O Extra é um Gênio!?

Capítulo 169

O Extra é um Gênio!?

“Claro.” respondeu Noel.

Marcus murmurou da beliche abaixo. “Como você está aguentando?”

Noel não respondeu imediatamente. Seus olhos continuavam fixos no teto, contorno sutil das vigas de madeira quase invisível à luz da lua.

“…Não vou mentir,” ele sussurrou. “Isso me atingiu.”

“Entendo…” respondeu Marcus, a voz mais baixa agora. “Então não sou o único. Embora imagine que os outros sentem o mesmo. Ainda assim... se eu tivesse percebido mais cedo, talvez pudesse ter intervindo. Bem antes de você se envolver.”

'Não se culpe. Eu sabia que vinha, e mesmo assim não consegui impedir…' pensou Noel, os dedos apertando levemente a borda do cobertor.

“Não se culpe,” ele disse em seu lugar. “Não era tão fácil de descobrir. Se eles fossem profissionais, seria normal. Fizemos o suficiente. O Santo está seguro.”

“Sim… mas aquela sensação não vai embora, saca? De não estar fazendo tudo o que podia.”

“Acredite em mim,” murmurou Noel. “Sei exatamente o que você quer dizer.”

“Sabe,” disse Noel, virando-se levemente na cama, “aquela sua chama azul é algo especial.”

Marcus bufou baixinho. “Heh… acha mesmo?”

'Parece que ele também despertou uma parte do poder mais cedo do que o previsto.'

Marcus continuou: “Treino com a Clara lá em Nivária antes de vir pra cá. E até na academia, continuei trabalhando nisso. Não queria ficar pra trás.”

“Ficar pra trás?” perguntou Noel, olhando para baixo.

“Sim. Ver você evoluindo tão rápido me fez me sentir… menor, acho. Então, virei você meu objetivo. Alguém pra alcançar.”

Noel sorriu de lado. “Então agora sou seu rival?”

“Agora que você fala, parece mesmo. Você está afim de uma competição na próxima avaliação?”

Noel riu. “Nem pensar. Sou uma negação em teoria.”

“Mas você manda bem na conjuração de feitiços.”

“Não é a mesma coisa,” Noel encolheu os ombros. “Teoria e magia prática não funcionam do mesmo jeito. Difícil de explicar.”

“Entendo,” assentiu Marcus. “Enfim, faltam nove dias para as aulas começarem. Já estamos no segundo ano.”

“Sim. E estar no conselho significa que vamos ter trabalho acumulado desde o primeiro dia. Novos calouros chegando às gargalhadas.”

“Ah,” acrescentou Marcus casualmente, “a Charlotte vai voltar conosco para a academia.”

Noel piscou, surpreso.

Isso não era pra acontecer. Na versão original da história, ela nunca saíra da Capital Sagrada. Mas o Noel atual não se importava mais com o enredo original. Seu objetivo não era seguir um roteiro—era sobreviver. E se isso significava cercar-se de pessoas em quem confiava, assim fosse.

“…Não sabia disso,” disse calmamente.

“Ela não te contou?” perguntou Marcus. “Eu vi vocês dois andando de volta do cemitério.”

“Não, na verdade. Não conversamos muito.”

“Huh,” comentou Marcus, olhando para baixo, na parte debaixo da cama de Noel. “Estranho.”

Noel ficou em silêncio, mas as engrenagens em sua mente já estavam girando.

“Pois bem,” disse Noel, esticando-se um pouco. “Chega de papo. E aí, como estão as coisas com a Clara?”

Marcus parou por um segundo. “…Estão boas.”

Noel sorriu de lado na escuridão. “Essa pausa diz o contrário.”

Marcus gemeu. “Tá bom, tá bom. Outro dia… a gente se segurou as mãos.”

“Ah?” Noel sorriu. “Grande avanço na sua história de amor de fogo lento. Pelo menos é alguma coisa. Boa sorte.”

“Obrigadão,” murmurou Marcus, acrescentando com um sorriso de curiosidade, “E você? Como estão as coisas com… sua situação?”

Noel ergueu uma sobrancelha. “Por que você fala ‘situação’ assim? E por que parece plural?”

Marcus não hesitou. “Acho óbvio que tem mais de uma. Não que seja estranho. O pai da Clara tem quatro esposas. Seu pai tem duas.”

“Não estou negando isso,” respondeu Noel. “Mas, se quiser uma resposta… tô oficialmente com a Elyra.”

Marcus deixou escapar um assobio baixo. “Uau. Você se dedica rápido.”

“Rápido?” Noel repetiu. “Eu a conheço há quase um ano. Não foi algo forçado. Aconteceu naturalmente.”

“Hm. Justo,” concordou Marcus. “Então, e a Elena?”

“O que quer saber?” perguntou Noel, colocando o braço atrás da cabeça.

Marcus não hesitou. “Ela é claramente importante pra você. Você também gosta dela—qualquer um consegue ver isso.”

Noel soltou um suspiro lento. “Sei. Já estou esperando ela dar o primeiro passo.”

“Por que não dá o passo você mesmo?”

“Acho que… queria que ela fosse no ritmo dela.”

Marcus ficou em silêncio por um momento e then perguntou: “Tem mais alguém?”

Noel hesitou. “…Não tenho certeza.”

“Ah, para com isso,” disse Marcus. “Não finja de bobo, ou eu mesmo vou citar quem são.”

“Vai lá, então.”

“Charlotte e Sélene?”

Noel se mexeu um pouco. “Por que acha isso?”

“Com Charlotte, é óbvio. Vocês dois agem demais como se fossem muito próximos pelo pouco tempo que passaram juntos. E Sélene… sei lá. Só um sentimento. Você é uma das poucas pessoas com quem ela realmente interage na academia. E ela responde você.”

Não respondeu.

Marcus sorriu de lado. “Quer dizer alguma coisa?”

“…Nada.”

Uma voz aguda cortou a escuridão.

“Vocês dois podem calar a boca de uma vez?” Laziel rugiu da beliche ao lado, claramente irritado. “Alguns de nós não somos abençoados pelos deuses do amor e não precisam desse drama na meia-noite.”

Noel e Marcus pararam por um instante.

“…Até o gorila aqui de baixo tem namorada,” continuou Laziel, claramente apontando para Garron. “E eu ainda tô aqui, sozinho. Sabe o que é isso? Uma humilhação.”

Houve um momento de silêncio—então ambos, Noel e Marcus, explodiram de rir, tentando e falhando em abafá-lo com os travesseiros.

Laziel gemeu, virou-se de lado e puxou o cobertor sobre a cabeça. “Idiotas.”

A sala finalmente começou a se acalmar em silêncio.

Mais ou menos.

“...Gorila?” veio uma voz profunda, meio adormecida, da cama de baixo. “Você acabou de me chamar de gorila?”

Laziel não respondeu. A almofada sob o cobertor só se encolheu mais forte.

“Saquei,” murmurou Garron, sentando-se e coçando o cabelo bagunçado. “E sim, também tenho namorada. Sophie. Está com problema?”

Noel rolou na cama, ainda sorrindo. “Vai falar de Sophie de novo?”

“Claro que sim.” Garron sorriu orgulhoso. “Ela é pequena, adorável, e se ela quiser, derruba um dente de alguém. A primeira vez que me chamou de idiota, soube que ela era a certa.”

Marcus riu: “Uma história de amor de verdade.”

“Ela faz eu trazer flores pra ela todo domingo. Eu. Flores. Você tem ideia de como fica ridículo um cara como eu comprando flores?”

“Muito,” respondeu Laziel, com a voz abafada debaixo do cobertor.

“Pára de reclamar, seu perma solteirão azedo.” Garron se jogou de volta na cama com um sorriso bobo. “Eu a amo. Muita. E se você me chamar de gorila de novo, Laziel, juro que te dou um soco com uma rosa.”

Noel explodiu de rir novamente. “Isso é uma ameaça romântica?”

“É uma ameaça carregada de afeição,” Garron murmurou. “Boa noite.”

Dessa vez, o silêncio finalmente tomou conta do quarto.

Mais ou menos.

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