O Extra é um Gênio!?

Capítulo 142

O Extra é um Gênio!?

A música continuava suave, fluindo como água pelo jardim aberto. Sob o dossel de luzes mágicas e árvores em flor, Veyron e Livia se moviam pelo piso de quartzo branco com graça bem treinada.

Noel estava a uma curta distância, uma mão descansando de leve no bolso, a outra segurando um copo quase vazio. Seu olhar seguia as duas figuras no centro—não com admiração, mas com algo mais silencioso. Dissociado.

'Isso não é pra mim.'

Ele observou enquanto Livia deixava Veyron guiá-la com facilidade, a expressão dela suave, até mesmo tranquila. Era estranho. Ela não parecia nada com a garota fria e amarga que ele lembrava quando o noivado foi anunciado. A tensão nos ombros dela tinha desaparecido. A rigidez na mandíbula havia se suavizado.

Então, um movimento ao lado dele chamou sua atenção.

Elena estava ali perto, as mãos cruzadas na frente, os olhos fixos no casal com uma expressão que não era nada menos que alegre. Não era sobre política, nem sobre a cerimônia. Ela simplesmente parecia feliz em ver o irmão se divertindo.

Noel a olhou de relance, depois voltou para o piso de dança.

Ele não pensou muito a respeito. Apenas agiu.

"Quer dançar?" ele perguntou.

Elena piscou, voltando-se como se tivesse sido puxada de um sonho.

"Eu?"

"Sim, você."

Seus lábios se abriram um pouco. "Eu… realmente não sei dançar."

Noel ofereceu um sorriso discreto.

"Não se preocupe. Eu também não."

Ele fez uma pausa.

'Embora isso não seja exatamente verdade. O Noel de antes parecia saber… mas eu não sei. Então não é mentira, né? O Noel de agora não sabe. Deveria parar de pensar nisso.'

Elena hesitou, depois olhou de volta para o piso de dança. Respirou lentamente e assentiu uma vez.

"Tudo bem… mas não ria se eu pisar em você."

"Não vou," ele ressaltou.

Ele estendeu a mão.

Ela a pegou.

Juntos, caminharam em direção ao centro iluminado da celebração, onde a música os aguardava e o mundo parecia, por uma vez, um pouco mais leve.

No momento em que pisaram na plataforma de quartzo, a música mudou para um ritmo mais lento—uma valsa élfica, suave e fluida, guiada por cordas e pelo suave zumbido de instrumentos de vento.

Noel virou-se para Elena e levantou a mão. Ela se aproximou, colocando uma mão levemente em seu ombro, a outra incerta na sua. Sua expressão estava focada, talvez até demais, como alguém tentando lembrar os passos de um feitiço que só conhecia na teoria.

Começaram a se mover.

Não foi perfeito.

Elena perdeu o primeiro compasso, dando um passo tarde demais e batendo o pé nele. Ela recuou rapidamente, ficando com as bochechas coradas.

"Desculpa—"

"Tudo bem," disse Noel calmamente. "Aqui."

Ele ajustou um pouco a postura e se inclinou, com a voz baixa perto do ouvido dela.

"Coloque seu pé direito sobre o meu."

Ela piscou. "O quê?"

"Confie em mim. Pise em cima. Deixe eu liderar."

Ela hesitou, mas obedeceu. Sua mão de luva verde apertou um pouco mais a dele enquanto colocava o pé sobre o dele.

Noel ajustou a postura e começou a se mover em sintonia com a música, deixando-se guiar pelo ritmo. A cada volta, a cada movimento suave, o peso de Elena o seguiu.

"Só siga o ritmo," ele murmurou. "Não pense."

Sentiu o corpo dela relaxar lentamente. A mão sobre o ombro dele afrouxou. A respiração dela se estabilizou.

Ao redor, outros casais giravam e se deslocavam. Conversas sussurradas na beira do piso. Luzes flutuando como sementes brilhantes capturadas por uma brisa eterna. Mas, por aquele momento, nada mais importava.

Elena olhou para cima uma vez.

Havia um sorriso sutil nos lábios dela agora.

Eles continuaram dançando—não de forma perfeita, não impecável—mas juntos.

E isso já era suficiente.

Depois de um tempo, a música suavizou para uma melodia mais suave. Elena saiu gentilmente do pé dele, mantendo a mão segurada por mais um instante além do necessário.

Então, ela puxou a manga dele.

"Vem comigo," ela sussurrou.

Ele levantou uma sobrancelha.

"Para onde?"

Elena o conduziu para fora da pista, serpenteando pelo jardim com propósito tranquilo. Noel seguiu sem questionar. O som da música ficava cada vez mais distante, substituído pelo som suave de cascalho sob os sapatos e o farfalhar das folhas ao alto.

Eles se aproximaram de uma das entradas laterais do palácio principal—um arco estreito coberto de videiras em flor, quase escondido atrás de um cortinado de hera. Elena empurrou a passagem e entrou, olhando para trás uma única vez para garantir que ele estivesse acompanhando.

Dentro, o clima mudou.

O corredor era feito de madeira viva, lisa e curva, iluminado por finas fitas de magia entrelaçadas no teto como veias de luz estelar. Era silencioso. Sagrado, quase.

"Você tem certeza de que não está me levando a algum lugar para se livrar de mim?" Noel brincou, meio provocador.

Elena riu. "Tentador, mas não."

"Então, para onde vamos?"

"Você vai ver."

Eles subiram uma escada de espiral estreita, feita do mesmo madeira dourada, serpenteando para o alto, através do coração da estrutura. Alguns assistentes élficos passavam pelos níveis inferiores, mas nenhum olhava para cima. Era um caminho reservado—destinado a quem sabia exatamente aonde ir.

Quando chegaram ao último andar, o espaço se abriu em uma varanda estreita sob uma cúpula de galhos entrelaçados e musgo macio. A vista era deslumbrante.

Daqui, todo o jardim se estendia abaixo deles—a pista de quartzo branco, as luzes flutuantes, os movimentos oscilantes dos nobres em trajes elegantes. A música ainda era audível, mas parecia vem longe, como uma memória.

Elena se inclinou um pouco, apoiando as mãos na balaustrada esculpida.

"Meu pai sempre prepara uma exibição mágica para esses eventos," ela falou suavemente. "Mas ele nunca anuncia. Diz que deve parecer um segredo só para quem fica tempo suficiente, ou que nota o que é especial."

"Que tipo de magia?"

"Luz. Água. Terra. Vides vivas. Ele entrelaça tudo e faz dançar ao som da música. É… lindo."

Noel a olhou.

"Então, é aqui o melhor lugar para ver isso?"

Ela confirmou com a cabeça.

"E você é o único que sabe que isso existe?"

Um pequeno sorriso curvou seus lábios.

"Acho que só queria compartilhar isso com alguém desta vez."

Eles se sentaram num banco comprido, esculpido diretamente da madeira viva, com um almofadote de musgo e seda bordada. A vista de cima parecia distante, como olhar para uma pintura. Lá embaixo, a música continuava a tocar, e os nobres se moviam como figuras em um sonho lento e coordenado.

Por um tempo, nenhum deles falou.

Elena se moveu um pouco, depois encostou a cabeça suavemente no ombro de Noel.

O cabelo dela tocou o colarinho dele, o peso suave de sua presença se instalando ao lado dele com uma surpresa de calor. Ele olhou para frente, sem dizer nada.

O céu acima de Teralis era um manto azul escuro atravessado por veias de luz, como se o mundo fosse costurado por algo mais antigo que o tempo. Uma brisa suave passou pela varanda, carregando o aroma de flores e incenso distante.

Noel olhou de lado. De onde estava, poderia ver um pouco do rosto dela—calma, satisfeita—e o leve tom rosado nas pontas das orelhas pontudas dela.

Ela estava envergonhada. Mas não afastou.

Ele não a provocou desta vez. Nem naquela noite.

'Tudo bem,' pensou ele. 'Posso descansar hoje. Acho que mereci. Amanhã, parto rumo à Capital Sagrada.'

E assim, sem palavras, eles assistiram ao mundo lá de cima—duas silhuetas imóveis na quietude, enquanto as luzes abaixo dançavam em seu lugar.

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