O Extra é um Gênio!?

Capítulo 168

O Extra é um Gênio!?

'Vamos lá... vamos ver o que esse diário tem para me mostrar.'

[Item]

Nome: Diário do Filho Esquecido

Tipo: ???

Nível: ???

Descrição: Um livro envelhecido encadernado em couro preto.

Era de propriedade do Filho Esquecido, que registrou a jornada de dois irmãos gêmeos no alvorecer do descobrimento da mana.

A história é narrada pelos olhos de um deles — uma testemunha silenciosa do primeiro despertar do mundo.

Nem todas as entradas são seguras para ler. Algumas verdades é melhor manter enterradas.

'Isso pode ser interessante. Como eu suspeitava… há muito mais nisso do que o romance mostrou.'

O diário parecia respirar o ar quando ficou exposto — sua capa absorvendo a luz da vela como se fosse um vazio.

"Chama."

A luz era suave, tremulando gentilmente, tocando mal as bordas do cômodo. Não iria incomodar os outros.

A primeira página estava em branco. A segunda também.

Mas ao virar para a terceira, a tinta começou a subir na página — traços lentos e deliberados formando linhas de texto que antes não existiam.

A escrita era limpa, firme. Quase perfeita demais. O tom do autor era direto.

Éramos gêmeos. Idênticos no rosto, diferentes em tudo mais.

Ele riu alto. Eu escutei em silêncio. Ele pulou no desconhecido. Perguntei o que havia por baixo disso.

Vivíamos numa época antes da mana, quando o mundo era silencioso e as coisas obedeciam às leis em que naciam.

Noel franziu levemente ao ler o próximo trecho.

Achamos uma coisa por baixo dos campos de pedra, atrás do quarta selo. Uma caverna com um coração que pulsava, mesmo nunca tendo estado vivo.

Não era luz, nem calor, nem vento.

Era... resposta. O mundo nos olhava. E, pela primeira vez, algo respondeu.

'Então foi assim que começou... a mana. Não como energia, mas como consciência.'

Ele foi o primeiro a tocá-la.

Estendeu a mão, e a caverna reagiu. Luz se aglomerou às pontas dos dedos — não fogo, não relâmpago, mas intenção.

Seu corpo tremeu. Seus olhos ficaram brancos. E, quando parou… ele era diferente.

Os olhos de Noel se aguçaram enquanto lia.

Vi algo se formar dentro dele. Naquele momento, eu não tinha palavras para isso, mas agora tenho.

Ele formou um núcleo.

E eu fui o primeiro a registrar como ele era.

'O primeiro usuário de mana e o primeiro a criar um Núcleo.'

Não houve hesitação na escrita. Sem adornos. Apenas fatos, transmitidos por uma testemunha que viveu aquilo.

Ele chamou isso de liberdade. Eu chamei de perigo.

Mas permaneci ao lado dele. Porque mais ninguém entenderia o que havíamos visto.

Nada mais apareceu.

[Mensagem do Sistema]

Se quiser continuar lendo, precisará completar missões. Continue — você está indo muito bem!

"...Entendi. Faz sentido."

Uma voz abafada veio de debaixo.

"...Noel?"

Marcus, meio adormecido, piscou para o lado de baixo do colchão de Noel. "Tá acordado?"

"Sim", respondeu Noel em tom baixo. "Não consegui dormir."

Quando Noel foi pegar o pano para envolver o diário novamente, a madeira sob ele rangeu.

Uma voz abafada veio de baixo.

"...Noel?"

Ele parou por um instante, depois olhou para baixo.

Marcus, meio acordado, olhava para cima, tentando enxergar por debaixo do colchão. "Tá bem?"

Noel demorou um pouco para responder.

Finalmente —

"…Quer conversar?"

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