O Extra é um Gênio!?

Capítulo 162

O Extra é um Gênio!?

O coração de Noel pulsava forte, como tambores de guerra dentro de seus ouvidos.

A aberração se materializava à sua frente—imensa, convulsionando, quase instável. Carne torcida em espirais, dezenas de membros retorcendo-se, bocas que não deveriam existir sussurrando coisas que não deviam lembrar.

Mas Arya tinha desaparecido de vista.

Assim como Noir.

Os olhos de Noel varriam a luz oscilante, mas ela não aparecia.

'Ela também não consegue me enxergar...'

Ele exalou lentamente.

Um pensamento queimava em sua mente agora—matar Arya. Acabar com ela. A barreira cairia. Reforços chegariam de imediato. Ele poderia sobreviver a isso.

Porém, a criatura ainda bloqueava seu caminho. Viva. Perigosa. E ficando pior a cada segundo.

O aperto de Noel ao redor de Revenant Fang se fechou ainda mais.

'Se eu a tirar de ação, a coisa pode ficar selvagem. Preciso atingir os dois ao mesmo tempo.'

Quando pensou nisso, Revenant Fang pulsou.

Ele ajustou sua postura e levantou a mão esquerda em direção ao peito do monstro. O ar ao redor de seus dedos começou a escurecer—como se estivesse se dobrando sobre si mesmo, formando um sol negro que colapsava.

Seu mana ferveu.

Pedregulhos sob seus pés racharam com a pressão.

Até a aberração parou, oscilando levemente, como se pudesse sentir o peso se acumulando acima dela.

Noel não piscou.

Ele precisava de tempo.

Só mais um pouco.

'Dessa vez, você não se levantará.'

O círculo se formou no ar—grande, irregular, ondulando com energia instável.

No centro dele girava um mini sol negro, pulsando com voidlight, puxando fios do mana de Noel para seu núcleo como se fosse uma criatura viva. Calor e gravidade se curvavam ao redor, as bordas distorciam o espaço como um espelho partido para dentro.

A aberração emitiu um grito, suas várias cabeças uivando em tons diferentes. Ela começou a se lançar para frente, arrastando seus membros inchados pelo chão, braços se alongando, olhos multiplicando-se.

Tarde demais.

"Sol Escuro", murmurou Noel.

Ele o lançou.

A magia gritou ao voar—traçando um arco escuro pelo ambiente—e atingiu o centro da criatura, explodindo em uma labareda negra de fogo e fumaça em espiral.

O impacto levantou poeira e sangue, espalhando pedaços de ossos e carne mal formados pela batalha. A aberração não morreu, mas recuou, cambaleando e rugindo confusa.

Uma densa nuvem de fumaça e cinzas se espalhou para fora.

Noel exalou.

“Desculpe pelo atraso.”

Ele não esperou pelo que viria depois.

Virou-se e correu. A fumaça era proteção. Uma cortina. Arya ainda estava em algum lugar no meio do caos, e agora ela não conseguiria mais perceber sua aproximação.

Ele se infiltrou na névoa, com a lâmina baixa e a respiração firme.

Um alvo.

Uma oportunidade.

A fumaça cobriu tudo—espessa, ardente, grudando na pele e nos pulmões de Noel.

Porém, seus olhos permaneciam aguçados.

Quase excessivamente aguçados.

[Traço: Foco Devastador ativado.]

Cada forma. Cada respiração. Cada movimento breve se gravava na sua visão como linhas em vidro.

E então ele a viu.

Arya, mancando através da fumaça, arrastando sua foice pelo chão. Seu corpo destruído—quase queimado, sangrando, sua silhueta antes graciosa agora encurvada e selvagem. Mas ela ainda se movia. Ainda apontava para algo.

Noel seguiu seu olhar.

Charlotte.

A santa estava encostada em uma coluna quebrada, com pernas fracas demais para ficar de pé, olhos arregalados enquanto a silhueta de Arya se aproximava pela névoa.

Arya ergueu a foice.

Noel se moveu.

Mas alguém foi mais rápido.

Um sussurro de mana tremeu pelo chão—depois, uma onda de pura escuridão irrompeu bem debaixo dos pés de Arya.

Noir.

Ela se ergueu como uma sombra ressurgida, saltando do chão em sua forma verdadeira, olhos brilhando, dentes à mostra.

Ela agarrou o cabide da foice de Arya, interrompendo o movimento no momento exato.

Metal gemeu. Faíscas voaram.

Arya gritou, torcendo-se, tentando puxar de volta—mas Noir segurou firme, com os dentes cravados ainda mais fundo.

E aí Noel atacou.

Arya se virou—justo a tempo de ver o borrão de Revenant Fang vindo baixo.

Noel deslizou por baixo de sua defesa, com os pés silenciosos no pedra. Com um movimento rápido e brutal, ele girou a lâmina em um arco preciso—

E cortou os tendões atrás de ambos os joelhos dela.

Arya soltou um grito engasgado enquanto suas pernas cederam, seu corpo colapsando de joelhos. Noir soltou a foice e desapareceu de volta na fumaça.

Arya caiu de cara no chão. O sangue escorria sob ela enquanto tentava—furiosa, idiota—rastejar. Seus dedos cavaram o chão rachado. Ela se arrastou, centímetro por centímetro, deixando um rastro vermelho para trás.

Ainda focada na Charlotte.

Os passos de Noel seguiram lentamente.

Charlotte permaneceu imóvel, mãos cerradas, respiração pesada. Ela não parecia com medo—apenas cansada. Observando.

As unhas de Arya arranharam o chão. Ela rosnou.

Noel ficou de pé sobre ela, sem dizer palavra, levantou Revenant Fang com as duas mãos—

E a cravou nas costas dela.

A lâmina afundou fundo, na coluna vertebral, prendendo-a ao chão.

Arya berrou, baba e sangue escorrendo da boca. Seus braços tremiam, então ficaram imóveis.

Ela não podia se mover.

Noel não desviou o olhar.

E também não puxou a lâmina.

Arya se contorcia sob ele, empalada, a respiração pesada e escassa. A foice caiu fora de alcance, seus membros quase sem movimento agora. E mesmo assim… ela sorriu.

Sorriso ensanguentado e retorcido.

Noel se agachou ao lado dela, com o olhar frio, a voz baixa.

"Por que você fez isso?"

Sorrindo, Arya deixou cair um sorriso amarelo, sangue escorrendo pelos dentes.

"…Porque alguém tinha que fazer."

Ele permaneceu em silêncio.

Só se aproximou mais.

"Por que envolver crianças?"

Ela tossiu, o sangue pingando de um lado da boca.

"Haha… porque elas quebram fácil. Você molda o que é macio. E ninguém sente falta quando desaparecem."

A mandíbula de Noel ficou tensa. Seus nós ficaram brancos ao redor do cabo ainda enterrado em suas costas.

Ele olhou bem dentro dos olhos dela.

"Como eu conserto isso?"

O sorriso de Arya não vacilou.

"Você não consegue."

Ela tossiu novamente, o sangue escorrendo pelo canto da boca.

"Não há como reverter. Nenhum feitiço. Nenhuma luz. Você acha que este mundo perdoa o que foi remodelado?"

Ela riu, mais alto dessa vez.

De forma zombeteira. Triunfante.

"Agora são monstros… assim como nós."

Noel se levantou lentamente, os olhos ainda fixos na sua forma desfigurada.

Ela continuou rindo, mesmo com a respiração entrecortada. Mesmo com o sangue escorrendo sob ela.

"Você é o sexto Pilar," disse Noel suavemente.

O riso dela parou, por um instante.

"Mas eu vou atrás do quinto em seguida. Os gêmeos. Depois o resto."

O olhar de Arya se estreitou, uma única córnea se contraindo.

Ele deu um passo para trás.

"Este mundo… não era meu no começo."

A lâmina de Revenant Fang ainda a mantinha presa ao chão.

"Mas agora?"

Ele virou o rosto para Charlotte—ainda assistindo, respirando.

"É meu mundo."

De volta a Arya.

"Minhas pessoas."

Ele apertou os punhos.

"Minha luta."

Arya tentou amaldiçoá-lo—início de uma palavra, voz rouca.

Noel não esperou.

Virou-se para as sombras.

"Noir," disse calmamente. "Coma."

Noir não hesitou.

Num salto silencioso, ela cravou seus dentes no lado de Arya e começou a se alimentar.

Lentamente. Com método. Sem piedade.

Arya gritou uma vez.

Depois outra.

E então—nada.

Pedaço por pedaço, o Sexto Pilar sumiu na sombra.

Suas pernas. Suas costelas. Seu peito.

Seu pescoço se contraiu enquanto o último suspiro escapava. Mesmo na morte, sua expressão tentava sorrir. Não conseguiu.

Noir engoliu o resto.

Restou apenas a cabeça.

Um último mordida.

Sumiu.

Noel permaneceu imóvel. Só ficou ali, parado, enquanto a barreira piscava, seu núcleo sendo destruído—

e quebrado.

A cintilação prateada caiu como vidro quebrado. Os demais entraram rapidamente.

Mas antes que alguém pudesse falar—

A aberração rugiu.

Ela tinha se recuperado. Recriado. Reformada.

Dezenas de bocas uivando ao mesmo tempo.

Um de seus membros gigantescos balançou na direção de Noel—

Mas uma parede de pedra foi levantada rapidamente, interceptando o golpe com força retumbante.

"Fora dele!" gritou Marcus, avançando com um grito.

Uma onda de terra se ergueu sob seus pés enquanto saltava contra a besta, punhos brilhando, rosto carregado de dor e raiva.

"Desculpe por chegar atrasado também."

Noel não caiu.

Com calma, sentou-se lentamente, dobrando as pernas sob si, a respiração curta.

Seu corpo tremia—não só por cansaço.

[Nova missão: Derrotar Arya, a Portadora da Foice – Concluída. Parabéns!!]

[Pilar Six: Arya, a Portadora da Foice, está morta.]

[Recompensa disponível. Deseja reivindicá-la agora?]

A janela do sistema pairava à sua frente, azul, imóvel. Aguardando.

Noel a encarou.

'Por agora, não quero nada disso.'

Uma dor aguda atravessou seu lado.

Depois o peito.

Depois—seu crânio.

As consequências chegam.

O traço—Vontade do Esquecido—exigia seu tributo.

Seus músculos se convulsionaram. Sangue escorria do nariz. Sua visão escurecia nas bordas.

Mas ele permaneceu consciente.

Precisava.

O grito da aberração voltou—mas soava agora como algo distante.

No corpo distorcido, através da névoa e deformidades, Noel viu algo.

Um rosto pequeno e familiar.

Erick.

Por um instante fugaz, seu rosto verdadeiro. Claro.

Sorrindo.

A voz de Noel mal chegou a passar de seus lábios.

"…Até logo, Erick. Obrigado por ser meu amigo."

A visão se apagou.

A aberração avançou—mas aquilo já não era mais problema dele.

Charlotte cambaleou até ele, pálida, exausta, ainda sangrando. Suas mãos brilhavam com uma luz dourada suave.

Ela estendeu as mãos.

Mas Noel agarrou seu pulso.

Sua voz era firme. Baixa.

"…Não. Não quero que me cure."

Ela olhou confusa.

Ele olhou para ela, o sangue sob o nariz manchando a boca de vermelho.

"Sei o quanto custa. Não vou deixar que você gaste sua vida só para consertar a minha."

Os olhos de Charlotte se encheram de lágrimas, mas ela assentiu.

E Noel ficou lá, respirando—não por vitória—

mas por aqueles que já não podiam mais.

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