O Extra é um Gênio!?

Capítulo 154

O Extra é um Gênio!?

As portas de pedra branca da Capital Sagrada se erguiam imponentes sob a luz da manhã, acolhendo os viajantes com uma solemnidade silenciosa. Marcus, Charlotte e a freira elfa passaram por ela sem problemas, os guardas mal lhe dando uma olhada extra.

Enquanto caminhavam pelo caminho de paralelepípedos que levava ao distrito interno, a freira humedecia uma melodia suave para si mesma, sua voz leve e distante, quase infantil.

Charlotte lançou um olhar de lado, visivelmente distraída.

"Você acha que o pervertido vai ficar bem?" ela perguntou.

Marcus levantou uma sobrancelha. "Nem quero saber como ele conseguiu esse apelido. Mas é… acho que ele vai se virar bem. É mais capaz do que a maioria."

"Eu só… não consigo deixar de me preocupar. Eu disse pra ele não fazer nada louco se alguém alguma vez tentasse me atingir," ela murmurou. "Mas ele é do tipo que—"

"—não consegue ficar parado quando alguém que ele gosta está em perigo. Confie em mim, eu sei. Ele é igual a mim nesse aspecto."

"Entendo…"

Passaram por um arco menor, onde raios de sol quentes filtravam-se através de vitrais de uma capela próxima. Marcus ajustou a mochila no ombro.

"A nossa prioridade era garantir que você chegasse em segurança. Eu originalmente ia acompanhar Noel, mas não podíamos deixá-la sozinha."

"Mas isso quer dizer que ele está sozinho agora?" Charlotte perguntou.

"Não exatamente," respondeu Marcus. "Vamos dizer… que ele tem um companheiro leal ao lado dele. Ou talvez… uma filha."

Charlotte parou no meio do caminho.

"Noel é pai?!"

A freira elfa virou-se na direção dela, confusa. Charlotte rapidamente sacudiu o vestido.

"Ah, desculpe. Tinha uma pulga rastejando em mim."

A freira sorriu suavemente. "Ah, não se preocupe. Essas criaturinhas não fazem mal algum."

Mais tarde naquele dia, o grupo chegou de volta ao orfanato. O prédio permanecia quieto, banhado pelo tom dourado do pôr do sol. Risadas infantis ecoavam suavemente do pátio enquanto Clara os recebia na entrada.

"Como foi?" ela perguntou, enxugando as mãos no avental.

"Tudo bem," respondeu Marcus. "A família elfa foi gentil. Tudo pareceu genuíno."

"Fico feliz. Espero que a Mira tenha uma vida boa com eles," disse Clara com um sorriso caloroso.

Laziel entrou na porta, limpando as mãos com um pano. "Por que o Noel não veio com vocês?"

"Ele ficou pra trás para comprar alguns presentes para as crianças," Charlotte respondeu rapidamente.

"Que gentil da parte dele," Laziel assentiu.

"Sim, sim," acrescentou Garron, cruzando os braços com um sorriso. "Apesar de ser o Noel, o frio e sombrio… no fundo, ele é um garoto gentil e generoso."

"Só não diga isso perto dele," laziel murmurou com um sorriso malicioso.

Caminharam até o pátio, onde algumas crianças brincavam com bonecas feitas à mão e paus moldados como espadas.

"Aliás," Charlotte olhou ao redor, "onde está o Erick?"

Clara hesitou por um momento. "Ah, ele foi embora há algumas horas. Uma família veio adotá-lo."

"Entendi…" os ombros de Charlotte caíram um pouco. "Eu esperava pelo menos me despedir. Gostei muito dele."

Marcus a olhou, com a expressão um pouco mais tensa.

'Outra adoção… no mesmo dia? Isso está começando a ficar estranho.'

O céu tingido de laranja, o sol se escondendo lentamente atrás dos telhados da pacata vila às margens da Capital Sagrada.

Escondido entre os ramos densos de uma árvore antiga, Noel estava empoleirado entre folhas e sombras espessas, quase invisível lá de baixo. De seu ponto elevado, tinha uma visão clara de uma casa modesta com um jardim pequeno—a nova casa da Mira.

'Parece que todo mundo volta às raízes, no final…'

Ele observava há horas.

Na primeira hora, viu-os lá fora, no jardim. Mira parecia tímida no começo, mas os pais brincaram pacientemente com ela, conquistando risadas até que ela começou a relaxar.

Na segunda hora, mudaram para dentro. Através de uma fresta na cortina, Noel podia ver o jantar sendo compartilhado na sala—apenas os três, como uma família tentando se reconstruir.

A terceira hora foi silêncio. Mira tinha sido colocada para dormir. Sua pequena silhueta estava encolhida no sofá, abraçando um travesseiro.

'Três horas… isso está ficando até estranho para mim,' pensou Noel. 'Eu ia comprar presentes... se alguém perguntar, será difícil explicar.'

Ele se moveu lentamente, preparando-se para descer.

Mas então, Noir—em silêncio, empoleirada atrás dele—de repente puxou a calça de seu traje com o bico.

Noel piscou. "O que foi, Noir?"

Noir não fez som. Rosnouu baixo e profundo, seus olhos violetas estreitaram e reluzindo fracamente na luz do entardecer. Seu pelo preto liso, com subtle pontos de roxo, eriçou-se enquanto ela abaixava o corpo, todos os músculos tensos.

Noel seguiu o olhar dela—e parou.

Um carroça tinha acabado de chegar.

Não era a mesma que tinha trazido a Mira antes. Essa era mais escura, sem brasão, puxada por dois cavalos de pelagem negra. Três figuras desceram. Uma delas, sem dúvida, era o velho padre da Capital Sagrada.

As sobrancelhas cinzentas se franziram levemente enquanto ele olhava para a casa, depois relaxou numa expressão mais suave—quase gentil.

'Por que ele está aqui…?'

Noel estreitou os olhos enquanto o padre caminhava até a porta da frente e batiam. O pai adotivo abriu. Depois de algumas palavras trocadas, eles foram convidados a entrar.

De seu ponto de observação, Noel não conseguia ouvir nada… mas via o suficiente.

O padre entregou uma pequena sacola—claramente pesada de moedas. Os pais adotivos pareciam hesitar por um momento, depois assentiram

Momentos depois, um dos outros homens levantou Mira do sofá. Ela não se mexeu.

'Ainda está dormindo…' o coração de Noel afundou.

Carregaram-na com uma sheet branca, como se fosse nada. A mãe adotiva desviou o olhar enquanto colocavam a menina na carroça.

O maxilar de Noel travou.

"Droga… sabia que tinha algo estranho," murmurou, os olhos se estreitando. "No romance, era só uma pessoa… o Sexto Pilar."

Ele apertou os punhos enquanto assistia a porta da carroça se fechar.

"Mas isso… isso parece maior. Coordenado. Agora tem mais de um."

Ele olhou para Noir, que permanecia ao seu lado—silenciosa, em alerta, uma sombra entre sombras.

"A boa notícia…" acrescentou baixinho, "é que eu também não estou sozinho."

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