O Extra é um Gênio!?

Capítulo 135

O Extra é um Gênio!?

Noel ficou diante das portas elegantes de madeira clara que levavam à residência designada à Casa Thorne para sua estadia em Teralis.

A propriedade, por si só, era refinada e aberta, repleta da beleza natural típica da arquitetura élfica — mas sem exageros.

O casamento aconteceria em dois dias.

Noel soltou um suspiro suave.

'Depois do casamento, terei que ir à Capital Sagrada… e, depois disso, voltar para a Academia. Sem descanso para mim.'

Assim que entrou, uma brisa fresca e perfumada o recebeu.

As paredes da mansão eram lisas e brancas, polidas até um brilho suave.

Herbácias de hera verde e filigranas em prata percorriam as vigas do teto.

Detalhes em dourado — amarelo-ouro — decoravam os cantos dos corredores arqueados, e janelas de vidro fino permitiam a entrada de raios de luz natural.

Era um espaço pensado para harmonizar com o entorno, não para exibir poder.

Um mordomo — um elfo de roupa verde-claro e dourada — aproximou-se e fez uma reverência graciosa.

"Seja bem-vindo, jovem senhor Noel," disse suavemente. "Permita-me levá-lo ao seu aposento."

Noel pensou secamente.

'Sempre tem alguém me conduzindo, onde quer que eu vá.'

Sem dizer uma palavra, seguiu o mordomo por um corredor longo e arejado.

Aqui, não havia tapeçarias pesadas ou retratos — apenas padrões esculpidos de folhas, fluindo pelo mármore branco e pela madeira, combinando com a estrutura natural do edifício.

Um suave zumbido de magia parecia pulsar pelo espaço, leve e sutil.

Finalmente, chegaram.

"Este será o seu quarto durante a sua estadia, senhor," disse o mordomo, abrindo uma porta de dobradiça fina com uma maçaneta de prata.

Noel entrou.

O cômodo era simples, porém elegante.

Uma cama grande com lençóis brancos macios, com cabeceiras finas de prata.

Um guarda-roupa de madeira liso.

Uma escrivaninha de madeira polida de verde escuro, sob uma janela arqueada alta.

A luz do sol que entrava criava uma atmosfera acolhedora e tranquila no ambiente.

Antes de sair, o mordomo acrescentou suavemente:

"Seu pai solicita sua presença nesta noite, jovem senhor, para o jantar com a família."

Noel assentiu levemente.

"Diga a ele que estarei lá."

O mordomo fez mais uma reverência e saiu silenciosamente.

Noel sentou-se na beirada da cama, respirando fundo.

A colcha era firme, e o aroma de folhas frescas e lavanda enchia o ar.

Por um momento, deitou-se olhando para o teto, com os braços cruzados atrás da cabeça.

Silêncio.

'Dois dias,' pensou. 'Vamos sobreviver a isso.'

Depois de descansar um pouco, Noel levantou-se.

O silêncio do aposento começou a deixá-lo inquieto.

Ele se levantou, ajustou a jaqueta e decidiu explorar a residência.

Os corredores eram largos e iluminados, com a luz do sol entrando pelas janelas arqueadas. O ranger suave do piso sob suas botas ecoava levemente.

Ao percorrer uma das maiores galerias internas, vozes chegaram aos seus ouvidos.

Ele parou.

Ao virar a próxima esquina, avistou duas figuras altas ao lado de uma varanda — Kael Thorne e Damon Thorne.

'Droga. Não era isso que eu queria enfrentar assim que cheguei… tinha ficado no meu quarto, se pudesse.'

Ambos estavam vestidos com elegância, mas a postura parecia mais relaxada do que Noel lembrava.

Quando perceberam sua presença, viraram-se na direção dele.

Um silêncio tenso se instaurou entre eles.

Noel manteve a expressão neutra, os ombros eretos. Sua voz foi fria.

"Não esperava ver vocês dois tão cedo."

Kael foi o primeiro a falar — com tom calmo, quase… diferente.

"Noel."

Damon completou. "É… bom te ver."

Noel estreitou os olhos ligeiramente.

'Isso é novidade.'

Ele ficou ali, com os braços cruzados.

Kael deu uma olhada rápida para Damon, depois voltou a olhar para Noel.

"Sabemos… que provavelmente não temos direito de pedir seu tempo," disse lentamente. "Depois de como nos comportamos com você."

Damon assentiu. "Mas nossas atitudes mudaram. Isso é fato."

Noel levantou uma sobrancelha, desconfiado.

"Sério? E o que motivou essa revelação repentina?"

Kael sorriu, de aparência quase amarga.

"A academia para a qual o pai nos enviou não foi fácil. Treinamento militar. Disciplina rigorosa. Lutas de verdade. Aprendemos muito mais do que só aprender a manejar uma espada."

Damon acrescentou: "E nos fez perceber o quão patéticos tínhamos sido antes. Especialmente com você."

Por um momento, Noel permaneceu em silêncio.

Então, um pensamento invadiu sua mente.

'Aquela academia militar teve efeito, hein… grande efeito, pelo jeito.'

Mas ele não ia baixar a guarda tão facilmente.

Sua voz continuou fria.

"Vamos ver se essas palavras realmente significam algo. O tempo dirá."

Kael deu uma ligeira inclinação de cabeça.

"Justo."

Damon também acenou com a cabeça de forma breve.

Noel não acrescentou mais nada. Sem mais palavras, seguiu pelo corredor.

'Não era o encontro que eu esperava… mas também não foi o pior resultado.'

Noel caminhou com passos firmes pelo corredor.

Por um tempo, passou apenas por pátios silenciosos e por alguns servos se movendo graciosamente pela residência.

Então, ao virar uma das galerias laterais mais elaboradas, avistou uma figura familiar à sua frente.

Livia Thorne.

Ela estava perto de uma janela alta, o sol refletindo em seus cabelos negros finamente arrumados, que caíam em ondas perfeitas pelas costas.

Vestia um vestido vermelho profundo, elegante e afiado — a imagem perfeita de uma herdeira nobre.

Seus olhos se encontraram no momento em que ele entrou na passagem.

Seu sorriso foi sutil, não exatamente uma expressão de alegria.

Algo mais frio.

Ela se virou completamente para encarar Noel, com uma voz suave e controlada.

"Meus parabéns, irmãozinho. Que encantador que você chegou."

Noel parou alguns passos atrás, com as mãos nos bolsos de maneira casual.

"Posso dizer o mesmo de você."

O clima entre eles ficou tenso. Ambos sabiam exatamente onde estavam — e onde se recusavam a ceder.

Noel inclinou a cabeça levemente.

"Sabe," afirmou com tom calmo, mas cortante, "poderia seguir o exemplo dos outros e tentar mudar. Talvez isso beneficie o seu futuro marido — ele provavelmente iria gostar de uma esposa mais racional… e menos impossível."

Os olhos de Livia relampejaram.

Ela deu um passo gracioso à frente, com queixo erguido.

"Querido irmão," respondeu suavemente, com uma ponta de veneno na voz.

"Nem todos aspiram a rastejar para ganhar a aprovação dos outros. Talvez isso funcione bem para… aqueles de posição inferior."

'Espera… eu também sou nobre,' pensou Noel de forma seca.

'Enfim — não faz diferença.'

Ele lançou-lhe um sorriso sutil e cheio de conhecimento.

"Aproveite bem o seu dia, minha adorável e bela irmã Livia."

Sem esperar resposta, virou-se e passou por ela — ombros relaxados, passo tranquilo.

O olhar dela o acompanhou enquanto ele se afastava, impassível.

O sol da noite começava a mergulhar atrás das altas árvores de Teralis quando Noel se dirigia ao salão de jantar.

Ele se moves moderadamente pelos corredores brancos e dourados, os passos silenciosos sobre o piso polido.

Ao chegar ao grande salão, as portas duplas altas já estavam abertas — uma luz suave emanava de dentro.

Noel entrou sem dizer uma palavra.

A longa mesa de jantar se estendia por toda a sala — decorada com um fino pano branco, talheres de prata e taças de cristal.

Algumas discretas arranjos de flores brancas e verdes acrescentavam um toque de elegância sutil.

Na cabeceira da mesa, sentava-se Albrecht Thorne.

alto, de ombros largos, seu olhar frio parecia dominar o ambiente com autoridade absoluta.

Uma mão repousava casualmente no braço do cadeira de encosto alto.

Os olhos de Noel desviaram-se um pouco.

Sentada ao seu lado, sua irmã mais nova, Sylvette Thorne — pequena, delicada, com olhos prateados e expressivos, perceptíveis, mas indecifráveis.

Ela não falou, mas um leve sorriso curvou seus lábios ao cruzar o olhar com Noel — como se estivesse esperando alguma demonstração.

'Claro,' pensou Noel. 'Ela gosta quando me colocam no meu lugar.'

Ele avançou silenciosamente e ocupou a cadeira que lhe havia sido destinada — perto da extremidade inferior da mesa.

Alguns minutos depois, Kael e Damon entraram juntos, com posturas mais relaxadas do que Noel recordava de anos atrás.

Cumprimentaram o pai com reverências corteses antes de se acomodar do lado oposto de Noel.

O silêncio prevaleceu por alguns momentos.

Até que entrou Livia.

Ela entrou com a mesma elegância composta de sempre, os cabelos negros caindo sobre os ombros, vestindo mais uma vez um vestido vermelho afiado.

Fez uma leve reverência ao pai e acomodou-se com delicadeza ao lado dele.

Por fim, chegaram as duas esposas de Albrecht.

Primeiro, Mirelle — uma mulher alta, de traços suaves, vestida com roupas douradas e brancas.

Depois, Serina — mais robusta, de expressão fria, trajando verde escuro e prata.

Ambas cumprimentaram silenciosamente Albrecht e sentaram-se à mesa.

A família estava reunida.

Noel recostou-se levemente na cadeira.

'Vamos ver como isso vai rolar…'

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