
Capítulo 161
O Extra é um Gênio!?
Eles ainda estavam lutando.
A lâmina de Noel se chocava repetidamente com a foice de Arya, faíscas voando enquanto o aço cortava o aço. Cada impacto rachava a pedra sob seus pés, cada esquiva era uma respiração a um passo da morte. Charlotte se movia como um borrão ao seu lado, zigzagueando pela linha de batalha com precisão afiada.
Mas Noel podia perceber.
Seus passos estavam mais lentos.
Sua respiração, superficial.
Ela já tinha usado duas bênçãos recentemente. Seu corpo implorava por descanso.
E Arya notou.
No momento em que Charlotte fez uma pausa para bloquear um golpe amplo, seus braços tremiam um pouco—os olhos de Arya fixos nela.
Sorriso dela se alargou.
Os instintos de Noel se intensificaram.
"Charlotte—!"
Mas ele estava longe demais.
Arya desapareceu num borrão de movimento, sua foice brilhando suavemente em vermelho.
Charlotte virou—facas surgindo—demasiado tarde.
A lâmina curva atravessou seu abdômen, perfurando até o outro lado.
Charlotte deu um grito abafado.
sangue saiu de sua boca, espalhando-se pelo ar em gotas lentas e vívidas. Arya não parou—ergueu a foice, e Charlotte se levantou junto com ela, perfurada e pendurada, com as pernas balançando acima do piso de pedra.
A mente de Noel ficou em branco.
Não havia pensamento.
Nem estratégia.
Apenas calor.
"—NÃO!!"
E então, fez o impensável.
Girou a Lâmina do Fantasma em sua mão—
—e empurrou a lâmina na sua própria garganta.
A lâmina afundou na sua garganta.
Os dedos de Noel se cerraram forte ao cabo da Lâmina do Fantasma enquanto sangue enchia sua boca. Sua visão se quebrou—depois ficou branca.
O mundo se partiu.
Tudo parou.
Sem dor.
Sem barulho.
Apenas uma mensagem, pulsando suavemente na escuridão atrás de seus olhos:
[Traço: Protocolo Reverso – Quando ativado, o Sigilo Ashen retrocede o tempo em seis segundos, desfazendo o desfecho fatal.]
Então—
O tempo retrocedeu.
O sangue desapareceu.
A dor recuou.
A lâmina voltou a ser inteira.
Sua respiração voltou.
E ele voltou a ficar de pé—exatamente seis segundos antes.
A foice de Arya ainda não tinha alcançado o peito de Charlotte.
Ela ainda estava viva.
Mas não por muito mais tempo.
Os pés de Charlotte se levantavam. A mão de Arya estava agora em seu pescoço, não na lâmina. O momento se repetiria. A não ser que ele o impedisse.
Sem pensar.
Ele agiu.
"Noir!"
Sua voz cortou o silêncio como um raio.
Debaixo de sua sombra, algo se agitou.
Uma onda de névoa negra ondulou para fora, e então Noir surgiu — sua forma já não sutil ou pequena. Agora ela tinha quase dois metros de altura, um enorme lobo sombra, com olhos violetas que brilhavam como ametistas amaldiçoadas, com presas à mostra em um rosnado silencioso.
Com um salto, ela rasgou o espaço entre eles, suas mandíbulas se abrindo amplamente—
—e mordeu fundo no lado de Arya.
A mulher ofegou, a foice caiu. Sangue espirrou.
Ela cambaleou, soltando Charlotte, que caiu de bruços no chão, imóvel.
Nada de esperar.
Ele alcançou Arya na mesma respiração, segurando seu rosto com a mão esquerda—
"Fogo de chão."
De sua palma, um jato de fogo puro surgiu.
O rugido da magia abafou tudo.
Fogo saiu da mão de Noel, inundando o rosto de Arya com uma onda violenta de calor e fúria. Não havia tempo para ela reagir, nem foice para balançar—as presas de Noir ainda estavam enterradas em seu lado, seu corpo torcendo de dor.
As chamas não vacilaram. Consumiram.
Arya gritou.
Seu manto pegou fogo primeiro, as fibras se encolheram e escureceram. Depois, sua pele—costas, rosto, camada por camada de músculo cozinharam, com os ossos brilhando sob a carne metade derretida. Seus traços elegantes se torceram em algo monstruoso, irreconhecível.
No entanto, ela não caiu.
A magia terminou, o mana de Noel começando a diminuir por um suspiro. Sua palma soltou, ainda fumegando.
Arya caiu de joelhos, arfando, um olho fechado, o outro arregalado e cheio de sangue.
E então—ela riu.
Baixo e rouco.
A voz abafada como tecido rasgado embebido em cinzas.
"Heh… hehehe…"
Noel se colocou entre ela e Charlotte, a lâmina erguida novamente, a chama tremulando na borda de Revenant Fang.
Charlotte gemeu suavemente atrás dele, ainda viva, encolhida no chão, segurando o lado.
"Você devia estar morta", Noel rosnou.
Arya cuspiu sangue.
"Você acha que acabou?"
Ela ergueu o braço—queimado, trêmulo, mas ainda se movendo—e estalou os dedos.
Um pulso se espalhou pelo escudo.
Do lado de fora, algo começou a mudar. Algo horrível.
O estalo ecoou como uma rachadura na realidade.
Noel virou bruscamente justo quando o escudo começou a cintilar. A cúpula sólida e selada que Arya havia criado começou a ondular, distorcendo como vidro líquido.
E então, se abriu.
Só por um segundo.
Mas foi tudo o que precisava.
As criaturas lá fora—as aberrações—reagiram instantaneamente.
Uma a uma, elas correram na direção da brecha.
Corpos deformados de crianças corrompidas, fusões fracassadas, ossos e músculos retorcidos, asas semi-formadas e bocas demais. Corriam, tropeçavam ou rastejavam através da abertura com uma velocidade além do humano, seus gritos escapando para a câmara.
"Faça parar..."
"Dói..."
"Me mate..."
O coração de Noel se apertou ao reconhecer Erick entre elas.
Ainda em transformação.
Seus braços estavam mais longos agora, cobertos por escamas negras. Costas tremiam de forma estranha. Seus olhos estavam arregalados, mas ele ainda estava lá.
Sua voz se quebrou ao passar pelo escudo.
"Noel… dói…"
Depois, a abertura se fechou novamente, aprisionando todos lá dentro.
Arya ficou de pé, ensanguentada, rosto meio derretido, mas sorrindo de novo.
As aberrações começaram a convergir.
Ossos se fundiam a ossos. Carne se tornava carne. Seus corpos se puxavam, como cera muito perto de uma chama, gritando de dor enquanto perdiam a forma—formando algo maior.
Algo pior.
Garras. Rostos. Mandíbulas.braços. Olhos que piscavam em direções erradas.
Uma monstruosidade começava a se formar no centro da arena, pulsando com magia maldita, alimentada por cada gota de sofrimento que entrava.
Noel deu um passo para trás, protegendo Charlotte com um braço.
A besta now tinha seu tamanho aumentado.
Sua massa se retorcia e pulsava, ainda fundindo, ainda crescendo—membros surgindo de suas costas, múltiplas mandíbulas rangendo, uma dúzia de vozes atormentadas ecoando de dentro.
"Parar…"
"Mate…"
"Chega…"
Arya permanecia ao seu lado, uma mão repousando na base da monstruosidade como se fosse um cão leal. Seu rosto estava queimado. Sua carne grudava no crânio em pontos destruídos—mas seu sorriso permanecia.
"Vamos ver até onde vocês vão."
Noel não respondeu.
Ele olhou para Revenant Fang.
A lâmina pulsou uma vez em sua mão—metal escuro brilhando, quase vivo.
Duas mensagens surgiram na parte de trás da sua mente, claras e frias:
[Traço: Vontade do Esquecido — Ao lutar sozinho ou proteger um aliado, concede uma onda de poder latente, aumentando velocidade e precisão temporariamente. Haverão consequências depois!]
[Traço: Focado na Tormenta — Aumenta a clareza sob pressão de vida ou morte. Evolui sob estresse extremo.]
E então, ele sentiu.
Sua visão se aguçou.
A respiração desacelerou.
Cada movimento ao seu redor se tornou cristalino—a trepidação nas pontas dos dedos de Arya, as convulsões nos membros da criatura, o ritmo exato do batimento de Charlotte atrás dele.
Sua mão firme no punho apertou mais forte a lâmina.
Noel deu um passo à frente, o ar ao redor dele inflamando ligeiramente enquanto Revenant Fang respondia ao seu comando.
Arya ergueu novamente a foice, seus movimentos mais lentos aos olhos dele—medidos, batida por batida.
A criatura monstruosa soltou um urro distorcido, tremendo toda a câmara. Sua voz era um coro de dor e fúria.
Charlotte tossiu atrás dele, sua voz fraca.
"Noel…"
Ele não virou.
E então, correu.