
Capítulo 140
O Extra é um Gênio!?
A luz da manhã filtrava suavemente pelas altas janelas da casa dos von Lestaria, pintando riscas douradas sobre o piso polido. Elena permanecia diante do espelho, silenciosa, os dedos deslizando lentamente pelo tecido do vestido que a abraçava.
Não era aquele que mostrou para Noel ontem.
Este tinha um tom de verde mais profundo, com bordados dourados que desenhavam padrões delicados ao longo dos lados. A saia tinha uma fenda ousada, que revelava quase toda a perna toda vez que ela se movia. O vestido se ajustava ao torso, sem mangas, embora seus braços estivessem cobertos por luvas verdes combinando, que se estendiam além dos cotovelos.
Seu cabelo platinado caía solto sobre os ombros, brilhando suavemente na luz matinal.
Ela estendeu a mão até a caixinha de veludo no penteadeira e a abriu com cuidado. Dentro, o colar que ele lhe dera — corrente de platina, pedra de âmbar — ainda reluzia como se guardasse a lembrança daquela noite no Martelo do Bêbado.
Ela o segurou por um momento, o polegar passando levemente pela gema.
'Você sempre encontra uma forma de ficar perto, não é assim.'
Clique.
O fecho fechou-se atrás do seu pescoço, e o pingente repousou suavemente acima do coração. Ela olhou uma última vez para si mesma — nobre, graciosa e inconfundivelmente ela mesma.
Depois, deu as costas ao espelho, exalou lentamente e caminhou em direção à porta.
"Hora do casamento", ela sussurrou.
Noel estava em frente ao guarda-roupa, já a meio caminho de se vestir. Ajustava os punhos do casaco azul escuro, depois alcançou a calça combinando, dobrada cuidadosamente ao lado. O tecido era liso, bem ajustado — feito sob medida há quase um ano.
Ele se lembrava muito bem daquela ocasião.
Naquele dia, as roupas estavam manchadas de sangue. A primeira vez que precisou matar. Não um monstro. Dez homens. Assassinos enviados para matá-lo — contratados por suas próprias duas mães.
Ele sobreviveu. Eles não.
A memória ainda pegava nele como o cheiro de ferro no ar.
Ele apertou a alça de couro do coturno preto e buscou a última peça: uma pequena argola de prata com uma pedra verde pálida embutida no centro.
Sigilho Sombrio.
Ele deslizou a argola no dedo sem hesitar.
'Só por precaução.'
A espada e a bolsa ficaram para trás hoje. A Fúria do Espectro descansava ao lado da cama, imóvel e silenciosa. A bolsa dimensional permaneceu fechada, guardada dentro de uma gaveta. Não haveria necessidade de nenhuma delas.
Mas a argola ficou.
Ele se olhou uma última vez no espelho. O casaco encaixava bem. Parecia um nobre de verdade. Um verdadeiro Thorne.
Esse fato ainda parecia estranho para ele.
Noel virou-se, pegou as luvas e saiu pela porta.
"Vamos acabar logo com isso. Espero que termine rápido."
A carruagem avançava suavemente pelo caminho de madeira sinuoso, elevado acima do chão da floresta. Raios de luz dourada filtravam-se pelo denso dossel, iluminando pontos de musgo e flores que cresciam ao longo dos troncos gigantes das árvores que formavam a base de Teralis.
Noel estava dentro de uma das carruagens de Thorne, o interior forrado de veludo verde e madeira de raiz polida. Através da janela lateral aberta, ele avistou trepadeiras passando e o brilho ocasional de insetos luminosos que zumbiam sob as passarelas.
Ele estava sentado entre Damon e Kael.
Diferente do Festival da Caçada, desta vez não havia tensão no ar. O silêncio parecia natural, não forçado. Damon parecia calmo, batendo preguiçosamente os dedos na parede de madeira ao seu lado. Kael sentava com uma perna cruzada sobre a outra, os braços cruzados, observando a paisagem passar com expressão neutra.
Noel ajustou distraidamente as mangas da jaqueta e quebrou o silêncio.
"Sabe," disse, olhando para Kael, "com a Livia se casando, isso deve te colocar na próxima fila. Vai planejar alguma coisa?"
Kael não respondeu imediatamente. Então piscou lentamente e disse: "Tenho vinte e dois. Não estou velho."
"Então, talvez," Damon sorriu de lado.
Kael lançou um olhar indireto para ele. "Pode ficar quieto? Mesmo que a Livia vá se casar com 20 anos, eu ainda sou jovem."
Noel permitiu-se um sorriso silencioso.
'Ainda não me acostumei com o quanto eles mudaram em apenas seis meses. O que diabos aconteceu naquele tempo? Será que foi realmente tão ruim?'
A carruagem passou sobre uma ponte longa e arqueada, suspensa entre duas árvores, balançando suavemente com o vento. Abaixo, bem longe das passarelas de madeira, pássaros dispersaram-se de um galho florido enquanto a procissão avançava.
Outras carruagens de Thorne seguiam atrás, com exterior envernizado refletindo a luz do sol que filtrava pelas folhas. Bandeiras da casa balançavam suavemente ao lado — seda preta com uma rosa carmesma.
Estavam se aproximando. O Pavilhão Heartgrove não estava longe agora.
A marcha freou lentamente à medida que a estrada se alargava, formando uma grande plataforma de aterrissagem construída nos galhos de uma das árvores mais antigas de Teralis. Na frente, surgiu o Pavilhão Heartgrove — elegante, alto, esculpido diretamente na madeira viva. Trepadeiras entrelaçadas com cristais de brilho suave delineavam as paredes externas, pulsando com magia silenciosa. Pontes douradas pálidas se estendiam para fora, conectando-se a outras partes da cidade élfica.
Não era pedra ou mármore que definia o lugar — era a própria natureza, moldada por mãos antigas com precisão impossível.
Noel desceu da carruagem atrás de Kael e Damon. Uma brisa quente passou pelas folhas acima, levando o aroma de madeira limpa e musgo em flor. A luz que atravessava o dossel criava padrões lentos sobre o chão da plataforma.
Um mordomo de roupas cerimoniais fez uma reverência ligeira e indicou na direção.
"Por aqui, Lords Thorne. Os assentos estão preparados."
Noel seguiu sem palavras. Outros membros da família Thorne já começavam a desembarcar e caminhar na direção da entrada, seus passos abafados pelas tábuas de madeira lisas sob as botas.
Em todos os cantos, a elegância dos elfos era evidente — não de forma extravagante ou dourada demais, mas refinada e eterna. As trepadeiras que subiam pelos corrimões floresciam em sintonia com seus movimentos. Lanternas pendiam de galhos, suspensas por fios invisíveis de mana. Até os arcos do pavilhão pareciam respirar com a floresta.
Ao dentro, a atmosfera de magia natural envolvia os convidados. A magia circulava pelas paredes como se fosse seiva na casca — suave e constante. O salão principal se abria amplo, com curvas e luz, sem cantos agudos — apenas contornos suaves, música suave tocada por músicos élficos em plataformas elevadas esculpidas na própria madeira.
Bancos dispostos em semicirculo ao redor do centro, em três níveis. Membros da família Thorne eram conduzidos à esquerda, os von Lestaria à direita. Entre eles, um espaço amplo coberto por folhas e pétalas vivas.
O altar era uma plataforma elevada, feita de raízes em espiral, com um dossel de galhos trançados acima. Luz suave filtrava-se por ele, exatamente onde a noiva e o noivo ficariam.
Noel caminhava ao lado de Kael e Damon rumo à segunda fila, notando quantas cabeças se viraram ao passarem. Reconheceu alguns rostos — nobres de Valor, dignitários de Teralis, até um par de observadores encapuzados de terras estrangeiras. Ninguém os abordou diretamente.
Sentou-se, deixando as mãos repousarem tranquilamente no colo. Seus olhos foram até o altar, ainda vazio.
'Ainda não é aqui', pensou.
Depois, olhou para o lado dos von Lestaria. Sem sinal de Elena também.
'Provavelmente ainda se preparando.'
Ele se ajustou na cadeira, exalando pelo nariz.
'Vamos acabar logo com isso.'
Um leve som de campainha ecoou pelo pavilhão. Os músicos baixaram seus instrumentos. Um silêncio discreto tomou conta do espaço — não pesado, mas cheio de expectativa. Então, de cada extremidade da plataforma, duas figuras começaram a andar em direção ao centro.
Primeiro apareceu Lorde Thalanor von Lestaria, alto e gracioso, trajando um robe verde escuro com detalhes de folhas douradas. Seu cabelo prateado estava preso na metade, e ele caminhava com a elegância relaxada de quem já está acostumado a ser observado. Seu sorriso, embora formal, carregava uma calorosa sinceridade.
Do lado oposto veio Lorde Albrecht Thorne. Seu casaco azul escuro estava impecável, com botões polidos e ombros bem estruturados. Os luvas pretas permaneciam nele mesmo enquanto caminhava para o altar.
Os dois homens se encontraram na frente do altar, trocaram um aceno, e então se voltaram para os convidados.
Thalanor avançou primeiro.
"Prezados amigos e nobres convidados, agradeço por atenderem a este convite. Hoje não é apenas um dia de união, mas de esperança. Meu filho, Veyron, sempre caminhou com ambição — mas hoje caminha com lealdade ao seu lado."
Algumas risadas tímidas surgiram na multidão enquanto Thalanor lançava olhares significativos para alguém na audiência — provavelmente Veyron, que aguardava próximo.
"Confesso que, quando ele me disse que desejava se casar com a filha da Casa Thorne, fiquei pensando se estávamos prontos para uma paixão tão... intensa." Risadas menores.
"Mas não demorou muito para perceber que isso não era política. Era propósito."
Seus olhos suavizaram um pouco.
"Que este dia marque não só a união deles, mas uma promessa entre nossas famílias — uma promessa de força, de futuro… e de algo raro entre os nobres: confiança."
Ele fez uma reverência cortês antes de recuar.
Então, Albrecht avançou.
Olhos de Noel se estreitaram um pouco.
O Senhor da Casa Thorne permaneceu de pé, alto, com a voz como uma lâmina — limpa, fria e afiada.
"Este dia marca uma aliança formal entre Thorne e von Lestaria. Foi discutida, negociada e aprovada. A decisão é definitiva."
Comentário murmurado na fila — silencioso.
Albrecht continuou.
"Minha filha Livia representa nossa casa com orgulho. Ela reflete nossa disciplina, e espero que cumpra seu papel com a mesma rigorosidade. É só."
Ele deu um passo para trás.
Nem uma ova de aplausos. Apenas silêncio.
Noel permaneceu imóvel.
'Sempre a mesma coisa. Direto ao ponto. Sem uma palavra de mais, realmente ele tem uma maneira única de cortar o clima.'
O sacerdote principal assumiu seu lugar entre os dois lordes, levantando as mãos enquanto uma suave luz dourada brilhava atrás dele.
"É hora", disse, com voz calma e ecoando. "Trazei a noiva e o noivo."
O casamento ia começar.