
Capítulo 144
O Extra é um Gênio!?
O sol começava a se pôr sobre a Capital Santa, projetando sombras longas pelas imensas paredes brancas que cercavam a cidade. A pedra brilhava suavemente à luz laranja do entardecer, ganhando tonalidade dourada nas bordas. Noel estava diante do portão principal, com as mãos nos bolsos do casaco, olhos fixos na estrutura gigantesca à sua frente.
'Vamos lá.'
Toc toc toc.
Ele bateu firmemente na portinhola de madeira embutida na grande porta.
Alguns segundos se passaram até que elaRange a porta rangeu ao se abrir. Uma pequena abertura de observação deslizou de lado, revelando o rosto envelhecido de um velho sacerdote. Suas sobrancelhas grisalhas se franziram um pouco antes de relaxar em uma expressão mais amável.
"Sim? Qual o motivo da sua visita?" perguntou o sacerdote, com a voz calma, mas prudente.
'O Marcus comentou algo sobre ajudar, certo?'
"Boa noite. Gostaria de entrar na Capital Santa," disse Noel. "Fui informado de que um grupo de estudantes da Academia Imperial de Valor chegou recentemente—eles estão ajudando na instituição de órfãos."
O sacerdote piscou, depois assentiu lentamente, reconhecendo a informação.
"Ah, sim, sim. Chegaram há poucos dias. Mas por que não veio com eles?"
"O casamento da minha irmã foi em Teralis," explicou Noel. "Nos separamos. Combinamos de nos encontrar aqui novamente."
"Casamento? Espere… ah! Você quer dizer o casamento do Veyron? O herdeiro da Casa Lestaria?"
"Exato. A noiva dele é minha irmã."
O sacerdote endireitou-se um pouco.
"Então, um Thorne. Perdoe minha cautela, jovem mestre."
"Não há necessidade. É normal ter cuidado."
O sacerdote sorriu e começou a destrancar a porta lateral.
"Bem-vindo à Capital Santa, Senhor Thorne. Entre. Está na hora certa."
Com a porta rangendo ao se abrir completamente, Noel entrou.
O caminho à sua frente era pavimentado com pedra pálida, suavizada pelo tempo e pelos passos. Ao longo de ambos os lados, guardas trajando armaduras brancas polidas, detalhadas com cruzes douradas, permaneciam de prontidão. Eles portavam lanças e espadas, mas suas posturas eram relaxadas—disciplinadas, não agressivas.
Mais adiante, elevando-se como uma montanha de mármore e reverência, estava a catedral principal.
Seu porte dominava o horizonte, imensa e repleta de detalhes intricados. Doze torres alcançavam o céu vespertino, seus topos capturando os últimos raios laranja do sol. A superfície da catedral brilhava com pureza—não por magia, mas por mãos habilidosas. As paredes eram decoradas com esculturas de anjos, santos e cenas de histórias sagradas. As janelas de vitral reluziam em tons profundos de vermelho e azul, projetando um caleidoscópio de luz sobre o pátio ao redor.
Isso lembrava Noel de algo que tinha visto uma vez em um livro—algo da Terra.
'Nossa... Nunca tinha apreciado tanto um edifício assim antes. Mas, bem, minha família nunca teve dinheiro para viajar.'
Perto dele, o velho sacerdote chuckleou.
"É realmente bonito, não acha? Fico feliz que tenha pensado assim."
Noel piscou. "Como você soube no que estava pensando?"
O sacerdote sorriu. "Está escrito no seu rosto, rapaz."
Noel desviou o olhar por um momento.
'Que velhote agradável.'
"Venha," disse o sacerdote, acenando para que ele o acompanhasse. "Deixe-me mostrar onde seus amigos estão hospedados."
Juntos, caminharam pelos jardins laterais, passando por sebes altas e lanternas de ferro penduradas em arcos de pedra. Por fim, chegaram a um edifício menor—mais simples que a catedral, mas acolhedor e cheio de vida. Brinquedos espalhados perto da entrada: bonecas, alguns brinquedos gastos, um balanço de madeira que rangia suavemente com o vento.
"O orfanato," explicou o sacerdote. "Eles estão no momento em oração na capela, mas deixe-me mostrar seu quarto."
Ele guiou Noel pelas portas da frente, por um corredor comprido, com quartos de ambos os lados. O interior surpreendeu pela amplitude, com pisos de madeira limpos e mobília simples, bem conservada.
"Temos dois quartos para voluntários—homens e mulheres," disse o sacerdote. "Seus amigos estão nesse aqui. Duas beliches. Parece que há uma vaga para você."
Noel entrou brevemente. Uma cama estava vazia; as outras três mostravam sinais de uso—roupas dobradas, livros meio lidos, um pente deixado sobre uma das almofadas.
"Entendido. Obrigado pelo tour," disse Noel.
O sacerdote fez uma reverência pequena. "Claro. Essa velhice vai deixá-lo para se acomodar."
Assim que ficou sozinho, Noel colocou a mão sobre a bolsa dimensional e soltou um suspiro discreto. Abaixou a mão e retirou a Presa do Revenant, ainda selada em seu envoltório de tecido escuro. Por um instante, o peso da espada se firmou em suas mãos, frio e familiar.
Depois, tão rapidamente quanto veio, guardou-a de volta na bolsa.
'Não faz sentido andar por aí com uma espada negra presa na cintura na frente de crianças.'
Ele tirou o casaco e jogou sobre o suporte de cama, então saiu novamente para a luz que lentamente desaparecia. A quietude da Capital Santa parecia… cultivada. Como se a paz estivesse incorporada em cada tijolo e pedra de pavimento, demasiado perfeita para ser verdadeira.
Ele caminhou pelo pátio da catedral, passando por arcos e estátuas vigilantes. Seus olhos percorreram cada canto, cada caminho protegido.
'Se quiser infiltrar os níveis inferiores, preciso conhecer esse lugar de dentro para fora.'
Parou perto de uma capela lateral, sob um relevo esculpido de um cavaleiro ajoelhado, e acessou o menu do sistema.
[Item]
Nome: Amuleto de Arremedo Profano
Tipo: artefato utilitário de Ilusão
Função: altera temporariamente a aparência física (máximo de 30–45 min)
Tempo de recarga: 96 horas
Olhando para o texto cintilante, com os braços cruzados, refletiu.
'Vai ser útil. Pode me ajudar a entrar nas áreas restritas abaixo. O problema é… em quem me transformarei? Se quero acesso às áreas seladas, preciso imitar alguém importante.'
Ele ainda pensava quando uma voz cortou o silêncio como uma lâmina.
"Traidor!"
Noel piscou e levantou o olhar.
Uma garota vinha em direção a ele, atravessando o pátio, com cabelo rosa ao vento, olhos dourados fixos nele. Ela era pequena—mal alcançava seu queixo—mas sua presença preenchia todo o espaço.
Charlotte.
'…Ah, não.'
Sem dizer uma palavra, Noel virou-se e correu.
Logo atrás, a Santa gritava ainda mais alto.
"Pare aí, traidor!"
Ele passou entre colunas, cortou o caminho pelo jardim, desviou de dois monges confusos. Charlotte manteve o ritmo com determinação, gritando enquanto o perseguia pelo pátio.
Corriam assim por quase dois minutos—ela gritando, ele ignorando, os transeuntes olhando perplexos.
Por fim, Noel parou abruptamente.
Charlotte não parou.
Pum.
Ela se chocou contra ele com força total, soltando um suave "Uff!" ao tropeçar à frente e agarrar instintivamente seu pulso.
"Consegui! Você não vai escapar dessa, traidor!"
Noel olhou para ela calmo.
"Desculpe, mas… eu te conheço?"
Ela piscou. Então estreitou os olhos.
"Espere. Talvez eu estivesse enganada… Não, não. Se você não me conhecia, correria."
Ela pegou seu braço novamente, vitoriosa.
"Você está chamando atenção," disse ele, olhando ao redor. "Diminua o tom, Santa."
Charlotte franziu a testa. "Tudo bem. Mas promete não correr de novo, ou eu gritarei. E os guardas santos virão atrás de você."
Noel suspirou.
"Tudo bem."
"Ótimo," ela respondeu animada. Então acrescentou, "Traidor."
Noel suspirou enquanto Charlotte segurava seu braço com força surpreendente para alguém tão pequena.
"Você precisa mesmo parar de me chamar assim," murmurou.
"Mas você é uma traidora," ela disse, totalmente séria.
Ele virou a cabeça para ela. "Como exatamente?"
"Você me entregou," declarou Charlotte, fazendo bico. "Você me entregou para aqueles sacerdotes chatos e sérios. Eu estava tão perto da liberdade."
Noel a encarou.
"Quer dizer o dia em que você fugiu? O dia em que iam oficialmente te nomear Santa?"
"Eu não estava fugindo," ela mentia descaradamente. "Eu estava… investigando a liberdade espiritual."
"É, claro…"
"E," continuou, apontando um dedo acusador para ele com a mão livre, "em vez de me ajudar a escapar, você me trouxe de volta! Assistiu enquanto me levavam embora como se eu fosse uma criminosa, até me amarraram!"
"Eu não sabia que eles iam te amarrar."
"Claro que não, você só desapareceu de repente, deixando-me para trás."
Charlotte estreitou os olhos.
"Exatamente. Traidor."
"Você nem deveria ter saído do templo."
"Eu não queria virar uma figura pública. Ainda não quero," ela murmurou, quase sem som, só o suficiente para ser ouvido.
Noel olhou para ela silencioso.
"Então… você guarda rancor porque eu não te deixei desaparecer por toda a sua vida?"
"Sim."
"Entendi."
Ele se virou em direção aos dormitórios. Ela o seguiu sem hesitar.
"De qualquer forma," murmurou Noel, "quero descansar um pouco."
"Perfeito," ela respondeu animada, ainda colada ao braço dele. "Vou acompanhá-lo. Traidores não devem ficar sozinhos."
Noel rangeu a língua.
A cabeça de Charlotte se virou abruptamente na direção dele.
"Você acabou de—"
"Falei que sim."
"Você fez aquele som com a língua para a Santa da Capital Santa."
"Sim."
"Inacreditável."
Porém, ela não soltou seu braço.
Passos ecoaram do lado oposto do pátio.
Conviveram os dois, Noel e Charlotte, assim, quando Marcus e Clara apareceram entre dois arcos de pedra, com Garron e Laziel alguns passos atrás. Eles desaceleraram ao ver a cena: Charlotte segurando o braço de Noel com ambas as mãos, expressão entre a de vitória e a de indignação.
Clara levantou uma sobrancelha. "Charlotte, você está bem? Ele não te machucou, né?"
Charlotte piscou, como se tivesse lembrado de algo importante. Depois, sorriu radiantemente.
"Ah, é verdade! Agora me lembro—seu nome é Noel. Mas ainda acho que traidor combina melhor."
Marcus olhou confuso. "Traidor?"
"Sim," disse Charlotte séria. "Ele é um traidor."
Noel expirou lentamente e falou antes que alguém dissesse algo mais.
"Para registro: ela fugiu. No dia em que supostamente ia ser nomeada Santa. Eu a encontrei, a trouxe de volta, e agora estou condenado a uma difamação eterna."
Charlotte concordou. "Exatamente."
"Você está querendo provar meu ponto."
Clara deu uma risadinha discretamente. "Então vocês se conhecem, pelo visto."
"Infelizmente," murmurou Noel.
Garron deu uma risadinha. "Não imaginava que fosse entrar numa confusão dessas hoje."
Noel deu um passo para trás e dirigiu-se ao grupo. "De qualquer forma. Bom ver vocês. Vou para o meu quarto antes que alguém tente canonizá-lo por legítima defesa."
Ele virou as costas para sair, Charlotte ainda segurando seu braço.
"Não acha que vai escapar tão facilmente, traidor!" ela disse, vindo atrás imediatamente.
Noel nem respondeu.
"Ei! Você acabou de suspirar de novo?"
Marcus os observou em silêncio. Depois, virou-se para os demais com um meio-sorriso.
"...Eles parecem se dar bem. Não vamos ter problema com esses dois, né?"
Clara cruzou os braços. "Eles que vão ter problema."
Laziel deu de ombros. "Vai ser divertido de assistir, pelo menos."