
Capítulo 138
O Extra é um Gênio!?
Ele virou-se ao verem-los, oferecendo um sorriso cordial. Elena foi a primeira a dar um passo à frente.
"Noel, este é Veyron. Veyron, este é Noel."
Veyron estendeu a mão com um gesto respeitoso. "Prazer em conhecê-lo, Noel. A Elena fala muito bem de você."
Noel, um pouco surpreso, apertou a mão dele. "Ela fala?"
Veyron deu uma risadinha. "Você ficaria surpreso. Obrigado por vir. Sei que sua irmã deve estar feliz."
'Então é esse cara', pensou Noel, observando-o com uma sutileza crítica. A postura de Veyron era ereta, o tom de voz controlado. Calmo, educado, quase perfeito—mas não falso. Sincero.
'Ele é exatamente como a Livia descreveu. Direto, gentil, racional. Talvez isso reflita nela também.'
"Parabéns pelo casamento", disse Noel em voz alta.
"Obrigado. Espero fazer sua irmã feliz. De verdade."
Por um instante, Noel ficou sem saber como responder. Ele simplesmente assentiu com a cabeça.
Depois, Veyron fez um gesto leve em direção ao corredor próximo. "Quer conhecer o resto da minha família?"
"Ah... não quero ser inconveniente."
"Você não será. Pode vir, vai ser rápido."
Noel hesitou, mas acabou assentindo novamente. "Tudo bem."
Ele o seguiu, com a curiosidade despertada. Afinal, não é todo dia que se conhece a família na qual sua irmã vai se casar.
Veyron conduziu-o por um corredor lateral decorado com trepadeiras douradas delicadas, até uma ampla varanda com vista para um dos jardins internos da propriedade. Lá, sentados ou em piqueniques calmos, estavam seus familiares.
"A Elena comentou de você algumas vezes", disse Veyron calmamente enquanto caminhavam. "Mas achei melhor que nos conhecêssemos assim—com um pouco mais de contexto."
Noel assentiu, ajustando a postura enquanto examinava o local. Era evidente que a família Lestária não era apenas nobre—eles encarnavam isso. Cada um parecia ter saído de uma pintura harmoniosa, vestindo roupas fluidas de branco pérola, verde floresta bem escuro e detalhes em prata.
"Pai," disse Veyron respeitosamente ao pararem ao lado de um elfo alto, com expressão séria e testa franzida, cabelo preso em um coque alto. "Este é Noel Thorne. O irmão mais novo da Livia."
Lord Thalanor von Lestária virou-se e acenou com educação.
"Seja bem-vindo à nossa propriedade. Minha filha falou de você."
Noel fez uma reverência modesta. "Obrigado por nos receber, Lorde Lestária."
Logo surgiu uma mulher de feições delicadas, cabelo loiro âmbar e olhos da cor de folhas novas sob a luz do sol—a mãe de Veyron, Lady Avelyne.
"Prazer em conhecê-lo, jovem Thorne. Ouvi dizer que frequenta a Academia Imperial", ela disse com voz calorosa.
"Sim. É uma honra estar aqui."
Depois, vieram as outras—duas esposas secundárias do patriarca Lestária. Uma parecia gentil e amável, a outra mais reservada, mas igualmente elegante. Logo após, entraram os oito irmãos de Veyron, um por um.
Cada um cumprimentou Noel com reverências ou acenos respeitosos. Alguns olhavam com curiosidade discreta, outros com sorrisos abertos. Haviam guerreiros, acadêmicos e até uma menininha tímida de no máximo nove anos, escondida atrás do vestido da mãe.
"Prazer em conhecê-lo", dizia Noel a cada um, ajustando suavemente o tom e a expressão, lendo a atmosfera com destreza treinada.
'Então é assim uma família nobre pacífica... agora que penso, eles têm um patriarca, alguma coisa mudou.'
Internamente, não conseguia evitar compará-los aos Thornes. Sua própria família era uma dança de lâminas veladas. Essa, embora claramente estruturada e cheia de regras, parecia... harmoniosa.
Depois que as apresentações terminaram, Veyron olhou para ele.
"Viu? Não há motivo para se preocupar."
Noel assentiu lentamente, ainda digerindo. "Sim... nada de errado mesmo."
'Muita gente para um dia só...'
Noel começava a relaxar—um pouco—quando notou algo estranho: três dos irmãos mais novos de Veyron cochichando perto de uma das colunas. Um deles apontou—discretamente, mas claramente—em direção a Elena. Depois todos sorriram.
'Claro... mesmo na terra dos elfos, irmãos continuam sendo irmãos.'
Antes que pudesse decidir como reagir, uma sensação familiar puxou sua manga, chamando sua atenção.
"Vem comigo", sussurrou Elena, já puxando seu braço.
Ele piscou. "Estamos... fugindo?"
"Eles começaram a falar de mim", ela murmurou baixinho, com o rosto corado.
"Falar?" Noel repetiu enquanto dobravam uma esquina.
"Sabe... coisas."
Noel levantou uma sobrancelha. "Tipo uma provocação?"
"Tipo uma provocação embaraçosa."
"Sobre você e eu?"
Ela não respondeu, apenas acelerou o passo. O corredor girava suavemente, com a luz do sol filtrando por cortinas verdes semi-translúcidas. O aroma de plantas frescas preenchia o ar.
Noel observava seu perfil enquanto ela o conduzia para longe—com os lábios apertados, ainda vermelha, mas determinada. Sua pegada no pulso dele era surpreendentemente forte para alguém do tamanho dela.
Por fim, pararam numa varanda menor, mais isolada e silenciosa.
"O quê?" perguntou Noel, inclinando a cabeça.
Elena soltou seu braço e cruzou os braços. "Nada..."
Ele levantou uma sobrancelha. "Sério?"
Ela desviou o olhar. "...Tudo bem. Eu também não queria que eles falassem bobagens de você."
Noel sorriu levemente. "Isso... é inesperadamente fofo."
"Cale a boca."
Seguiu-se um silêncio, apenas o vento suave balançando as árvores acima.
Então Noel falou: "Ei... manda um favor pra mim?"
Elena virou-se para ele, um pouco desconfiada. "Depende."
"Meu cabelo", ele disse, levantando um fio. "Tá muito longo. Você acha que poderia cortar?"
Elena piscou. "Quer que eu corte seu cabelo?"
"Não tenho opções. E amanhã é o casamento. Se eu estragar, digo que um dragão-marinho deu um mordida."
Ela mordeu o lábio, entre um sorriso e uma preocupação. "Não sou profissional, sabe."
"Confio em você", respondeu Noel com convicção calma.
Ela o olhou por um momento, os olhos piscando. Depois, suspirou suavemente e assentiu. "Tudo bem. Mas se ficar horrível, não reclame."
Ele deu de ombros. "Nem pensaria nisso."
Andaram em silêncio pelos corredores superiores do sítio, enquanto o sol da tarde lançava uma luz âmbar pelas janelas de vitrais. Noel mantinha as mãos nos bolsos, enquanto Elena caminhava algumas passos na frente, guiando-o.
Quando chegaram ao quarto dela, ela parou em frente à porta e olhou para ele.
"Não ria da bagunça", avisou, abrindo a porta.
Noel levantou uma sobrancelha. "Você é a imagem da perfeição. Duvido que deixe caos para trás."
Ela entrou, e ele a seguiu.
O quarto era acolhedor, com uma iluminação suave. Cortinas verde pálido ondulavam na janela, e uma pequena estante transbordava de livros e pergaminhos usados. Na mesa, um conjunto de tesouras de cabelo polidas brilhava ao lado de um espelho manual.
"Então, essa é a toca da princesa", comentou Noel, observando o espaço.
Elena sorriu suavemente enquanto fechava a porta. "Sente-se. E tente não se mexer muito."
Noel puxou a cadeira, sentou-se e soltou um suspiro longo. "Vamos logo nisso."
Ela pegou as tesouras com dedos cuidadosos. "Tente não se mexer demais... Eu até que gosto das suas orelhas."