O Extra é um Gênio!?

Capítulo 151

O Extra é um Gênio!?

A sala de confissão permanecia silenciosa. Apenas o leve ranger da divisória de madeira e a tênue luz de vela lembravam o espaço sagrado em que estavam.

"O quê?" ela finalmente falou — sem confusão na voz, apenas uma curiosidade tranquila, como se estivesse esperando que Noel confirmasse algo que já suspeitava.

Noel assentiu lentamente, embora ela não pudesse ver. "Sim. Alguém dentro da igreja quer te matar. Por causa do seu papel como Santa."

Película da divisória de madeira, ele conseguiu distinguir sua silhueta — ainda assim, composta.

'Ela não está surpresa,' Noel pensou. 'Quase como se já tivesse ouvido isso antes.'

"Entendo," disse Charlotte, com a voz controlada. "Acho que era só questão de tempo. Mas não imaginei que a ameaça viesse de dentro da Capital sagrada."

"Você está lidando... melhor do que eu esperava."

"Tempo tive para considerar essa possibilidade," ela respondeu. "Sempre há aqueles que ressentem a Santa — ou que querem o título para outra pessoa. Ser alvo faz parte do papel."

Sua voz permaneceu serena, mas as próximas palavras carregavam mais peso.

"Isso não quer dizer que não me assuste."

Noel relaxou um pouco no banco. "Você está bem? Não parece você mesma."

"Nem sempre sou assim," respondeu Charlotte do outro lado. "Alegre. Inocente. As pessoas esperam que a Santa sorria, então eu sorrio. Mas sei quando devo ficar séria."

Ela fez uma pausa de um segundo, depois acrescentou, com um olhar irônico: "Além do mais, você foi quem acabou com minha liberdade, lembra?"

"Ah, vamos lá," disse Noel. "Ainda guarda rancor por isso?"

Charlotte deu uma risadinha silenciosa. "Estou zoando. Na maior parte."

Houve um som suave ao seu lado, quando sua mão tocou a treliça de madeira entre eles.

"Então... por que acha que estão me targeting agora?" ela perguntou.

"Por causa da sua bênção," respondeu Noel.

"E o que tem isso?"

"Quando você purificou rios e lagos — aqueles contaminados... Foi nesse momento que você oficialmente virou a Santa aos olhos do povo. Quem causou aquele surto provavelmente esperava enfraquecê-la. E você conseguiu."

Charlotte soltou um suspiro suave. "As notícias realmente correm rápido…"

"Não foi a igreja, foi?" Noel questionou, estreitando os olhos, embora ela não pudesse vê-lo.

"Não," ela afirmou firmemente. "Vou admitir que o timing foi... suspeito. Mas não foi eles. E o surto não foi amplo — só a fonte inicial."

"Sei disso."

Houve uma pausa.

"Você sabe?" Charlotte perguntou. Sem defensorismo — apenas curiosidade.

"Eu criei a cura."

Silêncio.

"A família Iskandar levou o crédito," continuou Noel. "Não estou pedindo que faça nada com essa informação. Só... achei que você devia saber, já que confio em você."

Um momento passou até Charlotte responder, com a voz mais suave do que antes. "Acredito em você. E obrigado... por ajudar."

Noel não respondeu. Não buscava agradecimentos. Só compreensão.

Charlotte se moveu levemente atrás da divisória. "Você tem alguma ideia de quem pode estar por trás? Quem quer minha morte?"

Noel balançou a cabeça consigo mesmo. "Não. Sem nomes. Só... um pressentimento. Padrões. Uma sensação de que estou ficando sem tempo."

"Então você está preso," ela murmurou.

"Basicamente."

Outra pausa. Então, sua voz se elevou um pouco, apenas um pouco.

"Pois bem, está na hora de você se divertir. Agora você tem comigo."

Noel levantou uma sobrancelha. "Só assim? Sem perguntas?"

"Você já me disse que alguém quer me matar. Isso já basta para ser sério," respondeu Charlotte. "E eu te avisei antes — seu cheiro não é de má pessoa."

"Vai mesmo continuar usando isso como padrão?"

"Claro. Se não, por que você acha que ainda não te mandei embora de novo?" ela falou de modo leve. Depois, com um ar brincalhão: "Pelo menos ainda."(1)

Ele suspirou. "Que bom saber que estou sendo avaliado como uma fruta no mercado."

Charlotte riu baixinho. "Aliás... Marcus, Garron, Clara — todos confiam em você. Até Laziel, e ele não confia em ninguém."

'Bem, salvei a vida dele. É o mínimo que ele pode fazer. E ela é mais perspicaz do que pensei... No romance, ela só mostrava o lado jovial,' pensou Noel. 'Bondade não é sinônimo de ingenuidade.'

"Vou ajudar você," disse Charlotte, agora séria novamente. "Mas preciso saber — qual é o seu próximo passo?"

Noel olhou para o chão sob a cabine. "Por enquanto? Nada de útil. Entrei escondido, dei uma olhada ao redor. Só vi padres sonolentos e clerigos bêbados jogando cartas."

"Nenhum ritual maldoso em câmaras sombrias?"

"Nem um livro suspeito numa estante," murmurou Noel. "Parece que estou perseguindo um fantasma."

Charlotte resmungou pensativa. "Às vezes, as sombras sussurram antes de tomarem forma."

Isso o fez olhar para cima. Houve profundidade na voz dela — mais do que ele esperava.

Depois, após uma pausa, ela acrescentou: "Aliás... na próxima vez que decidir me imitar, talvez pergunte antes?"

Ele bufou. "Certo. Vai estar na minha lista de desculpas."

"Boa. Está criando uma lista considerável, traidor."

Noel revirou os olhos, mas não contestou. A vela entre eles piscou, sua luz dançando na treliça de madeira.

O espaço de confissão permanecia quieto, preenchido apenas pelo leve cheiro de cera derretida e madeira antiga.

Charlotte voltou a falar, agora mais baixa. "Então, vamos pensar juntas. Quem se beneficiaria com a minha morte?"

Noel respirou fundo. "Existe um grupo... uma facção, talvez mais de uma. Pessoas que querem destruir o mundo como o conhecemos. Derrubar tudo — fé, ordem, equilíbrio."

Ele fez uma pausa.

"E você, Charlotte... como Santa, seus milagres são únicos. Não há ninguém igual a você. Isso a torna um problema para eles. Algo que precisa ser removido."

Charlotte permaneceu em silêncio, sua figura ainda atrás da divisória.

"Pode ser qualquer um," continuou Noel. "E, se ainda não fizeram um movimento... isso é o estranho. Agora, você ainda está se recuperando da última bênção, certo? Milagres desse tipo levam tempo para recarregar."

"Sim," respondeu Charlotte lentamente. "Semanas, às vezes meses."

"Exatamente," disse Noel. "Esse é o momento em que você está mais vulnerável. Então, por que ainda não atacaram?"

Uma pausa silenciosa.

Depois, Charlotte, com um leve sorriso na voz: "Você parece saber um monte de coisas sobre Santas."

Noel deu de ombros, mesmo que ela não pudesse ver. "Gosto de estar bem informado."

A voz de Charlotte veio pelo divisor, agora mais sussurrada, quase hesitante.

"Noel… você já matou alguém?"

Ele não vacilou. Sua resposta foi calma.

"Você já recebeu sua resposta na outra dia."

Uma breve pausa. Depois, ela perguntou novamente, mais suavemente: "Para sobreviver?"

"Para sobreviver," disse Noel, "e pelas pessoas que escolhi proteger."

Ele fez uma pausa.

'E pelo sistema também... mas não posso dizer isso em voz alta.'

Outra pausa. A vela oscilou entre eles.

"Você acha... que terá que fazer isso de novo?" Charlotte perguntou, a voz carregada de preocupação, mas sem medo.

"Espero que não," respondeu ele. "Mas provavelmente sim."

Uma pausa.

"Se essa hora chegar... espero que não seja por minha causa."

Noel piscou. Aquilo, ele não esperava.

"O quê?"

"Digo isso de verdade," Charlotte afirmou, com sinceridade e firmeza. "Se alguém tentar me machucar... não jogue sua vida fora. Não gosto quando as pessoas se sacrificam pelos outros e não recebem nada em troca."

"Mas você é a Santa," respondeu Noel. "Não deveria querer o melhor para todos?"

"Posso ser egoísta também," ela disse simplesmente. "Mesmo como Santa, ainda sou uma pessoa."

Depois, um pequeno sorriso travesso apareceu na voz dela.

"E você sabe que eu já descobri seus segredos, né?"

Noel respirou fundo. "Foi uma confissão, não foi? Acho que isso torna tudo... informação privilegiada."

Charlotte soltou uma risadinha suave. "Você saberia, não, pervertido?"

Comentários