O Extra é um Gênio!?

Capítulo 158

O Extra é um Gênio!?

O som da sua passos se tornou confuso. O mundo se estreitou.

Ele não estava pensando.

Noel avançou como um relâmpago, Surge de Ignição explodindo sob suas botas, enquanto Presa do Ressurgente incendiava-se em chamas, deixando um rastro de calor atrás dele.

Por trás de seus olhos, algo piscou.

[Missão concluída: Descobrir o que está acontecendo na Capital Sagrada. Prazo: 10 dias]

[Recompensa indisponível]

[Nova missão: Derrote Arya, a Portadora da Foice]

Ele não percebeu. Ele não se importava.

Arya virou a cabeça a tempo de ver uma lâmina flamejante rasgando em sua direção.

O primeiro choque foi explosivo. Ela mal ergueu sua foice de guilhotina para bloquear. Faíscas e brasas espalharam-se pelo salão ritualístico enquanto metal encontrava metal em um grito de atrito. A força a empurrou três passos para trás, seus botas rangendo no chão.

Noel não desacelerou.

"Arco de Fogo."

Ele virou-se no meio do passo, chamas lamberem seu braço, e atacou novamente — Arco de Fogo surgindo em uma lua crescente que obrigou Arya a pular de lado.

"Você é rápido," ela murmurou, estreitando os olhos.

Ele não respondeu. Seu maxilar estava tenso. Todo seu corpo se movia com um instinto violento e afiado.

Arya girou sua foice uma vez, ajustando a postura com calma precisão. Seus pés estavam baixos e firmes, seus olhos escaneando cada movimento em sua posição.

Ela podia sentir.

Isso não era apenas fúria.

Era ódio.

Arya girou na ponta dos pés, sua foice desenhando arcos largos enquanto ajustava a força por trás de cada golpe de Noel. A lâmina que ele empunhava estava em chamas, rápida e mais pesada do que parecia — ele não atacava apenas. Tentava derrubar totalmente sua guarda.

Ela mudou de posição, evitando por pouco uma segunda guinada enquanto as chamas perseguiam sua aresta.

Noel não parou. Sua boca mexia mais rápido que sua lâmina.

"Arco de Fogo!"

Uma onda de chamas explodiu para fora, rápida e precisa. Arya se abaixou e deslizou para o lado, deixando que ela queimasse passando por ela e desaparecesse na parede ao longe. Um suspiro depois —

"Espinho de Gelo!"

Um dardo afiado de gelo surgiu bem abaixo dela. Ela recuou, deslizando o calcanhar enquanto a lança congelada rasgava o chão onde ela tinha estado.

Sua foice moveu-se com ela — fluida, perfeita, sem encantamentos.

Mas não precisava estar encantada.

Ela cortava magia.

Ela jogou a lança de gelo para fora do ar no meio da descida e então girou numa postura defensiva suave enquanto outra bola de fogo se formava.

"Bola de Fogo."

O globo rugiu em sua direção. Ela não vacilou. Com um giro agudo de seus punhos, a lâmina da guadaña apartou-a ao meio — a explosão foi dissipada antes que pudesse detonar.

Seus olhos se estreitaram.

Uma lembrança rasgou sua mente ao limite do pensamento.

"Não subestime eles," alguém no Círculo havia avisado. "Kaelith fez isso — e pagou caro. Você é mais fraca que ele, Arya. Mas mais inteligente. Use isso."

Ela apertou melhor a empunhadura.

As próximas palavras de Noel ecoaram como uma promessa.

"Muralha de Gelo!"

Gelo surgiu ao seu lado, bloqueando sua passagem.

"Glacialis!"

Ele lançou o feitiço com perfeição, enviando uma rajada concentrada de névoa congelante direto na abertura agora limitada.

Arya girou no ar, movendo sua foice em um arco largo para cortar o jato de frio. A força a lançou fora de equilíbrio, mas ela aterrissou limpo, apenas com um arranhão no braço.

"Você não é só um berserker sem raciocínio," ela murmurou. "Mas agora mesmo está deixando a emoção te controlar, e parece um."

Noel não respondeu.

Seus olhos queimavam mais quentes que suas chamas.

"Certo," Arya sussurrou, girando sua foice uma vez na mão, assumindo uma postura abaixada. "Vamos ver quanto tempo essa fogo dura."

Arya inclinou levemente a cabeça, observando Noel reajustar a postura.

Ainda era rápido. Ainda era preciso. Mas a fúria ainda não o havia abandonado — e ela podia usar isso.

Ela estendeu uma mão para trás, sem olhar.

Um assobio afiado escapou de seus lábios.

Os olhos de Noel se estreitaram.

"O que você—?"

Então ele ouviu.

O barulho de passos. O arranhar de metal. Os rosnados guturais de algo que já foi humano.

Vindos dos túneis laterais, surgiram cinco figuras deformadas, mancando, arrastando, avançando. Crianças, ou os restos delas, corpos torcidos por magia e fleshcraft. Alguns tinham membros longos demais, outros com runas brilhando na pele. Um não tinha olhos, mas se movia como se ainda pudesse enxergar.

"Maldição," Noel cuspiu. "Armadilha de Labaredas!"

Chamas explodiram sob os pés da primeira criatura, saltando para cima em uma bola de luz e calor. Ela recuou, mas não caiu — seus músculos nem mesmo se mexeram como os de um humano comum.

"Espinho de Gelo!"

Três lanças de gelo rasgaram o chão, acertando uma na perna e prendendo-a ao chão com um grito mais animal que de criança.

Outro avançou de lança. Noel virou na hora, levantando Presa do Ressurgente para bloquear.

Arya observava de trás dos monstros que se aproximavam, completamente imóvel.

Não estava lançando magias. Não gritava ordens.

Apenas assistia.

Como uma manipuladora admirando a tensão de suas cordas.

A voz de Clara ecoou suavemente do corredor:

"Noel! Tem crianças aí dentro!"

Mas, naquele momento, eles vinham para matá-lo, e ele não pensava claramente.

Ele passava por eles como uma chama, fogo e gelo se alcançando rapidamente — rajadas curtas, cortes limpos. Eles eram rápidos, mas ele era mais.

Era selvagem, mas ele tinha treinamento.

Ainda assim, não paravam.

A cada queda, surgia um novo da sombra.

E Erick, ainda contido, tremendo no altar, nem se mexia.

Seu corpo tremia, deformando-se — seu rosto preso entre agonia e silêncio.

Uma voz finalmente quebrou o silêncio.

"Você está cansando, não está?"

Noel tirou o sangue da ponta da Presa do Ressurgente.

Ainda havia mais lá na frente — mais corpos tortuosos, mais crianças quebradas — mas, por ora, havia espaço. Tempo suficiente para pensar. Tempo suficiente para acabar com isso.

Ele focou sua respiração. Levantou uma mão, canalizando o calor que queimava em seu núcleo, fundindo-se à borda congelada de sua magia. O ar ao seu redor se curvou, energia girando, instável e densa.

"Sol Negro."

As palavras saíram como um veredicto.

Um orb escuro, pulsante, começou a se formar — tão negro quanto o vazio, rodeado de fogo e gelo, colapsando sobre si mesmo com peso silencioso. O chão sob seus pés rachou. o mana ao redor torceu.

O olhar de Arya se aguçou instantaneamente.

Ela se moveu.

Noel o viu — apenas um borrão — e o instinto tomou o controle. Ele abandonou o feitiço e virou a Presa do Ressurgente para cima, exatamente quando a foice de Arya desceu.

As lâminas se encontraram.

Faíscas explodiram.

O impacto fez seus braços estremecerem, mas ele manteve a posição.

Naquele instante—

[Habilidade ativada: Vontade dos Esquecidos — Quando lutando sozinho ou protegendo um aliado, concede um surto de poder latente, aumentando a velocidade e a afiação temporariamente. Haverá consequências depois!]

Ele não leu isso.

Mas o sentiu.

Sua empunhadura se apertou. Seu corpo se moveu com clareza repentina, com urgência. Ele se abaixou sob o próximo golpe de Arya e contra-atacou com uma golpe forte que a forçou a recuar, cortando com precisão uma das correntes de suporte penduradas no teto.

Sua respiração ficou mais estável. Seus pés firmaram-se mais no chão.

Ele estava mais rápido.

Mais forte.

Arya pulou para trás, pousando com graça, e olhou para ele pela primeira vez.

"Então é verdade," ela disse. "Você foi quem matou Kaelith, um simples criança."

Noel não respondeu.

Ela estreitou os olhos. "Não acredito. Aquele bastardo tinha suas falhas, mas não era fraco. Não importa qual truque você usou. Não vou cometer o mesmo erro."

Ela avançou novamente, baixa e veloz.

Noel pegou seu golpe no último instante, aço contra aço mais uma vez. O impacto rachou a pedra sob eles.

Arya girou na própria força, sua foice traçando o ar numa arcada selvagem que visava abri-lo por completo.

Noel levantou a Presa do Ressurgente e reteve o golpe, escorregando alguns passos para trás, com as botas rangendo contra a pedra.

Ela pressionou mais, olhos brilhando com uma diversão sombria.

A lâmina foi se aproximando. Noel rangeu os dentes. A força concedida pela habilidade ainda ardia em seus músculos — mas seu aperto começava a ficar excessivamente firme, seu corpo se movendo mais rápido que seus pensamentos.

Então, de repente—

Uma parede de pedra surgiu do chão, esmagando-os com um som profundo, forçando Arya a recuar.

Os olhos de Noel se voltaram ao lado.

Marcus estava a poucos metros, um braço ainda enterrado na terra.

"Acorde, Noel."

Noel piscou.

Um segundo depois, uma corrente fina de água acertou-lhe o rosto em cheio. Não machucou — só o bastante para interromper seu foco.

Ele tossiu uma vez e olhou para cima.

Clara, de trás de Marcus, ainda tinha a palma levantada.

"...Obrigado," ele murmurou.

'Droga… Deixei minhas emoções dominarem. Isso não é bom.'

Ele expirou lentamente, o traço ainda presente em seu corpo como um sino de advertência.

Noel olhou para Arya, depois além dela, para Erick, que ainda tremia na mesa. Suas mãos pequenas convulsionavam, o som dos ossos se deslocando demasiado audível na quietude.

Seu rosto se contorceu de dor.

E ainda… ele não gritou.

Os dedos de Noel apertaram com mais força a Presa do Ressurgente.

'Desculpe, Erick.'

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