O Extra é um Gênio!?

Capítulo 163

O Extra é um Gênio!?

No momento em que a barreira se quebrou, Marcus nem respirou.

Ela não despedaçou como vidro—derreteu. Lentamente. De maneira irregular. Como se algo dentro tivesse rasgado do interior.

E quando caiu, uma fumaça escaldante se espalhou como uma maré.

O primeiro que ele viu através dela foi Noel, ainda de pé—quase desfalecido. Com as costas voltadas, completamente exposto. A cabeça abaixada. Uma mão sobre o joelho. A Fanged Revenant fincada no chão como se fosse a única coisa que o sustentasse.

E atrás dele…

O monstro se moveu.

Torcendo, gemendo, vivo.

"Fuja dele!" Marcus rugiu.

O chão explodiu sob suas botas enquanto ele avançava, punhos de pedra cerrados, mana pulsando por suas veias como fogo selvagem.

Ele passou voando pelos Guardas Sagrados antes que pudessem pará-lo, já em meio ao salto, já caindo com todo o peso como um cometa.

"Desculpa por atrasar também…" ele murmurou, mais para si do que para alguém.

Mas não era para Noel.

Era pelos garotos.

Pelo Erick, pela Mira, pelos outros com quem jogava.

Pelo rosto de cada um que gritava em silêncio ali dentro daquele ser.

Ele atingiu o chão na frente de Noel como uma pedra despencando de uma montanha.

A aberração se moveu lentamente em sua direção, deliberadamente—cada passo arrastando membros mutantes que escorriam e estalavam a cada movimento. Ainda se regenerava, ainda estava vivo apesar de tudo que tinham jogado contra ela.

Noel não se moveu atrás dele. Ainda respirava, mas era só. Mal se segurava.

Charlotte estava ajoelhada ao lado dele agora, tentando ajudar, mas Noel segurava seu pulso. Recusando. Protegendo-a… mesmo agora.

Marcus voltou sua atenção para frente.

A forma da criatura pulsava com um ritmo grotesco. Grupos de faces meio formadas se estendiam por toda sua superfície, agora silenciosas, mas de alguma forma piores por isso.

'Precisamos acabar com o sofrimento deles.'

Ele rangeu os dentes, firmando a posição.

Ao redor da câmara, os Guardas Sagrados já estavam se organizando, liderados por Garron e Laziel. Eles não falavam. Sabiam o que estava acontecendo.

Podiam ver—

Marcus ia sozinho.

E ele não se importava.

'Sou eu ou nada.'

Ele baixou seu centro de gravidade, a espada brilhando novamente com mana.

"Vamos acabar com isso."

Marcus foi o primeiro a se mover.

A pedra sob seus pés rachou enquanto ele partia em disparada, mana pulsando a cada passo. Ele balançou a lâmina com toda força na perna da criatura—uma coluna de membros fundidos, nervos expostos e ossos cloporosos—enviando uma onda de magia terrestre pela criatura.

A besta cambaleou.

Mas então, ela se recompôs.

Bem diante dos seus olhos, o dano se fechou instantaneamente—carne se costurando sobre músculos anormais, dentes se rearranjando, pele borbulhando de volta ao lugar.

"Tsc... não foi rápido o suficiente," Marcus sibilou entre os dentes cerrados.

Ele atacou novamente. Desta vez de cima, abaixando a espada com todo seu peso.

Estalo. Rasgo. Regeneração.

Ela não ia parar.

Ele pulou para trás, a lâmina pingando sangue negro, os braços tremendo de esforço. Com os dentes cerrados, olhou para a arma em suas mãos—sua fiel lâmina, trincada e queimada pelos últimos dias de inferno.

Fechou os olhos.

A face do Erick. As outras crianças. Noel, quase despedaçado atrás dele. Charlotte de joelhos.

Então—

"Hora de testar o que treinei na Nivária durante a pausa…"

Ele expirou—e soltou tudo.

A mana dentro dele aumentou, mas não quebrou. Concentrou-se.

Sua lâmina respondeu.

Um piscar de luz no começo—depois, uma labareda constante de fogo azul se acendeu ao longo do aço, enrolando-se como um espírito vivo. A temperatura não subiu… ela caiu. Densa. Pesada. Devastadora.

Não era uma chama normal.

Era algo diferente.

Algo que não apenas queimava—

apagas.

Marcus abriu os olhos, refletindo a dança do fogo neles.

"Vamos ver você se curar disso."

A criatura berrou alto enquanto Marcus avançava, a lâmina incendiada com fogo azul.

Ele não desacelerou.

Cada passo rachava o chão sob ele, pressão crescendo atrás de seu avanço. A aberração ergueu uma de suas patas gigantes—distorcida, twitching, escorrendo corrupção.

SArio demais.

Marcus pulou.

Ergueu a lâmina, a chama rugindo na espada, e gritou:

"Chama Devoradora!"

Depois, mergulhou a espada direto no peito da criatura.

Não houve explosão—apenas silêncio.

A chama não estourou.

Ela devorou.

A labareda azul se espalhou como um líquido pela pele do monstro. Onde tocava, não havia fogo, nem luz—apenas o apagar. A carne virou cinzas. As veias, colapsaram. Os ossos, derreteram.

Os rostos deformados ao longo de seu corpo gritaram—um coro desesperado, rachando, que foi se apagando um a um até sumir.

Marcus puxou a espada para fora e girou, cortando um amplo arco ao redor do torso.

A chama azul seguiu o corte, rasgando fundo na massa.

O monstro recuou—recuou mesmo, pedaços se soltando e evaporando no ar. Pela primeira vez… parecia com medo.

Ao seu lado, ouviu Laziel dar ordens, os Guardas Sagrados se organizando em formação de apoio. Feitiços voavam, lanças de luz perfuravam as bordas da besta. Proteções se fechando atrás de Marcus.

Mas eles não avançavam.

Sabiam a quem essa luta pertencia agora.

E Marcus não olhou para trás.

"Você não tem direito de manter o que quebrou."

A aberração soltou um último rugido trêmulo.

Seu corpo começou a desabar para dentro enquanto a Chama Devoradora se espalhava—não precisando mais da orientação de Marcus. O fogo azul rastejou por cada membro distorcido, cada rosto gritado, cada aresta deformada do que antes eram crianças.

Não havia mais gritos. Nenhuma resistência.

Apenas silêncio.

E então—Ela se desfez.

A monstruosidade inteira virou cinzas, seu corpo se desintegrando onde estava, afundando lentamente numa poça de pó preto. Sem explosão. Sem movimentos violentos. Apenas… liberação.

A cinza flutuou no ar, leve, sem brilho.

A batalha acabou.

Marcus caiu de joelhos.

Sua espada se apagou. As chamas se foram. Seu coração batia forte, seus braços tremiam—mas ele permaneceu consciente. Ainda de pé.

Olhou para cima.

Ao longo da câmara destruída, Noel e Charlotte estavam sendo cuidados por alguns Guardas Sagrados. Ele podia ver o alívio em suas posturas, o cansaço no rosto. Um guarda apoiava Charlotte pelos ombros; outro tentava estabilizar o pulso de Noel.

Eles estavam vivos.

Todos eles.

Marcus abaixou a cabeça, por um momento só.

'Conseguimos.'

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