
Capítulo 166
O Extra é um Gênio!?
A sala privativa do cassino estava iluminada por uma luz âmbar branda. Cortinas de veludo cobriam as paredes, e uma mesa redonda longa ficava no centro, rodeada por drinques intocados, cartas ociosas e um cristal carmesim pulsante, flutuando pouco acima da superfície.
Somente cinco cadeiras, agora ocupadas.
Pela primeira vez, nenhuma delas usava máscara.
O anão apoiou-se na cadeira, uma fumaça de cachimbo preguiçosamente formando círculos ao seu redor, envolvendo sua grossa barba ruiva trançada. Seu cabelo combinava—longo e selvagem, mal domado pelas presilhas douradas que usava para prendê-lo. Anéis brilhavam em todos os dedos, e um sorriso dourado se insinuava sob os punhos de suas roupas.
À sua esquerda, os gêmeos estavam lado a lado.
Um era um menino, magro e de traços afiados, com um brinco de prata e uma expressão entediada. O outro, uma menina, quase idêntica na estrutura óssea, embora seus olhos fossem mais pesados e cansados. Ambos pareciam adolescentes, mas ninguém na mesa acreditava que fossem inofensivos. O menino girava uma adaga entre os dedos. A menina bebia de um copo de vinho sem olhar para cima.
Depois veio a mulher acorrentada—seu corpo envolto por faixas de ferro e aço escuro, algumas fundidas aos braços como armadura, outras penduradas soltas como acessórios. Seu rosto agora era praticamente visível: liso, pálido e sem expressão, salvo pelos marcas pretas ao redor do pescoço, como escritura queimada.
Finalmente, sentado imóvel como uma estátua, o Primeira Pilar.
Sua pele era pálida, quase cerosa, e seu cabelo preto caía em fios emaranhados pelos lados do rosto. Seus olhos, escuros como petróleo, não piscavam. Não se moviam. Não tinha falado desde a chegada.
O ar ao redor dele parecia sempre mais frio.
O cristal no centro pulsou uma vez—
Depois de novo—
Então falou.
"Disseram-nos para não nos reunir, a não ser que fosse urgência," murmurou o menino gêmeo, girando novamente sua adaga. "O que mudou?"
O ambiente ficou em silêncio.
E o cristal começou a falar.
"Um de vocês… não está mais entre os vivos."
A adaga parou de girar.
A gêmea colocou o copo de lado sem dizer uma palavra.
Até o anão baixou seu cachimbo.
O cristal pulsou novamente, devagar e deliberadamente.
"Arya. A Portadora da Gadanha. Caiu."
Sem surpresa. Sem revolta. Apenas silêncio—e uma lenta mudança de atenção para o Primeira Pilar, que permanecia completamente imóvel, com as mãos descansando sobre a mesa.
A voz prosseguiu.
"O papel dela… estava incompleto. Mas não sem valor. A Santa não morreu… ainda; ela sangra. Sua luz… vai se apagar. Sua canção… vai tremer. Isso… já basta."
A mulher acorrentada inclinou levemente a cabeça, os olhos fixos na esse cristal.
"Devemos terminar o que ela começou?" perguntou o anão, ajustando o broche de esmeralda na lapela. "Se ela deixou o trabalho pela metade, alguém precisa—"
"Não."
A voz cortou a sala como uma lâmina.
"Existe… uma variável. Uma sombra… não prevista. Uma ondulação… não contabilizada."
"Você quer dizer variável," disse a garota gêmea, quase entediada. "Aquela contra quem Arya e Kaelith lutaram."
"Sim. A presença dele… distorce. A tinta não o segura. O tempo… não consegue prendê-lo."
Por um momento, ninguém falou. O Primeira Pilar retesou-se—apenas um pouco—ao ser mencionado.
"Então, não fazemos nada?" perguntou o menino gêmeo.
"Por enquanto. Observamos. Aprimoramos. O caminho a seguir precisa ser perfeito. O portão… só se abre uma vez."
Uma pausa.
"Mantenham seus papéis. Reúnam moedas. Sustentem redes. Observem as fissuras. Outrem… tomará o lugar dela. Encontraremos alguém. A alma dela foi queimada… outra irá apodrecer."
E, com isso, a luz do cristal começou a diminuir.
Aquietação que se seguiu era densa, mas não desconhecida. Já tinham ouvido anúncios de morte antes. A perda era calculada neste círculo—esperada, até.
O anão respirou lentamente uma fumaça e bateu a ponta do cachimbo na mesa, sobre a placa de cristal.
"Bem, então," murmurou, quase de modo alegre. "De volta ao normal. Tenho três leilões para armar e um novo comprador em Velmora. Vamos precisar de mais moedas se vamos substituir a Arya."
Falou de forma casual, mas seus olhos eram afiados—sempre contando.
A mulher acorrentada não olhou para cima. Sua voz veio baixa e firme, como ferro raspando pedra.
"Todos temos nossos papéis. O dela precisará de um novo ator."
A gêmea levantou uma sobrancelha.
"Nem todo mundo consegue brandir uma gadanha e gritar em círculos."
"Ela não gritou," acrescentou o irmão. "Mas, aparentemente, implorou."
O comentário provocou um leve movimento do Primeira Pilar, mas ele permaneceu em silêncio. Seus olhos fixos no cristal agora escuro.
O anão continuou, ignorando a tensão.
"Continuarei com as rotas de financiamento. Contrabando, leilões, falsas instituições de caridade—qualquer coisa que mantenha o fluxo constante. Logo precisaremos de mais."
A menina girou o vinho no copo.
"Então, simplesmente ficamos na nossa, esperando eles chamarem de novo?"
"Foi o que a voz disse," respondeu a mulher acorrentada. "Aprimorar. Observar. Preparar."
O menino gêmeo sorriu de forma torta.
"E esperar até que nos chamem novamente. Como monstrinhos obedientes."
O anão deu uma risadinha.
"Melhores monstros que mártires."
Outra quietude se instaurou, dessa vez diferente.
Mais apertada.
Mais afiada.
O Primeira Pilar ainda não tinha falado.
Mas suas mãos tremiam—movimentos lentos e rítmicos, como se imitassem algo invisível.
Finalmente, ele se moveu.
Levemente, virou a cabeça, o canto da boca tremendo—não exatamente um sorriso, mais como uma convulsão de alegria escapando de seu maxilar.
E então… ele riu.
Baixo no começo, como uma risada que só ele escutava.
Depois ficou mais forte.
Afiante.
Infantil.
"Ela se foi," sussurrou, a voz trêmula de prazer. "Arya se foi. E nem foi por minha causa… hehehe…"
A risada cresceu até se transformar em algo mais alto, torcido nas bordas. Ninguém tentou pará-lo. Já tinham visto coisa pior.
A gêmea lançou um olhar de canto, sem empolgar-se.
"Deveríamos nos preocupar que ele vá perder o juízo de novo?"
O irmão dela não respondeu. Estava ocupado demais observando o Primeira Pilar, com curiosidade brilhando nos olhos.
A mulher acorrentada permaneceu imóvel.
O anão, impassível, encheu mais um copo de vinho preto.
"Se ele perder o juízo, jogamos na maré. Vai, ele flutua, seguimos. Ele afunda, brindamos."
"Então, vou brindar a isso," murmurou o gêmeo.
De repente, o Primeira Pilar interrompeu a risada, sentando-se ereto, com uma calma sinistra—expressão vazia, olhos distantes, como se estivesse ouvindo algo que ninguém mais podia perceber.
"Ele ainda nos observa…" murmurou. "Mesmo agora."
Ninguém perguntou quem era "ele".
Todos sabiam melhor.
O cristal pode ter ficado em silêncio, mas quem estava por trás dele nunca deixou de olhar.
Por um tempo, ninguém disse nada.
A lâmpada de cristal acima deles piscava, lançando sombras longas sobre a mesa, fazendo cada figura parecer menos do que humana. Ou mais.
Finalmente, a gêmea se recostou na cadeira, com os braços cruzados.
"Talvez você seja a próxima," disse o Primeira Pilar, com a voz repentina e suave.
Sua cabeça não se mexeu. Seus olhos não piscavam.
Mas a ameaça era real.
O gêmeo tentou alcançar o braço da irmã—não para segurá-la, mas para lembrá-la. Não aqui.
Mesmo assim, o estilhaço de sua taça de vinho quebrou o silêncio alto.
A mulher acorrentada falou, finalmente interrompendo o momento.
"Precisamos de outra Gadanha. Ou o ciclo não avançará."
O anão rangerou em concordância, girando sua bebida.
"Vou procurar algo. Sempre há alguém desesperado o suficiente para vender a alma por um pouco de poder. É só cavar fundo… ou pagar bem alto."
A mesa voltou a ficar quieta.
Ninguém mencionou Arya após isso. Nem sua falha. Nem seus gritos. Nem as cinzas.
Acima deles, o cristal continuava escuro, como se nunca tivesse falado. Mas nenhum deles duvidava que ele despertaria de novo. Sempre despertava. Quando o momento fosse propício.