
Capítulo 147
O Extra é um Gênio!?
A luz da manhã filtrava suavemente pelas árvores ao redor do pátio do orfanato. Crianças corriam rindo, e o aroma quente de pão recém-assado pairava no ar.
Charlotte estava perto de um banco de madeira, distribuindo pedaços de pão com um sorriso brilhante e satisfeito. Seu cabelo cor-de-rosa brilhava sob o sol, e seus olhos amarelos cintilavam com calor.
Noel se aproximou silenciosamente, com as mãos nos bolsos, sua camisa preta balançando levemente com a brisa leve.
"Charlotte", chamou ele.
Ela se virou, piscou uma vez e seu sorriso se alargou.
"Hã? Pervertido? Sou eu?" brincou, com um tom alegre e brincalhão como sempre.
Noel deu um leve revirar de olhos. "Você se importaria de me mostrar a Capital Sagrada hoje? Quero... ver ela. Com você."
Charlotte piscou novamente, claramente surpresa—mas de forma agradável.
"Hã? Você quer que eu te mostre a cidade? Sério?" perguntou, apontando para si mesma com as duas mãos.
"Quem mais?" respondeu Noel. "Você conhece o lugar melhor que ninguém aqui. E... se eu andar com você, não vai despertar suspeitas raras."
Charlotte inclinou levemente a cabeça, formando um pequeno "o" com os lábios antes de sorrir de novo. "Isso é verdade. Todo mundo confia na Santa!"
Noel deu-lhe uma expressão séria quase sorridente. "Exatamente."
"Bem..." ela tocou o queixo com um dedo, fingindo pensar. "Acho que posso te dar o melhor passeio de todos. Mas só se você prometer parar de ser traidor e pervertido."
"Eu não prometi nenhuma dessas coisas desde o começo."
Ela colocou a língua para fora. "Então, vou considerar isso um ato de redenção."
Noel balançou a cabeça com um suspiro leve. "Tudo bem. Pode liderar, Santa."
Charlotte virou-se, fazendo um gesto para que ele a seguisse, com um pulo animado. "Vamos lá! Vou te mostrar as melhores partes da capital!"
Enquanto ela o conduzia pelas portas e adentrava o coração da Capital Sagrada, a expressão de Noel ficou mais séria—seus olhos já examinando os arredores, as patrulhas, as torres ao longe.
'Hora de memorizar tudo.'
As ruas da Capital Sagrada eram calçadas com pedra polida, limpas e largas, ladeadas por jardineiras floridas e lojas modestamente elegantes. Os prédios, predominantemente brancos com detalhes dourados, refletiam o sol da tarde em tonalidades suaves e radiantes.
Charlotte caminhava à frente de Noel, assobiando uma melodia animada enquanto apontava marcos—escolas administradas pelo clero, uma padaria que doava sobra de doces para o orfanato, e uma pequena praça com uma estátua do primeiro Santo.
"E ali é a torre do sino! Toca toda hora e nos dias santos ela—ei, você está até ouvindo?" Charlotte olhou por cima do ombro.
"Estou," respondeu Noel com suavidade. "Só... absorvendo tudo."
Seus olhos se movediam de um lado a outro—havia guardas posicionados em quase todas as interseções, vestidos com armaduras brancas marcadas com cruzes douradas. Uns portavam lanças, outros espadas longas, todos marchando com disciplina treinada.
Charlotte seguia andando, conversando casualmente. Noel deixou alguns momentos passarem antes de perguntar, "Quantos Cavaleiros Sagrados estão na cidade atualmente?"
"Hã? Ah, não tenho certeza do número exato," respondeu ela sem hesitar. "Mas sempre tem bastante perto da igreja e nos bairros internos. O Padre Orthran diz que é importante manter a paz e afastar as pessoas ruins."
"Entendi... Eles trocam de turno com frequência?"
"Hmm… talvez? Acho que sim. Às vezes vejo rostos diferentes. Por quê?"
"Sem motivo," respondeu Noel de forma casual. "Eles parecem... bem treinados."
Charlotte sorriu orgulhosa. "Eles são! A Guarda Sagrada é escolhida de todos os cantos dos continentes. Só os melhores protegem a capital. Não é legal?"
"Muito," murmurou Noel, olhando na direção de uma torre próxima. Dois guardas estavam no topo, com bestas em mãos. Ele contou silenciosamente quanto tempo levava pra trocarem de posição.
Charlotte, alheia ao seu interesse mais profundo, continuou caminhando feliz ao lado dele. "Quer ver os jardins agora? Ah! Tem uma fonte que parece uma pomba. É muito bonita!"
"Pode liderar," respondeu Noel.
A parte interna da Capital Sagrada se desdobrava como uma flor sagrada—rosáceas elegantes, avenidas amplas e pátios imaculadamente cuidados marcavam cada passo do passeio. Charlotte liderava com passos leves, com as mãos cruzadas atrás das costas, falando com facilidade e carinho de cada canto da cidade.
Noel caminhava ao lado, dizendo pouco, mas observando tudo.
Viu como as ruas se estreitavam perto de certos cruzamentos—pontos perfeitos de bloqueio. Notou a posição das torres que se elevavam acima dos edifícios em intervalos regulares, cada uma vigiada por guardas armados. As entradas para zonas críticas—basílica, tesouro, residência do alto clero—tinham portões de acesso em camadas, portas de madeira reforçadas com bandas de aço, e patrulhas coordenadas com precisão militar.
"Está gostando da cidade?" perguntou Charlotte, torcendo um pouco um fio de cabelo rosa entre os dedos.
"É linda," disse Noel com sinceridade. "É limpa, segura e silenciosa também."
"Claro! A Capital Sagrada é o lugar mais seguro do mundo. Nem criminosos têm coragem de aparecer aqui."
Os olhos de Noel se voltaram para uma inspeção feita por guardas de capuz branco, examinando um carrinho de entregas. "Pois é... dá pra entender por quê."
Ele inclinou a cabeça, fingindo admirar uma estátua de um anjo em voo—sua atenção verdadeira estava na pequena órbita de cristal embutida logo acima do portão principal, provável enfeitiçamento de vigilância. Igual ao da academia, mas muito mais refinado.
Charlotte voltou a caminhar à frente, alheia aos seus olhares de inspeção e às cálculos silenciosos que ele fazia.
'Isso aqui não são só defesas. O lugar todo foi construído para capturar ameaças assim que aparecem. Se eu for infiltrar os andares mais baixos… vou precisar de mais que uma máscara. Vou precisar de um plano completo.'
"Vamos lá, devagar, né?" Charlotte chamou do fonte à frente. "Não vou parar a visita toda hora que você ficar olhando pra uma pedra!"
Noel sorriu suavemente. "É uma pedra bonita."
Ela riu, acenando para que ele se aproximasse. "Na próxima tem uma melhor."
E assim, o passeio continuou. Mas para Noel, o verdadeiro mapa da Capital Sagrada já começava a se formar—uma observação de cada vez.
Quando o sol começou a se pôr, lançando raios dourados entre as colunas de mármore da cidade, Noel e Charlotte caminhavam por um bairro residencial mais tranquilo—onde sacerdotisas cuidavam de jardins e seguidores idosos da Igreja passeavam lentamente em oração.
A risada tinha diminuído um pouco. O clima ficou mais suavizante, mais pensativo.
Noel olhou de lado para Charlotte. "Ei... lembra do que você me disse? Que eu não cheirava a coisa ruim."
Charlotte piscou. "Claro que lembro. Antes de você me trair." Ela fez uma cara de protesto de lado.
Noel suspirou. "Certo. Aquilo."
Parou alguns passos depois e olhou ao redor—imediatas paredes de pedra limpas, caixas de flores nas janelas, e o perfume leve de incenso no ar.
"Deixa eu te perguntar uma coisa," disse ele. "As pessoas aqui na Capital Sagrada… cheiram bem pra você?"
Charlotte levantou uma sobrancelha. "Que tipo de pergunta é essa?" Então, inclinou a cabeça como se realmente estivesse pensando. "Quer dizer... sim? Nunca percebi algo estranho assim aqui. Todo mundo é muito gentil, devoto e... acolhedor."
"Entendi," murmurou Noel, ajustando a gola da camisa. "Deve ser coisa da cidade sagrada."
Charlotte estreitou um pouco os olhos. "Por quê? Você cheirou algo ruim?"
"Não, não. Só estou curioso," disse ele, dando de ombros. "É um presente interessante. É só isso."
A boca dela voltou a fazer cara de protesto, mas desta vez se transformou em um sorriso. "Você é estranho, sabia? Mas acho que é melhor do que ser um pervertido e traidor."
"Agradeço a promoção," respondeu Noel com secura.
Ela deu uma risada e pulou um passo à frente, assobiando algum hino baixinho.
O olhar de Noel ficou nela por um momento, depois se moveu para as torres da catedral central, se preparando para o que viria a seguir.
'Seja lá o que estiverem usando, está embotando o senso dela. Não suprimindo completamente—só... escondendo o cheiro. E ela nem percebe.'
Sua mão apertou um pouco. Isso só piora.
Eles voltaram pouco antes das badaladas da noite, os passos ecoando suavemente na estrada de pedra polida, enquanto o céu ganhava um tom violeta escuro. A Capital Sagrada se acomodava ao ritmo noturno—padres fechando portas de capela, velas acendendo nas varandas, hinos tranquilos flutuando na brisa.
Charlotte parou na borda do pátio do orfanato. "Bem... acho que é isso," disse, com as mãos entrelaçadas atrás das costas, balançando levemente na ponta dos pés.
"Obrigado pelo passeio," respondeu Noel. "Foi útil."
Ela sorriu, com as bochechas levemente coradas. "Claro! Você conseguiu ver tudo, né?"
"Tudo, sim," respondeu de forma vaga.
Charlotte inclinou a cabeça, mas não insistiu. "Então... eu vou entrar primeiro. Até mais, pervertido."
Noel estreitou os olhos, mas não discutiu. Ela sorriu vitoriosamente e se virou, caminhando com um pulo animado.
Quando ela chegou à porta, o sorriso dela ficou um pouco mais suave.
'Espero que isso ajude a melhorar um pouco nossa relação... E que ele esqueça na hora que eu juntei a cabeça dele.'
Com um risinho silencioso, ela desapareceu lá dentro.
Noel permaneceu por um momento sob o arco, olhando para a lua que começava a subir sobre as muralhas da cidade.
'Agora sei o esquema. Os guardas. As posições das torres. Os esconderijos.'
Seus olhos se aguçaram.
'A fase um terminou.'