
Capítulo 190
O Extra é um Gênio!?
A noite em Valon estava mais fresca do que o habitual, as ruas de paralelepípedos iluminadas por um suave brilho alaranjado das lanternas flutuantes. Noel caminhava com firmeza, carregando uma sacola em cada mão—uma com seu próprio item, a outra com um par de brincos cor-de-rosa destinados a outra pessoa.
Ele já estava a meio caminho da academia quando algo chamou sua atenção.
Vozes elevadas.
Dois homens estavam numa viela sombria, encostados perto de uma mulher. Cheiravam a álcool, com posturas agressivas, palavras arrastadas, mas que carregavam uma intenção evidente.
Noel estreitou os olhos.
Ele deu um passo à frente, sua voz baixa, mas clara.
"Tem algum problema aqui?"
Os homens se viraram, inicialmente irritados—até perceberem quem era.
Apesar de ter apenas dezessete anos, a expressão de Noel tinha uma autoridade capaz de silenciar uma sala. Era alto para a sua idade, de olhos afiados, e sua presença carregava o peso silencioso de alguém que tinha sobrevivido a coisas demais para ser considerado frágil.
A mulher avançou.
Cabelos vermelhos. Olhos cor de avelã.
Noel piscou.
"Pois é, Noel," ela disse, sorrindo como se nada estivesse errado. "Eu tava te esperando. Desculpa, garotos—ele é quem eu tava esperando."
Um dos homens bêbados tentou alcançar seu ombro, tentando impedi-la.
Ele não deveria ter feito isso.
O olhar de Noel se tornou de aço. Nenhuma palavra. Apenas um olhar frio e firme.
O homem hesitou, vacilou… e liberou-a.
"Tch." Com um estalo de língua, ele se virou e foi embora.
Ambos desapareceram na noite.
Noel respirou fundo e olhou para a menina.
"…Charlotte?"
Ela sorriu novamente, um pouco demais casual.
"Oi."
Noel cruzou os braços, observando-a com uma mistura de desconfiança e cansaço.
"O que você está fazendo aqui, Charlotte? Nessa hora? E nessa parte da cidade?"
Charlotte ajeitou casualmente uma mecha de cabelo atrás da orelha, como se não tivesse acabado de ser ameaçada por dois estranhos bêbados.
"Fui comprar pão," ela respondeu, segurando uma sacola de papelzinho como prova. "E achei que podia… dar uma volta, sabe? Sentir a vibe da cidade."
Noel levantou uma sobrancelha.
"A gente tinha concordado que eu te mostraria a cidade outro dia."
Charlotte desviou o olhar, murmurando algo sob a respiração.
"Só queria descobrir uns bons lugares pra um encontro."
Noel se aproximou um pouco.
"...O quê?"
"Nada," ela respondeu rapidamente, fazendo bico. "Só falando comigo mesma."
Ele suspirou e estendeu a mão, pegando delicadamente a sacola das mãos dela.
"Vamos, eu te levo de volta."
"Ai, que cavalheiro," ela comentou com um sorriso malicioso. "Você é sempre tão galante com as mocinhas que salva?"
"Só quando elas se metem em enrascadas idiotas."
"Tch. Sem educação."
Apesar do tom brincalhão, ela caminhava silenciosamente ao lado dele enquanto retornavam em direção à academia. Sua energia habitual estava um pouco mais controlada—ainda Charlotte, mas talvez com um quê mais pé no chão.
Os passos ressoavam suavemente pelas ruas de pedra, agora mais quietas sob a luz da lua. Logo, as enormes muralhas da Academia Imperial surgiram ao longe, com dois guardas já posicionados na entrada.
Charlotte lançou um olhar de canto para a silhueta de Noel.
Suas costas pareciam mais largas do que ela lembrava.
E firmes. Como antes…
Quando ele se colocou na frente dela durante o incidente com Alya.
Exatamente como agora.
Ao chegar às portas, Noel devolveu o pão para ela.
"Entre. E não faz mais besteira assim, hein."
"Sim, sim~" ela respondeu, acenando como se dispensasse. "Da próxima vez, quero sua permissão pra comprar carboidrato."
Ele não sorriu, mas ela podia perceber que ele já não estava realmente bravo.
'O que diabos ela tava fazendo lá fora?'
Por um momento, ela ficou ali, segurando o pão com as duas mãos.
Depois, em silêncio:
"…Obrigada."
Charlotte estava cantarolando suavemente atrás dele agora. Uma melodia leve, despreocupada.
Ele resistiu à vontade de perguntar de novo. Se ela quisesse contar, teria contado, né?
Ele a olhou de relance, mas permaneceu em silêncio.
Enquanto ela se dirigia ao corredor das meninas, ela lançou uma olhadela de relance para ele—rápida, brincalhona, talvez até… esperançosa.
Noel suspirou e virou-se de costas.
'O que ela tava fazendo lá fora, claramente ela não quer me contar.'
Ele ainda não sabia—
Mas Charlotte tinha simplesmente estado sondando os locais para a “grande visita” que Noel tinha prometido a ela.
Ela planejava deixar que ele liderasse, claro…
Mas, no fundo, também queria escolher alguns lugares sozinha. Lugares especiais.
Como se fosse um encontro—embora ela nunca admitisse isso em voz alta.
Nessa noite, ela ficou animada demais… e não conseguiu esperar.