O Extra é um Gênio!?

Capítulo 167

O Extra é um Gênio!?

O céu estava cinzento. Nem ameaçador—apenas quieto, e com uma sensação de peso.

Como se as próprias alturas ainda não tivessem decidido como lamentar.

Noel estava sozinho no cemitério fora da Capital Santa. Filas de túmulos recentes se estendiam atrás dele, cada um marcado por uma lápide simples. O vento balançava a grama seca.

Aquela à sua frente dizia:

Erick

Você foi corajoso, mesmo quando não deveria ter sido.

Os outros também tinham nomes. Crianças que nunca tiveram a chance de crescer. Rostos que Noel lembrava do orfanato, de risadas e pequenos momentos. Agora todos gravados em pedra.

Ele permanecia ali, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, a cabeça baixa.

Seus pensamentos giravam em silêncio.

'Eu poderia ter parado isso. Antes. Antes que saísse do controle.'

Ele sabia que algo estava errado. A linha do tempo tinha mudado, sim, mas ele tinha conhecimentos que ninguém mais neste mundo possuía. Isso deveria ser sua vantagem. Sua maldição. Seu poder.

E ainda assim… tinha falhado.

'Toda essa previsão. Toda essa análise. E o que fiz com elas?'

Ele cerrava a mandíbula, a garganta apertada.

'Esperei. Hesitei. Tentei jogar pelo seguro. Achava que tinha mais tempo.'

O sistema tinha recompensado. Considerado a missão um sucesso. Mas Noel não se sentia vitorioso.

'O sistema vê um salvador. Mas tudo que vejo é uma lápide com um nome que não deveria estar lá.'

E naquela quietude, a culpa se instalou em seus ombros como a neve.

Pesada.

Fria.

Infinita.

Ele não enxugou as lágrimas dos olhos. Simplesmente as deixou cair.

Pois ninguém estava assistindo.

Os olhos de Noel permaneciam fixos na pedra quando finalmente falou.

Sua voz mal quebrou o silêncio.

"Status."

A janela familiar apareceu, flutuando silenciosa à sua frente. Ele nem piscou.

[Missão Concluída: Derrote Arya, a Portadora da Foice]

[Recompensa Disponível: Reivindicar?]

Ele ficou olhando por um momento.

Sua reflexão tremulava sutilmente na superfície translúcida.

"Reivindicar."

O sistema respondeu imediatamente. Um som suave—nem mágico, nem mecânico. Apenas definitivo.

[Recompensa Concedida: +30% no Progresso do Núcleo]

[Progresso Atual do Núcleo: 40,25% – Núcleo de Mana: Adepto]

[Item Novo Obtido: Diário do Filho Esquecido]

Uma pequena pulsação de luz se acumulou em sua mão, e de repente o livro apareceu—pesado, antigo, encadernado em couro preto com uma fita cinza atada de maneira frouxa ao redor da capa.

Noel piscou.

"Um livro?"

Parecia leve demais para conter algo importante. Mas ao abri-lo, seus olhos franziram de imediato.

Somente duas páginas estavam preenchidas.

O restante do livro—dez, talvez centenas de páginas—estava completamente em branco.

Ele as folheou lentamente, mais rápido, e depois voltou ao começo.

Continuavam sendo apenas duas entradas.

'O que é isso?'

Encostou-se numa pedra próxima, segurando o diário com uma mão.

Queria lê-lo. Precisava.

Mas ainda não teria a chance.

Porque alguém se aproximava.

Sentiu a presença antes mesmo de ouvir seus passos.

Cabelos vermelhos. Olhos avelã. Uma familiaridade quente, mesmo por trás de um rosto mudado.

"Charlotte?"

A garota parou.

Por um momento, ela pareceu quase ofendida.

"Não? Acho que você está confundindo—"

Ela se calou assim que cruzou os olhos com os dele.

O sorriso brincalhão que ela usava congelou nos lábios.

Porque o olhar de Noel não era aguçado nem frio como de costume.

Não era distante. Nem calculista.

Estava… partido.

Ligeiramente vermelho.

Levemente inchado.

Ainda molhado.

Charlotte seguiu seu olhar—em direção à lápide ao lado dele.

Depois às outras próximas.

Erick.

As crianças.

Noel estivera ali há um tempo. Demasiado tempo para seus sapatos estarem cobertos de poeira seca.

Tempo suficiente para chorar sozinho, sem som.

Charlotte não disse nada.

Ela apenas deu um passo à frente.

E, sem dizer uma palavra, o abraçou suavemente. Braços ao redor da cintura dele. Cabeça repousando contra o peito.

"Não é sua culpa," ela sussurrou. "O que aconteceu… não é responsabilidade sua."

As mãos de Noel ficaram imóveis por um instante.

Ele não chorou alto.

Não tremia.

Mas as lágrimas voltaram, silenciosas, sem aviso.

Porque agora alguém as via.

O ar de Noel ficou falho por um instante.

Ele não chorava assim há anos.

E nunca—jamais—tinha feito isso na frente de alguém.

Mas agora, com Charlotte com os braços nele, sua voz baixa contra o peito de mulher...

era diferente.

Suas mãos lentamente se levantaram, pairando no ar por um segundo antes de repousar suavemente em suas costas. Não apertado. Nem desesperado. Apenas… suficiente.

Ela não perguntou nada.

Ela não soltou.

"Você poderia…", ele murmurou, a voz quase inaudível, "...não levantar sua cabeça?"

Charlotte não se moveu.

Não assentiu.

Apenas ficou ali, em silêncio.

Noel expirou com dificuldade.

As lágrimas não eram mais pesadas, mas constantes—caindo uma a uma, encharcando o topo do cabelo dela. O capuz. A presença.

Ele sabia como aquilo parecia.

Sabia o que significava deixar sua máscara cair, mesmo que por um momento.

Mas neste momento, não importava.

Ele não era forte. Não era inteligente. Não tinha controle.

Nem aqui.

Nem hoje.

E Charlotte não dizia nada.

Porque ela entendia o que ele sentia agora.

O tempo passou silenciosamente.

O vento sussurrava pelos galhos das árvores do cemitério, puxando mantos e folhas. Em algum lugar ao longe, o sino tocou suavemente—chamando ninguém em particular.

Charlotte permaneceu imóvel nos braços de Noel.

Finalmente, ele se afastou um pouco mais para respirar novamente, limpando os olhos com a manga do casaco. Sua expressão voltou à calma—mas agora, era uma calma diferente. Uma calma moldada pela tristeza, não pela disciplina.

Ela olhou para ele agora. Seus olhos avelã, mesmo na forma alterada, eram suaves.

Noel tentou falar, depois parou.

A garganta seca.

Ele se virou para o livro ainda descansando na sepultura ao lado—Diário do Filho Esquecido. As páginas permaneciam fechadas por enquanto.

"Não deveria ser assim," ele finalmente disse. "Não para eles."

Charlotte olhou para as lápides ao lado de Erick.

"Não… mas eles tiveram sorte," ela sussurrou. "Porque alguém tentou."

Noel não respondeu.

Porque, lá no fundo, ele ainda não acreditava ter feito o suficiente.

Mas, ao colocar a mão na dele sem dizer mais nada, apenas estando ali, uma coisa dentro dele se acalmou.

"Vamos embora," ele murmurou, salvando no seu Novo Diário na Bolsa Dimensional.

Ela assentiu, e eles começaram a caminhar de volta para a Capital Santa.

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