
Capítulo 159
O Extra é um Gênio!?
A atmosfera da noite ainda carregava o peso de uma luz sagrada, a cúpula sagrada brilhando suavemente acima da Capital Sagrada. Mas aqui embaixo—sob o tom dourado—não havia calor algum. Apenas passos e aço.
Charlotte liderava o grupo por uma rua lateral ladeada por paredes de capela, Noir avançando silenciosamente à frente, com os olhos violeta reluzindo na escuridão. Atrás deles, Garron, Laziel e quase uma dúzia de Guardas Sagrados se moviam em formação disciplinada.
As adagas de Charlotte já estavam em suas mãos.
"Cuidado", ela sussurrou, diminuindo o passo perto de uma esquina. "Tem movimento lá à frente."
Viraram a esquina.
E os viram.
De pé sob o arco de um corredor sagrado estavam freiras, padres e guardas—envoltos em vestes da Igreja, mãos unidas como se em oração.
Mas seus olhos revelavam outra história.
Cada um deles carregava a marca—um sigilo carmesim brilhando logo acima da testa. A mesma marca vista antes nos traidores do Círculo.
"Vocês… servem à Igreja", ela disse, confusa. "Por que estão—?"
Um dos padres avançou, voz calma e sorridente.
"A Igreja serve ao poder, criança. Você entenderá, eventualmente."
Então, ele levantou a mão.
"Mate o Santo."
Os traidores atacaram.
Três guardas carregaram primeiro, espadas erguidas alto.
"Formação!", gritou um dos cavaleiros fiéis.
O som do aço se chocando ecoou enquanto as lâminas colidiam. Charlotte desapareceu dando um passo de lado, sua forma tremulando como uma sombra entre dois homens de armadura.
Suas adagas atingiram baixo—uma cortando um tendão, a outra afundando na garganta.
"Você não dá mais um passo", ela sussurrou.
Logo atrás dela, Garron enfrentou dois atacantes de frente, empurrando um contra a parede de pedra com um carregamento de ombro e socando a barriga do outro com uma mão enguantada, com um estrondo retumbante.
Laziel levantou ambas as mãos.
"Vapor Miragem."
Um brilho surgiu sobre a rua, curvando a luz—três Charlotte falsas dispersas para os lados, confundindo a próxima onda de atacantes.
Fogo saiu da palma de Laziel.
"Chama Espalhada."
Pároas e freiras traidoras gritaram enquanto a explosão se dava sob seus pés.
Os fiéis avançaram como uma parede. Os corruptos se quebraram como estilhaços.
Charlotte recuou ao lado de Garron enquanto Noir circulava por trás deles, com as presas à mostra.
A última freira traidora caiu com um grito, seu corpo despenco ao lado de uma estátua rachada do primeiro santo. O silêncio retornou—rápido e superficial.
Charlotte passou por cima de uma veste queimada, respirando com firmeza, mas com as mãos tensas. Noir parou à frente, com as orelhas baixas, corpo baixo.
Então, do arquibancado, ele emergiu.
O ar ficou frio.
O velho padre caminhou lentamente, como se a batalha não tivesse importância para ele. Seus robes já não eram brancos—marcados de lama, rasgados nas pontas, marcados com sigilos escuros. Sua pele caía. Seus ossos apareciam. Mas o peso de sua presença era inconfundível.
O coração de Charlotte afundou.
"Você?", ela respirou.
O homem não respondeu de primeira. Seus lábios pálidos se contorceram num sorriso fino.
Ela avançou, expressão tremendo.
"Por que você? Você serviu à Igreja a vida toda. Setenta anos… Você—"
"Abriu todos os portões desta capital", ele interrompeu suavemente. "E este será o último."
"Você me ensinou orações quando tinha cinco anos… esteve ao lado do Sumo Pontífice…"
Ele levantou uma mão trêmula.
"E eu fiquei imóvel enquanto mentiam para sua face."
Charlotte congelou.
Logo atrás dela, os Guardas Sagrados estavam formando novamente uma linha, armas elevadas.
O padre deixou a mão cair.
"Vi o que estava enterrado. Ouvi o que a superfície tentou silenciar. Então, escondi-me. Até encontrar novamente um propósito. O Círculo me deu isso."
Ele pegou uma pequena pedra de dentro de sua túnica esfarrapada—preta, com carvões de osso e decadência.
Deixou-a cair.
Ela se quebrou.
A terra sob seus pés gemeu—e então explodiu. Azulejos se abriram enquanto esqueletos de armaduras rachadas derramavam-se da terra sagrada, crânios arranhando pedra, armas enferrujadas agarradas em mãos ósseas.
Garron deu um passo à frente, com o rosto tenso.
"Necromante… filho da puta."
"Defenda o Santo!", gritou um dos Guardas Sagrados.
O aço rangia enquanto os mortos-vivos avançavam.
Entre a linha dos guardas, o mesmo cavaleiro que já tinha protegido Charlotte de um traidor agora levantou seu escudo.
"Santo Charlotte", ele disse calmamente. "Com sua permissão—vou liderar."
Charlotte assentiu uma vez, com os olhos ainda fixos no padre.
"Vou lidar com ele."
Os mortos avançaram como uma maré.
Cruzem crânios sorridentes. Armaduras enferrujadas tilintando. Armas velhas demais para brilhar, mas afiadas o suficiente para matar.
Os Guardas Sagrados enfrentaram de frente, escudos batendo em ossos, espadas cortando costelas e medulas. Mas a magia necromântica pulsando nos cadáveres os mantinha unidos por mais tempo do que deveriam. Lâminas quebraram fêmures apenas para os esqueletos se levantarem de novo em minutos, juntas mantidas por fios de mana amaldiçoada.
Charlotte não hesitou.
Ela se movimentou entre aliados e inimigos como uma sombra, suas adagas brilhando. Uma cortou uma espinha. A próxima atravessou um capacete, perfurando onde antes tinham olhos.
Eram mortos, não crianças. Não inocentes.
Eram meras cascas.
"Você não devia ter ressurgido", ela sussurrou, desviando de um machado balançando.
O cavaleiro com o escudo de torre lutou como uma fortaleza—absorvendo os golpes destinados a outros, com os pés fincados como raízes, sem nunca recuar.
Garron, por sua vez, avançou na confusão, com punhos moveu mana pura. Um soco quebrou três costelas. Outro quebrou um crânio como vidro. Ossos se espalharam ao redor dele, mas ele seguiu em frente, como se nada pudesse pará-lo.
Laziel levantou ambas as mãos na linha de trás, com os olhos brilhando de magia.
"Prender Relâmpago."
Uma explosão de luz cegou os esqueletos que avançavam pelo flanco, ganhando preciosos segundos para dois guardas feridos se reorganizarem.
Depois:
"Imagem Espelho."
Duas cópias de Garron surgiram, colidindo contra as linhas inimigas—fantasmas feitos de névoa e mana. Os mortos-vivos atacaram às cegas, cortando o ar.
"Quebra Gélida."
Gelo explodiu do chão sob um grupo de inimigos, congelando suas pernas no lugar antes de Garron baixar o calcanhar e despedaçar tudo de uma vez só.
Mas eles continuavam vindo.
O padre necromântico central observava tudo com frieza, assistindo aos mortos lutando por ele.
Charlotte avançou a cada golpe, os olhos fixos nele.
Seus lábios se movimentavam em oração silenciosa, mas a luz na sua voz havia desaparecido.
A respiração de Charlotte se acelerou enquanto ela passava entre dois cavaleiros esqueléticos, uma adaga cortando uma espinha, a outra refletindo um brilho de costelas.
Ela estava perto agora.
O padre ficava no extremo oposto do pátio destruído, onde estátuas sagradas haviam sido profanadas e o altar rachado ao meio. Ele já não recitava orações—simplesmente aguardava. As mãos abertas de lado, mangas rasgadas, ossos visíveis através da pele pálida e afundada.
"Você parece cansada, criança", disse enquanto ela se aproximava.
As adagas de Charlotte escorriam com bile escurecida.
"Você profanou sua fé. Roubou os mortos de um solo sagrado. Não tem direito de me chamar de criança."
O padre inclinou a cabeça.
"Rezei por setenta anos. Não vi nada. Não ouvi nada. Nem dos santos, nem das estrelas. E agora, você acha que devo temer suas lâminas?"
Sua mão se levantou.
Uma lança de energia negra disparou em sua direção.
Charlotte esquivou-se para o lado, a magia passou a centímetros de seu corpo. A explosão atingiu um pilar e o reduziu a cinzas.
Ela não vacilou.
"Você pensa que o silêncio significa abandono", ela disse friamente, correndo direto para cima dele. "Mas o céu não responde na sua hora."
Ele rosnou e levantou a outra mão—mas ela já estava ao alcance.
O padre balançou um bastão cerimonial irregular, carregado de mana destrutiva. Charlotte deslizou por baixo dele, a omoplata quase tocando as pedras quebradas, e se lançou com um grito agudo.
Ela cortou para cima.
Uma adaga pegou seu braço.
A segunda cortou suas vestes.
Ele cambaleou para trás, segurando o lado.
Mesmo assim, riu—baixo e quebrado.
"Então, atire, Santo. Mostre sua misericórdia."
Charlotte olhou para ele—para este homem à beira de ruína que um dia segurou sua mão durante sermões.
Sua mão se apertou.
"Sem misericórdia. Nem pelos condenados."
E ela avançou novamente.
O padre corrupto levantou seu bastão uma última vez, com a boca aberta em uma oração quebrada—uma tentativa desesperada de conjurar uma nova onda, uma maldição, um atraso.
Charlotte não deu a ele a chance.
Ela fechou a lacuna num único passo, com o vento às costas, suas adagas brilhando com luz dourada suave—bênçãos que ela não falou, apenas sentiu.
Com movimento preciso, ela pulou e cruzou os braços no ar.
Ambas as adagas se cravaram no pescoço dele, formando um X logo abaixo do queixo.
Os olhos dele se arregalaram.
O som de ferro no osso ecoou por meia fração de segundo—
Então, a cabeça dele se desprendeu.
Voou ao ar, lentamente, como se a gravidade hesitasse em reclamá-la.
O sangue jorrou como tinta sobre a pedra sagrada. O bastão caiu no chão. O corpo dele se desfez silenciosamente.
Charlotte caiu agachada, com sangue escorrendo de ambas as lâminas.
O silêncio retornou ao pátio profanado.
Logo atrás dela, Garron ficou ofegante, Laziel ainda segurando uma ilusão menor no lugar. Os Guardas Sagrados não comemoraram. Não se moveram.
Todos apenas a observaram.
Charlotte deu um passo lentamente. Seus sapatos tocaram o sangue sem hesitar.
Ela parou ao lado do que restou dele, abaixou a cabeça e fechou os olhos.
"Que você encontre paz no céu acima, Padre", ela sussurrou.