a cabeça, olhou para Elena.
Depois para Elyra.
Um pequeno sorriso surgiu nos seus lábios.
A noite aprofundou-se.
E Noel, cercado pelo caos e pela paz ao mesmo tempo, finalmente fechou os olhos.