O Extra é um Gênio!?

Capítulo 143

O Extra é um Gênio!?

A luz do manhã entrava pelas altas janelas envoltas em heras do quarto de Noel em Teralis, formando padrões suaves sobre o piso de madeira. Ele permanecia de pé perto do centro, colocando suas luvas uma a uma, com movimentos silenciosos e metódicos.

Sua bolsa dimensional descansava na cintura, vedada e compacta. Tudo o que precisava já estava dentro — roupas, suprimentos, até a Presa do Espectro.

Estava vestido com seu casaco azul escuro justo e calças reforçadas, o Sigilo Cinzento brilhando suavemente no dedo.

De repente, sem aviso, algo piscou.

Uma janela translúcida se abriu diante de seus olhos.

[Nova Missão: Descobrir o que está acontecendo na Capital Sagrada.

Recompensa: ???

Prazo: 31 dias]

Ele fixou o olhar na mensagem, sem piscar.

'Parece que o próximo cenário começou. Isso marcará o fim do Ato III.'

A janela se dissolveu em nada.

Toc-toc.

Ele se virou.

À porta, estava um senhor servo da Casa Thorne — vestido em cinza carvão, com um escudo prateado no peito. Sua expressão era firme, porém cordial.

"O Lorde Albrecht solicita sua presença antes da sua partida, jovem mestre."

Ele assentiu com um breve gesto.

"Entendido. Vou agora."

O corredor que levava ao escritório de seu pai estava tão silencioso quanto sempre — silêncio demais. Aquele tipo de silêncio que parece pressionar a nuca, avisando que cada passo, cada palavra, deve ser medido com cuidado.

Noel chegou à pesada porta de madeira e bateu duas vezes.

"Entre", veio a voz de dentro.

Ele empurrou a porta.

O escritório estava pouco iluminado, embora raios mornos de sol matinal filtrassem por uma janela estreita atrás da mesa. Estantes cobriam as paredes, cheias de tomos encadernados em preto, vermelho e dourado. O ar tinha um aroma sutil de papel, óleo de madeira e algo mais antigo — como poeira que nenhum criado ousaria tirar.

O senhor Albrecht Thorne estava sentado atrás da mesa, com postura ereta, mãos unidas à frente. Vestia um casaco simples, escuro, sem joias, sem brasão — apenas autoridade feita carne.

Ao seu lado, havia um homem idoso que Noel nunca tinha visto antes. Magro, um pouco curvado pelo passar dos anos, trajando roupas formais impecáveis. Sua pele era pálida e enrugada, cabelo completamente branco, olhos afiados apesar das linhas ao redor. Devia estar perto dos noventa.

'Quem será esse velhote?'

Os olhos de Noel voltaram para a mesa. Algo chamou sua atenção ao limite da visão — uma moldura de prata, deitada de costas, perto de uma pilha de cartas não abertas. Ele mal reparou, mas estava lá.

Albrecht falou primeiro.

"Ouvi dizer que vai partir."

"Sim", respondeu Noel de forma serena.

"Ainda tem mais de um mês antes das aulas começarem. Quer explicar o motivo?"

Noel endireitou-se.

"Meus amigos estão atualmente na Capital Sagrada. Fica ao sul de Teralis. Achei que iria até lá primeiro, depois voltaria com eles para a academia."

Albrecht fixou o olhar por um momento, sem demonstrar emoção.

"Entendo."

Uma pausa. Demorou o tempo suficiente para parecer deliberada.

Noel tossiu levemente.

"Mais alguma coisa, pai?"

"Podes ir."

Noel assentiu, mas hesitou.

"...Antes de partir, posso pedir uma coisa?"

Albrecht estreitou os olhos sutilmente. "Você acha que ganhou o direito de me pedir favores?"

"Considerando que estou em décimo nono lugar em toda a academia," disse Noel calmamente, "creio que trouxe algum prestígio ao nosso nome."

"Hmm", resmungou Albrecht. "Lembro que você foi desqualificado durante o Festival de Caça."

"Verdade. Mas a classificação na academia é mais importante. Inclui todas as famílias nobres de cada continente."

Pausa.

"Você pode até ter um ponto," disse Albrecht. "O que deseja?"

"Gostaria de ter acesso à biblioteca da família Thorne."

Dessa vez, uma pausa mais longa.

"Hmm. Muito bem. Mais alguma coisa?"

"Não. É só isso. Obrigado, pai. Já estou de saída para a Capital Sagrada."

Albrecht não respondeu.

Noel se virou e saiu, fazendo a porta fechar com um click atrás de si.

O escritório permaneceu silencioso após sua saída.

Apenas o tique-taque de um velho relógio de parede preenchia o silêncio.

Lorde Albrecht recostou-se em sua cadeira, expirando pelo nariz. Seu olhar vagueou — não para a porta, mas até a mesa. Lentamente, alcançou e virou a moldura de prata que jazia de bruços.

Uma mulher lhe sorria de volta.

Cabelos dourados. Olhos verdes. Sua expressão era suave, capturada no momento em que ria. A luz na imagem era quente, como se quem a tivesse tirado tivesse capturado algo real. Algo frágil.

Era a primeira paixão de Albretcht, a mãe de Noel, que morreu ao lhe dar a luz.

Ele não disse palavra.

O velho que estava ao lado, silencioso até então, finalmente falou.

"Você trata elas como objetos, Albrecht. Sempre tratou desde que ela não está mais conosco. Isso fez os outros mudarem, e aquele menino sofreu por causa dessa mudança."

Albrecht não levantou o rosto. "É a única forma de eles sobreviverem."

"Você nem sempre foi assim."

"Eu também nem sempre fui pai, Frederick."

Frederick aproximou-se, com as mãos cruzadas atrás das costas.

"Você não é mais criança, mas ainda age como uma, quando se trata de dor."

Albrecht franziu a testa.

"Tenho cinquenta e dois anos. Não me chame de criança."

"Trabalho nesta casa há mais tempo do que você nasceu. Vou te chamar do jeito que eu quiser."

Uma longa pausa.

"Tento proteger eles," disse finalmente Albrecht. "Todos eles. Enquanto for possível. E a única maneira de fazer isso... é enterrar o segredo da família, pois, por ora, essa é minha responsabilidade."

Frederick abaixou a voz.

"Sabe que não vai conseguir esconder isso para sempre."

"Sei."

"E você está se destruindo no processo."

Albrecht não respondeu.

Os olhos de Frederick se fixaram na foto em suas mãos.

"Ele se parece com ela, não é?"

A voz de Albrecht saiu quase um sussurro.

"Sim... demasiadamente."

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A sala do trono era vasta — seu teto abobadado sustentado por pilares prateados gravados com runas celestiais. Luz pálida entrava pelas janelas altas de vidro colorido, lançando tons suaves de carmesim e azul sobre o piso de mármore. No extremo oposto, o rei Alveron IV, vestido de branco real com detalhes dourados, observava com olhos rubros afiados até em silêncio.

À sua frente estava Nicolas von Aldros, com expressão fechada, repleta de frustração contida.

"E daí?" perguntou Nicolas. "Conseguiu descobrir alguma coisa?"

Alveron inclinou-se levemente sobre um dos apoios, com a voz calma.

"Ele alega que não está envolvido."

Nicolas piscou. "E você acredita nele? Assim, sem mais, sem pressão, sem perguntas de acompanhamento?"

Alveron manteve o tom equilibrado. "Ele ofereceu ajuda pessoal na investigação. Disse que iria designar recursos da própria casa dele. Não podemos ter certeza de que são apenas demônios por trás disso."

Nicolas deu um passo à frente, com punhos cerrados atrás das costas.

"Você está ouvindo o que está dizendo, Alveron? Foi um ataque premeditado. A primeira tentativa foi interceptada por pura sorte. A segunda —"

Ele fez uma pausa, cerrando a mandíbula.

"— só foi interrompida porque um estudante resolveu intervir. Isso não é aleatório. É um plano estruturado. Coordenado. Ensañado."

Os dedos de Alveron batiam lentamente na extremidade do apoio.

"E ainda assim, falta-nos nomes. Rostos ou evidências sólidas."

Nicolas arregalou os olhos.

"Então, vou encontrar por mim mesmo."

Ele virou bruscamente sobre os calcanhares, com o som das botas ecoando pelo recinto.

Ao chegar à porta, murmurou em voz baixa:

'Parece que vou ter que lidar com isso pessoalmente. Vou procurar o garoto — Noel — ver se ele descobriu mais alguma coisa. Tem o péssimo hábito de estar exatamente onde o problema aparece.'

Ele desapareceu pelo corredor, com as portas se fechando atrás de si.

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As paredes eram altas, de pedra clara, reforçadas em simetria impecável. Torres se erguiam como spires brancos rumo às nuvens, cada uma gravada com símbolos dourados de fé. Bandeiras com o emblema da Capital Sagrada tremulavam ao vento — branco sobre dourado, com a forma de uma cruz radiante ao centro.

No centro da cidade erguia-se a grande catedral. Imensa, imponente e silenciosa. Seus portões de ferro negro estavam abertos, e os vitrais brilhavam com runas divinas — maldições de luz, proteção e devoção gravadas por mãos antigas.

Noel desceu da plataforma de pedra onde o mana-tram o deixara, cercado pelo movimento constante de carruagens, peregrinos e guardas com capuzes brancos.

Ele ergue o olhar.

A catedral pairava sobre a cidade como um julgamento — sua ponta mais alta coroada por uma cruz reluzente que capturava o sol da manhã.

Ruas largas se estendiam em todas as direções — umas levando para mercados, outras para claustros, bibliotecas ou edifícios envoltos em silêncio e incenso.

Noel ajustou a manga do casaco, com os olhos percorrendo o horizonte.

'Parece que estou aqui.'

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