
Capítulo 156
O Extra é um Gênio!?
A porta se fechou silenciosamente atrás deles, com um clique suave.
O dormitório masculino, normalmente adormecido no ritmo lento das respirações tranquilas, agora tinha seis figuras formadas em meia-lua, iluminadas apenas pela luz pálida da lua que escorria pelas persianas.
Marcus foi o primeiro a falar. Sua voz era calma, mas sua postura demonstrava tensão.
"Vocês encontraram alguma coisa, não é?"
Noel assentiu com um gesto breve.
Clara olhou entre eles, franzindo a testa. "Encontraram o quê? O que vocês estão querendo dizer?"
Marcus não desviou o olhar de Noel. "Alguém está tentando matar o Santo. É o que acreditamos."
Os olhos de Clara se arregalaram. "Isso... é sério. Precisamos comunicar imediatamente à igreja."
A voz de Noel cortou o ar. "Esperem. Esse é o problema. São muitas pessoas envolvidas. Não sabemos em quem confiar. O antigo papa, que abriu o portão para mim... faz parte disso. E a freira élfica que ajuda a administrar o orfanato—ela também está envolvida."
O rosto de Charlotte ficou pálido. "...Quer dizer—"
"As crianças não estão seguras," interrompeu Noel, de maneira fria.
Silêncio caiu, pesado e gélido.
Marcus avançou um passo. "O que você encontrou?"
Noel lançou um olhar sombrio. "Eles estão usando as crianças. Transformando-as em monstros. Acho que estão formando um exército para atacar durante a cerimônia de amanhã."
As pernas de Charlotte tremeram e ela caiu de joelhos no chão. Seus olhos estavam arregalados, a voz mal saía como um sussurro.
"Quer dizer... que as crianças do orfanato... não voltaram para lares amorosos..."
Marcus cerrava os punhos. "Então, precisamos agir. Rápido."
Laziel franziu a testa. "Espere—você planeja atacar aquele lugar diretamente?"
Marcus virou-se para ele. "Tem uma ideia melhor?"
Ele olhou para Noel. "Você, Clara e eu somos Adeptos. Podemos lutar. Você e Garron fiquem aqui com Charlotte. Mantenha ela segura."
Noel balançou a cabeça. "Assim que a batalha começar, a Guarda Santa também vai aparecer. Vai virar uma carnificina de todos os lados—não vamos saber quem está conosco ou quem é inimigo."
Ele se virou para Charlotte. "Você consegue fazer algo?"
Ela olhou para ele, ainda abalada. "O quê?"
"Encontre o Santo Padre. Diga a ele para ativar a Benção Sagrada."
Charlotte piscou. "Isso é um protocolo de defesa... a igreja só usa em emergências extremas."
"E o que acha que é isso?" disse Noel abruptamente. "Quanto mais demorarmos, mais crianças morrem. Temos que agir agora."
Charlotte engoliu em seco. E então, assentiu.
O ar frio queimava as bochechas de Charlotte enquanto ela corria.
Ela, Laziel e Garron deixaram o orfanato em silêncio, atravessando as ruas estreitas em direção à catedral principal. Não havia tempo para perguntas, nem hesitações—apenas o som dos passos acelerados e o peso crescente no peito dela.
A Igreja Santa surgia adiante, alta e silenciosa, com suas catedrais brancas reluzindo sutilmente sob a luz da lua. Quando chegaram aos degraus de mármore, Charlotte quase parou por um instante—mas não desistiu.
Entraram na nave principal e seguiram para a escadaria em espiral que descia atrás do altar—uma que levava aos níveis inferiores, acessível apenas ao clero de mais alto grau. Na base da escadaria, dois guardas estavam de armadura cerimonial completa, com lanças cruzadas na frente da entrada.
Um deles avançou ao se aproximarem.
"Desculpe, Santa Charlotte, mas vocês não podem passar daqui."
Charlotte não diminuiu o passo. "Estamos em estado de emergência. Devem nos deixar passar."
"Estado de emergência?" perguntou o segundo guarda, franzindo a testa. "O que exatamente vocês querem dizer?"
Ela não respondeu com palavras. A voz tremia um pouco, mas ela insistiu:
"Alguém está tentando me matar. Neste exato momento."
Houve um momento de silêncio.
E então o primeiro guarda se moveu.
Sem aviso prévio, ele avançou contra Charlotte, com a lança brilhando como um golpe de prata.
Mas antes que pudesse atingi-la, o segundo guarda shiftou—interpondo-se entre eles e bloqueando o ataque com um violento choque de metal.
O primeiro guarda recuou tropeçando, expressão fria e resoluta.
"Parece que o plano precisa seguir em frente... mas, se eu matar o Santo aqui, tudo acaba."
O segundo guarda virou-se para Charlotte, com urgência na voz.
"Vá! Rápido! Eu cuido dele!"
Laziel agarrou o pulso de Charlotte e puxou-a para frente. Garron protegeu seu lado enquanto corriam pelos guardas, entrando nos corredores sagrados abaixo.
Ao redor deles, o som de metal contra metal e vozes raivosas ecoaram na escadaria.
Charlotte não olhou para trás.
Ela correu mais rápido.
O corredor era iluminado por candelabros dourados e janelas de vitrais mostrando santos e anjos. Cada passo fazia seu coração pulsar como um martelo. Ela liderou o caminho pelo santuário sem pausa, a respiração ofegante, as mãos cerradas ao lado do corpo.
Chegaram às imensas portas duplas do quarto privado do Papa.
Ela não bateu.
Charlotte as empurrou com as duas mãos.
Dentro, o Santo Padre Orthran estava sentado atrás de uma pesadíssima mesa de madeira, com um livro grosso de couro aberto à sua frente. Sua roupa era branca com detalhes dourados, o rosto calmo, cabelo prateado caindo pastando os ombros como fios de luz lunar.
Ele olhou para ela sem surpresa.
"Charlotte," disse suavemente, "presumo que haja um motivo para essa intromissão."
"Pai!" ela ofegou. "Você precisa declarar estado de emergência. Use a Benção Sagrada—agora!"
O Papa Orthran fechou cuidadosamente o livro, marcando a página com um laço de fita.
"O que você está pedindo não é pouca coisa," respondeu. "Sabe que invocar a Benção consome a vida do que a realiza. Não usamos mana—usamos nossos anos. Nosso corpo."
Charlotte deu um passo à frente. "Eu sei. Mas isso é sério. Há um plano em andamento para me matar, e pior—estão usando as crianças."
Os olhos do Papa se estreitaram, mas a voz continuou firme.
"Dentro de um ano, seu status vai superar o meu. Você será a que protegerá esta nação. Até lá… é meu dever protegê-la, e isso significa garantir que você cresça para esse papel—sem interferências."
"Então ouça," ela disse, elevando a voz, "ouça o que está acontecendo lá fora."
Como se fosse convocado por suas palavras, o som abafado do confronto de armas ecoou pela câmara. Gritos. Metal contra pedra. Um gemido breve.
O Papa Orthran levantou-se lentamente.
"...Entendi."
Ele agarrou a cruz dourada pendurada no pescoço e a segurou com ambas as mãos.
"Perdoe-me pela hesitação," disse. "E obrigado... por ser corajosa o suficiente para exigir isso."
Ele fechou os olhos.
O silêncio voltou a pairar.
E então ele começou a rezar.