O Extra é um Gênio!?

Capítulo 139

O Extra é um Gênio!?

Noel estava sentado tenso na cadeira acolchoada no centro do quarto de Elena, sem saber se deveria ficar nervoso com o corte de cabelo ou com o fato de alguém estar segurando uma tesoura perigosamente perto da cabeça dele.

"Você tem certeza de que já fez isso antes?" ele perguntou, observando as pequenas tesouras de prata na mão de Elena com desconfiança.

"Sim, uma vez, pra ser sincera," ela respondeu animada, passando um fio do cabelo loiro entre os dedos. "Mas, afinal, quão difícil pode ser?"

"Reconfortante," ele murmurou, lançando um olhar breve na direção da porta como se planejasse uma fuga.

Elena sorriu baixinho por trás dele, já separando mechas do cabelo. "Só não se mexa muito. Não quero cortar sua orelha por acidente."

"Ótimo. Agora pareço um lobo e ainda posso ficar surdo também."

"Pare de dramatizar. Você não é tão peludo assim. Ainda."

Ele revirou os olhos, mas obedeceu, deixando que os dedos dela guiassem sua cabeça delicadamente para o lugar. O primeiro corte ressoou levemente no silêncio do quarto.

Por um momento, nenhum dos dois falou.

Elena se move com uma delicadeza surpreendente—cada movimento ensaiado, mesmo que ela negasse experiência. Noel fechou os olhos brevemente, relaxando a tensão nos ombros.

Pelo menos, estava tranquilo. Por enquanto.

O quarto permanecia em silêncio, salvo pelo suave som do corta e o leve tilintar dos fios de cabelo caindo ao chão. Noel ficou quieto na banqueta macia, envolto numa saia verde claro que Elena havia envolvido ao redor dele. Ela se movia com cuidado, penteando as mechas com os dedos antes de cortar, com uma expressão concentrada.

"Você melhorou nisso," Noel murmurou, fixando o olhar na janela à sua frente.

Elena sorriu levemente, afastando uma mecha dourada. "Sou uma aprendiz rápida."

"Hmph. Entendi."

Ela o cutucou suavemente na cabeça. "Não se mexa."

Mais uma pausa. Então, em um tom mais suave, ela perguntou: "Você lembra do que te disse… naquela época? Quando Lereus ainda estava por aí."

Os olhos de Noel se estreitaram um pouco. "Que não deveria me colocar em perigo?"

"Que… e," ela se aproximou por trás dele, os dedos parados na têmpora dele, "que pode confiar em mim."

Noel virou a cabeça um pouco, tentando alcançar o olhar dela.

Mas a mão de Elena pressionou gentilmente sua face, segurando-o. "Sem se mexer," ela sussurrou.

Seus olhos captaram a ponta de suas orelhas pontudas, rosadas de vergonha.

'Ela está corando.'

Noel não falou mais nada, deixando que ela continuasse cortando, o silêncio entre eles se alongando como algo delicado.

O barulho do corte recomeçou, mais suave agora, como se a tensão entre eles tivesse suavizado o som. Elena trabalhou com concentração silenciosa, suas mãos se movendo mais lentamente do que antes. Noel também não falou—não porque não tivesse nada a dizer, mas porque não tinha certeza de como dizer.

Finalmente, foi Elena quem quebrou o silêncio.

"Você sabe… quase estamos começando o segundo ano." A voz dela era gentil.

"Pois é," Noel respondeu, colocando as mãos nos joelhos. "Difícil de acreditar."

Elena aparou algumas mechas despretensiosas na nuca dele, com cuidado ensaiado. O silêncio entre eles persistia, não de forma desconfortável—apenas uma quieta intimidade.

"Ainda lembro como nos conhecemos," ela disse baixinho.

Noel piscou. "Isso mesmo… foi quando fomos perguntar alguma coisa ao Gareth Wren, não foi? O guia do nosso dormitório."

Elena confirmou com a cabeça. "Sim… Você se comportou como um cavalheiro naquele dia, lembra? Deixou eu passar primeiro, mesmo que tivesse chegado antes."

"Foi tão incomum assim?"

Ela hesitou. "Talvez. Havia alguns boatos ruins sobre você no começo. Acho que eles se dissiparam com o tempo."

"Fico feliz que tenham sumido," Noel disse, com um leve sorriso nos lábios.

Ela não respondeu, apenas continuou aparando, os olhos fixos. Um pequeno silêncio novamente se instalou entre eles—silencioso, reflexivo.

"O segundo ano vai ser diferente," ela falou finalmente. "Mais difícil. Mais responsabilidades. Trabalho no conselho… e novos estudantes."

Noel deu um suspiro. "A Seraphina vai me cuidar até cansar. Ela já prometeu isso."

"Ela confia em você."

"Esse é o problema."

Elena sorriu de novo e penteou delicadamente os fios finais. "Pronto."

Noel se levantou, sacudindo o tecido enquanto os fios de cabelo caíam. Virou-se de frente para ela.

"Então?" ele perguntou.

Elena inclinou a cabeça, estudando-o. "Você ficou… mais sério."

"Vou levar isso como um elogio."

Ela dobrou o pano, dando um pequeno aceno de contentamento.

"Obrigada," ele disse sinceramente.

"De nada," ela respondeu, com o olhar preso nele por um instante a mais.

Noel olhou para seu reflexo no espelho de parede. O corte ficou mais limpo, mais prático—parecia mais velho. Menos como estudante… mais alguém que já passou por coisa demais.

"Ficou bom," ele murmurou para si mesmo.

Elena o observava em silêncio, de costas, com os braços cruzados, um sorriso suave nos lábios.

"Você está nervoso para amanhã?" ela perguntou de repente.

"O casamento?" Noel virou um pouco o pescoço, experimentando o novo peso do cabelo. "Na verdade, não. Quem vai se casar não sou eu."

"Ainda assim… É sua irmã. E o Veyron é bom demais."

"Ele é," Noel admitiu. "Até demais pra ela, talvez."

Elena soltou uma risada curta. "Você falou, não eu."

Um breve silêncio. Noel a observou novamente.

"Obrigada por fazer isso."

"Noel," Elena disse, caminhando lentamente em direção à porta enquanto falava, "você pode me pedir ajuda sempre que precisar. Não só quando quiser cortar o cabelo."

Noel ficou quieto por um momento, assistindo ela abrir a porta do quarto com sua calma graciosa.

"Vou me lembrar disso," ele finalmente respondeu.

"Agora, que eu penso bem, ainda não vi a Matriarca Ilvanna von Lestaria—sua avó."

"Bem, houve uma mudança na hierarquia da minha família. Meu pai é o Patriarca agora. Para ser honesto, estou contente com a mudança. Minha avó… era um pouco antiquada."

"Entendi. Então, isso é uma coisa boa pra você, né?"

"Sim."

"Então, é melhor assim. Ela vai ao casamento?"

"Não."

"Espera, acho que não toquei em algo muito delicado, né? Ela não morreu, certo?"

"Não, preocupada. Foi só… umas desavenças. Minha família achou que era hora de mudar de ares."

"Entendi... E sua mãe, como fica após essa mudança?"

"Ela está bem. Mudou desde que minha avó deixou o cargo de matriarca, então ficou menos rígida."

'Ótimo saber que ela não precisa mais se esforçar tanto.'

E, com isso, os dois saíram do quarto juntos, com os passos ecoando suavemente pelo corredor de mármore claro.

Elena caminhou ao lado de Noel pela trilha de pedra curva que levava à propriedade da família, os dedos tocando levemente as mangas do vestido. O ar da noite era fresco, perfumado com flores e pinho distante. Por alguns passos, nenhum deles falou.

Quando chegaram ao portão de prata ornamentado, Noel se virou pra ela.

"Obrigado novamente," disse simplesmente.

Ela acenou com a cabeça. "De nada."

Por um instante, Elena pensou em dizer algo mais—queria pedir que ele ficasse um pouco mais, que dissesse algo antes de voltar para a casa Thorne.

Mas, em vez disso, ela sorriu suavemente. "Descanse bem. Amanhã será um dia importante."

"Vou tentar," disse Noel, com um sorriso de canto.

Ela abriu o portão, dando passagem. Ele passou, deu uma última olhada pra ela por cima do ombro. "Até amanhã, Elena."

"Mm." A voz dela ficou um pouco embargada. "Até."

Depois que ele desapareceu na rua, Elena ficou lá por um momento, olhando para a noite silenciosa. Pressionou uma mão contra o peito, tentando acalmar o calor que se espalhava por seu rosto.

Passos se aproximaram por trás dela.

"Elenaaaaa~" veio uma voz brincalhona—sua irmã mais nova.

"Elena, quem era aquele?" acrescentou seu irmão mais velho, levantando uma sobrancelha.

Uma cacofonia de irmãos a cercou, como lobos que farejam algo doce.

"Ele é seu namorado?"

"É o cara de quem a mãe falou?"

"Você ficou vermelha pra caramba!"

Elena congelou, com o rosto ardendo. "N-Nada disso," ela murmurou rapidamente, passando por eles apressada, correndo de volta para dentro.

Mas suas orelhas—longas e pontudas—permaneceram rosadas de um rosa intenso.

E seu coração… recusava-se a se acalmar.

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