O Extra é um Gênio!?

Capítulo 150

O Extra é um Gênio!?

A luz de vela dos andares superiores não atingia tão fundo.

Envolto na ilusão concedida pelo Encanto do Tecelão de Véus, Noel ajustou o capuz da capa. Seu reflexo—se é que se podia chamar assim—não era mais seu. Em vez disso, era a figura de Santa Charlotte olhando de volta: feições suaves, estatura delicada e, sobretudo, aquele cabelo cor-de-rosa inconfundível.

Somente os fios daquele cabelo escapavam por baixo do capuz. O restante do corpo estava oculto sob um manto escuro de viagem, feito para se disfarçar e desviar a atenção.

'Quarenta e cinco minutos. É só isso que tenho.'

Ele se moveu com passos cuidadosos e deliberados pelo corredor oeste do mosteiro. Os corredores estavam silenciosos—de um silêncio quase opressivo. Dois guardas ficavam ao lado das portas de madeira com arcos que marcavam a entrada para os níveis inferiores. Quando o perceberam se aproximando, suas posturas mudaram imediatamente.

"Santa Charlotte," disse um com respeito, baixando a cabeça. "Que a Luz Divina vigie seus passos."

Noel inclinou a cabeça ligeiramente, colocando uma mão no peito em sinal de respeito. Não falou—não havia necessidade. O silêncio reforçava a autenticidade.

Os guardas não tentaram pará-lo. Um deles se afastou e abriu a porta.

"Por favor, tome cuidado. Alguns dos altos clérigos estão meditando lá embaixo."

Noel assentiu mais uma vez e entrou pelo umbral.

Escadas de pedra se enrolavam para baixo em meio às sombras, iluminadas apenas por apliques de mana azul intermitentes. Seus passos ecoaram suavemente enquanto descia até as profundezas.

O ar aqui embaixo era diferente—mais frio, mais pesado, com uma fundada mistura de incenso e pedra antiga.

'Hora de descobrir o que se esconde sob a luz sagrada.'

Ele chegou ao fundo, entrando no primeiro de muitos corredores que formavam as fundações ocultas da Capital Santa.

Noel avançou silenciosamente pelos corredores inferiores, atento para não chamar atenção. O lugar não era o que ele esperava.

Não havia rituais proibidos. Nenhuma porta trancada exalando mana negro. Nenhum prisioneiro torturado em correntes. Apenas... salas.

Clérigos e padres circulavam como se fosse uma noite comum. Alguns lendo tomos antigos em bibliotecas fracas de luz, outros jogando cartas ou sussurrando encantamentos em cantos silenciosos. Dois homens mais velhos discutiam sobre quem deveria polir os candelabros cerimoniais.

'Era isso que eles estavam escondendo? Honestamente, uma decepção fodidamente frustrante…'

Noel se afastou de lado ao passar uma figura vestida com túnica, fazendo uma rápida reverência ao "santo" disfarçado. Eles nem olharam para o rosto dele—apenas o cabelo rosa e as vestes já eram suficientes.

Ele virou uma esquina, ficando cada vez mais irritado a cada passo.

'Aqui não tem nada. Nenhum sinal de plano. Nenhum vestígio da Círculo. Nada parecido com o que Kaelith preparou.'

O tempo ia passando na cabeça dele. Talvez uns vinte minutos desde que entrou.

Então ouviu vozes vindas do degrau acima.

Passos.

"Santa Charlotte?"

Era um dos guardas.

Noel congelou atrás de uma coluna.

Outra voz respondeu—uma voz familiar.

"Ah… sim?"

O tom era confuso, hesitante.

Era a Charlotte de verdade.

Noel cerrava a mandíbula.

Os guardas claramente estavam desconcertados.

"Desculpe, dama, mas… você não passou por aqui há poucos minutos?"

"Não… Acabei de chegar," respondeu Charlotte, tentando manter a calma. "Deve ter me confundido com alguém. Talvez… uma noviça?"

Um silêncio.

"Claro," disse um deles lentamente. "Perdoe-nos."

Noel não ficou para ouvir mais.

Ele imediatamente voltou pelo mesmo caminho, tomando cuidado para não ser visto, e começou a refazer seus passos em direção aos níveis superiores.

'Droga… Não encontrei nada útil. E agora ela está aqui.'

A sombra do corredor se alongava à sua frente como um aviso silencioso.

Noel se moveu rápido, mas sem correria—suficiente para parecer calmo. Composto. Como se nada estivesse errado.

Sua disfarce ainda funcionava. O longo cabelo rosa do Encanto do Tecelão de Véus balançava a cada passo, a roupa frouxa arrastando no chão. O capuz permanecia baixo sobre os olhos, projetando uma sombra suave na parte superior do rosto.

Dois guardas estavam na última arquibancada.

Ele quase estava fora.

Um deles fez uma reverência educada. "Tudo bem, Santa Charlotte?"

Noel respondeu com uma expressão suave, em um tom ensaiado. "Sim. Só precisava de um pouco de ar… e silêncio."

Os guardas não tentaram pará-lo.

Ele passou, com passos suave ecoando contra as pedras.

Então—

"Espere um momento," um deles disse de repente.

Noel parou.

"Sim?" perguntou sem se virar.

"Desculpe a intromissão, dama, mas… poderia abaixar seu capuz? Só para confirmar."

'Droga.'

A frequência cardíaca de Noel não acelerou—ele se treinou melhor do que isso—mas por dentro, algo torceu.

Ele se virou lentamente, devagar.

Foi nesse momento que outra voz interveio, suave porém confiante.

"Lá está você, irmã! Procurei por você a noite toda."

Charlotte.

A verdadeira.

Ela apareceu logo atrás deles, acenando suavemente, caminhando em direção a Noel com sua habitual ternura e inocência.

Os guardas piscavam confusos.

"Mas—" começou um deles.

Ela se virou para eles com um sorriso brilhante e cheio de desculpas. "Ah, por favor, não se preocupem, irmãos. Minhas irmãs e eu às vezes nos confundimos. É o cabelo." Ela riu suavemente.

Noel não falou nada.

Simplesmente virou-se e caminhou em direção a ela, deixando a ilusão se desfazer no instante em que passaram a sair da vista.

Os guardas trocaram olhares, mas não disseram mais nada.

Depois que ficaram sozinhos, Charlotte segurou o braço de Noel e o guiou delicadamente pelo corredor. Sua expressão permaneceu séria até alcançarem a borda do salão principal.

Ela não estava mais sorrindo.

"Vamos conversar," ela sussurrou, com voz grave, pela primeira vez.

As pesadas portas da sala de confissão se fecharam com um estalido suave atrás deles. O brilho quente de dois lampiões tremulava gentilmente, projetando sombras tranquilas nas paredes de pedra.

Charlotte caminhou à frente, passos lentos e pensativos. Em vez de entrar numa cabina, sentou-se em um banco de madeira na área aberta. Noel a seguiu e sentou-se em frente a ela.

Por um momento, nenhum deles falou.

Então Charlotte quebrou o silêncio.

"Noel... o que você estava fazendo lá embaixo?"

Ele se inclinou um pouco para frente, apoiando os braços nos joelhos. "Investigando".

Ela sorriu de lado, embora sua voz permanecesse calma. "Investigando o quê?"

"Os níveis inferiores. Tentando descobrir se alguém lá embaixo estava escondendo algo."

Charlotte virou a cabeça, com uma expressão difícil de ler. "E achou que fingir ser eu era a melhor maneira de fazer isso?"

Ele não vacilou. "Ninguém questiona a Santa."

Ela suspirou. "Acho que deveria me sentir lisonjeada."

Noel não respondeu.

Então Charlotte voltou a olhá-lo. "Você não ia machucar alguém, né?"

Ele olhou para ela, com a voz firme. "Não. Por quê você acha isso?"

Charlotte hesitou. "Por causa do que ouvi na sala de confissão…"

Noel levantou uma sobrancelha. "Ah. Então é sobre isso."

Charlotte piscou, surpresa. "Espera… você sabia que era eu do outro lado, né? Mas como?"

Noel deu uma rápida cabeça de assentimento. "Sim. Voltei mais tarde naquela noite. Deixaram um cabelo rosa na cabine. Longo, inconfundível. Só uma pessoa por aqui tem essa cor."

A boca de Charlotte se abriu um pouco. Ela desviou o olhar, confusa. "…Você é realmente algo mais."

A voz de Noel foi seca. "Pode dizer que sou um bastardinho."

"Ia dizer pervertido, mas 'bastardinho' funciona também."

Ele gemeu baixinho. "Por que mesmo que eu falo com você?"

Charlotte ofereceu um sorriso pequeno, mas seu tom mudou ao perguntar mais sério: "Então? O que esperava encontrar lá embaixo?"

Noel recostou-se, com os olhos verdes afiados. Suas próximas palavras carregaram um peso que se espalhou pesado entre eles.

"Alguém quer te matar."

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