O Extra é um Gênio!?

Capítulo 141

O Extra é um Gênio!?

A sala tinha ficado completamente silenciosa.

Do lado oposto da entrada, apareceu Veyron von Lestaria. Vestido com um terno verde sob medida, adornado com sutis padrões dourados nos ombros e punhos, ele caminhava com a calma confiança de alguém que viveu sob escrutínio a vida toda. Seus cabelos loiros estavam atados de forma impecável, revelando traços marcantes e um olhar distante que percorria as fileiras de nobres sem hesitação.

Ao seu lado, caminhava Elena.

Ela segurava levemente seu braço, seus passos em perfeita sintonia com os dele. Seu vestido esmeralda brilhava sob a luz natural que caía através do teto arqueado, os detalhes dourados contornando a cintura e a clavícula, como delicadas vinhas. A fenda longa na perna dela revelava o suficiente para que sua elegância fosse ainda mais marcante. Suas luvas combinavam perfeitamente com o vestido, e seu cabelo platinado emoldurava o rosto enquanto caía suavemente pelas costas.

Ao redor do pescoço, o colar de platina reluzia com uma pedra de âmbar — presente de Noel.

Eles desceram pelo centro do pavilhão, passando pelas famílias nobres de Valor, de Elarith, e além. Todos os olhares estavam neles. Contudo, a expressão de Elena era composta. Sereno. Até orgulhoso.

Quando chegaram ao altar, Veyron soltou o braço dela e avançou sozinho. Elena lhe deu um pequeno aceno com a cabeça antes de assumir seu lugar entre as cadeiras da família, à direita.

Então, voltou o silêncio.

E então ela apareceu.

Livia Thorne entrou pelo lado oposto do salão, sozinha. Seu vestido era puro branco, simples porém incrivelmente elegante. Abraçava sua silhueta com modéstia, fluindo como luz da lua líquida a cada passo. Seus cabelos negros estavam soltos, caindo sobre os ombros sem nenhum joia ou presilha que os prendesse.

Noel a observava atentamente da segunda fila.

Os convidados se levantaram como um só, como dizia a tradição élfica. Livia passou por eles sem olhar para os lados. Seu foco estava à frente. Para o altar. Para Veyron.

Quando ela chegou perto dele, parou. Seus olhos se cruzaram.

Não falaram. Não sorriram.

Mas permaneciam ali, lado a lado. E nenhum dos dois desviou o olhar.

O sumo sacerdote avançou, sua longa túnica branca movendo-se suavemente enquanto levantava ambas as mãos em direção à assembleia. Um brilho dourado, suave, circundou o altar — magia entrelaçada no próprio ar, marcando o momento com um peso silencioso.

"Em nome da harmonia e da linhagem, reunimo-nos para testemunhar a união de duas casas e de duas almas", pronunciou o sacerdote.

"Que não haja dúvida, sombra ou hesitação. Apenas a vontade de seguir em frente — juntos."

Veyron estendeu a mão. Livia olhou para ela por um momento, depois colocou a sua na dele.

Seus dedos se encaixaram.

Dois pajens avançaram de cada lado, apresentando anéis cerimoniais sobre almofadas de marfim. Feitos de folha de prata entrelaçada, moldados por ferreiros élficos, carregavam tanto a tradição quanto um encantamento sutil — destinados a marcar quem os usava como ligados aos olhos de deuses e nações.

Veyron pegou primeiro o anel de Livia. Deslizou-o em seu dedo com movimento firme, sem tirar os olhos dela.

Ela fez o mesmo logo em seguida.

O sacerdote assentiu lentamente, uma vez.

"Pelo voto de espírito e sangue, que este laço seja selado."

Veyron se inclinou e a beijou.

Foi breve — mas não forçado.

Livia não recuou. Fechou os olhos. Suas mãos permaneceram nas dele. E, pela primeira vez desde o anúncio do casamento, seu corpo não aparentava tensão alguma.

Aplausos começaram suaves, primeiro desacelerados, depois mais fortes. Os nobres aprovaram. O ritual havia sido concluído.

De sua cadeira, Noel observava em silêncio.

'Talvez ela também esteja mudando. Resta só a Sylvette, as duas mães e meu pai… Essa será a parte mais difícil.'

Seus olhos se voltaram para Albrecht, que permanecia de pé, stoico, braços cruzados atrás das costas como uma estátua.

'Ainda não sei como a Casa Thorne foi à ruína. Na verdade, nem me importo, pra falar a verdade.'

A transição da cerimônia para a celebração foi natural e sem intercorrências.

As portas traseiras do Pavilhão Heartgrove se abriram amplamente, revelando os extensos jardins da propriedade von Lestaria. Caminhos pavimentados de pedra branca suaves se curvavam delicadamente pelo espaço, entre pavilhões abertos, fontes em forma de flores desabrochando e orbes de luz cristalina flutuando suavemente sobre os convidados. O aroma de folhas frescas, drinques adoçados e madeiras polidas permeava o ar.

No centro do jardim, uma grande pista de dança feita de quartzo branco polido brilhava levemente sob a luz do dia. Engenharia élfica a integrara perfeitamente à configuração natural do espaço — limpa, arredondada e cercada por grama macia e canteiros vibrantes que pareciam florescer em tempo real sob magia sutil.

Vários mesas rodeavam a área, com toalhas de cor verde claro e marfim, decoradas com centros de flores e talheres rúnicos de prata. Num dos lados, uma enorme buffet de alimentos com pratos que iam de javali assado e vegetais melados a mini doces élficos, sopas em taças de cristal e frutas exóticas das ilhas do sul.

Os convidados circulavam livremente pelo jardim — uns já reunidos perto das mesas de vinho, outros rindo em pequenos grupos sob tendas abertas. Criados se moviam com elegância, enchendo copos e orientando os presentes com desenvoltura.

Veyron e Livia caminhavam juntos, cumprimentando nobres, respondendo a felicitações com acenos e sorrisos discretos. Veyron lidava com a atenção com facilidade; Livia, embora mais reservada, não se afastava.

De longe, Noel os observava como quem não demonstra expressão alguma. Ficava na parte de trás, com os braços cruzados por um momento, apenas observando.

A beleza do jardim era inegável.

'Isso definitivamente não é minha vibe, mano, odeio esse tipo de convivência social,' pensou.

Depois de decidir que preferia não ficar batendo cabeça com esses pensamentos, foi até o buffet.

De pé perto da mesa, serviu-se discretamente com um prato modesto — carne assada, pão fresco e algumas fatias de fruta. Seus movimentos eram calmos, deliberados. Ao seu redor, a maioria dos convidados já tinha se agrupado em pequenos grupos, bebendo, rindo ou se preparando para a primeira dança. Ele preferia o silêncio.

Quando estendeu a mão para pegar um copo, uma voz familiar chamou-o por trás.

"Oi, Noel."

Ele se virou.

Elena estava a alguns passos, com as mãos descansando suavemente à frente. A luz do sol filtrava-se pelo dossel do jardim, trazendo uma luz suave ao cabelo platinado dela. O vestido — verde escuro com detalhes dourados — parecia emitir um brilho tênue. A longa fenda na perna balançava levemente com o peso que ela mudava, e a pedra de âmbar no pescoço captava a luz como fogo preso no vidro.

"Oi," respondeu Noel.

Ele olhou para ela um pouco mais do que pretendia.

"Esse não é o vestido de ontem."

Ela sorriu, inclinando a cabeça.

"Não, não é. Quis fazer uma surpresa... então menti um pouquinho."

"Entendi..."

Olhos dela o encararam por um instante.

"Como eu estou?"

Noel não hesitou.

"Muito bem."

Elas ficaram ali, a poucos passos, com vozes e risos ao redor, mas parecia distante — um silêncio em seu cantinho do jardim.

Então, do outro lado do espaço, uma melodia suave começou a subir — elegante, composta, inconfundivelmente élfica.

Um quarteto de cordas assumiu seu lugar sob um arco entrelaçado de galhos vivos. As primeiras notas de um valsa clássica se espalharam pela celebração.

Os convidados se voltaram para a pista de diamante de quartzo branco.

No centro, Veyron e Livia avançaram. Ele ofereceu sua mão. Ela aceitou.

E, juntos, começaram a dançar.

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